- Bella POV:
Eu acordei mais uma vez assustada.
Aquele pesadelo me perseguia há meses e me angustiava toda vez que ele aparecia.
Ele não era freqüente, mas toda vez que eu tinha ele eu ficava com uma sensação de perda, de tristeza.
Eu sonhava com morte.
No meu sonho eu brigava com Edward por algum motivo e ele saia de casa. No caminho ele sofria um acidente e morria.
Sonhar que estava perdendo Edward me doía tanto. Era tão real que eu acordava acabada, machucada e toda vez tinha que olhar pra cama procurando por ele.
Eu só me sentia aliviada quando sentia o seu corpo quente na cama.
Quase um ano atrás Edward tinha voltado a ser o meu Edward e nossa vida estava perfeita.
Evan estava com 5 meses e era o bebê mais lindo que eu já havia visto. Não porque era nosso filho, claro, mas Evan era doce e calmo, assim como Edward, mas quando ficava bravo nem o leitinho da mamãe o acalmava.
Eu estava sentada na cama tentando enxugar minhas lágrimas quando senti a mão de Edward alisar minhas costas.
- Pesadelo? – ele perguntou com a voz rouca.
Eu me virei pra ele e assenti.
- Vem cá. – ele esticou os braços pra mim e eu me aninhei entre eles. – Foi só um sonho baby.
- É tão real Edward. – eu fechei meus dedos em sua camisa deixando algumas lágrimas escaparem.
- É o acidente? – ele perguntou alisando meus cabelos.
- Sempre ele. – funguei. – Eu perco você e Evan, isso... oh meu Deus, eu não gosto nem de pensar.
- Shiiii, meu amor, nós não vamos a lugar algum. – ele me garantiu.
- Lembra aquele seu pesadelo? – perguntei. – Aquele quando voltamos a ficar bem e você descobriu que eu estava grávida?
- Lembro Bella. – ele ficou tenso.
- Você o tem ainda? – perguntei cautelosa. Ele não gostava de falar naquele sonho.
- Nunca mais, graças a Deus. – ele beijou minha testa.
- Porque ele se parece com o meu. – eu disse. – De repente é o mesmo. – eu me sentei. – Isso seria possível?
Ele também se sentou.
- Bella, se eu te contar uma coisa promete não achar que eu estou maluco? – ele perguntou.
- Edward, eu nunca acharia você maluco. – revirei meus olhos. – Eu amo você.
- Eu também te amo, mas preciso que você me ouça e só depois diga alguma coisa, ok? – ele pediu.
Eu assenti e me ajeitei na cama, sentando em cima dos tornozelos.
Ele saiu da cama e foi até o guarda-roupa. Mexeu numa caixa que ele guardava umas coisas pessoais – e que eu não mexia nela, assim como ele nunca mais havia tocado no meu diário. – e voltou pra cama.
- Aquilo, aquele dia, não foi um sonho. – ele disse me amostrando um papel em suas mãos.
- Edward... – eu sorri. – Como assim? Foi um pesadelo. Eu me lembro como se fosse ontem como você acordou. É mais ou menos assim que eu me sinto quando tenho os meus.
- Bella, acredite em mim. Não foi um sonho. – ele me garantiu. – Aquilo aconteceu. Eu vivi aquele dia... – eu o olhei pasma. – Eu não sei como explicar, mas naquele dia eu perdi você e o Evan. Alice, meus pais e os seus pais participaram daquele dia, mas de alguma forma apenas eu me lembro.
- Edward... – eu sorri sem humor. Ele estava me assustando. – Isso não é possível. Nunca seria.
Ele inspirou profundamente e soltou o ar numa única lufada.
- Então como eu descobri que você estava grávida? – ele perguntou. – Porque no dia que eu te perdi, você morreu grávida. E eu também sabia que era um menino, porque os médicos me disseram quando examinaram seu corpo depois do acidente.
De alguma forma aquilo tudo fazia sentido, mas era impossível.
Eu me levantei da cama e fui até a janela. Olhei pro quintal coberto de neve por alguns segundos e voltei a encarar Edward.
- Porque está fazendo isso? – perguntei a ele magoada. – Não tem graça Edward! Morte não é brincadeira.
Ele me estendeu o papel.
- Leia. – ele pediu.
Eu estiquei minha mão e peguei o papel o lendo em seguida.
"Sabe, todo mundo tem dias difíceis Edward e com você não seria diferente. Às vezes precisamos de um grande impacto pra acordarmos e ver o que realmente vale a pena na vida. Espero que aproveite... ou alguma vez você já ouviu falar em terceira chance?"
A escrita era perfeita, mas não era de Edward e o papel cheirava a rosas.
- Alguém que eu nunca vi me entregou isso na manhã daquele dia, junto com a rosa vermelha da bandeja.
- Não é possível... – eu sussurrei olhando o papel.
Edward levantou e parou a minha frente. Segurando meu rosto e me fazendo encará-lo.
- Bella eu perdi você naquele dia. – ele disse triste. – Nós discutimos, você fez as malas e saiu de casa em baixo de uma chuva torrencial. Eu... eu devia ter te impedido, mas não fiz. Você ia pra casa de Alice, mas em um cruzamento um caminhão avançou o sinal e bateu na lateral do carro. – ele soltou meu rosto. Seus olhos me transmitiam dor. – Você morreu na hora e quando eu fui te procurar te encontrei no chão, embaixo da chuva enquanto os bombeiros socorriam o motorista do caminhão. Eu não sonhei Bella... – ele engoliu seco. – Foi o pior dia da minha vida... eu descobri Evan quando ele estava morto em seu ventre, você morreu magoada comigo, sem que nos despedíssemos e quando voltei pra casa arrasado eu pedi... pedi desesperadamente que você voltasse, que eu pudesse fazer tudo diferente. Eu prometi que seria tudo como era antes e que eu amaria você e Evan incondicionalmente. Deus! – ele agarrou os cabelos. – E eu amo! Vocês são minha vida Bella e quando eu perdi vocês eu descobri uma fé que eu nem sabia que tinha.
Quando ele acabou de falar minha boca se abriu.
Ele descreveu meu sonho. Eu sempre contava a ele quando eu tinha aquele pesadelo, mas eu nunca tinha entrado em detalhes sobre o acidente. O caminhão, o sinal fechado, a briga e a fuga pra casa de Alice, o motorista do caminhão sendo salvo. Estava tudo no meu sonho, só que quem era a vitima era Edward e não eu.
- Este é meu sonho... – eu sussurrei e ele me olhou. – Você descreveu meu sonho.
Ele me olhou surpreso.
- Talvez tenha alguma ligação. – ele disse.
- Você acha que... que vai acontecer de novo? – perguntei angustiada.
- Não, claro que não. – ele disse rapidamente, mas eu senti sua voz tremer.
- Então porque eu estou sonhando com um dia que você viveu? – perguntei mais pra mim mesmo.
- Não sei baby. – ele me abraçou apertado. – Obrigado por não me achar um louco.
- Eu não sabia que você acreditava em milagre... – sorri contra seu peito.
- Eu não acreditava. – ele disse. – Não até ganhar a chance de ter você de volta.
- Eu sinto muito. – eu o olhei. – Eu posso imaginar como deve ter sido aquele dia pra você.
- O que importa é que estamos juntos agora Bella. – ele alisou meus cabelos. – Nós três.
Como se pudesse entender o choro de Evan veio através da babá eletrônica.
- Eu vou pegá-lo. – Edward beijou meus cabelos e saiu do quarto.
Quando ele voltou, Evan estava em seu colo, corado de tanto chorar.
- Seu manhoso, não precisa disso tudo. – eu o peguei no colo.
- Acho que ele está com fome. – Edward disse. – A fralda está limpa.
Nós três deitamos na cama. Evan estava no nosso meio mamando em meu seio esquerdo. Edward segurava minha mão com seus dedos entrelaçados nos meus.
- Prometa que vão estar aqui amanhã. – ele pediu sonolento.
- Eu prometo. – sorri pra ele. – Prometa você também. – pedi.
- Eu prometo baby. – ele beijou o dorso da minha mão e logo adormeceu.
Evan também dormiu logo em seguida. Ele queria apenas um mamazinho pra voltar a dormir.
De uma forma inexplicável eu nunca mais tive o pesadelo do acidente depois que Edward me contou sobre aquele dia.
E todos os dias quando acordávamos nós brincávamos de ver se o outro estava na cama.
Primeiro era sério, depois que percebemos tornou-se uma brincadeira gostosa que quase sempre terminava em sexo.
Graças ao nosso Milagre dormimos e acordamos ao lado um do outro durante muitos e muitos anos.
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