NA: Esse cap foi escrito faz tempo, e precisa desesperadamente de uma revisão, mas eu estou postando ele pra Maratona Fire&Ice e , quando revisar, reposto. ^^


Capítulo 6

Ginny se mexeu, desconfortável, na cama, estranhando a sensação nada familiar de ter alguém a abraçando. Draco ainda dormia pesadamente a seu lado, o que estava longe de ser um choque, já que eram nove e meia da manhã. Num sábado. No meio das férias. Ela às vezes odiava ser a única pessoa que conhecia que precisava de menos de cinco horas de sono diárias. Saiu da cama e pegou a jeans em cima da cadeira.

- Hey... aonde você vai? - Draco perguntou, meio débil, sem sequer abrir os olhos. Ela vestiu a jeans e tirou a camiseta que ele tinha lhe emprestado para ela usar para dormir.

- Pra casa?

- Volta depois?

- Talvez. Me liga quando acordar.

- Se eu lembrar - resmungou, afundando o rosto no travesseiro. Ela vestiu a própria camisa, pegou a bolsa e saiu do quarto.

.x.

Eram pouco mais de cinco da tarde. Ginny já tinha feito hidratação no cabelo, trocado a cor do esmalte nos pés e nas mãos, feito escova, arrumado o armário e agora estava tentando não morrer de tédio vendo as reprises dos episódios da semana de suas séries preferidas na TV.

Para seu alívio, seu celular começou a tocar. Como ela tinha previsto, era uma mensagem de Draco.

Esqueci de ligar. Virginia Woolf te deixaria sair hoje de novo?

Se seus planos forem interessantes o bastante, sim.

Só estar comigo não é interessante o suficiente?

Não exatamente.

Você sabe fazer um cara se sentir bem, Ginny.

Aonde você vai me levar?

Pra dançar e encher a cara.

Com seus amigos?

Eu costumo sair com eles todo sábado. Por quê?

Saber com quem exatamente eu vou sair.

A Astoria não vai, pode ficar tranqüila.

Eu não estava preocupada com ela.

Sei. E eu sou Jimi Hendrix. Avise a seus pais que você não vai passar a noite em casa.

Vou dormir aí?

Era o plano. Senão você vai dizer que vai voltar pra casa e não vai encher a cara. Passo aí pra te pegar quando você estiver pronta, que tal?

Ok. Eu te aviso quando ficar pronta.

Não esquece.

Não vou esquecer.

.x.

- Olhe bem para essa fila - Draco sussurrou no ouvido da ruiva quando eles saíram do táxi, seguidos por Blaise. - E diz "tchau, pessoas".

Ela riu, deixando que ele a levasse até a entrada VIP, na lateral da boate. Bastou que Blaise olhasse para o segurança para que os três conseguissem entrar, o que fez com que a garota olhasse para ele, fascinada.

- Meu tio é um dos sócios - ele explicou, dando de ombros. - A gente vem aqui quase toda semana por causa disso.

- É, as pessoas que trabalham aqui costumam nos tratar bem - Draco completou. Ela riu, seguindo-os até o bar.

- Vai começar com o quê, Ginny?

- Um Cosmo - ela respondeu, prontamente. Draco e Blaise se entreolharam, e o negro se aproximou do bar. O loiro abraçou a ruiva, beijando seu pescoço.

- Eu sei, eu te chamei pra sair e tudo, mas... - ele disse, em seu ouvido, com um ar de quem estava tentando falar de um assunto realmente muito delicado.

- Mas o Blaise é gato demais e você precisa de um cara agora? - ela perguntou, se afastando dele para olhar em seus olhos. Draco assentiu.

- Tem coisas que só um cara pode fazer - ele disse, em tom de brincadeira.

- Eu sei. E tá tudo bem. Desde que você não me faça ver nada que eu nunca tenha visto.

Draco riu, e ela se perguntou se deveria se arrepender daquele pedido.

- Eu não vou, pode deixar - prometeu, com um sorriso malicioso, dando um passo para trás. Blaise entregou a taça de Cosmopolitan para Ginny, oferecendo a Draco um gole do que quer que fosse aquilo que estava em seu copo. O loiro aceitou sem sequer perguntar o que aquilo era.

- Eu encontrei o Theodore - Blaise avisou, quando Draco lhe devolveu o copo. - Ele, a Pansy e as gêmeas tão aí.

- A gente quer encontrar eles? - Draco perguntou, fazendo Blaise e Ginny rirem. O negro riu, fazendo que não. - Ótimo, então vamos para longe daqui.

Blaise abriu um sorriso gigantesco, puxando Ginny pela mão até a parte mais cheia da pista de dança. Ela sabia que Draco os seguia de perto, por mais que ele a tivesse largado quando o outro rapaz começou a carregá-la. Os três pararam no único ponto ocupável ali no meio, cercados por mulheres altas e magras demais e homens que pareciam não sair da academia. Os olhos de Blaise escanearam as pessoas a seu redor, e ele puxou Draco para si, dizendo alguma coisa em seu ouvido. O loiro fez que não, rindo, e os dois mal trocaram um olhar antes de se beijarem.

E, apesar de todos os protestos iniciais, Ginny não conseguia tirar os olhos deles, fascinada pelos contrastes entre os dois, que iam muito além da cor da pele. Era quase como ver um Bill Kaulitz menos andrógino e mais loiro se agarrando com um Tyson Beckford um pouco menos másculo.

- Hey, sem babar - Blaise zombou, puxando-a para que ela ficasse entre os dois. - É bom se acostumar, porque, agora que ele se livrou da Pansy, isso vai acontecer o tempo todo.

Ela sorriu, sem responder. Até porque, como dizer que ela não se importaria nem um pouco em ver aquilo até se acostumar?

.x.

Estava deitada na cama. Sabia que era o braço de Draco que estava sobre sua cintura, mas lembrava-se vagamente de não estarem sozinhos quando foram dormir. Onde estava Blaise?

Sentou-se rápido demais, e o mundo girou por alguns instantes.

- Vai com calma, garota - uma voz grave advertiu. Ela se virou e viu Blaise sentado do outro lado do loiro, a cabeça apoiada na cabeceira da cama. E isso a lembrava de que aquele não era o quarto de Draco. - Se divertiu mais do que você está acostumada, não? - saiu da cama e fez sinal para que ela o seguisse. - Eu me lembro de você na festa do Draco - explicou, quando entraram na cozinha. - Toda santinha e inocentezinha... você devia ser a única garota lá que não bebeu mais do que devia - abriu a geladeira e lhe entregou uma garrafa de água. - Vai te fazer se sentir melhor - prometeu.

Os dois se sentaram à mesa, e ela abriu a garrafa, tomando metade de seu conteúdo de uma vez. Olharam-se, e ele fez uma coisa absolutamente inesperada: estendeu a mão para ela e limpou, com o polegar, a maquiagem que estava borrada em seu rosto.

- Como foi que isso começou? - ela perguntou, curiosa.

- Foi mais ou menos como com você. Nós estávamos bêbados, e achamos que seria divertido. Eu já tinha um passado razoável com caras, ele tinha uns dois ou três na lista, então não é como se tivesse significado alguma coisa. Mas foi bom, e tão divertido quanto a gente tinha imaginado, então a gente fez de novo e de novo...

- E aí ele começou a namorar?

- E a Pansy não gostou muito da idéia de dividir ele comigo, então a gente teve que parar.

- E você esperou feliz e contente até eles terminarem?

- Por uma boa parte do tempo, sim. Depois ficou mais difícil, porque ele tava tentando ser um cara "decente", e a gente acabou brigando por um tempo... Mas eles terminaram na terça, e na manhã de quinta-feira ele tava dormindo na minha cama exatamente como agora.

- Vai ser assim comigo também, não?

- Ginny, eu conheço o Draco há anos. Acredite em mim, pode ser que você nunca chegue a ser a Pansy. Mas você também nunca vai ser eu.