Disclaimer: Isto é uma chatice. Porque é que a tia Jo há-de ter tudo só para ela? :'c
Silver Heart
Fanfic by Nalamin
Chapter 15 - The Man In The Moon
- Prometes escrever? – perguntou Rose, pela centésima vez naquele dia, abraçando-me fortemente.
- Todos os dias. – Senti-a soluçar contra o meu ombro. – Por favor, não chores. Não é como se eu fosse para o outro lado do mundo, Rosie. E sabes que podes visitar-me sempre que quiseres.
Ela deu mais um pequeno soluço mas afastou-se suavemente, sorrindo. Scorpius foi o próximo a despedir-se, beijando a minha testa suavemente. James apareceu de repente, empurrando Scorpius para o lado e erguendo-me no ar, rodopiando e dizendo que, apesar de todos os meus maus tratos à sua pessoa, iria ter saudades. Sorri-lhe e dei-lhe um abraço apertado, como que pedindo desculpa e agradecendo por tudo. E, finalmente, quando todos se afastaram, Theodore prostrou-se à minha frente, com um sorriso triste nos lábios.
- Para onde vais agora?
- Para começar, Atenas. Tenho de comprar uma coruja, senão Rose mata-me.
- Depois Anáfi? – assenti.
- És mais do que bem-vindo na minha ilha, Ted. Visita-me sempre que quiseres, durante o tempo que quiseres. – afirmei, levando a minha mão à dele.
- Vou fazer isso. – ele suspirou, tomando a minha mão entre as dele. O silêncio pairou por uns momentos. - Lembras-te da primeira coisa que te disse quando nos conhecemos? – franzi o sobrolho.
- 'Aqui esta o prodígio'? – ele riu.
- Disse-te que podias contar comigo. Confiar em mim. Que faria de tudo para não te desiludir ou magoar.
- Creio que disseste que farias de tudo para que a minha estadia fosse agradável.
- Estou a parafrasear. O importante é que falei a sério. Podes mesmo confiar em mim.
- Eu sei, nunca duvidei disso. Nem por um segundo.
- Então, porquê? – olhei-o, confusa.
- Não estou a perceber a pergunta.
- Porque é que não te permites a ti mesma gostar mais de alguém do que da esgrima? – engoli em seco. Se eu fosse pessoa de corar, estaria vermelha até à ponta dos cabelos. – E quando digo alguém, refiro-me, obviamente, a mim. – Por Zeus, íamos mesmo ter aquela conversa no meio da estação?
- Eu não sou Victoire, Theodore. – respondi, depois de alguns segundos. - Não sou graciosa, ou bonita, nem tenho uma personalidade agradável. Sou desinteressada, apática, prefiro o mundo muggle a este e gosto de dizer palavras complicadas. E tu és um espírito livre, alegre, engraçado, espontâneo, que rapidamente se aborreceria na minha companhia.
- Kyri, tu dás o teu melhor a cada fôlego, sabes disso e sabes que eu também sei disso.
- Creio que o meu melhor não é suficientemente bom para ti. – ele fitou-me, incrédulo. - Sou boa com um florete, não com relacionamentos.
- Não? Eu acho que foste bem sucedida no único relacionamento sério que tiveste.
- E qual foi ele?
- A esgrima. – franzi o sobrolho.
- Não é, de maneira nenhuma, comparável.
- Não? Então vamos ver. – disse ele, desafiador, tirando a mão direita de cima da minha e começando a contar pelos dedos. - Tu adoras a esgrima, eras capaz de quase tudo por ela, acordas a pensar nela, adormeces a pensar nela e treinas todos os dias. Podes não obter sempre os melhores resultados, mas continuas a treinar porque não há nada no mundo de que gostes mais. Vais dizer-me que não e isso que vês quando olhas, por exemplo, para Rose e Scorpius?
- Eles estão envolvidos a um nível muito mais profundo. Eles amam até os defeitos e manias um do outro. – ele bufou, exasperado.
- E porque é que assumes que eu não amo as tuas esquisitices? O teu tédio, desinteresse e mania de usar palavras longas e rebuscadas que eu, muitas vezes, não faço a menor ideia de qual é o significado? A tua aversão a mostrar as pernas por causa de pequenas cicatrizes que fazem de ti quem tu és? A tua insistência em dizeres que não és bonita quando já te disse que és a mulher mais linda que eu alguma vez vi?
- Theodore…
- E porque é que não admites que adoras as minhas ocasionais faltas de memória e o facto de eu aparentar ser um bom menino ao dizer-te todas estas coisas quando, na verdade, só te quero puxar para mim e beijar-te até de manhã?
- E porque é que não consegues ver que somos incompatíveis, Ted? Por Zeus, daqui a dois meses vou começar a viajar pelo mundo todo, em competições. Só voltarei a ter tempo livre daqui a quase um ano. E tu, tu tens o teu trabalho em Hogwarts. Que espécie de relação poderíamos nós ter?
Vi-o hesitar durante uns segundos antes de me responder. Mas a resposta que obtive não foi falada. E foi muito mais esclarecedora e convincente do que eu poderia à partida pensar.
Theodore hesitou antes de responder, analisando o rumo que aquela conversa estava a levar. A parte positiva era a de que agora tinha a certeza absoluta de que ela correspondia os seus sentimentos. A parte negativa era que, apesar disso, Kyrianne achava que não era suficientemente boa para ele. Aquele era, sem dúvida, o momento sobre o qual Rose o avisara.
(FLASHBACK)
- Rose? Estás decente? – um riso ecoou de dentro da camarata.
- Sim, Teddy, entra.
Theodore entrou na camarata da ruiva e sentou-se na cama enquanto ela arrumava os seus pertences no malão. As carruagens que levariam os alunos à estação de Hogsmeade saiam dali a duas horas. Mais um ano que findara. Mas aquele ano fora diferente. Pelo menos para Theodore.
Kyrianne mudara tudo: a sua maneira de ver o mundo, a sua maneira de ser, a sua maneira de pensar e, sobretudo, a sua maneira de sentir. Aquilo que sentia pela campeã não era, de todo, comparável ao que sentira por Victoire. E, apesar de todos os momentos especiais e de todos os anos que passara com a loira, Victoire nunca o fizera chegar ao ponto de pensar que não era possível viver sem ela.
E Victoire não fora a primeira por quem se apaixonara. Tinha sido, de facto, aquela que amara mais. De toda a forma, o importante era que se tinha apaixonado várias vezes, sempre da mesma maneira. Mas Kyrianne também mudara isso. Quer dizer, claro que tudo começara como todas as suas outras paixões começaram: uma enormíssima atracção. Kyri era belíssima, e nenhum rapaz lhe ficava indiferente. Ela parecia não saber o quão bonita era, o que só a tornava ainda mais atraente. E até aí tudo bem. Uma simples atracção é normal e não problemática, principalmente porque não era mútua. Mas depois…
Depois ela fizera-o considerá-la uma das suas amigas mais queridas. Fizera com que ele quisesse falar-lhe da sua vida, contar-lhe os seus sonhos e planos, os seus arrependimentos e desilusões. Fizera com que ele fosse a correr ter com ela a uma ilha perdida algures na Grécia apenas para a confortar. Acima de tudo, fizera com que, para além dos treinos – que estavam marcados como 'horário profissional' -, ele quisesse passar tempo com ela. De preferência, todo o tempo.
Mas, e de novo, ela não se apercebia disso. Até àquele treino, em Abril. Aí ele tivera a certeza de que ela também sentia qualquer coisa. Vira nos seus olhos quando lhe dissera que ela era uma deusa. A deusa dele. Não lho dissera exactamente por estas palavras, mas sabia que ela compreendera. E a partir daí, a partir do momento em que admitiu a si próprio e à sua deusa que estava apaixonado por ela, caiu tudo numa espiral descendente: Victoire, que, apesar dos seus longos cabelos loiros, de burra tinha muito pouco, começava a aperceber-se da distância do seu amado, das desculpas cada vez mais esfarrapadas para ficar em Hogwarts; a pressão dos padrinhos e dos Weasley para um casamento em breve aumentava de dia para dia e, depois da segunda ronda das Olimpíadas, o problema 'Louis'.
Felizmente, este último problema desaparecera logo depois das finais. Ele tinha a certeza que Kyrianne tinha dormido com Louis e isso deixava-o fora de si. Outro homem a tocar na deusa! Só de pensar nisso começava a tremer. De cada vez que olhava para Kyrianne imaginava aquilo que Louis escrevera na carta: as mãos do francês a percorrem a pele sem falhas dela, os lábios dele nos dela, os seus gemidos de prazer…era demasiado, não conseguia lidar com aquilo. Fora por isso que se afastara. Doía olhar para a deusa e lembrar que ela tinha sido de outros antes de ser dele. Mas o que doía mais era ter plena consciência de que ela não era sua.
Isso corroía-o dia e noite, embora ele não demonstrasse. Estar com Victoire tornara-se agora impensável e, por isso, decidira, tal como a deusa dissera, libertá-la do compromisso que partilhavam para que ela pudesse encontrar alguém que a amasse da mesma maneira que ele amava Kyrianne. E, ao contrário do que esperava, Victoire compreendeu e agradeceu pela sinceridade. Disse que gostava, apesar de tudo, que permanecessem bons amigos, até porque, de certa forma, eram família. Ele acedeu a esse pedido com todo o gosto e, antes de voltar para Hogwarts, ouviu o conselho que ela lhe dava. E pô-lo em prática no dia seguinte.
Fora por isso, embora Kyrianne não soubesse, que Rose e James a tinham apresentado aos Weasley e aos Potter. Porque, seguindo o conselho da mulher a que chamara sua durante anos, ele contara toda a história à família antes da formatura. Claro que Rose já sabia há meses, muito antes, provavelmente, até de Ted se dar conta. Até James, que estivera vidrado na deusa, afirmara que desistira de a conquistar porque se apercebera que ele estava apaixonado por ela. E, perante isto, e depois de mais algumas explicações, a família não teve outra hipótese senão ficar curiosa em relação à mulher que arrebatara o coração dele daquela forma.
Mas ela não era uma mulher. Era uma deusa. E fora isso que o fizera tomar aquela decisão. Fora isso que o levara à camarata de Rose antes de partirem para o comboio. Escolhera ser ele a abrir a caixa. Sabia que, provavelmente, ela nunca o faria, portanto, tinha de tomar uma atitude. Não queria apenas uma semana, um mês ou um verão com ela. Queria uma vida.
Rose, como sempre, tinha algo incrivelmente inteligente a dizer sobre o assunto. Apesar do curto espaço de tempo, conhecia Kyrianne quase melhor do que a ela mesma e estava pronta para o aconselhar fosse qual fosse a decisão que ele tomasse. No entanto, comentou com ele que não estava surpresa com o caminho que ele escolhera palmilhar. E que teria de pedir o dinheiro da aposta a James.
- Vocês apostaram sobre isto?
- Bom, dado que só nós é que sabíamos, tornou-se engraçado. Mas vamos ao que interessa. – disse ela, sentando-se ao lado dele na cama. - Vais ter de ter uma conversa super racional com ela. Terás de a convencer por a + b que devem ficar juntos, que é o certo a fazer. No entanto, isso pode não resultar. Não temos ideia de como Kyri reagirá quando lhe disseres que estás apaixonado por ela. – ele ponderou por uns momentos.
- E se isso acontecer? Se a + b não resultar, o que é que eu faço? – ela sorriu e levantou-se, retomando o que estava a fazer.
- Segue a opção c): beija-a. – respondeu, encolhendo os ombros.
(FIM DE FLASHBACK)
Lembrando-se do conselho de Rose, Theodore tomou uma decisão.
Ele fitava-me intensamente, o que me fez pensar que ele estava prestes a lançar a bomba 'A'. Mas, de repente, ele puxou-me para ele pela mão que segurava e, colocando a mão livre na curva do meu pescoço, beijou-me.
A princípio, o meu choque não me deixou reagir. Mas depois de uns segundos, retribuí o seu beijo. Tudo naquele momento era perfeito, quem era eu para o estragar? Juntei a minha outra mão à que estava por detrás do seu pescoço e deixei-me levar. Tal como Rose dissera, era absolutamente incrível deixar-me levar por outra pessoa; tal como eu descobrira em Anáfi, no Ano Novo, o meu caminho rumo a felicidade começava a apresentar formas cada vez mais definidas; e tal como dissera no meu discurso de formatura, tinha uma nova pena e uma imaculada folha em branco para escrever e desenhar o meu futuro. E mal podia esperar para o fazer.
- Tens a certeza de que tens de voltar já para casa? – disse Theodore, baixinho, quando nos afastámos para respirar. Ao fundo, por detrás dele, ouvi James gritar 'Bem-vinda ao clã Weasley-Potter-Lupin!'. Ri, feliz.
- Acho que Anáfi pode esperar umas semanas por mim.
E quando ele retomou o beijo, eu dei-me conta de uma coisa: finalmente era uma lua independente. Apesar de ainda devotar um grande amor ao meu planeta, descobrira outros planetas que me deixaram adoptá-los como meus, mesmo sabendo que eu nunca esqueceria aquele que, em primeiro lugar, me cativou. E, finalmente, descobrira outra lua que, apesar de ser em tudo diferente de mim, estava disposta a aceitar todas as minhas falhas e desníveis, a partilhar verdadeiros mares de tranquilidade e, acima de tudo…
…a criar comigo uma órbita só nossa.
FIM
N/A: Qualquer dúvida, curiosidade ou seja o que for, o meu face, o meu hi5, o meu dA e o meu mail estão no meu profile. Dêem-lhes uso :D
btw, alguém reparou nos títulos? :p
Até à próxima fic!
Lots of love,
~Nalamin
