Capítulo 3
Ginny parou diante da porta do apartamento e respirou fundo. Aquela não era uma festa da Letras, os convidados não eram seus amigos, ela mal conhecia o dono da casa, e a sensação de inadequação fazia com que ela quisesse sair dali antes mesmo de entrar.
Mas ela não iria embora. Tinha passado horas arrumando o cabelo, se maquiando, escolhendo o que vestir, e não estava muito disposta a desperdiçar todo esse tempo para simplesmente voltar para casa antes de sequer tentar.
Abriu a porta e entrou na sala superlotada. Draco tinha falado sério quando disse que a lista de convidados era "um pouquinho maior" do que ela podia imaginar. Não conseguiu encontrá-lo no meio de todas aquelas pessoas, mas, de certa forma, isso era bom.
Se esgueirou por entre as pessoas que dançavam, ignorando as cantadas idiotas ocasionais. Entrou na cozinha um pouco menos cheia e esperou a primeira oportunidade para pegar um copo de cerveja.
- Tem vodka na outra mesa - sussurraram em seu ouvido, ao mesmo tempo que ela sentiu braços envolverem sua cintura. - Boa noite, Ginny - ele completou, beijando sua nuca. Ela estremeceu de leve.
- Boa noite, Draco - respondeu, virando-se para ele.
- Você está... mesmo... gostosa hoje.
Ela riu, meio constrangida, meio lisonjeada. Era frustrante saber que ele já estava quase mais bêbado do que apenas "meio alto" e que isso era necessário para que ele lhe dissesse uma coisa dessas. Por isso, ela preferiu pensar que ele tinha deixado para dizer aquilo naquela noite porque ela tinha realmente se esforçado para ser digna daquele elogio.
- Obrigada, e obrigada por me informar sobre a vodka, mas acho que eu vou começar com calma.
- Como preferir. Eu sei fazer um Cosmopolitan excelente, se você estiver interessada.
- Mais tarde - ela prometeu. Ele lhe lançou um olhar malicioso e encheu um copo de cerveja para si mesmo.
- Vem cá. Vou te apresentar às pessoas.
Ela deixou que ele a arrastasse pelo apartamento e a apresentasse a todas as pessoas que eram razoavelmente importantes para ele. As gêmeas Padma e Parvati Patil, cuja família era amiga da dele há gerações. As irmãs Greengrass, Daphne, a mais velha, e Astoria, que parecia estar apenas esperando que ele a notasse. Blaise, "o cara por causa de quem eu comecei a jogar nos dois times", nas palavras do próprio Draco. Vincent e Gregory, "meus Rosencrantz e Guildenstern, sem o final triste". Pansy, a ex-namorada, e Theodore, por quem ela o tinha largado.
Depois disso, eles voltaram à cozinha, e ele insistiu tanto que ela acabou por deixar que ele fizesse um Cosmopolitan para ela. Ginny não protestou quando ele a levou para dançar junto com as irmãs Greengrass.
- É ótimo estar cercado de mulheres gostosas - ele sussurrou no ouvido da ruiva, sua mão escorregando pela cintura dela. Ginny riu, se virando de frente para ele. Draco era fascinante quando bêbado. Ele simplesmente não conseguia evitar ser ele mesmo, e isso a agradava, e muito.
Olharam-se. Ela até cogitou dar o último passo, mas preferiu esperar. Sabia que ele queria, e não lhe daria o prazer de vencê-la - pelo menos não dessa vez. Ele sorriu, malicioso, e a beijou.
- Confessa que você queria isso tanto quanto eu - sussurrou em seu ouvido, mordendo de leve sua orelha. Na fração de segundo em que abriu os olhos, ela viu o olhar mortificado de Daphne e a irritação de Astoria.
- Eu não teria tanta certeza disso - ela respondeu, voltando a beijar sua boca.
Eles se afastaram, relutantes, e Draco lhe lançou um olhar sugestivo. Ela sorriu e o seguiu para o sofá, onde ele se sentou, puxando-a para que ela sentasse em seu colo.
Eu sempre posso dizer que estava bêbada, ela pensou, como que querendo justificar aquilo para si mesma. Voltaram a se beijar, e ela não demorou a esquecer todas as pessoas que estavam naquela sala. Tudo o que existia para ela era Draco, e a forma como ele sussurrava tudo o que queria fazer com ela.
Se ele um dia voltasse a agir como naquele dia na biblioteca, ela iria lembrá-lo de tudo isso, ela prometeu a si mesma.
- Vocês talvez devessem ir para o quarto - uma voz masculina sugeriu. Draco e Ginny se viraram para Blaise, e a garota percebeu que uma das mãos do loiro estava embaixo de sua saia.
- Você vem, Blaise?
A ruiva olhou para o outro rapaz, que parecia hesitante. Talvez nem mesmo Draco soubesse se estava só sendo sarcástico ou se aquilo era um convite de verdade. Ela lhe lançou um olhar assustado, e ele mordeu o lábio.
- Eu já tenho companhia pra noite. Fica pra próxima.
Draco pareceu desapontado, mas isso não durou muito. Ele beijou o ombro de Ginny, pedindo que ela se levantasse, e, depois de sussurrar algo no ouvido de Blaise, levou-a para um dos quartos.
Trancou a porta e acendeu a luz, puxando-a pela mão para a cama. Sentou-se no colchão, trazendo-a para si, e, com a ajuda dela, tirou sua camisa. Ginny desabotoou a saia e a deixou cair no chão antes de deitar ao lado dele.
Ele beijou o ombro dela, descendo lentamente até chegar à barriga dela. Mordeu seu umbigo de leve, puxando o piercing com os dentes. O corpo de Ginny se retorceu sob ele, e ela murmurou seu nome. Ele demorou um pouco mais do que devia para perceber que aquilo era um mau sinal.
- Draco, pára - ela pediu. Ele obedeceu, deitando do lado dela, sua expressão alternando entre frustrado, preocupado e confuso. O que tinha feito de errado?
- Tá tudo bem?
- Isso me lembra meu ex... - ela suspirou. - E... bom... não dá. É meio...
- Broxante?
Ela assentiu, fazendo-o rir. Ele correu os dedos pelos cabelos dela. Não queria parar, não podia parar. Simplesmente não podia. Beijou-a de novo, tentando não esquecer de que tinha que passar longe da barriga dela dessa vez. Não era um desafio tão grande. Não, nem um pouco desafiador. E compensaria, disso ele tinha certeza absoluta.
