NA MANHÃ SEGUINTE FIQUEI SURPRESA POR VER Laurent entrar no primeiro período de EF justo quando o sinal de atraso soou. Ele estava vestido com uma bermuda de basquete e um moletom branco da Nike. Seus tênis de cano alto pareciam novos e caros. Após dar um pedaço de papel para a Senhorita Jéssica, ele capturou o meu olhar. Ele deu um aceno baixo e se juntou a mim nas arquibancadas.

"Eu estava me perguntando quando iríamos nos esbarrar novamente," ele disse. "O escritório principal percebeu que eu não tive EF pelos últimos dois anos. Não é obrigatório em escolas particulares. Eles estão debatendo como vão encaixar quatro anos de EF nos próximos dois e meio. Então aqui estou eu. Eu tenho EF no primeiro e no quarto período."

"Não fiquei sabendo por que você se transferiu para cá," eu disse.

"A anuidade estava comendo toda a aposentadoria dos meus pais,"

A Senhorita Jéssica soprou seu apito.

"Suponho que o apito signifique algo," Laurent disse para mim.

"Dez voltas ao redor do ginásio, nada de cortar caminho." Eu me levantei das arquibancadas. "Você é atleta?"

Laurent deu um pulo, dançando na ponta dos pés. Ele lançou alguns ganchos e socos no ar. Ele terminou com um direto no queixo que parou bem perto do meu. Sorrindo, ele disse, "Um atleta? Até a alma."

"Então você vai amar a idéia de diversão da Senhorita Jéssica."

Laurent e eu corremos as dez voltas juntos, então nos dirigimos para fora, onde o ar estava atado com uma névoa fantasmagórica. Parecia obstruir os meus pulmões, me sufocando. Do céu vazava alguns pingos de chuva, tentando arduamente empurrar uma tempestade na cidade de Coldwater. Eu olhei as portas do prédio, mas sabia que não faria diferença alguma; a Senhorita Jéssica era durona.

"Eu preciso de dois capitães para softball," ela chamou. "Vamos, pareçam vivos – Vamos ver algumas mãos no ar! O melhor voluntário, ou eu escolherei os times, e eu nem sempre jogo limpo."

Laurent levantou sua mão.

"Certo," a Senhorita Jéssica disse para ele. "Aqui, na base do batedor. E que tal... Tânia Denali como capitã do time vermelho."

Os olhos de Tânia varreram Laurent. "Manda ver."

"Laurent, vá em frente e escolha primeiro," a Senhorita Jéssica disse.

Precipitando seus dedos em seu queixo, Laurent examinou a sala, parecendo avaliar nossas habilidades de rebater e apanhar só pela nossa aparência. "Bella," ele disse.

Tânia jogou seu pescoço para trás e riu. "Obrigado," ela disse a Laurent, mostrando-lhe um sorriso tóxico que, por razões que eu não conseguia entender, hipnotizava o sexo oposto.

"Pelo quê?" disse Laurent.

"Por nos entregar o jogo." Tânia apontou um dedo pra mim. "Há uma centena de razões para eu ser uma líder de torcida e a Bella não. Coordenação motora encabeça a lista".

Eu estreitei meus olhos para Tânia, então caminhei até o lado do Laurent e enfiei um uniforme azul por sobre a minha cabeça.

"Bella e eu somos amigos," Laurent disse a Tânia calmamente, quase friamente. Era um exagero, mas eu não ia corrigi-lo. Tânia pareceu como se um balde d'água fria tivesse sido jogado nela, e eu estava gostando disso.

"Isso é porque você não conheceu ninguém melhor. Como eu." Tânia retorceu seu cabelo ao redor de seu dedo. "Tânia Denali. Você saberá tudo sobre mim muito em breve." Ou seu olho teve um tique, ou ela piscou para ele.

Laurent não deu resposta alguma, e seu ranking de aprovação subiu alguns degraus. Um cara menor teria caído de joelhos e implorado a Tânia por qualquer atenção que ela desejasse dispor.

"Queremos ficar aqui a manhã toda esperando a chuva vir, ou ir direto ao negócio?" a Senhorita Jéssica perguntou.

Após dividir os times, Laurent liderou o nosso até o abrigo cavado e determinou a ordem de rebatida. Dando-me um taco, ele empurrou um capacete na minha cabeça. "Você é a primeira, Swan. Tudo o que precisamos é que chegue a base."

Dando um giro de prática, e quase acertando-o com ele, eu disse. "Mas eu estava com vontade de fazer um home run."

"Vamos fazer um desses também." Ele me direcionou na direção da base do batedor. "Vá para o campo e balance inteiramente."

Eu equilibrei o taco no meu ombro, pensando que talvez eu devesse ter prestado mais atenção durante o World Series. Está bem, talvez eu devesse ter assistido o World Series. Meu capacete deslizou sobre meus olhos, e eu o empurrei para cima, tentando analisar o campo interno, que estava perdido debaixo de punhados de neblina necrófagas.

Tânia Denali tomou seu lugar no monte do arremessador. Ela segurou a bola na frente de si, e eu notei que seu dedo do meio estava levantado para mim. Ela mostrou outro sorriso tóxico e jogou a bola de softball para mim.

Eu peguei um pedaço dela, mandando-a voando para a terra no lado errado da linha de falta.

"Foi um strike!" a Senhorita Jéssica chamou de sua posição entre a primeira e a segunda base.

Laurent gritou do abrigo cavado, "Essa tinha muito giro – mande uma limpa para ela!" Levei um momento para perceber que ele estava falando com a Tânia e não comigo.

Novamente a bola deixou a mão de Tânia, arqueando-se sobre o céu sombrio. Eu girei, um erro puro.

"Segundo Strike," Seth disse pela máscara de receptor.

Eu lhe dei um olhar duro.

Afastando-me da base, eu dei mais alguns giros de prática. Eu quase não vi Laurent vindo atrás de mim. Ele esticou seus braços ao meu redor e posicionou suas mãos no taco, fluindo com as minhas.

"Deixe-me te mostrar," ele disse no meu ouvido. "Assim. Sente isso? Relaxe. Agora gire seu quadril – está tudo no quadril."

Eu conseguia sentir meu rosto esquentar com os olhos da classe em nós. "Acho que peguei o jeito, obrigada."

"Arrumem um quarto!" Tânia disse para nós. O campo inteiro riu.

"Se você lhe jogasse um arremesso decente," Laurent disse de volta, "ela acertaria a bola."

"Meu arremesso está certeiro."

"O giro dela está certeiro." Elliot abaixou sua voz, falando só comigo. "Você perde contato visual no minuto que ela solta a bola. Os arremessos dela não são limpos, então você vai ter que trabalhar para acertá-los."

"Estamos segurando o jogo aqui, gente!" a Senhorita Jéssica chamou.

Bem então, no estacionamento além do abrigo cavado algo chamou minha atenção. Eu pensei ter ouvido meu nome ser chamado. Eu me virei, mas mesmo quando o fazia, eu sabia que meu nome não fora dito em voz alta. Tinha sido dito silenciosamente na minha mente.

Bella.

Edward usava um boné de beisebol azul claro e estava com seus dedos presos na cerca com malha em forma de corrente, inclinando-se contra ela. Nada de casaco, apesar do clima. Só preto da cabeça aos pés. Seus olhos estavam opacos e inacessíveis enquanto ele me observava, mas eu suspeitava que havia muito acontecendo por trás deles.

Outra seqüencia de palavras arrastou-se pela minha mente.

Lições para rebater? Belo... toque.

Eu soltei uma respiração firme e disse a mim mesma que tinha imaginado as palavras. Porque a alternativa era considerar que Edward tinha o poder de enviar pensamentos para a minha mente. O que não podia ser. Simplesmente não podia. A não ser que eu estivesse delirando. Isso me assustava mais do que a idéia de que ele tivesse violado métodos normais de comunicação e pudesse, por vontade, falar comigo sem mesmo abrir sua boca.

"Swan! Fique atenta ao jogo!"

Eu pestanejei, voltando a vida bem a tempo de ver a bola rolando pelo ar na minha direção. Eu comecei a balançar, então ouvi outra corrente de palavras.

Ainda... não.

Eu segurei, esperando pela bola chegar até mim. Enquanto ela descia, eu dei um passo para frente na direção da frente da base. Eu girei com tudo que tinha.

Um grande estouro soou, e o taco vibrou nas minhas mãos. A bola viajou até Tânia, que caiu de costas. Apertando-se entre a interbase e a segunda base, a bola saltou pela grama do campo interno.

"Corre!" meu time gritou do abrigo cavado. "Corre, Bella!"

Eu corri.

"Derruba o taco!" eles gritaram.

Eu o joguei de lado.

"Fica na primeira base!"

Eu não fiquei.

Pisando num canto da primeira base, eu a circulei, correndo a toda velocidade na direção da segunda. O campo esquerdo tinha a bola agora, em posição para me expulsar. Eu abaixei minha cabeça, movi meus braços a todo

gás, e tentei me lembrar como os profissionais da ESPN deslizavam para a base. Primeiro com os pés? Primeiro com a cabeça? Parar, cair, e rolar?

A bola navegou na direção do jogador da segunda base, um branco girando em algum lugar da minha visão periférica. Uma entonação animada da palavra "Deslize!" veio do abrigo cavado, mas eu ainda não tinha me decidido qual acertaria a terra gelada antes – meus sapatos ou meu rosto.

O jogador da segunda base agarrou a bola do ar. Eu mergulhei primeiro de cabeça, os braços esticados. A luva saiu do nada, descendo sobre mim. Ela colidiu com o meu rosto, um cheiro forte de couro. Meu corpo machucou-se na terra, deixando-me com um bocado de brita e areia se dissolvendo debaixo da minha língua.

"Ela está fora!" gritou a Senhorita Jéssica.

Eu cambaleei de lado, me inspecionando por machucados. Minhas coxas queimavam em uma estranha mistura de quente e frio, e quando levantei minha roupa de malha, dizer que parecia que dois gatos tinham sido soltos nas minhas coxas seria uma atenuação. Mancando até o abrigo cavado, eu desmoronei no banco.

"Fofo," Laurent disse.

"O truque que eu fiz ou minha perna machucada?" Dobrando meu joelho contra meu peito, eu gentilmente tirei o máximo de terra que eu consegui.

Laurent curvou-se de lado e soprou o meu joelho. Vários dos pedaços maiores de terra caíram no chão.

Um momento de silêncio estranho se seguiu.

"Consegue andar?" ele perguntou.

Ficando de pé, eu demonstrei que, enquanto minha perna estava uma zona de arranhões e terra, eu ainda conseguia usá-la.

"Posso te levar para a enfermaria se você quiser. Te colocar uns band-aids," ele disse.

"Sério, eu estou bem." Eu olhei para a cerca, onde tinha visto Edward por último. Ele não estava mais ali.

"Aquele era o seu namorado parado na cerca?" Laurent perguntou.

Eu fiquei surpresa por Laurent ter notado Edward. Ele estivera de costas para ele. "Não," eu disse. "Só um amigo. Na verdade, nem isso. Ele é o meu parceiro de biologia."

"Você está corando."

"Provavelmente queimadura de vento."

A voz do Edward ainda ecoava na minha cabeça. Meu coração bombeava mais rápido, mas na verdade, meu sangue correu mais gelado. Ele tinha falado

diretamente com os meus pensamentos? Havia alguma ligação inexplicável entre nós que permitia que isso acontecesse? Ou eu estava ficando louca?

Laurent não pareceu inteiramente convencido. "Você tem certeza de que nada está acontecendo entre vocês dois? Eu não quero perseguir uma garota que não está disponível."

"Nada." Nada que eu fosse permitir, de qualquer jeito.

Espera. O que Laurent tinha dito?

"Perdão?" eu disse.

Ele sorriu. "A Delphic Seaport reabre nesse sábado à noite, e Jacob e eu estamos pensando em dirigir até lá. O clima não deve estar muito ruim. Talvez você e a Alice queiram ir?"

Eu levei um momento para considerar essa oferta. Eu tinha bastante certeza de que se eu recusasse o Laurent, a Alice me mataria. Além do mais, sair com Laurent parecia um jeito bom de escapar da minha desconfortável atração pelo Edward.

"Parece uma boa idéia," eu disse.