Naruto pertence à Kishimoto-sensei

Música usada: "Lithium Flower" de Scott Matthew

Desculpe a demora. Agradeço às reviews e aviso que nem sempre posso respondê-las e que não respondo nos capítulos. Obrigada x)

Dr Love

Capítulo 3: Toque

-

-

-

So matador

Tão intocável
So calm

Tão serena
So oil on a fire

Tão ardente

She's so good

Ela é demais

She's so good

Ela é demais

-

-

-

O hospital estava no mesmo ritmo de sempre, com algumas enfermeiras correndo pelos corredores, alguns residentes assustados e os familiares de pessoas internadas passeando com copos fumegantes de café nas mãos.

Todos pareciam muito atarefados e concentrados as suas próprias vidas, alheios ao que acontecia dentro do quarto 410.

Havia passado apenas um pouco de meio dia, o sol ainda estava quente e entrava pela janela do quarto. Neji tinha ido ver como estava a paciente para depois instruir alguma enfermeira a já deixar Tenten preparada para a cirurgia.

A jovem, no entanto, não estava nem próxima à janela e nem deitada na cama, mas um barulho no banheiro denunciava que estava lá.

Pacientemente, Neji sentou-se na cama desfeita e esperou que a jovem saísse para então ver como ela havia passado a noite, se não tinha febre e nem dores.

Um estalo e a porta abriu-se, revelando uma linda jovem com cabelos castanhos molhados caindo pelos ombros. A pele levemente morena reluzindo à luz do sol por conta de algumas gotinhas de água que ainda se encontravam ali. O corpo esbelto coberto apenas por uma toalha pequena e branca de hospital.

Caminhando com passos decididos, Tenten se aproximou do doutor e lhe estendeu a mão, sem se preocupar com sua semi nudez.

"Olá."

Neji engoliu em seco ao sentir a pele macia da mão da moça. Só podia ser uma ilusão.

Tenten umedeceu os lábios com a língua e inclinou a cabeça, observando atentamente o médico a sua frente, de uma maneira muito sensual.

Dando um risinho abafado diante da reação – ou falta dela – de Neji, Tenten se aproximou ainda mais, sentando-se no colo do médico, com uma perna de cada lado. A pequena tolha revelando ainda mais suas coxas.

As mãos femininas tocando com suavidade o rosto e os cabelos de Neji, numa carícia gentil e ousada.Os lábios rosados beijando o pescoço masculino. Os seios pressionados contra o tórax definido do médico.

Uma exclamação de surpresa escapou dos lábios do sempre sério médico, antes dos mesmos serem tomados pelos lábios femininos em um beijo quase faminto. As mãos passeando pelas costas ainda úmidas do banho, desfazendo lentamente o nó da toalha.

Quando finalmente desfez o nó da toalha branca, o beijo foi interrompido e a jovem saiu do colo do médico, ficando de frente para ele e deixando a toalha escorregar pelo corpo.

Uma visão inexplicável foi seguida de um som alto e muito chato.

Com um pulo, Neji levantou e desligou o despertador que emitia um som alto indicando já serem 7h e 30min. Passando a mão pelo rosto suado e tirando alguns fios de cabelo, Neji percebeu seu estado e se sentiu um adolescente.

Com certa culpa, foi rápido para o banheiro tomar uma ducha fria para esfriar a cabeça.

Não podia acreditar que teve um sonho daqueles com sua paciente. Com Tenten tinha aquele tipo de sonho, mas com a Madame Tomoeda – uma senhora beirando seus setenta anos e que sempre aparecia no pronto socorro inchada e vermelha, vítima da alergia a morangos – não. Era injusto com suas outras pacientes se não tivesse sonhos assim com elas.

Desligou o chuveiro e já estava melhor. Ele estava mesmo precisando de uma namorada, seus hormônios estavam devera acumulados em seu corpo.

Dirigindo-se para a cozinha, com os pés descalços mesmo, preparou um café bem forte.

Queria chegar logo ao hospital, iria almoçar no seu local de trabalho mesmo, para assim deixar tudo preparado para a cirurgia de Tenten. Ainda tinha que apresentar sua equipe para a moça.

Após escovar os dentes e vestir-se, deu comida para seu fiel companheiro de penas e foi para o hospital.

Passavam poucos minutos das 9h quando Neji adentrou no prédio branco. Entrou pela porta do Pronto Socorro, encontrando ali alguns residentes apavorados diante do enorme movimento logo de manhã. Tinha muitas crianças no colo das mães, provavelmente os pequenos narizes estavam entupidos por culpa de um leve resfriado, mas as mãezinhas corujas queriam ter certeza que não era um problema grave, como um câncer ou pior.

Ouviu ao longe o barulho conhecido – e temido pelos residentes do Pronto Socorro – da sirene da ambulância e uma enfermeira gritou avisando que um homem esfaqueado estava chegando.

Um dos residentes gemeu em frustração e Neji se compadeceu dele, lembrando-se quando era ele que tinha que cuidar daquele Pronto Socorro junto com mais duas enfermeiras e dois residentes.

"Você." – Falou alto o imponente médico indicando o residente que havia gemido – "Vou apenas me trocar e colocar as luvas e ajudo no caso da ambulância enquanto os outros cuidam dos outros pacientes." – Sua voz era autoritária – "Srta Kawabe, deixe um dos quartos vagos, o aparelho de oxigênio deve estar ali juntamente com todos os instrumentos de praxe devidamente esterilizados. E quando ele chegar quero que alguém tire um pouco de sangue e examine para saber qual o seu tipo sanguíneo e peça imediatamente oito litros do mesmo no Banco de Sangue."

A enfermeira de sobrenome Kawabe assentiu com a cabeça e saiu correndo para preparar tudo.

O som da ambulância estava ainda mais alto, devia estar na mesma quadra do hospital. Neji foi rápido arrumar-se.

Quando voltou foi direto para um dos quartos e lá encontrou o tal homem esfaqueado. Ele ainda estava consciente e o residente lhe fazia algumas perguntas.

"Tem alergia a alguma coisa?" – Perguntou a voz levemente trêmula do residente

"Picadas de abelha." – Respondeu o paciente antes de dar um grito de dor

Neji começou a fazer pressão sobre os ferimentos para ver se o sangue estancava enquanto o residente preparava a agulha e linha para costurar a pele cortada.

"Precisamos cauterizar esse corte." – Diz Neji apontando para um corte próximo a virilha do homem que jorrava muito sangue – "Por sorte não acertou a ramificação da aorta, mas ainda assim é uma veia importante e grande para estar jorrando tanto sangue."

A Srta Kawabe chegou após alguns minutos carregando oito litros de sangue que foram rapidamente aplicados no homem através de uma transfusão.

Felizmente, dentro de vinte minutos o homem estava estabilizado, não gritava mais, mas ainda respirava com a ajuda da máscara de oxigênio. Tanto Neji quanto o residente estavam com suas roupas brancas manchadas de vermelho.

A polícia chegou pouco depois de Neji ter jogado no lixo as luvas ensangüentadas, querendo saber mais detalhes de quem havia sido o agressor.

Neji acabou não descobrindo quem havia feito aquilo com aquele homem, pois foi logo em direção aos elevadores para ir até o quarto 410. Nem se importou de não ter trocado de roupa, trocaria depois.

Após bater no quarto 410, entrou no local encontrando o mesmo vazio. Ouviu um barulho vindo do banheiro e engoliu em seco. Estaria sonhando novamente?

A porta do banheiro abriu e Tenten saiu de lá usando um pijama de calças compridas e uma camiseta de manga curta na cor verde. Estava com a toalha nos cabelos enquanto tentava secá-los.

"Bom di-." – E Tenten não terminou a saudação depois de ter visto as roupas do médico

"Bom dia. Desculpe aparecer assim, sem ter me trocado."

"Ah, tudo bem... Só não me diga que saiu da sala de cirurgia onde tinha um caso parecido com o meu." – E Neji pode notar a aflição na voz feminina

"Não, estava ajudando um residente no Pronto Socorro. Homem esfaqueado." – Neji disse com a voz calma e permitiu-se sorrir quando viu a jovem levar a mão ao peito e suspirar aliviada

"Então, ao que devo a honra de sua visita?" – Perguntou enquanto jogava a toalha em cima da cama e começava a escovar os cabelos

"Vim ver como passou a noite. Teve febre ou alguma dor?"

"Não, nadinha." – Sorriu enquanto tentava desfazer um nó nas madeixas castanhas

"Vou pedir para alguém lhe trazer o almoço daqui a pouco. Será uma refeição leve e após isso não deverá comer ou beber mais nada."

"Tudo bem."

"Mais tarde vou pedir a minha equipe vim aqui para se apresentar."

Tenten limitou-se a sorrir em resposta para o médico enquanto ainda lutava para desfazer o nó de seu cabelo.

"Permita-me."

Neji pegou a escova de cabelo das mãos da moça e delicadamente penteou os cabelos dela até desfazer o nó. Tenten tinha as maçãs do rosto um pouco avermelhadas e um sorriso cálido nos lábios.

"Obrigada, mas não sabia que tinha tanto talento em desfazer nós de cabelo."

"Precisei desenvolver esse talento quando resolvi deixar o cabelo crescer... e quando minha sobrinha pedia para penteá-la." – E Neji sorriu acompanhado de uma risada baixa de Tenten – "Até depois."

Tenten acenou para o médico e viu quando ele fechou a porta. Suspirou antes de se jogar na cama e ficar admirando o teto.

-

-

-

Era 15h e o sol estava batendo diretamente na janela do quarto 410. Tenten estava ocupada olhando pela janela e admirando o dia lindo que estava que nem ouviu a batida na porta.

"Boa tarde." – Exclamou a voz masculina já familiar para a jovem

Voltando o corpo em direção a porta Tenten pode visualizar Neji – com roupas impecavelmente brancas sem nenhuma mancha sequer de sangue – e algumas pessoas de branco que não conhecia.

"Boa tarde." – Cumprimentou Tenten sorrindo para todos ali presentes

"Essa é minha equipe." – E Neji com um gesto mostrou todos que estavam ali – "Terá duas enfermeiras junto com a gente, mas elas não podiam vir agora."

"Oh, não tem problema."

"Esse é o anestesista, Dr. Sohma." – Com um gesto de mão apontou um senhor beirando os 40 anos e de lindos olhos esverdeados – "O residente de quem lhe falei, Dr. Aburame." – E um rapaz misterioso aparentando ser da idade de Tenten a cumprimentou com a cabeça – "E por último mas não menos importando, a instrumentadora cirúrgica, Srta Kin."

Tenten sentiu algo em seu peito e não soube explicar o que era, mas a fazia querer olhar feio para a tal de Kin. Viu o sorriso bonito no rosto jovem emoldurado por cabelos castanho escuros. Observou também algo brilhar no dedo anelar dela e descobriu ser uma aliança. Prendendo a respiração, Tenten permitiu-se sorrir para todas ali e observar melhor a cena.

Muito discretamente, Kin pressionava a perna contra a perna do residente, Shino, e este com o polegar acariciava a mão da jovem. Observando mais atentamente ainda, Tenten notou uma aliança parecida com a de Kin no dedo de Shino.

Suspirou aliviada.

"Algum problema?" – E a voz de quem temia ser o noivo de Kin lhe despertou do transe

"Não, nenhum." – E novamente o sorriso bonito – "Só estou mais tranqüila agora que conheço a todos. Por favor, cuidem bem de mim."

"Pode deixar com a gente." – A voz energética de Kin soou e Tenten sorriu sinceramente para a garota

-

-

-

Odiava ficar deitada enquanto ao seu redor as pessoas estavam em pé. Sentia-se pequena e oprimida. E odiava ainda mais estar com aquela camisola de hospital aberta atrás. Além de estar se sentindo pequena e oprimida, sentia-se exposta também.

Estava deitada na maca a caminho da sala de cirurgia. Antes teria que colocar roupas esterilizadas, e esse processo a deixou aflita, pois sabia que agora não tinha fuga.

Não que ela estivesse com medo, apenas um pouco apreensiva, além de pequena, oprimida e exposta.

Quando finalmente se encontrou na sala de cirurgia, viu o rosto de algumas pessoas coberto por máscaras lhe lançaram olhares encorajadores. Mas nenhum olhar vinha de orbes perolados.

"Desculpe o atraso. Paciente de emergência." – A voz masculina conhecida exclamou alto e apressada

Tenten virou o rosto lentamente na direção da voz e viu Neji em trajes azuis, com uma máscara branca e touca branca. As mãos masculinas para cima enquanto a enfermeira buscava um par de luvas. Os olhos perolados na direção dos orbes castanhos que clamavam por aquele sutil olhar.

"Preparada?" – Perguntou com a voz saindo abafada pela máscara

"Se vocês estão, eu também estou." – E um sorriso perpassou pelos lábios levemente pálidos

Uma máscara de oxigênio foi posta no rosto de Tenten enquanto a mesma ouvia o anestesista de bonitos olhos esverdeados lhe pedir que contasse até dez de trás para frente.

"Dez, nove, oito... se..te...seis..." – A voz mole aos poucos se calou e Tenten entrou em um mundo de sonhos onde corria até aonde os olhos perolados a esperavam