- Edward POV:

"Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor..."

Epitáfio - Sérgio Britto (Titãs).

Eu sabia que eu não estava mais dormindo, mas eu não queria abrir os olhos e encaram a realidade.

Hoje à tarde eu enterraria minha mulher e meu filho. Minha vida...

O pensamento que eu tinha um filho e sequer fiquei sabendo antes que ele fosse tirado de mim me consumia. Se eu pudesse conhecê-lo, se eu soubesse que ele existia ainda no ventre de Bella... tudo seria tão diferente.

Eu queimava por dentro. Meus olhos, mesmo fechados ardiam. Minha garganta ardia, talvez pela vontade que eu estava de gritar e pedir a Deus que me levasse onde Bella estava. Meu coração queimava...

Eu não saberia viver sem ela... nem nesse ou em qualquer outro mundo.

Conforme as primeiras horas da manhã iam passando eu me perguntava se era algum tipo de castigo que eu estava passando...

E eu só ouvia uma resposta... Você deveria ter a amado melhor.

Ser importado mais...

Trabalhado menos...

Dado a atenção que eu sempre dei a ela. A atenção que ela merecia.

Eu tinha perdido a pessoa mais maravilhosa desse mundo e eu sabia que eu nunca seria capaz de amar novamente. Eu nunca amaria alguém além de Bella.

Pensar nisso só me fez ter mais vontade de ir junto com ela... com eles.

Eu sentia meu rosto inchado por conta do choro durante a noite e a madrugada... durante a manhã.

Eu ainda sentia lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto. Me castigando e me lembrando que tudo isso era culpa minha, que eu permiti que essa situação acontecesse.

Eu não deveria ter a deixado ir... Não daquele jeito, nem naquela hora.

Deus, Bella! Eu te amo tanto! Como vou viver sem você baby?

Oh Deus! Eu daria minha própria vida pra vê-la outra vez. Pra dizer a ela o quanto ela é importante na minha vida. Dizer a ela que eu queria nosso garotinho, que eu o amaria como a mim mesmo e que nosso amor aumentaria a partir do momento em que éramos três, uma família. A minha família.

Eu nunca mais ia querer uma se não fosse com Bella.

Era o corpo dela que eu queria que carregasse nosso filho. O mesmo corpo que me aquecia todas as noites. O mesmo corpo que eu cultuava quando fazíamos amor ou quando simplesmente transávamos pela casa, como dois adolescentes com os hormônios em ebulição.

Eu queria aquele corpo. Somente aquele, nenhum outro... mas agora era impossível.

Fechei ainda mais os olhos, minhas pálpebras chegaram a doer, e eu pude sentir seu corpo quente e pequeno no meu. Suas pequenas mãos espalmadas em meu peito nu enquanto nos amávamos, seus cabelos longos caindo como cascata pelos ombros, tão sensuais e tão irritantes ao mesmo tempo, toda vez que eles caiam pelos ombros de Bella tampavam seus seios perfeitos, me impedindo de vê-los, de tocá-los.

Eu suspirei e apertei mais seu diário em meu abraço.

Meus braços e dedos doíam por ter ficado a noite inteira segurando aquele caderno como se ele pudesse me manter vivo.

Eu soltei o abraço nele somente pra ler uma página. Eu escolhi uma aleatoriamente e comecei a ler.

"Hoje definitivamente é o melhor dia da minha vida. Edward me pediu em casamento. Oh meu Deus! Acho que vou me partir de tanta felicidade. Alice está impossível! Não tem nem 3 horas que ele fez o pedido e ela já até escolheu o meu vestido. Eu não tenho dúvida que Edward é o homem da minha vida. Ele é perfeito! Em todos os sentidos. Ele é doce, mas quando fica bravo... O caráter dele é impenetrável, sua personalidade é forte, seu sorriso... seu sorriso ilumina o mundo. Bom, pelo menos o meu mundo. Algumas pessoas dizem que é cedo demais se casar com 20 anos, mas como posso negar isso a ele? A nós? Edward é minha vida a 3 anos e eu quero vivê-la, eu quero sonhar. Eu quero tudo com ele. Quero uma casa no subúrbio com um quintal enorme e nossos filhos correndo por ele. Quero abraçá-lo forte quando os problemas vierem e ouvir ele dizer que vai ficar tudo bem. Eu quero me casar com ele todo ano e depois fazer um filho pra cada casamento. Eu quero ser sua amiga, esposa, amante, companheira, confidente. Deus!... Eu quero ele! Mais que qualquer coisa nesse mundo. Então, a palavra dúvida não existe no meu dicionário nesse momento. Merda! Eu tenho tanto pra escrever, mas Alice me perturba pra gente ver alguma coisa sobre o casamento."

Eu sorri ao lembrar daquilo.

Me lembro do pedido como se fosse ontem.

Estávamos na nossa clareira em Forks. Nevava e Bella estava irritada por isso, mas quando ela viu o anel... ela pulou no meu colo e a neve foi esquecida por boas horas.

Eu passei algumas páginas e me concentrei na sua escrita perfeita.

"Meu peito dói tanto... Quando eu perdi o controle? Quando eu perdi Edward? Quando eu me perdi? Sim, eu me perdi. É assim que eu me sinto sem ele. Perdida, sem rumo. Se eu pudesse, se eu apenas pudesse voltar tudo como era antes... Isso esta me sufocando, me matando por dentro e o pior é que ele não vê."

Eu fechei o diário e o abracei de novo.

Me perdoe meu amor! Me perdoe porque eu nunca vou me perdoar por ter feito você sofrer.

Eu fechei meus olhos mais uma vez. Minha cabeça doía por conta da vodka da noite passada, mas a dor de ser despedaçado ultrapassava qualquer dor física que eu pudesse sentir.

Eu estava entorpecido. Eu podia ser esmagado e não sentiria.

Pensar nisso me fez tomar uma decisão. Eu sabia que tinha prometido a Alice e garantido minha mãe que estaria bem até que eles chegassem, mas a dor de viver sem ela me fez querer ir com ela.

Eu sabia que iria pra um lugar diferente da onde ela estava, mas eu não tinha o direito de viver depois de tudo que eu causei a ela.

Eu a matei, matei nosso filho... e eu iria junto com eles.

O cheiro de Bella me assaltava no quarto apenas pra atenuar minha dor. Eu não conseguiria viver com aquilo. Eu poderia mudar de cidade, estado, de país. Que o seu cheiro me seguiria, estava em mim. Na minha alma. Eu poderia estar no deserto que sentiria cheiro de morango...

Eu apertei mais meus olhos. Eu precisava bolar um plano que tirasse minha vida antes dos meus pais chegassem.

- Eu te mato se você tiver lido isso Edward. – sua voz ecoou pelo nosso quarto.

Ótimo! Agora eu estava alucinando.

Eu estava ouvindo Bella e ela ainda brigava comigo pelo diário, que ainda estava apertado em meu peito.

- Eu juro que estou falando sério Edward. – sua voz estava realmente séria. – Eu espero que você não tenha lido. Espero que ainda haja privacidade entre nós.

Até minha alucinação estava magoada comigo.

Eu merecia viver?

Eu te respondo... NÃO.

Eu senti seu toque em meu ombro e solucei.

Era tão real. Sua mão tão quente e pequena em mim, me trazendo de volta pra casa.

- Edward? – ela me chamou com sua voz doce de anjo. Seu tom havia mudado, eu podia sentir cautela nele.

Eu me virei lentamente. Talvez se eu a estava ouvindo, eu pudesse vê-la.

Eu sei é meio macabro, mas eu precisava vê-la, mesmo que fosse apenas fruto da minha imaginação.

Quando eu virei pra ver atrás das minhas costas eu me assustei. Dei um grito e num pulo eu estava fora da cama.

Ela estava ali! Corava, sorrindo, com a roupa que acordou manhã passada e a mão estendida pra mim.

Ela parecia... tão viva.

- É você? – apontei.

- Sim, sou eu. – ela disse confusa. – Esperava outra pessoa? – perguntou sentida.

- É VOCÊ! – eu disse. Uma onda de alegria me atingindo com força.

Calma, Edward. É sua imaginação. Você não pode tocá-la.

- Edward... você está chorando? – ela perguntou preocupada.

- Oh meu Deus! É você! – as lágrimas jorravam pelos meus olhos. – Bella, é você!

- Você está me assustando. – ela franziu a testa.

Ela estava ali e parecia tão real. Seu corpo quase nu a minha frente, eu podia sentir seu calor da onde estava, me convidando a tocá-la... mas eu não podia fazer isso. Se ela não fosse real eu morreria.

Como se pudesse ouvir meus pensamento ela andou de joelhos sobre a cama e desceu dela, parando a um metro de mim.

- Edward está tudo bem, ok? – ela assentiu. – Você estava sonhando... isso acontece.

Eu queria gritar pra ela que eu não estava sonhando. Mas como eu explicaria o fato dela ter morrido e estar ali na minha frente no dia seguinte?

Ela me estendeu a mão sorrindo e eu fechei os olhos.

Não é real. Não era real!

Deus! Como eu queria que fosse real!

- Edward, por favor, fala comigo. – ela pediu angustiada. – Você está me assustando.

Eu abri meus olhos e a olhei. Tão linda. Seus cabelos estavam bagunçados, como sempre ficavam quando ela acordava. Lábios entre os dentes, como ela fazia quando estava apreensiva, braços cruzados na frente dos seios se protegendo de alguma coisa e suas bochechas rosadas como quando ela ficava nervosa ou envergonhada.

Eu não disse nada. Meu coração estava frenético e eu conseguia sentir sua pulsação nos meus ouvidos.

Eu estiquei minha mão e ela fez o mesmo.

Era carne e calor.

Era ela.

Oh meu Deus! Como isso era possível?

Assim que nossos dedos se tocaram eu a puxei pela mão e a esmaguei num abraço.

Eu segurei seu corpo pequeno entre meus braços a esmagando em meu peito. Meu rosto no vão do seu pescoço, sentindo seu cheiro, sentindo seu calor. Minha mão ganhou vida e segurou seus cabelos da nuca.

Ela estava assustada, não se movia. Nem me abraçar ela abraçou, mas eu estava em casa com ela em meus braços. Meus soluços ecoavam pelo quarto, mas eu não me importava com isso. Ela estava ali.

De um jeito estranho e talvez sobrenatural Bella estava ali.

- Edward, seja o que for que você sonhou, foi apenas isso amor, um sonho. – ela finalmente me abraçou e eu a apertei mais, chorando mais.

Eu não queria abrir meus olhos e vê-la ir embora ou acordar de um sonho bom.

Eu não a deixaria ir dessa vez.

- Ok... – ela riu. – Agora você está me esmagando... – ela disse com a voz abafada.

Eu afrouxei o abraço e segurei seu rosto entre minhas mãos.

- É você... Baby, é você. – eu olhei nos seus olhos. Eles estavam marejados.

- Você quer conversar? – ela perguntou e colocou suas mãos sobre as minhas em seu rosto.

Eu colei meus lábios nos seus. Eu não fui gentil, pelo contrário, meus lábios se chocaram contra os dela com violência. Não era um beijo erótico, eu apenas queria sentir seu gosto num beijo calmo, sem língua e ver se ela era real.

- Eu te amo baby! – eu disse contra seus lábios e senti eles se retraírem num sorriso. – Oh Deus, Bella! Eu te amo tanto!

- Eu também te amo baby! – ela segurou meu rosto.

Eu não entendia porque ela estava ali, eu só sabia que não a deixaria ir novamente.

- Não me deixe de novo, por favor. Eu não posso viver sem você baby, por favor... – eu a beijei de novo, de novo e de novo...

- Edward, você teve um pesadelo, só isso. Eu não fui e nem vou a lugar nenhum. – ela disse com a testa colada na minha.

- Promete? – eu fiz com que ela me olhasse. – Prometa Bella que você não vai a lugar nenhum sem mim, por favor, prometa... – pedi.

- Edward... – eu lhe dei um selinho.

- Prometa Bella, pelo amor de Deus, prometa! – pedi desesperado.

- Eu prometo, mas, por favor, se acalme. Você está tremendo Edward. – ela disse alisando meus braços.

- Me perdoe. – eu pedi. – Me perdoe pelos últimos meses Bella, eu fui um idiota, eu vou te contar tudo. – segurei suas mãos. – Apenas me perdoe.

- Se acalme, por favor. – ela pediu alisando meu rosto.

Eu fechei meus olhos e coloquei minha mão na sua.

- Eu não posso viver sem você Bella, não me deixe... – eu pedi mais uma vez chorando como uma criança.

- Vem aqui... – ela se soltou de mim e me puxou pra cama. Ficamos de joelhos, um de frente pro outro. – Está tudo bem amor, eu já disse que não vou a lugar nenhum.

Ela me abraçou e me embalou, como eu fazia com ela no meio de uma tempestade.

Eu me afastei dela e olhei nos seus olhos.

- Eu amo vocês. – eu disse pousando minha mão na sua barriga plana.

Ela sorriu e me olhou com os olhos marejados.

- Como... como você sabe? – ela perguntou incrédula.

Merda! O que eu diria?

- Eu percebi... – eu disse esperando que ela acreditasse. – É o nosso garotinho.

- E se for menina? – ela ergueu as sobrancelhas.

- Eu sei que é um menino... – ela sorriu e tocou meu rosto.

- Você está de volta... – uma lágrima caiu dos seus olhos.

- Oh Deus, me perdoe por isso Bella. Eu... eu nunca deixei de te amar, nunca houve outra pessoa na minha vida, você foi a única, sempre será a única... – agora ela que me beijou.

Um beijo doce e apaixonado. Sua língua invadiu minha boca sem pudor, me enlouquecendo. Eu a puxei pro meu colo e apertei a pele do seu quadril nas minhas mãos.

- Deus! Como eu senti sua falta! – ela disse com a voz rouca enquanto eu beijava e lambia seu pescoço.

- Eu preciso fazer amor com você baby! – eu disse contra sua pele movendo meu quadril contra o dela, fazendo ela sentir minha ereção no seu sexo coberto somente por uma calcinha.

Ela gargalhou.

- Eu preciso fazer xixi. – ela disse rindo.

Deus sabe como eu estava feliz de ouvir sua risada mais uma vez. Era a música mais doce que meus ouvidos poderiam ouvir.

- Vai. – eu ri batendo no seu bumbum.

Ela saiu do meu colo e correu até o banheiro.

Então eu me lembrei da noite passada...

Eu tinha pedido uma última vez com ela. Uma última vez pra dizer tudo que eu não havia dito, pra consertar as coisas.

E se fosse isso que tivesse acontecido?

Talvez um milagre?

Eu dei um pulo da cama e alcancei meu celular no criado mudo.

Como eu suspeitava hoje ainda era ontem. Havíamos acordado no dia de ontem.

Confuso? Muito... e talvez inacreditável.

De alguma forma milagrosa eu acordei no mesmo dia em que deixei Bella ir embora, ou seja, ontem.

Mas hoje eu não deixaria que ela fosse. Eu faria tudo diferente.

Fui tirado dos meus pensamentos com Bella se jogando em cima de mim.

Ela estava tão feliz que eu me senti culpado por negligenciá-la durante os últimos meses. Tudo que ela precisava era que eu me abrisse, fosse sincero.

- Onde nós paramos? – ela disse com a voz sexy e tirou a camiseta. Deixando seus seios, um pouco maiores agora, expostos pra mim.

Eu me deliciei com eles enquanto meus dedos a estimulava fazendo círculos no seu ponto sensível. Ela rebolava na minha mão e se inclinava pra trás gemendo e mordendo os lábios, tão linda.

- Eu amo você Bella. – eu disse meio sufocado quando a invadi.

- Oh Deus... eu também! – ela agarrou meus cabelos, movendo seu quadril contra o meu, aumentando nosso atrito e fazendo com que nós dois chegassemos ao máximo do prazer.

Eu disse que a amava mais algumas vezes antes dela voltar a dormir.

Nós precisávamos trabalhar naquele dia, mas isso também poderia ser deixado pra depois. Nós arrumaríamos uma desculpa pra isso.

Eu só queria ficar com ela.

Eu beijei sua testa antes de sair e deixá-la dormindo na cama. Eu não queria perder um minuto ao lado dela, mas ela precisaria comer quando acordasse. Ela e o bebê.

Eu fiz panquecas e um suco de laranja natural pra ela.

Quando eu estava terminando eu lembrei de Alice. E se tudo tivesse acontecido pra ela também?

Eu peguei o telefone de casa e liguei pra casa dela.

- Alô? – ela atendeu sonolenta.

- A Bella está aqui. – eu disse animado.

- Edward?

- Sim, sou eu e a Bella está em casa. – eu disse.

- Tá cheirado? Tu fumou? – ela estava brava. – Onde mais ela estaria seu idiota?

Essa era a nossa Alice.

- Você não se lembra? – eu perguntei a ela.

- De quê? – ela ficou em silêncio. – Puta merda Edward não são nem 8 da manhã!

- Desculpe Alice... eu só... eu pensei... que... ah, deixa pra lá! – disse frustrado.

- Volta pra cama Edward! – ela mandou. – E dê uma boa manhã de sexo a minha amiga... – ela riu.

- Já providenciei isso. – nós rimos.

Nos despedimos e eu desliguei.

Então Alice não lembrava.

Deus! Eu estou ficando louco!

Que tipo de brincadeira é essa?

Eu sei que perdi Bella ontem! Foi real, eu sei que foi real!

Eu devia estar ficando louco, era isso, eu estava louco.

A campainha tocou e eu corri pra atender antes que acordasse Bella.

- O senhor é Edward Cullen? – um senhor de barba e cabelos grisalhos me perguntou.

- Sim, sou eu.

-Eu tenho uma entrega pro senhor. – ele me passou uma caixa branca de tamanho médio e sem enfeites.

- Onde eu assino? – perguntei pegando a caixa.

- Não precisa. – ele piscou pra mim e sumiu pelo caminho de pedras do quintal.

Eu estranhei uma encomenda sem assinar nada, mas entrei e me sentei no sofá com a caixa nas mãos, a coloquei no meu colo e abri.

Havia apenas uma rosa vermelha e um bilhete lá dentro.

"Sabe, todo mundo tem dias difíceis Edward e com você não seria diferente. Às vezes precisamos de um grande impacto pra acordarmos e ver o que realmente vale a pena na vida. Espero que aproveite... ou alguma vez você já ouviu falar em terceira chance?"

Eu li e reli incrédulo aquele bilhete.

Olhei o verso, revirei a caixa, sacudi a flor e nada mais apareceu.

Como assim alguém além de mim sabia o que tinha acontecido?

Eu fui até a janela ver se eu via o senhor que me entregou a caixa, mas ele não estava mais por ali.

Eu olhei o bilhete mais uma vez e entendi.

Eu não tinha certeza se tinha sonhado ou não, mas eu entendi o recado. Eu deveria cuidar e amar Bella ou a perderia e dessa vez seria pra sempre.

Eu fiz uma bandeja com o café da manhã dela e coloquei a rosa vermelha em um pequeno vaso de cristal ali.

A acordei e a vi devorar tudo que eu tinha preparado pra ela.

Eu queria contar a ela tudo que tinha acontecido, mas não podia. O medo de ela pensar que eu era louco me impedia.

Nós apenas nos curtimos aquele dia.

Saímos, fomos à casa dos meus pais no lado, fizemos amor em frente à lareira, fizemos planos pro bebê, eu disse a ele tudo que não foi dito durante os últimos meses. Contei sobre a empresa, meus medos e aflições, mas foi durante a noite que eu fiquei inquieto.

Eu tinha medo de dormir e acordar sem ela.

Eu tinha medo que minha segunda chance se resumisse a apenas um dia.

Eu não agüentaria perdê-la novamente.

Ela dormiu logo depois que nos amamos uma última vez em nossa cama e eu fiquei boa parte da madrugada acordado velando o sono dela.

No dia seguinte eu sorri ao sentir o braço dela em cima de mim. Sua respiração quente contra a pele do meu pescoço dizia que tudo ia ficar bem.

Durante todas as manhãs seguintes foi assim... eu apenas sorria ao ver que ela estava ao meu lado.

Pra sempre...

- Fim -