Naruto pertence à Kishimoto-san.
Música usada: "Calling Do. Love" do Kiss
Desculpe os erros de digitação e formatação, mas levem em conta que o site não está colaborando.
Obrigada pelas review's, continuem mandando está bem? x)
Dr. Love
Capítulo 2: 410
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-Baby, I know what your problem is
Baby, eu sei qual é o seu problema
The first step of the cure is a kiss
O primeiro passo da cura é um beijo
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Chegando no corredor onde ficavam os quartos do 400 Neji pode ver uma enfermeira saindo do 410. Logo se aproximou, bateu levemente na porta e a abriu.
Ficou parado na porta durante alguns segundos, imóvel. Quando viu que o paciente tinha um tumor no joelho, uma imagem de um velho gemendo veio a sua mente, mas o paciente que estava a sua frente era uma mulher, muito jovem.
"Olá!" – Disse a jovem voltando-se para o doutor
"Boa tarde, sou o Dr. Hyuuga e vou cuidar do seu caso." – Disse enquanto fechava a porta e olhava no histórico procurando o nome da paciente – "Creio que já lhe falaram que terá que se submeter a uma pequena cirurgia, sim Srta. Mitsashi?"
"Pode me chamar de Tenten, e sim, já me falaram isso." – Sorriu enquanto procurava sentar um pouco mais reta na cama – "Quando será feita a cirurgia que não me falaram."
"De fato ainda não foi marcada, eu vou pessoalmente agora ver se amanhã tem alguma sala cirúrgica vaga, e volto aqui trazendo os papéis que deverá assinar."
"Certo, até depois então."
Quando Neji fechou a porta do quarto respirou fundo. Nunca havia visto uma mulher tão bela quanto aquela. Ela era magra, cabelos castanhos presos em dois coques, os olhos eram legítimo mar de chocolate. Nem parecia que estava internada, não tinha aspecto de doente, tinha a pele numa cor rosada saudável, um sorriso angelical.
Checando os horários das salas cirúrgicas viu que no dia seguinte ia ter uma vaga perto das 17 horas e que sua equipe também tinha disponibilidade naquele horário.
Pensou em ir avisar a paciente mais tarde e ir primeiro ao consultório, mas algo dentro de si dizia que era melhor ir naquele momento, que ele mesmo precisava ver logo a jovem para ter certeza de que ela era real.
Após bater uma vez na porta do quarto 410, Neji entrou, encontrando além da paciente um rapaz sentado ao lado da cama.
O rapaz que estava no quarto voltou a cabeça em direção a porta quando esta foi aberta. Ele era alto, parecia ter a idade da paciente – que tinha a mesma do Dr. Hyuuga – mas o que mais chamava a atenção nele eram as grossas sobrancelhas.
"Olá novamente doutor." – Sorriu-lhe a jovem que tinha entre seus dedos um buquê de rosas
"Trouxe alguns papéis que você precisa assinar para que eu possa marcar definitivamente a cirurgia." – Disse enquanto estendia alguns papéis e uma caneta para a jovem – "Não precisa ter muita pressa em assinar, eu tenho que ir ao meu consultório e volto daqui a algumas horas. Com licença."
"Obrigada."
Neji saiu mais rápido do que pretendia. Não esperava ver algum outro homem dentro daquele quarto. Mas aquilo não importava, ele não tinha nenhum interesse pessoal naquela paciente mesmo.
Chegando ao consultório viu que o mesmo não tinha muita gente. Foi direto para sua sala, arrumou algumas coisas e em menos de 10 minutos já estava atendendo uma senhora de meia idade que reclamava de dores crônicas em seu peito.
Ter se especializado em mais de uma área abriu um enorme campo de trabalho para o jovem, mas às vezes chegava a ser cansativo ter que atender casos tão diferentes em um único dia.
O sol já estava relativamente mais fraco quando o último paciente saiu do consultório. Neji massageou as tempôras e ficou alguns minutos ainda sentado, em silêncio. Silêncio que logo foi quebrado pelas batidas na porta.
"Entre." – Falou com cansaço na voz
"Com licença, mas esse foi seu último paciente Dr." – Informou gentilmente a secretária de cabelos róseos – "Eu já terminei o meu trabalho, o senhor precisa de mais alguma coisa?"
"Não, pode ir para casa." – Respondeu de olhos fechados ainda massageando a cabeça – "Ah, Sakura." – Chamou a secretária, abrindo os olhos
"Sim?" – Pediu a moça com sorriso angelical
"É hoje que você tem aquela apresentação da monografia?"
"Sim." – Sorriu Sakura por seu 'chefe' ter se lembrado – "Estou um tanto nervosa. Sasuke já mandou eu me acalmar várias vezes, mas não consigo." – Sorriu a jovem
"Você vai se sair bem." – Tranqüilizou-a com a voz calma – "E siga o conselho de seu noivo, tente se acalmar."
A jovem sorriu-lhe sinceramente e acenou, fechando a porta e indo embora em seguida.
Neji realmente gostava daquela secretária. Ela era muito gentil e prestativa, sempre fazia o que era necessário e mantinha a agenda de consultas em ordem. A moça estava na faculdade de direito e era noiva de Uchiha Sasuke, um ex-colega ginasial de Neji.
Levantando-se preguiçosamente da cadeira onde estava sentado boa parte da tarde, Neji foi até o quarto 410 novamente.
Bateu na porta e a mesma se abriu, revelando uma Tenten radiante.
"Olá." – Disse ela dando passagem para o médico
"Não devia estar deitada?" – Perguntou Neji com a sobrancelha arqueada e olhando para o joelho da moça
"Eu estou bem e estava precisando esticar as pernas." – Comenta indo sentar-se na cama
A moça então lhe indica com a cabeça o criado mudo ao lado da cama. Neji pega os papéis que estavam ali em cima e os checa.
"Certo. Está ansiosa para amanhã?"
"Não realmente." – Diz Tenten pensativa – "E o senhor?"
"Também não. Vai ser uma cirurgia simples. De fato eu vou estar mais é acompanhando. Um outro médico da minha equipe, um residente, é que vai fazer a cirurgia."
"Ele é bom?"
"Muito, pode confiar nele." – O olhar do Hyuuga transmitia confiança para a paciente – "Sua família vai acompanhar você amanhã?"
"Oh, não. Meus pais moram em outro país e não tenho outros parentes aqui." – Diz Tenten mantendo o sorriso no rosto, apesar de estar adquirindo uma expressão neutra
"E aquele rapaz que estava aqui antes?" – Pediu Neji antes mesmo que controlasse sua língua
"Lee? Ah, ele é meu amigo. Estudávamos juntos." – Comentou sorrindo enquanto olhava as flores que o amigo havia lhe levado – "Duvido que ele venha. Tem que cuidar da academia de artes marciais dele."
"Entendo." – Murmurou sem saber o que dizer
Tenten dirigiu seu olhar então para a televisão que ela mesma havia ligado momentos antes do médico entrar. Estava em um canal de esportes.
"Gosta de esportes?" – Pediu Neji vendo a menina sorrir para a televisão
"Sim." – Respondeu alegre – "Está vendo aquela jogadora de basquete com uma faixa verde na cabeça?"
Neji olhou atentamente para a televisão, até que mostraram mais de perto o time de basquete regional e ele pode ver a moça de faixa verde na cabeça.
"É você." – Exclama com a voz um pouco elevada pela surpresa
"Sim." – Tenten sorri com os olhos brilhando – "Sabe, eu sempre gostei de esportes, de me movimentar, e agora estou aqui sem poder fazer nada."
"Mais alguns dias e você voltará para sua vida nas quadras." – Neji diz colocando a mão no ombro da mulher
Ela agradece a ele com um simples olhar. Neji então se despede e sai do quarto.
"Ela é fantástica." – Exclama baixinho sorrindo
Em geral, seus pacientes ficavam sérios, mal humorados e faziam caretas de dor, reclamando até da cor da tinta que o hospital tem. Aquela garota não. Era sorridente, ativa, estava em movimento, não reclamava e parecia inundar a alma de todos com aquele brilho.
O Dr. Hyuuga se dirigiu então para a sala dos médicos, onde provavelmente sua equipe estaria. Adentrando no local, encontrou todos ali e falou com o residente que ia operar Tenten.
O residente se mostrava confiante apesar de estar ansioso. Sempre tinha medo de errar algo, pois uma vida estava em risco, mas ele era esforçado e bom no que fazia.
Saindo da sala, Neji teve a certeza que Tenten estava em boas mãos.
O jovem médico andava pelos corredores até que uma enfermeira chamou por ele.
"Dr., Tsunade-sama pediu para lhe entregar isso." – Falou a enfermeira entregando um papel
Neji pegou o papel e viu a enfermeira se afastar com aquele coque impecável no cabelo e suas vestes totalmente brancas.
Abrindo o papel, Neji não pode contar uma risada baixa.
"Vá para casa." – Releu o bilhete, dobrou-o e jogou no lixo
Obedecendo a ordem da mulher, Neji se trocou e foi para casa.
Adentrou o apartamento e foi direto tomar um banho no chuveiro. Ao sair foi ver o seu companheiro de apartamento e recebeu vários pios em resposta por estar mais cedo em casa.
Sorrindo, Neji trocou a água do pássaro e colocou mais comida. Vou para a cozinha e abriu a geladeira. Nada que tinha ali contentava o paladar do Hyuuga. Aborrecido, decidiu ligar para uma pizzaria e pedir duas pizzas de queijo.
Enquanto aguardava as pizzas chegarem, Neji foi escolher um filme para ver. Ele merecia ter uma folga, afinal de contas, já tinha trabalhado bastante e merecia um tempinho só para ele.
A campainha tocou. O jovem médico foi até a porta, pegou a sua comida e pagou o rapaz com espinhas no rosto que havia levado sua fonte de calorias.
Jogou-se no sofá comendo e vendo um filme qualquer, mas seus pensamentos voltavam a cada cinco minutos para o quarto 410. Tinha que admitir que estava ansioso por amanhã.
Aquela mulher o fascinara de uma maneira que ele não entendia direito. Ela era tão cheia de energia que fazia um contraste enorme com aquele hospital O hospital não era o lugar dela ficar, e ele desejava vê-la bem longe de lá. Mas isso não queria dizer exatamente que eu não queria vê-la, apenas não queria ela naquele prédio branco cheio de doenças e histórias tristes.
Quase se assustou quando viu os créditos finais do filme passarem na tela da televisão. Estivera tão entretido com seus pensamentos que esquecera totalmente da televisão.
Desligando o aparelho, deu a última mordida no pedaço de pizza e foi guardar o que não comeu no forno.
Ainda era relativamente cedo, e não estava com sono. Chegou a pensar em ler algum dos seus milhares de livros de medicina, mas sabia que não teria concentração necessária para isso. Optou então por um dos seus melhores passatempos, a academia.
A academia ficava cerca de dois quarteirões do seu apartamento, então foi a pé mesmo. Ela estava aberta, pois costumava fechar de madrugada.
Ignorando os olhares gulosos de três mulheres que andavam na esteira, Neji dirigiu-se até os armários e lá guardou as chaves de seu apartamento e o moletom que estava usando, ficando apenas com uma regata um pouco folgada, de modo que não marcava muito bem o peitoral definido.
Para se aquecer, o jovem médico foi pedalar numa das bicicletas que se encontravam desocupadas. Ajustou a bicicleta para que forçasse mais os músculos, ficando assim mais pesada de se pedalar, mal reparando que os músculos da coxa enrijeceram e aplicava mais força para continuar no mesmo ritmo de antes.
Estava mais preocupado pensando se Tenten também freqüentava uma academia. Sendo uma jogadora de basquete, devia se exercitar diariamente.
Involuntariamente, a imagem da paciente usando uma corsário justa ao corpo e um top minúsculo, com o corpo brilhando de suor em conseqüência do exercício, veio na mente no jovem médico, que quase engasgou com a água que bebia de sua garrafa.
Tossiu discretamente e usou sua toalha para secar a boca. Estava surpreso consigo mesmo de estar imaginando coisas assim. Ele devia ser profissional, mas ao invés disso estava tendo pensamentos inapropriados com uma moça que ia se operar.
Saindo da bicicleta, foi para a área de aparelhos de musculação e começou a levantar e empurrar pesos, forçando seus músculos. Gostava de se manter em forma, e pretendia nunca ficar como o Dr. Keitaro, um velho cirurgião neurológico já calvo pela idade avançada e com uma barriga relativamente grande. Dr. Keitaro sempre ficava arfando quando era chamado em emergências e tinha que subir as escadas do hospital correndo até uma sala cirúrgica. Não tinha muito fôlego e vivia comendo coisas gordurosas, mas era um bom médico e de bom coração, salvo na sala cirúrgica, onde se achava um Deus por ser um dos cirurgiões mais famosos do estado.
Flexionando as pernas e as esticando em seguida, empurrando assim cerca de setenta quilos, Neji começou a sentir as pálpebras pesarem e começarem a se fechar.
Suspirou levando a tolha ao rosto e secando algumas gotículas de suor que insistiam em escorrer pela sua testa.
Como odiava tomar banho fora de sua casa – apesar de tomar no hospital, quando ficava muito tempo por lá – apenas pegou suas chaves e moletom que estavam guardados e seguir para seu apartamento.
Girou a chave e a porta logo abriu, revelando um apartamento escuro e solitário. Uma presença feminina ia ser boa ali.
Deixou que um suspiro escapasse de seus lábios quando a água morna tocou suas madeixas e pele, levando todo o suor para o ralo do boxe do banheiro. Neji sabia que teria que descansar muito bem naquela noite para que estivesse bem disposto para a cirurgia de Tenten que ia se suceder de tarde.
A espuma de shampoo escorreu de seus cabelos em direção a seus olhos perolados, e os mesmo ficaram cerrados para não sentir a ardência que aquele contato traria. Neji ficou imaginando que cheiro teria as madeixas castanhas de Tenten. Ele realmente desejou sentir o cheiro dos cabelos dela e sentir a textura dos mesmos.
Praguejou por tais pensamentos e enxaguou o cabelo, passando um condicionador em seguida, tentando a todo custo manter sua mente em branco – a cor das paredes do hospital, onde Tenten estava – mas sem muito sucesso.
Terminado o banho e vestido apenas com a parte de baixo do pijama, o jovem médico enfiou-se debaixo de um lençol e fechou os olhos, procurando dormir.
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Tenten odiava hospitais. Desde o cheiro até as paredes impecavelmente brancas. Sentia-se deslocada e desprotegida naquele lugar. As paredes pareciam querer sufocá-la, e ela se encolhia na cama, escondendo metade do rosto com o lençol, parecendo uma criança com medo do monstro dentro do armário.
Tateou rapidamente o criado-mudo em busca do controle da televisão, ligando a mesma e colocando em um telejornal qualquer.
Precisava de um pouco de barulho, ela estava ficando nervosa.
Não se importava muito que ia fazer uma cirurgia no dia seguinte, o Dr. Hyuuga lhe transmitia segurança e ela sabia que ia dar tudo certo, mas ela queria sair o mais depressa possível daquele hospital.
Por um instante desejou ter um namorado ou marido, para estar com ela naquele momento, segurando sua mão e dormindo na cadeira dura. Ia ser ao menos uma companhia.
Programou a televisão para desligar depois de quarenta minutos e aumentou um pouco o volume, assim pareceria que tinha alguém com ela, e não se sentiria mais tão sozinha.
Afofou o travesseiro e enterrou a cabeça nele, fechando os olhos com força e torcendo que dormisse em seguida.
O apresentador do telejornal começou a falar sobre a temperatura para o dia seguinte, mas Tenten não escutou por já ter adormecido.
