CAPÍTULO UM

O estranho recomeço

O sol ia nascendo lentamente no norte da Inglaterra iluminando por completo o grande chalé no campo, propiciando um espetáculo incrível para quem visse, mas Kevin Lancaster não estava vendo esse amanhecer lindo de um dia de outono.

O garoto estava acordado, mas não queria levantar de jeito nenhum então ficava deitado, sem dar atenção a qualquer barulho que fosse. O Sol ia entrando pelas frestas da cortina do quarto que era extremamente bagunçado. Havia algumas estantes, um cesto de roupas sujas com muitas roupas dentro, e mais ainda no chão. Livros, penas, frascos e coisas que nem dava para saber ficavam rodeando a cama grande no qual dormia Kevin. Porém essa moleza logo acabou quando ele escutou o som que mais o irritava.

Toc toc toc

E logo depois a porta do quarto se abriu com dificuldade devido à quantidade de coisas espalhadas no chão. Um homem alto e forte, de óculos quadrados e cabelos curtos e pretos iguais a sua barba macia entrou no quarto e andou saltando sobre as coisas no chão para não tropeçar até que chegou à cama.

– Não vou levantar tão fácil, se é o que você está pensando – disse o garoto de baixo da coberta.

– Eu acho que não tenho que te lembrar que faltam 3 dias para o início de suas aulas, - começou o homem de modo suspirante – você ainda não fez os trabalhos pedidos, e ainda não comprou o material necessário. E também acho que não tenho que te lembrar que você é apanhador da Corvinal e se não tirar notas boas não poderá jogar pois estará de detenção. De novo.

– Você é tão animador – repetiu Kevin com sarcasmo e monotamente debaixo das cobertas – você faz as coisas parecerem muito melhores.

E sem hesitar o homem pegou a grande coberta e tirou totalmente do filho revelando o garoto encolhido em baixo dela que por sua vez, saltou da cama recebendo o frio do quarto de uma vez só. Ele estava apenas de cuecas já que não gostava de dormir de roupa.

– Santo Deus precisa tratar assim seu filho? - exclamou Kevin recuperando a coberta e cobrindo o corpo – Eu já estou acordado!

– Desculpe acabar com seu sono de beleza milorde – disse o pai com uma reverência tão sarcástica quanto o filho – Além disso, você e seu irmão vão para a casa de seu tio. Vou ter que fazer uma viagem emergencial.

– Quê? Com o Anthony? Nem pensar!- vociferou Kevin – Ele é arrogante e só fala de história e fica todo nervosinho quando mandamos calar a boca, isso sem conta o fato que quando estamos longe de casa ele acha que é meu dono – acrescentou Kevin com indignação e começando a dobrar de qualquer jeito a coberta.

– O fato é que eu tenho que viajar e vocês vão voltar a estudar dentro de três dias, então... - o pai gesticulou um "Fazer-o-quê" com as mãos e saiu do quarto com a mesma dificuldade que entrou.

– Que maravilha – ironizou Kevin novamente e foi para o banheiro.

Kevin Lancaster era um bruxo de 15 anos. Um garoto que como muitas outras pessoas, podia fazer magia, burlando assim as leis da física em muitos casos. Ele estudava na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. A melhor da Europa e talvez a do mundo. E era da casa de Corvinal, porém sempre duvidava da indicação do Chapéu Seletor, pois nunca fora inteligente apesar de saber bastante de Poções, na maioria das vezes que tentava fazer um feitiço mais complicado, fazia as coisas explodirem. Além disso, era Apanhador do time de Quadribol de sua casa.

Ele era um rapaz bonito. Era forte, atlético. Uma pele clara um tantinho rosada. Cabelo muito negro e grande, até em cima do ombro que encobria suas orelhas e parte da testa. E tinha olhos verdes que pareciam duas grandes esmeraldas. Porém, Kevin nunca foi famoso ou conhecido na escola. Era apenas "O apanhador da Corvinal". Muitas vezes sonserinos mexiam com ele e em várias vezes ele recebia uma detenção por brigar. Basicamente era quase um "Zé Ninguém". Sua vida não era muito fácil. Tinha apenas um amigo: Leonard Armstrong, um Lufano que também era do Time de Quadribol da Lufa-Lufa, porém como Artilheiro.

A Família Lancaster vivia em uma casa pequena em Liverpool. Era uma casa apertada de dois andares apesar de não ser grande, era o suficiente para três pessoas. Tinha uma decoração bem trouxa para as pessoas não suspeitarem. E o pai de Kevin não permitia que usassem qualquer item mágico fora de casa, pois Kevin já quebrara a lei de não usar magia por menores fora da escola duas vezes e mais uma ele acabaria tendo a varinha quebrada.

Kevin desceu de seu quarto, meia hora depois e levantar usando as mesmas roupas de sempre. Ele sempre se vestia como um trouxa até mesmo quando ia em lugares de bruxos como o Beco Diagonal, a não ser na escola onde usava o uniforme azul marinho da Corvinal. Mas na maioria das vezes, e como naquela vez, usava calça jeans lisa, tênis Converse e uma blusa social xadrez de manga curta. Ele encontrou o pai e o Irmão sentado na mesa. Ambos lendo o profeta diário e tomando café em uma caneca. Kevin sentiu uma estranha sensação de ver seu pai e sua versão mais jovem.

– Bom dia família – disse Kevin ainda chateado por ter sido acordado daquele jeito, quando se sentou a mesa redonda que ficava em frente à cozinha.

– Bom dia – repetiram os dois juntos e deram um gole no café ao mesmo tempo. Kevin começou a tomar café sendo pego por uma sensação muito ruim. Teria de fazer quilos de tarefas passadas nas férias tudo em três dias. E, além disso, ir ao beco diagonal que estaria lotado e multidões era uma das cinco coisas que Kevin mais odiava.

– Sinto informar que vocês terão que ir ao Beco Diagonal hoje, na verdade daqui a pouco. – disse o Pai de Kevin olhando o relógio no pulso, depois de alguns minutos. Ele dobrou o jornal no meio e se endireitou na cadeira – E Sozinhos. Vou viajar hoje. Tenho que ir a Romênia receber a nova lista de Dragões rastreados para entregar um relatório ao Ministério com quantos Dragões existem na Europa, então ficarei fora uma semana mais ou menos.

O Pai de Kevin, Frederick Lancaster, era um funcionário do Departamento de Controle de Regularização de Criaturas Mágicas, Seção de Auxílio e Classificação de Animais Mágicos. Várias vezes ele saía em viajem para ter que resolver algum problema com algum animal que apareceu em público ou que feriu alguém. De qualquer maneira ele viajava muito pela Europa e sempre os garotos se viravam sozinhos, não era nada comum ele os deixar com o Tio.

– Porque não vamos ficar sozinhos? O Senhor sempre deixou a gente aqui mesmo – perguntou Kevin desconfiado comendo uma colherada de cereal.

– Vocês vão voltar a estudar muito em breve, e seu tio disse que queria passar algum tempo com vocês. Então... – ele fez novamente o gesto "Fazer-o-quê" e se levantou.

O tio de Kevin, o Tio Dimitri, era o único irmão do pai de Kevin O Sr. Lancaster achava Dimtiri um mau exemplo, pois usava magia para tudo. Sua casa era repleta de feitiços e não se dava nem ao trabalho de escondê-los. E isso era o que fazia Kevin achar mais estranho ainda eles irem passar o resto das férias na casa dele.

– Porque você vai ao beco? Você não gosta de ir lá – disse o Anthony depois de uns minutos.

Anthony era bem parecido com o pai. Era magro, alto e tinha uma pele pálida, pois nunca saía no sol. Tinha cabelos curtos e meio arrepiados cor de mel e olhos amarelos-vibrante. Sempre se vestia parecido. Dessa vez estava com um casaco marrom aberto até a cocha e sapatos pretos. Fora isso usava roupa social escura.

– Porque toda vez que eu deixo você comprar algo para mim você escolhe outro dizendo que seria melhor para mim, e no final das contas eu quebrei uma perna! – respondeu mal gosto. Ele já se sentia irritado só de pensar em ter que ir ao Beco Diagonal, com tantas pessoas fazendo compras.

– Olha, quando eu comprei aquela vassoura o vendedor me garantiu que era uma excelente vassoura com senso de direção próprio! – vociferou Anthony apontando o dedo para Kevin

– É, tinha mesmo. Só que só ia para a direção chão! – respondeu Kevin bravo. Certa vez o irmão comprara os materiais dele no beco, inclusive uma vassoura nova, pois ele se tornara apanhador titular da Corvinal, porém além dos livros errados, os materiais de poções dos tamanhos errados, Anthony comprara uma Meteoro 062. A imitação mais esdruxula da Comet 260.

– E como vamos ao Beco? – perguntou Kevin se levantando com o irmão, porém sabendo a resposta e se sentindo ainda pior.

Thony atravessou a cozinha e foi para a sala. Vestiu uma capa de viajem e Kevin o imitou. Depois se postou em frente à lareira olhando fixamente para a enorme lareira.

– Pó de Flu? Pó de Flu? – exclamou Kevin sentindo como se 200 borboletas tentassem loucamente sair de seu estômago.

– Prefere uma Chave de Portal? – disse Thony com ironia.

Kevin nunca gostou de Transportes Instantâneos Mágicos. De nenhum deles. E tinha um trauma em especial com a Chave de Portal, pois uma vez pegara uma defeituosa e fora parar na Sibéria em vez do Canadá. Desde então ele nunca conseguiu pegar outra chave de Portal, e todos os outros meios de transporte mágicos lhe davam mal estar.

– Sabia que o Pó de Flu foi criado por um campeão de Aparatação Conjunta? – começou a dizer Thony e Kevin já sabia que vinha mais uma curiosidade inútil do irmão – De tanto aparatar ele se cansou e criou a Rede de Flu. Entretanto não eram para ser lareiras e sim banheiras, mas em decorrência do fogo teve que se modificar, e ninguém queria uma pessoa em chamas aparecendo na banheira de alguém do nada. Não seria estr... – dizia Thony

– Ah! Cale a boca! – interrompeu Kevin sem paciência. – Estamos indo Pai! – gritou por cima do ombro olhando para dentro da Lareira e enrijecendo o estômago. Ele devia ter previsto, se tivesse lembrado não teria tomado café.

– OK! Voltem logo! – respondeu o pai do andar de cima

– Como se fosse possível – resmungou Kevin. Thony entrou na lareira depois de pegar um pó em um copo ao lado da lareira. Depois jogou no chão gritando "Beco Diagonal!". Chamas verdes o consumiram e depois ele desapareceu.

Como se fosse cortar o próprio braço de propósito, Kevin fez o mesmo que o irmão. Com as borboletas em seu estômago ficando mais fortes, ele jogou o pó no chão e foi consumido pelas chamas verdes, mas sem sentir muito quente, ele começou a rodopiar feito um pião e só parou quando se viu em outa lareira de frente para uma multidão.

– Muito obrigado de sua parte Thony! Foi muito gentil de sua parte esperar seu irmão que estava passando mal dentro de uma lareira depois de ter rodopiado de Liverpool até Londres! – vociferou Kevin mais enraivecido. Porém sua raiva de nada adiantou, pois o irmão estava longe indo até Gringotes.

– Você é um frouxo isso sim – disse Thony quando Kevin o alcançou perto da Floreios e Borrões, uma livraria – Você sabia que o Beco Diagonal não existia quando trouxeram Gringotes aqui, entretanto como era perto de um lugar onde os bruxos tiravam dinheiro ficava mais fácil vir comprar. E foi ali que...

Thony continuou a falar, e Kevin a ignorar. Se discutisse com o irmão ali iria entrar em confusão com seu pai e ele só queria sair dali o mais rápido o possível. A união de Fazer compras, multidões e coisas estranhas por todos os lados deixavam Kevin muito irritado.

O Beco Diagonal, não era uma rua comum. Era muito larga e tinha muitas lojas vendendo todo o tipo de coisa. Desde roupas até ingredientes para poções. As pessoas ali nunca eram comuns, pois sempre se vestiam como verdadeiros bruxos. Vestidos escuros e estranhos e chapéus com bichos mortos em cima, mas fora isso era um lugar bom. Apesar de estar extremamente cheio.

Kevin ficou na Floreios e Borrões enquanto seu irmão foi até Gringotes sacar algum dinheiro. E a loja não estava muito diferente da rua. Apinhada de gente que comprava livros e que faziam Kevin sufocar, e ele ainda pode reconhecer bem umas 10 pessoas de seu ano, entretanto não encontrou ninguém importante.

Anthony voltou 15 minutos depois com um saquinho cheio de moedas. A família Lancaster não era rica, mas tinham uma boa condição que possibilitava aos garotos a comprarem livros e vestes novas.

E para não perder o hábito, Thony começou a falar e a explicar sobre a fundação da loja.

– Essa foi a 3ª loja inaugurada no Beco, seu nome era Floreiros de Barões. Como os floreios de florete ou de varinha, entretanto o homem era semianalfabeto e escreveu errado. Só que o novo e errado nome tinha várias coisas a ver com livros e parecia atrair sorte pois logo a loja ganhou renome e se tornou a mais conhecida livraria da Inglaterra – dizia Anthony com muito orgulho, e vendo que o gerente não tirava o olho dele de admiração.

E eles até conseguiram até um desconto levando os 10 livros para Kevin e 17 para Anthony que jurava que tinha levado livros de apoio para os N.I.E.M's, mas caminhando para a Madame Malkin foi que Kevin percebeu um livro que com certeza não pertencia ao N.I.E.M: As mais lindas bruxas da Europa, Mil e um modos de encantá-las, de Gilderoy Lockhart

Todo o resto da viajem foi totalmente chata e cansativa. Kevin falara com três amigos de casa e dois que eram seus adversários no Quadribol, e que apesar de adversários eram bons colegas. Entretanto ele não viu Leonard, seu melhor amigo da Lufa-Lufa e então ele presumiu que ele comprara os materiais antes.

Mas foi na Madame Malkin que eles tiveram algo realmente interessante para fazer. Ou pelo menos para Thony. Havia uma garota chamada Jennifer Janiston, capitã do time de quadribol da Grifinória. Era alta, morena e bonita. Estava no mesmo ano que Thony. Tinha cabelos negros cacheados e olhos claros, e suas unhas sempre estavam pintadas dos jeitos mais mirabolantes possíveis. Desta vez ela tinha oi desenho de um leão que estava correndo em um campo amarelo. Porém Kevin não gostava muito dela, pois além dela encher Thony de esperanças e flertando com ele toda hora, ela sempre tratava Kevin como criança.

– Oi Kevin! – disse ela entusiasmada passando a mão na cabeça dele como um cachorro. Ele sorriu ironicamente – Que bom ver vocês aqui! Comprando os materiais né? Que beco cheio. Olhe estude bastante, pois os N.O.M's não são fáceis. Nos vemos depois Thony! – ela acenou com um sorriso "encantador" e saiu da loja levando duas sacolas com as vestes.

– Ela não é demais! – disse Thony todo bobo.

Os garotos passaram mais três horas no Beco Diagonal e boa parte disso foi apenas tentando passar pelas pessoas nas lojas ou Kevin escutando curiosidades sobre o Beco como: "Você sabia que o Beco Diagonal não é diagonal? Ele é reto virado para o Norte, mas é por isso que é diagonal, ele é reto e a terra é inclinada, se olharmos do espaço parece que está em Diagonal, por isso o nome. Não é incrível?" ou então "O Beco Diagonal tinha 12 lojas há 30 anos, mas ganhou 30 em 12 anos! Ele se expandiu bastante. E você sabia que apesar das lojas serem concorrentes eles não tem muitos problemas com isso. É meio que cada loja tem um jeito para cada tipo de pessoa. A Floreios e Borrões tem livros de todos os tipos, mas é especializada em livros escolares e auxiliares, já a Livraria Feitiço Certo é especializada em livros sobre Azarações, Feitiços Defensivos e Contrafeitiços."

É claro que muitas das coisas que Thony falava não eram interessantes para Kevin, mas era útil algumas vezes. E foi quando eles passaram pela loja favorita de Kevin que as curiosidades de Thony eram mais legais. A loja de Artigos para Quadribol era a melhor loja do Beco para Kevin. Apesar de agora terem vários esportes bruxos como o Basebruxo o Campeonato de Duelos, o Concurso de melhor poção e a Caça ao Tesouro pelo Mundo, o Quadribol ainda era o melhor esporte.

Os irmãos adentraram a loja, e como qualquer outra, estava cheia de gente. Entretanto era possível andar pela loja sem pisar no pé de alguém ou então esbarrar em uma estante. Kevin começou a olhar para algumas coisas e conferiu o saquinho para ver se dava para comprar alguma cosia nova, mas só sobraram três galeões doze sicles e vinte nuques.

– Pelo menos dá para comprar umas luvas e chuteiras novas não? – disse Thony vendo o irmão abatido.

– É, dá – disse Kevin sem muita emoção – AAARREE!

Um homem acabara de derrubar várias caixas relativamente pesadas em cima de Kevin. O garoto se levantou com a ajuda do irmão e viu o homem gordo, careca e barbudo que havia derrubado as caixas nele. Ele falava uma língua diferente irreconhecível que parecia que estava pedindo desculpas.

– Tá, tá bom, não tem problema! – bradou Kevin se limpando. A multidão do beco já estava fazendo Kevin se sentir muito estressado e chateado.

Quando Kevin e Thony finalmente conseguiram localizar o que queriam comprar eles já estavam perto do meio-dia, e só foi depois que conseguiram sair da loja, porém Kevin ainda queria ficar admirando a Supremus 3.0. Uma vassoura perfeita, aos olhos de Kevin que se arregalavam cada vez que olhava para a vassoura. Entretanto custava 2000 Galeões.

– Sabia que essa vassoura é a considerada a melhor do Século? – Perguntou Thony, mas antes de continuar o que seria um belo discurso cheio de orgulho, Kevin o interrompeu.

– Sabia sim, ela tem cabo de prata enfeitiçado para ser leve, cerdas de carvalho rígido e com os feitiços de velocidade mais fortes que existem. Vai de 0 a 100 Km/h em 4 segundos! – Disse Kevin ainda admirado com a vassoura enquanto olhavam do lado de fora da loja. Era prateada e curvada, reluzente como a luz de uma prataria. Estava muito bem estampado na vitrine "Não fazemos testes". Seu coração saltitava no peito toda vez que pensava em comprar uma vassoura daquela, mas isso significaria o salário de seu pai inteiro durante sete meses.

Ainda pensando em um jeito de conseguir aquela vassoura, Kevin e o irmão foram se adiantando com todas as compras pelo beco até as lareiras de Flu, com dificuldade, eles chegaram até uma delas e mandaram as compras primeiro, pois não caberiam eles. Thony foi primeiro na lareira e Kevin o seguiu tentando novamente fazer as borboletas em seu estômago se acalmarem, porém não funcionou. Quando entrou na enorme lareira e jogou o pó nos pés gritando "Liverpool, Chalé dos Lancaster!", seu estômago parecia rodar inversamente com o seu corpo. Entretanto quando Kevin parou de rodopiar aterrissando na lareira ele caiu em cima de todas as compras.

– Mas que droga que está acontecendo aqui? – perguntou Kevin se pondo de pé. Várias das compras estavam na lareira, porém alguns livros, e o caldeirão de Kevin, estavam no chão.

– Não sei – arqueou Thony se levantando também. Ele tirou a capa de viajem e desamassou o casaco marrom – O papai devia está aqui para receber as compras

E quase imediatamente quando Thony falou se escutou um estalo longe e os garotos logo perceberam que alguém acabara de aparatar. Mal se encaminharam até a porta, que ficava de frente para a entrada da floresta que viviam perto e viram o Sr. Lancaster vindo com uma capa de viajem carregando 2 sacolas de papel cheias de coisas.

– Ah! Vocês chegaram! Que bom – dizia ele entrando e sendo ajudado pelos filhos – Eu tive que dar uma saída agora pouco, para comprar umas coisas para a viagem, e esqueci o tempo. Desculpem-me.

– Tudo bem papai. Nossa o Beco Diagonal estava lotado hoje você acredita que... – e Thony começou a narrar toda a aventura no Beco Diagonal, como se ela fosse uma história do Indiana Jones

Kevin por sua vez não estava nem um pouco a fim de ficar ali escutando o irmão contar toda sua história e tinha muitas tarefas acumuladas, então apenas fez um sanduíche e se sentou no grande sofá vermelho e começou a escrever sua redação de História da magia sobre o Malleus Maleficarum.

Quando Kevin pousou a pena em cima do pergaminho para escrever o título da redação, foi impedido pelas dezenas de explosões na cozinha que ficava ao lado da sala. Era como se toda a casa estivesse sendo metralhada. Kevin se levantou, mas se agachou no mesmo momento vendo xícaras, cadeiras, pratos e objetos voarem aos cacos. Seu pai e seu irmão também estavam agachados e cada um estava com sua varinha. Logo depois as explosões foram indo para a sala e por toda a casa Várias paredes se quebraram e as coisas estavam totalmente destruídas. As explosões pararam. Por um momento Kevin pensou eu o que quer que fosse que causara as explosões tinha ido embora, porém estava bem enganado. Dois homens chutaram a porta da cozinha e entraram na casa. A primeira vista eles poderiam ser confundidos com o Batman, mas dava para ver as diferenças. Eles usavam capas e uma espécie de uniforme-armadura com protetores no peito, pernas e braços. Usavam máscaras que encobriam os rostos quase que por inteiros deixando apenas a boca e o queixo à mostra. As máscaras se alongavam de tal maneira que se encaixavam como capacetes formando coroas.

Automaticamente O Sr. Lancaster se levantou e começou a duelar com os bruxos, Kevin assistia assustado se sentindo imponente e covarde, depois Thony ajudou o pai a lutar com os dois homens. Porém O Sr. Lancaster lançou algum feitiço nos garotos, pois seus corpos foram lançados contra o quarto de Thony, como se fossem puxados por ganchos. Logo a porta se trancou e nenhum dos garotos conseguiu sair.

Por uns instantes os garotos escutaram o barulho de vários feitiços. E depois silêncio. Um silêncio ameaçador e agoniante. Eles estavam parados em frente à porta com as varinhas erguidas sem saber o que fazer. E Kevin em particular sem sentia paralisado, travado como se estivesse petrificado. E depois de alguns segundos Thony se adiantou perto da porta.

Colloportus! – disse apontando para a porta. Ouve um som de esmagamento e depois Kevin teve certeza que a porta estava trancada com magia – Protego Totalum!

– O que você tá fazendo? – sussurrou Kevin ao irmão

– Feitiços de Proteção ué. Caso o papai... – Thony hesitou, mas Kevin sabia que ele queria dizer

Kevin queria fazer algo, algum feitiço, mas estava com tanto medo, travado que não conseguia raciocinar claramente. Então ele viu. Pela fresta da porta entre ela e chão, viu uma sombra se aproximando calmamente. Então seu cérebro começou a trabalhar numa velocidade impressionante. Dava para escutar as engrenagens trabalhando. Então ele descobriu.

– Abaixe-se – ele ordenou não reconhecendo o próprio tom. Mas de algum modo estranho ele sabia o que fazer. Thony obedeceu quase antes de Kevin gritar – Expulso!

Um pequeno lampejo translúcido irrompeu da varinha de Kevin e acertou a porta explodiu lançando os dois homens para os lados da porta. Não era esse o objetivo de Kevin, mas já que funcionara. Logo depois Kevin correu para fora do quarto e apontou para os dois homens que se levantavam.

Lumus Solem! – dessa vez um grande raio de luz amarela e muito brilhante irrompeu da ponta da varinha de Kevin iluminando a sala inteira com luz solar. Ele fechou os olhos, mas os homens encapuzados não e logo exclamaram "AAAHH! Meus olhos!" Quando a luz acabou, os homens estavam com as mãos nos olhos tentando ver novamente, mas Thony já tinha pegado suas varinhas e agora os irmãos apontavam para os homens desarmados.

Incarcerous! – ordenou Thony e cordas saíram de sua varinha e amarraram os homens juntos.

– Estupore-os, juntos ele podem se ajudar com alguma faca. – disse Kevin novamente sem saber como sabia daquilo. Thony obedeceu e estuporou os homens os amarrando-os separadamente.

– Vai ver o papai – disse Thony e imediatamente Kevin saiu de seu estado de lucidez e começou a sentir o medo e a angustia de novo.

Kevin correu pela sala e viu o pai perto da escada desacordado. Seu primeiro reflexo era ver se estava vivo e por sorte estava apenas desmaiado.

– E ele está bem. Está desmaiado. Accio Poção Revigorante – ordenou Kevin com a varinha e logo depois um frasco redondo veio voando até ele. O garoto destampou e foçou goela a baixo no pai, que segundos depois tossiu e voltou a si.

O Pai de Kevin se levantou e com ele um sorriso no rosto de Kevin. Seu pai não morrera apenas fora estuporado. Thony também se alegrou, mas não desviou a varinha dos homens. O Sr. Lancaster andou até os homens desmaiados depois de pegar a varinha e ordenou aos dois:

Rennervate. – Disse ele. Os homens amarados recuperaram os sentidos lentamente e quando se deram conta que estavam amarrados tentaram se libertar com toda a força que tiveram. E Kevin sentiu um tom de poder e de fúria no pai. Kevin estava com a varinha a postos esperando caso algum dos homens conseguisse se libertar.

Porém, pelo que Kevin vira, o Feitiço Prendedor do irmão fora muito bem realizado, pois os homens não conseguiram se soltar e as cordas pareceram se apertar mais em torno deles.

– Falem! – vociferou o Sr. Lancaster – Porque nos atacaram?

– Há ha – disse o homem que estava mais próximo da estante destruída – Como se fossemos dizer. É melhor nos matar, pois não tem poção da verdade no mundo que nos faça falar

O jeito frio e despreocupado do homem fez os pelos da nuca de Kevin se eriçar. Era exatamente naquilo que ele estava pensando. Kevin podia ver a fúria nos olhos do pai e a preocupação nos olhos do irmão, mas nenhum dos dois disse uma palavra.

– Thony. Chame seu tio Dimitri. Use o pó de flu. Ele só chegaria mais tarde, mas devido a isso... – disse o Pai de Kevin ainda sem mexer a varinha apontada par aos homens.

Thony obedeceu quase que imediatamente. Guardou a varinha e limpou o sangue que escorria

O Segundo homem encapuzado, que apesar da Máscara, parecia mais novo e explicitamente mais preocupado, estava se tremendo, e Kevin percebeu imediatamente que aquele era o ponto mais fraco. Kevin se aproximou dele com cautela e o olhou nos olhos.

– É melhor vocês falarem. Tem um esquadrão inteiro de aurores despreocupados e em pressa vindo para cá. E eles têm meios muito mais efetivos e rápidos de se obter uma informação do que uma Poção da Verdade. – disse Kevin ainda olhando o homem nos olhos. Na sala quebrada pode-se ouvir o som de Thony desaparecendo nas chamas. O pai d eKevin o olhava com curiosidade e Kevin sabia disso.

– E... e... eu nã... não p-p-osso f-f-falar... – disse o homem e no mesmo momento a atenção do pai se voltou completamente para ele – Eu m-m-morro se e-eu f-f-alar

O homem estava ofegante e com muito medo. Se era jovem mesmo devia ter se tornado o que quer que fosse muito cedo e não estava preparado.

– Covarde. Eles nos mandarão para Azkaban mesmo, porque vamos falar? – resmungou o outro – Eu vou logo avisando, não vão conseguir nada da gente. É um feitiço. Pior que o Feitiço Fidelius. Nos impede de falar o que quer que seja.

Aquelas palavras ecoaram de um jeito significativo na sala destruída. Kevin se sentia temeroso e meio tonto, agora que percebia que estava sangrando. Ele se levantou e encarou os homens. Ele tinha que fazê-los falar, tinha medo que quando o ministério chegasse, não descobriria nada.

Foi então que Kevin teve uma ideia perfeita.

– Tudo bem, não falem. Mas tenho que dizer uma coisa. Todo feitiço que prende uma pessoa a um segredo ou informação, como Feitiços de Memória, Feitiços para Confundir ou a própria Maldição Imperius são facilmente quebrados por horas e horas de torturas com a Maldição Cruciatus. E os aurores são muito bons nisso – começou a dizer Kevin, e de algum modo sabia o que fazer – depois de muito tempo de tortura, e estamos falando de umas 6 ou 7 dias direto sem descanso se o feitiço for forte, o Cérebro repele qualquer impedimento só para acabar com a dor. Então... é com vocês.

De algum modo o pai de Kevin entendeu o plano do filho. E logo se virou para a parede destruída da cozinha que dava para ver o quintal da casa dos Lancaster.

– Eu ouvi alguém aparatando. Deve ser um Auror que veio pegar vocês. Tudo bem por mim. – disse o Sr. Lancaster tentando fazer uma voz de despreocupado.

– Ele quer um dos seus filhos! Ele acredita que um deles... – começou a dizer o homem encapuzado mais novo, dizia desesperado, porém foi interrompido quando o comparsa se virou para ele e gritou:

– DELATOR! – e em seguida o homem que começava uma confissão entrou em combustão afastando Kevin e o Sr. Lancaster, seus gritos ecoaram por toda a casa, e por fim só se viu cinzas e pedaços de roupa chamuscados.

Tudo acontecera tão rápido que Kevin mal teve tempo de se afastar e bateu com a cabeça novamente no chão. O outro homem encapuzado, ainda estava calmo com uma estranha expressão de estar emburrado. Kevin sentiu seu coração disparar e um medo que ele não gostava de jeito nenhum o invadir. Sentia-se covarde e incapaz. Queria fazer algo.

Alguns segundos depois da explosão humana, se ouviu um barulho de fogo e Thony e o tio de Kevin virem até a cozinha destruída.

O tio Dimitri era um homem alto, forte. Era parecido com o pai de Kevin, porém mais jovem. Tinha cabelos lisos, curtos e despenteados. Olhos castanhos iguais ao de Thony e um queixo pronunciado. Sua pele estava mais bronzeada do que a da família, por causa do sol. Ele usava sempre um figurino Bruxo acentuado. Usava um, sobretudo grosso cinza-chuva, com alguns bolsos, e sapatos de couro de dragão.

– O que teve aqui? Um furacão? E quem é esse...– perguntou Dimitri sacando a própria varinha mas pareceu que todas as perguntas foram respondidas depois de olhar o homem encapuzado. Os dois se olharam por uns momentos. Então o homem encapuzado soltou uma risada histérica.

– Dimitri Lancaster. Que prazer em vê-lo – começou a dizer o homem Bem... acho que se é você que veio aqui eu não tenho chance não é mesmo?

– O que está acontecendo? – perguntou Thony que parecia mais limpo. – Cadê o outro?

A expressão fria e calculista de Dimitri se perpetuava, e Kevin sentia que aquilo não podia ser bom. O temor e o medo estavam o abandonando, mas ainda sim Kevin se sentia idiota e incapaz.

– DELATOR! – gritou o homem e imediatamente seu corpo foi fulminado por um fogo tremendo que irrompeu de dentro dele. E segundos depois só se via cinzas e pedaços de roupa chamuscados. E agora, um cheio de podridão vinha do lugar onde antes havia dois homens encapuzados.

– Eram o que acho que eram? – perguntou o Sr. Lancaster ao irmão. Que ainda não tirava os olhos

– Ahan – concordou Dimitri guardando a varinha – vocês ainda querem ir para a minha casa? Acho o que ficarão melhor lá.