- Edward POV:
Eu era um babaca!
Ninguém precisava me dizer isso pra saber que eu era um babaca.
Eu fiquei ali vendo a mulher da minha vida ir embora e não fiz nada. Absolutamente nada.
Bella era minha vida. Era como o ar que eu respiro.
Sem ela eu não seria nada. Eu não era nada.
Os últimos meses foram os piores da minha vida.
Eu tentei tanto esconder meus problemas dela e acabei a afastando de mim.
A empresa andava mal e meu emprego estava por um fio.
Bella queria filhos e eu não sabia se eu estava pronto pra ser pai.
Como eu poderia pensar em ter filhos se eu nem sabia se estaria empregado amanhã?
Eu devia ter contado isso pra ela... Eu devia ter explicado tudo a ela ao invés de guardar tudo pra mim e me tornar uma pessoa amarga e egoísta.
Ao invés disso eu me enchi de orgulho e aquilo criou um muro de gelo entre nós dois.
Quando eu percebi já estávamos magoados demais, Bella estava magoada demais.
Ela vivia chorando e escrevendo naquele diário.
Quantas noites eu acordei com seus soluços e quando eu vi, ela estava trancada no banheiro. Chorando sozinha e vivendo uma dor que compartilhávamos juntos, mas que eu não tinha coragem de expor.
Nós falamos tanta merda um pro outro. Eu falei tanta merda pra ela.
E agora eu estava sentado no sofá da nossa casa pensando no que eu podia fazer pra ter ela de volta.
Nem ao menos acreditar que eu ainda a amava, ela acreditava.
A que ponto eu a magoei pra que ela não acreditasse mais em mim?
Bella era tudo pra mim. Há 8 anos ela é tudo pra mim. Nunca houve outra pessoa, eu nunca toquei em outra mulher enquanto estive com ela. Bella foi meu primeiro beijo, primeiro amasso, transa, foi a mulher com que me casei e eu nunca tive vontade de traí-la e saber como eram as outras.
Eu nunca havia bebido antes dos problemas aparecerem. Eu nunca tinha a magoado antes disso também.
Eu precisava dela pra sobreviver a tudo.
E precisava dela do meu lado... pra sempre.
Eu estava disposto a me humilhar pra ter ela de volta. Eu contaria a ela meus problemas, falaria sobre meus medos e pediria perdão de joelhos se fosse preciso.
Eu não dormiria sem ela hoje. Eu não dormia nunca mais se ela não estivesse ao meu lado, na nossa cama.
Eu peguei o telefone e liguei pro celular dela.
Chamou até entrar na caixa de mensagens.
É lógico que ela não atenderia, ela não queria mais me ver e eu me odiava por isso.
Eu me odiava por fazê-la chorar todos os dias. Por não dizer que a amava todos os dias.
Por ficar sentado num banco de praça em pleno inverno ao invés de ir pra casa e conversar como adulto com a minha esposa. Sentar com ela em frente à lareira e beber vinho depois de fazer amor com ela.
Deus! Eu precisava dela...
Chovia tanto e eu precisava saber se ela estava bem.
Ela tinha pavor de tempestades e se fosse como antigamente, ela estaria encolhida como uma criança no meu colo enquanto eu ria dos seus pulos a cada trovão.
Peguei o telefone e liguei pra Alice.
- Bella? – ela atendeu desesperada.
- Não Alice, Edward. – eu disse. – Bella não está ai? – perguntei preocupado.
- Não... ela me ligou, estava dirigindo... e eu ouvi um estrondo, mas não consigo mais falar com ela. – ela estava muito nervosa e eu também. – Edward, acho que aconteceu alguma coisa...
- Alice pelo amor de Deus, onde ela está? – meu desespero era nítido.
- EU NÃO SEI! Não está me ouvindo! Merda! Eu vou ligar pra ela de novo. – ela desligou sem falar mais nada.
Eu peguei meu casaco, minha carteira e saí.
Se ela estava indo pra casa de Alice eu faria o mesmo caminho e a acharia. Ela devia ter parado em algum lugar esperando a chuva passar. Estava impossível de se enxergar com tanta água.
Eu chamei um táxi que passava na rua e dei o endereço de Alice, mas o guiei pelas ruas, pedindo que ele fosse pelo caminho que eu sabia que Bella sempre fazia.
Depois de uns dois quarteirões eu avistei sirenes de ambulâncias e bombeiros.
Meu coração deu um pulo no peito e eu forcei a me acalmar.
Estava chovendo muito e era normal acidentes em Chicago, ainda mais naquele cruzamento.
Mas quando o taxista ia passando ao lado daquela confusão eu reconheci o nosso carro.
Oh meu Deus!
- Pára! – eu pedi ao taxista. – PÁRA! PÁRA! - eu gritava desesperado.
Ele encostou próximo a calçada e eu joguei uma nota de 20 dólares em cima dele.
Eu saí correndo e da onde eu estava vi que era a nossa placa.
- BELLA! – eu gritei. – BELLA!
Eu fui parado por um policial, que me impedia de passar com as mãos espalmadas no meu peito.
- Senhor não pode entrar lá. – ele disse calmamente.
- É a minha esposa! – eu disse desesperado. – Por favor, é a minha mulher.
- Tem certeza? – ele quis saber.
- Esse carro é nosso, é a nossa placa! – eu quase gritei enquanto segurava os cabelos.
Ele puxou um rádio da cintura e chamou por alguém.
- Bronson, me dê o nome da vítima. – ele pediu. Saiu uma voz no rádio que eu não consegui ouvir nitidamente. – Sua esposa se chama Isabella Cullen?
Oh Deus!
- Sim é a minha mulher! – eu disse alterado. – Me deixe passar, meu nome é Edward Cullen... é a minha mulher. – eu disse.
Ele deixou que eu passasse e eu corri mais do que minhas pernas poderiam agüentar.
Uns 5 metros de distância eu vi Bella deitada no chão. Desacordada e coberta de sangue.
Oh Deus, por favor, não!
A minha Bella não! Eu não posso viver sem ela, não desse jeito.
Eu a deixo se ela quiser ir, mas desse jeito não.
- BELLA! – a chamei quando meus joelhos cederam e eu caí ao lado da sua cabeça.
Eu não podia tocar nela, eu sabia que não podia tocar nela.
- Senhor, se afaste, por favor. – alguém pediu.
- Baby... acorde baby eu vim te buscar. – minhas lágrimas se misturavam com as gotas de chuva impedindo que as pessoas vissem meu sofrimento. – Vocês... VOCÊS NÃO VÃO LEVÁ-LA? FAÇAM ALGUMA COISA!
- Senhor, eu sinto muito. – um oficial disse se aproximando de mim. – Nós fizemos tudo que estava ao nosso alcance, mas ela não resistiu.
Eu soltei meus cabelos e o encarei.
- Não. Não, não, não! Bella, não! – eu segurei seu corpo sem vida e o coloquei em meu colo. – Baby, não faz isso comigo... abra os olhos Bella. Eu preciso de você amor.
Eu me abracei a ela como se minha vida dependesse dela.
Minha vida dependia dela!
Como ela ousou me deixar?
Eu a apertei em meu abraço. Ela estava tão quente.
Seu rosto estava machucado e coberto de sangue, mas ainda era minha Bella. Minha vida.
- Vamos Bella... por favor baby. Eu não posso sem você... acorde, por favor, acorde, acorde Bella, por favor. – eu implorava, sussurrando como um mantra.
Meus lábios colados no seu cabelo chocolate enquanto minhas palavras entrecortadas pelo choro saiam.
- Senhor nós temos que levá-la. – alguém disse atrás de mim.
- Não... – falei num fio de voz. – Leve a mim, por favor, a ela não.
- Senhor?
Alguém tirava ela dos meus braços enquanto braços fortes me seguravam.
Minha vida tinha acabado. A razão da minha existência tinha sido arrancada de mim e nosso último momento junto foi uma briga.
A briga que nos levou a isso.
Eu pedi que me soltasse e que me deixassem ir com ela pro hospital.
Segundo o oficial ele preparariam seu corpo e o manteriam seguro até que eu ajeitasse o velório.
- Edward! – ouvi a voz familiar de Alice me chamar.
Ela entrava correndo pelo corredor. Seu rosto estava molhado e a ponta do nariz vermelho e inchado.
Eu havia ligado pra ela e contado sobre o acidente.
- OH MEU DEUS! – ela parou a alguns metros de mim e tampou a boca com as mãos. – NÃO! OH DEUS NÃO!
Eu não tinha contado a ela que Bella se fora, mas acho que ela adivinhou quando viu meu estado.
- Edward, cadê Bella? – ela perguntou desesperada. – Oh meu Deus!
Ela caiu ajoelhada no chão e chorava copiosamente, assim como eu.
Eu me aproximei dela e me ajoelhei a sua frente, a puxando pra um abraço como se aquilo fosse amenizar nossa dor.
Choramos pelo que me pareceram horas abraçados. Alice era como uma irmã pra Bella e Alice estava inconsolável.
- Por quê? – Alice repetia. – Porque a nossa Bella Edward?
- É minha culpa Alice... nós brigamos e ela saiu de casa... eu não devia ter deixado ela sair. – disse entre meus soluços.
- Ela te amava tanto Edward... – Alice me encarou. – Ela estava tão triste com tudo que o bebê veio pra... – eu a cortei.
- Bebê? – perguntei confuso. – Que bebê Alice? – a segurei pelos ombros.
- Ela estava grávida Edward... – ela soluçou. – Ela ia te contar... ela descobriu essa semana e ia te contar...
Eu soltei seus ombros como se eles tivessem me dado um choque e me levantei lentamente tentando absorver o que Alice disse. Eu segurei meus cabelos num ato de desespero e chorei ainda mais.
Bella estava grávida e eu acabei de perder as duas pessoas mais importantes na minha vida.
Um filho... nós íamos realizar nosso sonho e de repente tudo foi tirado das minhas mãos.
- Sr. Cullen? – alguém me chamou e eu me virei pra olhá-lo. – Dr. Patch. – ele me esticou a mão e eu a apertei. – Eu sinto muito pela sua perda Sr. Cullen, mas precisamos tratar de uns papéis.
Eu não liguei pra sua frieza. Eu apenas o segui e assinei uns papéis relacionado a liberação do corpo e o velório que seria amanhã a tarde.
- Ela tinha família, além do senhor? – eu assenti. – O senhor que avisar ou prefere que o hospital se encarregue disso?
- Eu aviso.
- O senhor sabia da gravidez da sua esposa? – eu neguei. – Ela estava de 4 meses... – ele disse e eu o encarei com os olhos marejados. – Era um menino Sr. Cullen, um menino saudável, mas infelizmente... – eu não deixei que ele continuasse e sai andando. Eu não precisava ouvir alguém ficar repetindo que meu filho e minha esposa estavam mortos.
Renee enlouqueceria. Sua única filha se fora.
Deus! Eu não me acostumaria nunca com isso.
Eu voltei pro corredor onde Alice chorava abraçada aos joelhos e liguei pra casa dos pais de Bella em Forks.
- Alô? – Renee atendeu com a voz arrastada.
- Renee, é Edward. – eu disse tentando não chorar ou transpassar meu desespero.
- Aconteceu alguma coisa querido? Bella está bem? – ela perguntou mudando o tom de voz pra um preocupado.
- Renee vocês precisam vir pra Chicago. – eu disse.
- Edward, onde está Bella? – eu não agüentei e voltei a chorar.
Como eu diria a Renee que Bella nunca mais voltaria a Forks?
Que Charlie não teria mais a sua garota em casa?
Que o neto deles havia morrido?
- Edward? – ela me chamou já desesperada. – Charlie! CHARLIE!
- Ela sofreu um acidente Renee, aconteceu a poucas horas atrás. – eu disse enxugando minhas lágrimas.
- Em que hospital vocês estão? – Charlie perguntou.
- Ela não resistiu aos ferimentos Charlie... – eu disse desolado.
Um silêncio assombrador se instalou no telefone até eu ouvir o grito agudo de Renee do outro lado da linha.
Conversei com Charlie e contei a ele tudo que aconteceu.
Eles chegariam em Chicago pela manhã.
Logo depois eu liguei pros meus pais. Eles amavam Bella como sua própria filha.
Eu chorei junto com minha mãe ao telefone e ela me garantiu que estaria aqui pela manhã, assim como Charlie e Renee.
- Vamos Ali... – eu a ajudei a se levantar da cadeira.
Nós pegamos um táxi e eu a deixei em casa.
Ela queria ficar comigo em minha casa. Segundo ela, ela estava com medo que eu cometesse uma loucura. Eu garanti a ela que não iria me matar, mas que eu precisava ficar sozinho.
Entrar em casa foi difícil.
O cheiro de Bella estava ali, sua presença era quase palpável e onde eu olhava eu era assaltado por uma lembrança sua.
Sempre feliz... apesar de tudo ela estava sempre feliz.
Sua risada era única e pensar que eu nunca mais ouviria me fez querer arrancar o coração do peito.
Eu fui até o pequeno bar que tinha na sala, Bella odiava ele, e peguei uma garrafa de vodka.
Eu encostei o gargalo na boca e em uma golada eu bebi quase a garrafa toda.
Porque eu a deixei ir?
Eu devia ter me jogado a seus pés, a acorrentado no pé da mesa, feito amor com ela até que perdêssemos os sentidos... menos deixar que ela saísse por aquela porta.
Eu me levantei e ao passar pela cozinha tive lembranças de Bella cozinhando enquanto cantava. Os pés sempre descalços e um deles apoiado na panturrilha da outra perna.
Eu já estava meio bêbado assim que me joguei em nossa cama e inspirei profundamente sentindo seu cheiro de morango em seu travesseiro.
Como eu queria morrer nesse momento...
Como eu queria vê-la uma última vez somente pra dizer que a amava incondicionalmente.
Eu te amo Bella... está me ouvindo? Eu te amo mais que a minha própria vida baby.
Ela morreu achando que eu não a amava e isso acabava comigo.
Ela morreu triste e infeliz e eu nunca me perdoaria por isso.
Quando eu puxei seu travesseiro eu vi seu diário. Eu sorri ao lembrar da luta que eu fazia pra tentar lê-lo e ela nunca deixava. Agora isso não importava mais.
Ela não estava mais pra brigar comigo e pular nas minhas costas enquanto eu corria pela casa com seu diário na mão.
Eu o abri sem culpa e comecei a lê-lo.
As primeiras folhas eram sobre coisas felizes, mas duas me chamaram atenção.
A que ela descobriu o bebê e a de hoje.
Eu passei a mão pela página, traçando as gotas secas de suas lágrimas que haviam borrado a tinta da caneta.
"Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Eu acho que a minha chegou. Eu estou grávida, mas em meio a tantos problemas que eu sinto que estou negligenciando meu filho. Em outra época estaríamos em Forks comemorando, mas hoje não é assim. Eu tenho medo de contar a Edward e ele me odiar, odiar o bebê. Eu não sei mais o que fazer pra salvar meu casamento. Eu preciso de uma luz, se alguém puder me ajudar eu vou agradecer. BS."
Ou outro me doeu mais ainda.
"Eu estou exausta de tentar lutar sozinha. Eu estou tão cansada de tudo. Eu o amo, mas acho que as mágoas estão nos superando. Não dizem que o amor supera tudo? Então, porque nosso amor não consegue superar? Edward está cada vez mais distante e tudo está escorregando pelas minhas mãos. Eu tento fechar meus dedos pra impedir, mas é mais forte que eu. Se eu pudesse fazer um pedido eu desejaria que ele ainda me amasse e que fossemos felizes como no ano passado. Como vou criar meu filho sem ele? E se estiver com ele, seria um ambiente saudável pra um bebê? Edward, eu estou clamando pra que nos salve, me ajude, segure minha mão e me ajude a fechar os dedos. Eu não posso te perder. Eu amo você. BS."
Eu fechei o diário e me abracei a ele como se fosse Bella quem estivesse ali.
Meu peito doía em saber que eu havia a machucado tanto e a única coisa que eu pedia era uma segunda chance.
Seu eu pudesse estar com ela de novo eu faria tudo diferente.
Eu a amaria e lhe mostraria meu amor. Eu diria a ela isso todos os dias. Eu faria tudo que ela quisesse ou precisasse pra ser feliz.
Se eu pudesse ver o seu sorriso uma última vez...
Eu a havia perdido... e isso agora era impossível.
Ela nunca mais sorriria outra vez, eu nunca mais a teria nessa cama, eu nunca conheceria meu filho e se eu pudesse eu escolheria morrer de desgosto.
"As pessoas só dão valor quando perdem as coisas que amam."
Essa frase é tão verdadeira...
Olhando os últimos meses eu percebo o quanto negligenciei a pessoa que eu mais amava no mundo.
Em algum momento da noite eu dormi...
Na minha cabeça eu repetia como um mantra que eu precisava vê-la uma última vez.
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