Naruto não me pertence e sim à Kishimoto-sensei.

Música usada: "O teu olhar" - Strike

Obrigada pelas review's. Próximo capítulo vai demorar um pouco. Boa Leitura.

Dr Love

Capítulo 6: Querido Titio, Adorável Estranha

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O teu olhar no meu olhar estremece faz efeito,
E tudo acontece se for daquele jeito

(...)Se não te tenho aqui, quase tudo se desfaz
Só de ver você sorrir meu mundo fica em paz

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A campanhia soou às 19h exatas. Um grito infantil foi ouvido de dentro da casa antes que a porta fosse aberta.

"Entre tio Neji." – A pequena menina sorriu dando espaço para o homem entrar

"Você devia perguntar antes de abrir a porta 'quem é?'." – Repreendeu Neji

"Mas eu sabia que era o tio, estava na janela cuidando." – O sorriso meigo faltando um dentinho cativou Neji a ponto dele sorrir de volta

Não demorou muito e a figura bonita da jovem Hyuuga se fez presente na sala. Hinata estava muito elegante em um vestido preto que modelava o corpo. Em uma mão trazia uma bolsa que combinava com o seu visual, e na outra uma mochila não muito grande.

"Olá Neji-nii-san. Muito obrigado por cuidar da Yuiko. Aqui estão algumas coisas dela."

"Mamãe, você colocou minha raposinha ai?" – Com curiosidade, a menina apalpava a mochila tentando sentir sua pelúcia favorita

"Kyuubi está em cima do sofá querida." – A mulher sorriu vendo a criança correr em busca de sua pelúcia – "Ela não consegue dormir sem a raposa de pelúcia que Naruto deu à ela." – Confidenciou ao primo que apenas balançou a cabeça em compreensão

"Podemos ir?" – A voz infantil se dirigiu a Neji, mas os olhos iam do tio para a mãe

"Antes de me dar um beijo?"

Yuiko soltou um gritinho alegre e correu em direção ao pai, que tentava arrumar os fios loiros rebeldes.

Pegando a criança no colo, Naruto depositou um beijo em cada bochecha da menina e a largou no chão, recomendando ter cuidado e modos para não incomodar o tio.

Quando os pezinhos tocaram o solo, foi à vez de Hinata se despedir da filha, fazendo as mesmas recomendações que Naruto já havia feito.

"Trago ela de volta amanhã depois do almoço." – Disse Neji enquanto pegava a mochila da menina com uma mão e com a outra segurava a mão delicada da sobrinha

Com um último aceno, tio e sobrinha entraram no carro e foram em direção ao hospital, onde Neji ainda tinha coisas a fazer.

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"Que bonitinha."

Era a décima enfermeira que se encantava com Yuiko. Neji ainda tinha que visitar alguns pacientes e a criança o seguia como uma sombra, arrancando sorrisos da equipe do hospital e dos doentes.

"Pequena, eu tenho que ir até a UTI e lá você não pode entrar, então me espera aqui, está bem?" – A voz calma, porém séria de Neji fez com que a sobrinha sorriso e balançasse afirmamente a cabeça

Neji foi caminhando em direção a UTI e por duas vezes voltou a cabeça para trás podendo visualizar a sobrinha que lhe sorria e acenava com a pequena mão.

Permitir que a criança fosse junta em determinados quartos era aceitável, pois os pacientes não estavam tão maus assim, mas nunca poderia permitir que a criança fosse até a UTI e ficasse cara-a-cara com a morte personificada em pessoas que já não respiravam, se alimentam ou pensavam por si próprias.

Soltou um suspiro exasperado por não ter motivos de ir ver Tenten novamente. Queria ver a bela morena, mas não tinha motivos de ir ao quarto dela e não queria ficar muito tempo no hospital por causa de Yuiko.

"E amanhã ela recebe alta." – Permitiu-se murmurar no silêncio sepulcral da UTI que apenas tinha como ruídos o som dos aparelhos indicando um vestígio de vida nos corpos

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Olhava de um lado para o outro impaciente. O tio estava demorando na opinião da menina que não queria ter de ficar parada, mas ficava por obediência.

Um som no corredor lhe chamou a atenção, e pensou que poderia ser seu tio ou alguma das simpáticas moças de branco, mas estava enganada.

Um senhor de idade girava lentamente as rodas da sua cadeira na tentativa de se locomover. Quando viu a sua frente à pequena menina, sorriu dócil como um avô faria quando visse o neto. Mas talvez pelo medo de um estranho ou pelo estranho estar coberto de machas – fruto de uma dengue hemorrágica em estado avançado, mas com tratamento em andamento – a criança soltou um gritinho abafado e lágrimas formaram em seus olhos azuis.

Quando conseguiu dominar o tremor em suas pernas, Yuiko se pôs a correr esquecendo a ordem que seu tio lhe havia dado. A criança não sabe quanto correu, mas quando parou para descansar pode ouvir uma voz arrastada e o som de uma cadeira de rodas. Virando o rosto, viu no final do corredor o gentil velhinho lhe olhando com um olhar preocupado.

Ainda com medo, Yuiko abriu uma porta qualquer e a fechou em seguida, escorando o corpinho frágil contra a madeira, como se pudesse trancar a passagem de qualquer um.

Quando se achou segura, afastou-se da porta e olhou ao redor tentando adivinhar onde estava.

Era um quarto como os outros que havia visto minutos antes e estava ocupado assim como os outros. De cima da cama uma mulher lhe lançava um olhar curioso e um sorriso bondoso.

"Tudo bom?" – Perguntou a mulher num tom de voz baixo e gentil, havia percebido que a menina estava assustada e não queria lhe dar mais sustos ainda

"Acho que sim."

"Qual seu nome?"

"Yuiko, e o seu moça?" – A menina foi perdendo o medo aos poucos e se aproximando da cama da paciente

"Tenten." – A morena sorriu para a criança que lhe retribuiu – "Nome bonito o seu. Está perdida Yuiko?"

"Mais ou menos. Estava com meu tio, mas ele me mandou esperar." – Confessou a menina observando as feições de Tenten – "Yuiko estava esperando onde titio mandou, mas um senhor assustador veio atrás de mim, então corri e me escondi."

"Seu tio deve estar lhe procurando meu anjo." – Tenten sentou-se melhor da cama – "O homem assustador deve ter ido embora. Eu não posso lhe acompanhar até seu tio pois me pediram para não andar mais por hoje." – Confessou apontando para o joelho que possuía um pequeno curativo – "Mas façamos assim, abra a porta e olhe para fora, se o homem assustador estiver ali, você fica aqui e eu te protejo."

"Certo." – Sem protestar contra a idéia de uma moça estranha, Yuiko obedeceu

Abrindo vagarosamente a porta, a menina espiou para os dois lados e então voltou a cabeça para dentro do quarto.

"Não tem ninguém. Vou atrás do meu tio, obrigada Tenten-nee-san." – Em uma reverencia, Yuiko agradeceu e sorriu

"Quer que eu chame uma enfermeira para lhe acompanhar?"

"Não precisa. Até mais e melhoras."

Fechando a porta com cuidado para não fazer barulho, Yuiko correu pelo caminho que havia feito tentando chegar o mais rápido possível onde estava antes. Porém, por mais que tentava, não lembrava de que direção havia vindo depois de ter dobrado no corredor onde o quarto de Tenten estava.

Um ruído que não soube identificar veio de seu lado direito, e sem nem olhar para o lado, Yuiko correu na direção contrária.

Cansada de correr, a pequena agachou-se no chão junto a parede e escondeu o rosto entre as mãos, enquanto arfava em busca de ar.

O pânico tomou o corpo infantil quando ouviu um barulho de passos apressados vindo em sua direção e desejou com todo o seu ser ter seus pais, tio ou a moça simpática ali consigo.

Os passos estavam mais próximos até que cessaram e duas mãos fortes a agarraram sem força pelos ombros e a puxaram para um abraço.

"Estava preocupado. Eu disse para não sair de onde estava." – Repreendeu Neji enquanto ainda se mantinha abraçado a sobrinha

"Tio Neji." – Exclamou Yuiko levantando o rosto e visualizando os olhos perolados questionadores do tio – "Estava com tanto medo. Senhor assustador estava atrás de Yuiko." – Lágrimas começavam a escorrer dos olhos azuis

"Senhor assustador?"

"Sim, era um senhor em uma cadeira que tinha rodas e ele tinha umas manchas no corpo e os olhos meio vermelhos. Yuiko fugiu dele e se escondeu, mas quando tentou voltar onde tio me esperava, não encontrou o lugar."

Afagando os cabelos da sobrinha e levantando-se com ela no colo, Neji começou a pensar em quem teria assustado tanto a menina. Pensou durante algum tempo até lembrar-se que naquele andar havia um senhor de idade com dengue hemorrágica. O pobre senhor mal recebia visitas e estava sempre contando sobre como seus netos e netas eram lindos. De certo confundiu Yuiko com uma de suas netas.

"Já passou. Vem, vamos para casa comer bolo de chocolate."

"Ta." – Secando as últimas lágrimas a menina sorriu ante a idéia de comer bolo de chocolate

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"Já escovou os dentes?" – A voz masculina soou alta para que da sala a sobrinha pudesse escutar

"Já sim titio." – Respondeu a menina antes de desligar a televisão

Neji estava terminando de arrumar sua cama e colocar uma fronha em mais um travesseiro. Yuiko havia pedido para dormir junto do tio, pois ainda estava com medo do pobre senhor do hospital.

Como o Hyuuga não sabia dizer não para pedidos como esse da sobrinha, aceitou se bom grado.

"Kyuubi-kun pode dormir junto? Ele fica com medo quando não está comigo." – Pediu a menina com as maçãs do rosto avermelhadas

"Claro, não queremos que ele fique com medo." – Sorriu o homem colocando a pelúcia em cima da cama

Sorrindo, Yuiko pulou na cama e se enfiou embaixo das cobertas, abraçando a pelúcia.

"Titio, conta uma história?"

Neji sorriu e buscou na memória alguma história infantil. Mas apenas fragmentos lhe vinham a mente. Optou por juntar o que lembrava dos contos de fadas com alguma criação de sua mente, tudo para não desapontar a menina que começava a bocejar.

"Conhece a história de um lindo e distante reino onde mora uma linda princesa chamada Yuiko?" – Um sorriso perpassou os lábios finos de Neji enquanto observava a sobrinha dar uma gostosa risada e dizer que 'não'

Respirando fundo, Neji usou toda a sua criatividade para contar uma história enquanto acariciava os cabelos da sobrinha – gesto esse que a deixava mais sonolenta – que bocejava e sorria contente com o que ouvia.

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Acordou quando o telefone tocou pela terceira vez. Rapidamente tirou o aparelho do gancho e levou até o ouvido, falando um uma voz baixa e rouca para não acordar a sobrinha.

"Neji, desculpe lhe acordar." – Disse uma voz feminina sem mostrar um pingo de arrependimento

"Aconteceu alguma coisa?"

"Não." – Disse calmamente Tsunade, voltando a falar quando notou a intenção de Neji de lhe xingar – "Por isso mesmo liguei. Soube que está cuidando da sua sobrinha, então passa o dia com ela."

"Preciso assinar algumas altas hoje." – Retrucou notando a sobrinha se mexer na cama

"Então venha apenas no final da tarde." – E sem demoras, desligou o telefone

Neji ainda ficou alguns segundos com o aparelho no ouvido até notar que Tsunade havia desligado. Saindo da cama e puxando as cobertas para cobrir melhor Yuiko, Neji foi até o banheiro tomar um banho revigorante.

De certo modo estava feliz que pudesse passar algum tempo com a sobrinha. Apesar de não admitir publicamente, o jovem médico gostava de crianças, em especial a sua sobrinha, e sonhava com o dia em que teria seus próprios filhos.

Saindo do banho foi para a cozinha preparar panquecas para a sobrinha.

Estava colocando a última panqueca no prato quando ouve passos miúdos se aproximando de si. Ao virar o tronco na direção da pessoa que entrava na cozinha, deparou-se com a figura sonolenta da sobrinha que ainda coçava os olhinhos e bocejava.

"Bom dia titio."

"Bom dia." – Respondeu voltando sua atenção para a mesa de café da manhã que preparava – "Já lavou o rosto?"

"Sim." – Respondeu alegremente enquanto tentava ver o que tinha em cima da mesa

"Ótimo, então sente-se para tomar o desjejum."

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"Obrigado por cuidar dela Neji." – Falava Naruto enquanto afagava o cabelo da filha – "Ela deu muito trabalho?"

"Nenhum." – E sorriu para a pequena Yuiko – "Quando precisarem, posso cuidar dela novamente."

"Obrigado mesmo Neji. Ah, e venha jantar conosco hoje. Hinata vai ficar muito feliz e eu também."

"Yuiko também." – Disse a pequena sorrindo para o tio

"Virei sim, obrigado pelo convite."

Despediu-se dos parentes e foi para o hospital assinar as altas necessárias. Assinou todas as que precisavam, deixando por último a de Tenten. Algo lhe dizia que se deixasse à bonita jogadora de basquete ir para casa, nunca mais a veria. Uma batida no quarto 410 foi prontamente respondida com a morena abrindo a porta.

"Boas notícias eu espero." – Sorriu para o médico dando-lhe espaço para passar

Neji teve vontade de dizer que não, mas conteve-se e acenou afirmativamente com a cabeça. Tenten sorriu animada e olhou para as suas coisas já organizadas em cima da cama.

"Mas antes de você ir embora, deixe-me ver se está cicatrizando bem."

Neji sabia que estava cicatrizando bem, as enfermeiras o mantinham informado. Mas ele queria, ele precisava de uma desculpa para estar mais próximo da morena. Para tocá-la.

Tenten sentiu um arrepio quando Neji tocou no seu joelho, desfazendo o curativo, roçando sem querer os dedos na sua coxa.

Após dar uma boa olhada, limpar e fazer novamente um curativo, Neji despediu-se de Tenten, sentindo um aperto em seu peito. Pensou em pedir o telefone dela, mas isso seria extremamente antiético.

Decidiu ir para casa se arrumar para o jantar da prima. Ainda tinham algumas horas até o jantar, mas ele precisava de um banho frio depois de tocar na perna torneada de Tenten.

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Bonito. Era assim que Neji estava. Ele era bonito, mas hoje estava ainda mais, sem aquele ar tão frio, vestindo roupas mais confortáveis.

Tocou a campainha e sorriu ao ouvir a voz infantil questionar quem era. Respondendo a pergunta, a porta foi aberta e pode ver Yuiko que dar um rápido abraço e sair gritando para a cozinha algo como "Titio chegou".

"Neji, que bom que veio." – Hinata lhe cumprimentou alegre e o puxou pela mão – "Hoje temos mais alguém para o jantar, permita-me que lhe apresente." – Com a mão livre, fez um gesto vago indicando a outra pessoa convidada

Neji arregalou os olhos no mesmo instante que o copo que a pessoa segurava caísse no chão, mas sem quebrar.

"Você." – Duas vozes soaram juntas