Edward estava me cansando...

Eu comecei a perceber isso quando eu passei a gostar de ficar mais no trabalho do que em casa.

Ele estava mudado, não era mais o meu Edward.

O Edward que eu conheci com 17 anos.

O Edward que é meu desde os 17 anos.

Segundo Alice ele não "curtiu" a adolescência e agora quer dar uma de garotão.

Às vezes eu penso que ele não me ama mais e isso dói tanto.

Estamos juntos há 8 anos e eu o amo como se o tivesse conhecido ontem.

- Hey! – Alice me chamou.

- Desculpe... – forcei um sorriso pra ela.

- Problemas? – ela perguntou.

- Edward... – passei a mão nos cabelos. – Eu não sei mais o que fazer Alice... – disse com a voz embargada.

- Minha amiga... – ela segurou minha mão por cima da mesa. – Você sabe que ele te ama Bella... é só uma fase.

- Essa fase está demorando muito pra passar Ali, eu estou tão cansada... – choraminguei.

- Você pensa em se separar dele? – ela perguntou com cautela.

- Sim... – uma lágrima escapou dos meus olhos. – Oh Deus! Como me dói dizer isso...

- Você sabe que precisa de força, não sabe? – ela perguntou. – Ainda mais agora Bella... vai contar a ele?

- Ainda não... – enxuguei meu rosto. – Nós estávamos planejando isso há um tempo atrás, mas agora eu acho que ele não quer mais.

- Como você pode ter certeza Bells? – ela disse triste.

- Alice, eu não sou cega... Edward não é mais o mesmo há meses. Ele chega tarde em casa, sai de noite e só volta de madrugada, não diz mais que me ama... mal me toca... As coisas mudaram. Eu sei que mudaram...

- Você está melhor? O enjôo? – eu apenas assenti. – Porque não fica um tempo lá em casa? De repente ele cai na real, sente sua falta... sei lá.

Eu comecei a chorar em pleno café no centro de Chicago.

- Eu acho que não tem mais jeito Ali... nos magoamos demais, falamos coisas sem pensar e se eu tiver que sair de casa vai ser definitivo.

- Vamos amiga. – ela levantou e colocou uma nota de 20 dólares na mesa. – Vamos pra casa.

Alice me levou pra casa dela até eu me acalmar.

Eu sabia que Edward não estaria em casa tão cedo e que quando chegasse ia grudar naquele videogame dele, então eu não recusei o convite.

Edward saia do trabalho as 5, mas só chega em casa por volta das 9.

O que ele fazia?

É uma boa pergunta, mas eu não tenho resposta pra ela... infelizmente.

Eu acabei dormindo no sofá de Alice e quando acordei já era 8 da noite.

- Eu preciso ir Alice. – eu disse assim que a encontrei na cozinha.

- Ok, qualquer coisa me ligue, tá? – ela disse. Eu assenti. – Qualquer coisa mesmo...

Eu a abracei.

- Obrigada Ali.

Nos despedimos e eu fui pra casa.

Como Edward estava com meu carro, eu fui de táxi.

Assim que eu cheguei vi o carro na garagem, sinal que ele havia chegado.

Eu estava tão cansada, tão desanimada...

Eu não tinha mais vontade de voltar pra casa, de vê-lo, nem o bebê que eu esperava me animava.

Alice e minha mãe tinham medo que eu entrasse em depressão e tentavam de todas as formas me ajudar.

Mas o único que poderia me ajudar era Edward.

Eu só precisava que ele me amasse como antes.

Eu precisava ouvir da sua boca que ele me amava... ele nunca mais havia dito.

Eu entrei e o vi sentado no sofá, vendo TV e bebendo uma cerveja.

- Oi. – ele disse sem me olhar.

- Oi.

- Onde você estava? – ele perguntou.

- Alice. – me limitei a responder. – Vou ajeitar sua janta.

Ele não me respondeu. Eu fui pra cozinha e fiz uma massa rápida.

Quando a comida ficou pronta, Edward pegou seu prato e foi comer na sala.

Eu fiquei sozinha naquela mesa de jantar enorme e perdi completamente minha fome.

Deus! Quando tudo tinha mudado?

Quando tínhamos nos perdido um do outro?

Nós nos amávamos tanto...

Lembranças de um passado feliz vieram a minha mente me fazendo chorar.

O nosso casamento na praia... foi tão perfeito. Edward fez tudo como eu havia pedido.

Nosso primeiro beijo dando escondido na escola. A monitora nos perseguia a escola inteira depois disso.

Nossa primeira vez... os dois virgens e inexperientes. Sem saber o que fazer ou onde tocar.

Tantos planos... e um futuro tão distante de nós agora.

Edward se levantou, passou por mim e colocou seu prato na pia.

Será que ele tinha noção do quanto me machucava?

Eu estava chorando, ele sabia que eu estava chorando, mas fingiu não ver.

Em outro tempo ele me pegaria no colo, me deitaria na cama e me embalaria em seus braços como um bebê precisando ser protegido.

Cantaria pra mim e diria "tudo vai ficar bem meu amor, eu estou aqui."

Quando foi que eu perdi isso?

O que eu fiz pra afastá-lo?

O que eu fiz pra que o amor dele acabasse assim?

Eu arrumei a cozinha ainda com lágrimas nos olhos e subi.

Quando cheguei ao quarto apenas troquei de roupa e peguei meu diário aonde eu o escondia de Edward.

Um pequeno sorriso se formou em meus lábios ao lembrar das vezes que ele tentou lê-lo a força.

Me lembro de nós dois correndo como loucos pela casa. Ele com meu diário na mão e eu pulando em suas costas tentando derrubá-lo e pegar meu tesouro.

É um tempo que não volta mais.

Eu escrevi meus pensamentos no diário enquanto lágrimas borravam a folha fina de papel.

Eu daria tudo pra que as coisas voltassem a ser como eram antes.

Um trovão cruzou o céu de Chicago e eu me assustei.

Eu tinha medo de tempestades, raios e trovões.

Caia uma chuva torrencial em Chicago e o meu Edward estaria aqui do meu lado tentando me acalmar e me proteger.

Mas o Edward que estava lá embaixo eu já não conhecia mais.

Ele se perdeu de mim.

Juntei meu corpo, abraçando meus joelhos em posição fetal esperando que meu peito não se desmanchasse em tantos pedaços que seria impossível juntá-los depois.

Eu tinha esperança que tudo mudaria... pra melhor.

Eu tinha que ter.

Eu ouvi a porta ser aberta e logo em seguida ser fechada.

Edward não me via, porque eu olhava a chuva na janela.

Minutos depois que ele entrou sua voz ecoou pelo quarto.

- Vou sair. – ele disse.

Eu não respondi. Não precisava de resposta.

Eu só precisava agir, minha decisão fora tomada.

Eu o olhei partir da janela e assim que ele sumiu na rua eu peguei a cadeira do quarto e subi nela.

Meu alvo era a mala em cima do guarda-roupa.

Eu iria embora.

Eu iria deixar Edward viver a vida que ele queria viver.

E eu já não fazia mais parte dela... da sua vida.

Eu coloquei tudo que coube ali dentro. Peguei minhas coisas pessoas, meus projetos da empresa, os porta-retratos com fotos do meu pai, minha mãe, Alice e por último eu coloquei um com a foto do nosso casamento.

Edward estava lindo naquele dia.

Se eu fechasse os olhos eu podia vê-lo naquela praia. Seus olhos estavam mais verdes por conta do sol, seus cabelos ainda mais claros, num tom incrível de dourado, sua pele branca refletiva pelos poucos fios loiros da sua barba um pouco crescida... Aquilo foi um pedido meu. Eu tinha pedido que ele não se barbeasse naquela manhã.

Eu me sentei na cama e permiti que as lágrimas caíssem.

Eu não podia ir sem me despedir dele, eu não conseguiria.

Deitei na cama e fiquei esperando que ele voltasse da onde quer que ele tivesse ido.

Depois de uma hora e meia ele voltou.

- O que é isso? – ele perguntou sério quando entrou no quarto e viu minha mala.

- E-eu estou indo... pra casa da Alice. – disse entre meus soluços.

- Porque da mala?

- Porque eu não vou voltar Edward. – eu não tinha coragem de olhá-lo.

Meu estômago embrulhou e eu lutei pra não vomitar no carpete.

- Você está me deixando, é isso? – ele perguntou. Sua voz era a indicação nítida que ele ia se alterar.

- Foi você que me deixou primeiro Edward. – sussurrei olhando nos seus olhos. – Há meses você me deixou...

- Que merda você está falando? – ele quase gritou.

- Você mudou Edward. – apontei. – Não somos mais os mesmos juntos, não estamos mais na mesma sintonia... apenas acabou.

- Você está sendo infantil Isabella! – ele cuspiu as palavras.

- Me responde aonde você vai quando sai a noite Edward? – perguntei irritada. – De quem é o perfume que fica nas suas roupas? Ou... onde está o "eu te amo Bella"?

Ele ficou quieto e abaixou os olhos.

- Nem sexo nós fazemos mais Edward... você não me toca a semanas. – eu disse tentando controlar meus soluços.

- Eu nunca traí você Bella. – ele me olhou.

- Pode ser que seja verdade Edward, mas você não me ama mais. – falei. – Você não é mais o Edward com quem eu me casei. O Edward que estava sempre presente, que fazia questão de estar em casa e me ajudava. O Edward que fazia planos comigo... e agora se esqueceu deles... nós precisamos disso Edward, você sabe que precisamos.

- Você não pode ir, ok? – ele segurou os cabelos.

- Eu vou Edward. – me levantei. – Depois a gente conversa sobre a casa e... – eu me calei.

Eu não podia falar pra ele sobre o bebê no meio de uma discussão.

- Adeus Edward. – eu me aproximei dele e toquei seu rosto.

Deus! Como eu o amava!

Eu me partiria em pedaços assim que saísse por aquela porta.

Seria como se eu tivesse morrido sem ele.

- Bella... – ele sussurrou segurando minha mão que ainda estava em seu rosto.

- M-me de-deixe ir Edward... – pedi. Já não me importava mais em segurar minhas lágrimas. Eu queria que ele visse o quanto eu estava ferida. – Eu amo você... eu sempre vou amar você... mas não dá mais, por favor.

Eu tirei a mão do seu rosto e sai do quarto puxando minha mala.

- Bella? – ele me chamou quando alcancei a maçaneta da porta que dava pra rua.

Eu me virei e o encarei.

- Não vá, por favor.. – ele pediu.

- Eu preciso que você defina o que sente por mim Edward... – eu já não enxergava nada por conta das lágrimas. – Se for amor... eu volto.

- Eu amo você Bella. – ele disse. Então porque eu não acreditava? – Por favor, está chovendo muito e de noite. Se quiser mesmo ir vá amanhã de manhã, por favor.

Eu passei pela porta e a bati assim que sai de casa.

Coloquei a mala no carro e dei partida.

Chovia muito e eu sabia que eu não estava em condições emocionais de dirigir, mesmo assim eu insisti.

Quando eu saí da rua onde morávamos um pânico me atingiu e eu comecei a tremer.

Eu tinha deixado Edward... era real. Tinha acontecido e eu sentia como se minha vida tivesse acabado.

Eu peguei o celular e liguei pra Alice.

- Bella? – ela atendeu sonolenta.

- Ali... eu... o deixei... Oh meu Deus Alice... está doendo tanto, não sei se posso suportar. – eu chorava incontrolavelmente.

- Bella, você está dirigindo? Se estiver encoste! – ela quase gritou.

- Não, eu preciso sair daqui...

Eu dirigia mais não enxergava um palmo a minha frente. O limpador de vidro trabalhava frenético no pára-brisa e mesmo assim a chuva forte nublava minha visão.

Eu ouvia Alice me chamando pelo telefone, mas eu não o via.

Era como se eu não estivesse mais no meu corpo.

E de repente tudo aconteceu tão rápido...

Um trovão iluminou o céu negro de Chicago, uma buzina forte veio de fora do carro seguida por faróis cegando ainda mais meus olhos e um bate na parte lateral do carro que eu estava.

Eu fiquei pelo que me pareceu horas ali dentro, rodando e sendo sacudida, até a inconsciência me tomar.

Eu te amo Edward...

Foi a última coisa que eu pensei antes de ir.

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