Naruto pertence à Kishimoto-sensei, mas a autoria dessa fic me pertence.

Música usada: Dream on Dreamer - Cascada

Desculpe a demora na atualização e agradeço quem mandar review. Sério, review faz bem para o ego e não custa nada mandar.

Dr Love

Capítulo 13: Accidentally In Love

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The autumn rain is falling down

(A chuva de outono está caindo)

Through the clouds, hits the ground

(Através das nuvens, escoa sobre a terra)

Wash away traces in the sand

(Lavando as pegadas na areia)

Yesterday is do far away, you disappear, love was here

(O amanhã está tão longe, você desapareceu, o amor esteve aqui)

I close my eyes to be with you again

(Eu fecho meus olhos para estar com você de novo)

Still alive the world is in your hands

(Ainda a salvo, o mundo está nas suas mãos)

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Estava tudo ocorrendo da forma mais perfeita possível. Havia tantas entrevistas marcadas nas grandes redes de televisão, que nem sabia por qual começar. Todos conheciam seu nome e clamavam por si quando saia em público.

Mas a fama não era a única coisa que tornava sua vida perfeita. Era o anel com a grande pedra brilhando em seu dedo que lhe trazia mais alegria. Estar unida por um relacionamento estável e invejável com um homem extremamente sexy e habilidoso tornava as coisas ainda melhores.

Os dias passaram rapidamente e logo estava se olhando no espelho e torcendo as mãos em sinal de nervosismo, igual a Hinata. Estava deslumbrante dentro do vestido branco feito especialmente para seu corpo e para aquele dia. Finalmente agarrou o buquê composto por gérberas (representando a sensibilidade, sensualidade, amor e dedicação) e rosas na cor rosa (representando carinho e doçura) e foi caminhando até o início do tapete vermelho, ouvindo ao fundo a marcha nupcial.

Visualizou todos os convidados de pé olhando para si e lá no final do tapete vermelho, aquele que realmente importava, seu noivo.

Parecia deslizar pelo longo corredor, prestando atenção somente nos olhos perolados e na música que tocava. Mas a música estava estranha, tinha um som ritmado e estridente que não devia fazer parte de seu casamento.

Era como se alguém ligasse um despertador e o deixasse tocar por tempo indefinido, estragando toda a beleza daquele momento.

Abriu os orbes chocolate sentindo-se profundamente irritada e sem pensar duas vezes, arremessou o despertador contra a parede. O sonho que estava tendo era tão maravilhoso que se pudesse, viveria dentro dele transformando-o em sua realidade.

"Sabe Tenten, bastava apertar o botão de cima dele." – Comentou uma voz feminina sarcástica segurando o despertador (ou o que sobrou dele)

"Desculpe Satsuki, eu compro outro, juro."

Rolou na cama mais uma vez e viu Satsuki secar os cabelos negros com a toalha branca típica de hotel. Tentou fechar os olhos e dormir novamente, mas tudo o que pode fazer foi dar um gritinho e cair da cama com o susto devido à toalha úmida de Satsuki lhe acertar as ancas.

"Levanta preguiçosa." – Falou a moça de madeixas cor de ébano dando risada – "Treino, esqueceu?"

"Em um domingo?" – Resmungou levantando-se

"Qual é, ontem não deu pra aproveitar o bastante?" – Retrucou rindo da cara que Tenten fez

Resmungando, Tenten foi tomar um banho para terminar de acordar. Adorava os jogos, os treinos e tudo o mais que envolvesse o basquete, mas naquele dia em especial, queria fugir disso tudo e ficar ao lado de Neji apenas.

Tentou se arrumar e tomar o desjejum o mais rápido possível para não atrasar as amigas e colegas de time.

Chegando ao estádio recebeu a notícia que poderia fazer o alongamento e aquecimento junto com as outras, não precisaria mais dos exercícios específicos para si.

Esquecendo a dor que começou a se manifestar timidamente em seu joelho, esforçou-se ao máximo sentindo-se a melhor jogadora de todas.

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Somente às três da tarde as jogadoras do time foram liberadas do treino. Cansadas e famintas, combinaram de ir a um restaurante logo após saírem do vestiário. Inclusive Tenten combinou de ir com elas, mas não sem antes convidar o médico para ir junto.

Ao chegarem no restaurante encontraram um jovem bonito na porta esperando pacientemente.

"Esse é o prato principal?" – Brincou Satsuki cutucando Tenten

"Esse é o meu prato principal." – Retrucou sorrindo dando ênfase no 'meu'

Adiantando-se na frente do grupo, chegou a Neji e o abraçou ternamente, arrancando exclamações brincalhonas das amigas.

"Tudo bem?" – Perguntou sério olhando no rosto da garota e no joelho da mesma

"Tudo ótimo." – Respondeu sorrindo – "Vamos? Estou faminta."

O casal ficou em uma mesa separada, mas relativamente perto das jogadoras de basquete que conversavam animadas entre si. Mas tanto Neji quanto Tenten estavam alheios ao que acontecia ao redor, mantendo todas as atenções um para o outro.

"Daqui uma semana é a final do campeonato." – Falou enquanto roçava seu pé na perna de Neji por debaixo da mesa – "Temos chances de conseguir chegar lá."

"Eu venho te ver na final." – Retrucou com um brilho significativo nos orbes pérolas

"Eu espero poder jogar." – E fez beicinho

O Hyuuga não pode evitar um sorriso ao vê-la ficar tão encantadora em uma atitude tão infantil.

Ao terminarem de comer, ambos se despediram do restante do time de basquete – o qual não evitou piadinhas maliciosas relacionadas ao casal – e foram caminhar um pouco. Tinham um tempo escasso até a hora de Neji voltar para casa.

"Está ficando tarde, é perigoso dirigir a noite." – Tenten falou enquanto observava o sol ficar ainda mais fraco

"Desse jeito vou pensar que está me mandando embora."

Neji sorriu e beijou os lábios de Tenten quando a mesma já ia contestar o que ele havia dito. A morena, após o breve beijo, afundou o rosto na curva do pescoço masculino e aspirou à fragrância exoticamente boa que ele possuía.

"Eu vou sentir saudades." – Murmurou contra a pele branca

"Também vou." – Sentenciou beijando o topo da cabeça dela e afagando as madeixas cor de chocolate

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Faziam cerca de quinze minutos que deixara Tenten de volta ao hotel dela e saíra para a estrada. A despedida foi feita de maneira carinhosa, mas longe de conter choros ou prantos. Eles sabiam que era apenas um 'até logo' e não um 'adeus'.

A morena pediu diversas vezes, porém, que ele tomasse cuidado na estrada e ligasse avisando que havia chego em segurança em casa.

Colocou o primeiro cd que alcançou e ligou o ar condicionado. O carro pareceu ainda mais aconchegante desse jeito. Neji dirigia calmamente na estrada pouco movimentada. Raramente fazia alguma ultrapassagem.

Estava no meio do percurso, passando por um vilarejo, quando seu celular toca. Colocando o fone de ouvido, atendeu o mesmo.

"Sim?" – Falou observando o carro que fazia uma ultrapassagem perigosa a sua frente

"Que jeito de atender é esse Neji?" – A voz de Tsunade se fez ouvir um pouco reprovadora

"Fala logo, estou na estrada."

"Oh, está sem a sua menina, entendi o stress." – Retrucou a loira com língua ferina – "Amanhã você pode chegar uma hora mais cedo? Vamos estar com falta de médicos e cirurgiões."

"Claro." – Respondeu

Neji já estava para desligar quando sua atenção volta totalmente para estrada e um pouco para a palpitação em seu coração e a descarga de adrenalina. O carro que realizava a ultrapassagem perigosa entra bruscamente a sua frente, obrigando-o a virar toda a direção para o acostamento.

Sentiu o solavanco do carro ao sair do asfalto plano e entrar no meio de pedrinhas, terra e grama. Mas isso não se comparava ao que deve ter sentido o motorista irresponsável do outro carro. Apesar do rápido reflexo, um caminhão que vinha em sentido contrário acabou pegando na traseira do mesmo, com força suficiente para o carro realizar duas voltas completas antes de parar.

Com o próprio automóvel parado, pegou as chaves e abriu a porta. Como médico, queria ver se alguém se ferirá. Como motorista, queria berrar com o barbeiro.

Teve que andar um pouco para sair da grama, passar o acostamento e chegar na pista. Com o celular em mãos, desligou a chamada de Tsunade e discou para a polícia enquanto se aproximava do carro cuja traseira estava parcialmente destruída.

O pára-choque contendo a placa do veículo estava caído há alguns metros do carro. Neji caminhava pelos cacos de vidro e logo teve a companhia do motorista do caminhão, que parecia assustado.

Ao se aproximarem, respiraram aliviados ao notar que não havia ninguém no banco traseiro e que ambas pessoas do banco da frente estavam conscientes e se mexendo.

"O socorro já está a caminho." – Neji falou por cima das reclamações de dor – "Procurem não se mexer muito, aparentemente nada quebraram. Apenas escoriações."

"Você é médico?" – Perguntou a voz grossa vindo do caminhoneiro que parece relativamente mais calmo agora

Neji limitou-se a acenar com a cabeça e buscar um sinalizador para por na estrada, visto que se podiam avistar alguns carros se aproximarem. Olhou para o próprio carro e suspirou desanimado: a viagem atrasaria mais do que imaginara.

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Não era hábito seu roer as unhas, mas naquele momento, a unha do dedão era a única coisa que a prendia a sanidade. Satsuki tentava acalmá-la, mas sem sucesso.

Tenten ficava mais apreensiva a cada segundo e o noticiário local não ajudava em nada. O repórter com gel excessivo no cabelo, falava diretamente da estrada sobre um acidente, mas não menciona placa do carro ou quem o dirigia.

"O celular dele está desligado." – Choramingou largando o telefone do hotel em cima da cama

"Já tentou falar com aquela prima dele?" – Tentou Satsuki enquanto pousava uma mão no ombro da morena

Tenten sobressaltou-se e rapidamente pegou o telefone novamente, discando de forma atrapalhada os números da Hinata.

"Alô?" – Uma voz masculina soou na outra linha

"Naruto, oi, é a Tenten." – Falou com pressa, tropeçando nas palavras – "Você tem notícias do Neji?"

"Não desde que ele foi ai te ver. Por que?"

"Ah, é que eu ainda não falei com ele desde que ele voltou pra casa." – Explicou Tenten sentindo as bochechas avermelharem, não queria preocupar Naruto – "Bom, manda um beijo pra Hinata? Vou desligar, tchau."

Enterrou o rosto nas mãos e permitiu-se respirar fundo algumas vezes para se acalmar. Pode ouvir Satsuki enchendo um copo de água e quando levantou o rosto, viu a mesma lhe estender o copo.

Sorriu e agradeceu mentalmente por ter uma amiga e colega de quarto tão querida.

Terminou a água no copo e disse para si mesma que daria mais quinze minutos antes de correr para o telefone e ligar para todos os lugares a procura de Neji. Estava encarando o relógio quando sente seu celular vibrar ao seu lado.

"Neji?"

"Oi Tenten." – Responde a voz masculina aparentando surpresa

"Estava preocupada." – Esclarece – "A viagem geralmente não demora tanto tempo e eu vi que teve um acidente."

"Sim, o carro na minha frente bateu, eu fiquei até socorro chegar." – E com um sorriso continua – "Estava preocupada comigo é?"

"Não, estava preocupada com seu carro." – Retruca fazendo beicinho

"Desculpe Tenten. Mas eu estou bem e só não tinha como ligar antes."

"Tudo bem, você estar bem é o que importa."

"Eu tenho que desligar agora." – Falou ouvindo um 'tudo bem' do outro lado da linha – "Eu realmente gosto de você."

"Também gosto de você." – Respondeu sentindo o coração acelerar dentro do seu peito – "Tchau."

Desligou o telefone e correu para abraçar Satsuki que exibia um sorriso maroto no rosto. A companheira da morena podia imaginar a felicidade da mesma em saber que o amante estava bem e que gostava dela.

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Quando o despertador tocou, sentia como se a recém tivesse adormecido. Quando se olhou no espelho, antes de fazer a higiene pessoal, viu duas olheiras se formando embaixo de seus olhos. Sua aparência não estava das melhores, parecia exausto e sabia que ao final do dia estaria ainda pior.

Após tomar o café da manhã, aproveitou os minutos que tinha sobrando para limpar a gaiola de seu companheiro de apartamento. Ouviu o pio alegre quando colocou mais comida e trocou a água da pequena ave e não pode evitar sorrir e passar um dedo pela penugem da cabeça do pássaro.

Era bom ver que alguém não se importava com a sua aparência e sim com a habilidade em fazer companhia e dar comida.

Encaminhou-se ao banheiro após tratar do pequeno animal e escovou os dentes. Os cabelos estavam um pouco rebeldes, então prendeu em uma trança baixa deixando o rosto livre de qualquer fio inoportuno.

Ao adentrar no carro sentiu-se mais desperto, ligou a chave, sentiu o motor roncar e saiu da garagem. Não havia muito trânsito naquela hora e deu sorte de pegar muitas sinaleiras verdes.

Estacionou o carro na sua vaga e rumou para dentro do hospital. Cumprimentou as pessoas conhecidas e foi imediatamente para a sala dos médicos, onde encheu um copo plástico grande do líquido amarronzado borbulhante.

O café já estava com gosto de velho, mas ainda assim servia para deixá-lo totalmente acordado e atento, ainda mais que já o estavam chamando pelo alto-falante para a sala de cirurgia.

Adorava o poder de segurar um bisturi na mão e garantir uma vida, mas apenas naquele momento, adoraria largar tudo e ficar um pouco mais com Tenten.

Do mesmo modo que ele tinha em mãos o coração do homem idoso anestesiado, Tenten tinha nas mãos dela, o coração dele.