N/A: Os capítulos foram repostados, mudanças foram feitas para adaptar melhor a história, obrigada pela paciência e boa leitura!
Disclaimer: Inuyasha não me pertence, ainda.
Acordo Vital
Capítulo 3
Mais um dia saudava a todos com seu brilho estival. O sol já estava alto no céu, indicando o fim da manhã. Apesar de todo o tumulto da cidade, certa morena ainda dormia largada no chão do quarto alugado.
Lentamente abriu seus olhos, piscando várias vezes para se acostumar com a claridade. Os eventos de mais cedo percorrendo sua mente como um flash. Olhos dourados, lembrou-se, mas de onde surgira isso? Male má havia visto jóias de ouro, imagine olhos! Devia ser sua mente pregando peças.
Foi dispersa de seus devaneios com leves batidas na porta seguidas por um " 'tô entrando" de Sango.
- Ohayo Rin-chan, dormiu bem? – disparou a mulher – Pensei ter ouvido algo durante a noite, mas acho que estava sonhando... Aqui, coma isso – completou, empurrando um prato com duas maçãs para Rin.
- Arigatou, Sango-san – a morena agradeceu, pegando a primeira maçã e dando algumas mordidas.
Alguns minutos haviam passado. Rin concentrava-se em tomar seu café, enquanto Sango parecia muito interessada em olhar para os dedos da mão.
- Anou... Rin-chan? – a mulher resolveu quebrar o gelo, continuando depois do aceno de Rin
- Você...Você é uma hospedeira, certo? –
O silêncio se estabeleceu no recinto, sendo quebrado por um baque. Rin olhou para suas mãos vazias, a maçã que uma vez estivera ali agora rolava livremente pelo chão, tamanho seu choque.
- Quem? Como sabe? – Saltou da cama, sua voz saíra três oitavas acima do normal
Então era isso? Sempre que chegava a alguma vila em que pensava que poderia ser feliz e recomeçar sua vida alguém descobria seu segredo e acabava com tudo. Como era ingênua! Como podia se deixar levar por palavras gentis? Sempre se deixava levar pelo emocional, e acabava esquecendo-se de sua missão.
- Isso já não importa mais, Rin-chan. Por favor, acalme-se! – Sango tentava tranquilizar a menina, empurrando-a levemente para que sentasse na cama. – E-eu não me importo com o que você é! -
Rin esperneava violentamente, lutando contra as mãos de Sango. Lágrimas começavam a brotar de seus olhos.
- É sempre assim! - Desabafou – Sempre falam coisas bonitas para me acalmar, dizem que não se importam, que eu posso ficar...- sua voz foi cortada por soluços furiosos.
- E aí, enquanto eu durmo, eles aparecem, eles... Com aquelas tochas, aquelas palavras horríveis! – a morena cobriu sua cabeça com as mãos, como se estivesse tentando esquecer o passado.
Sango ouvia toda a história em silêncio. Não pôde deixar de sentir pena da garota, ela sabia bem como era ser jogada no mundo, sozinha. E tinha mais...
- Eles me expulsam, como se eu fosse algum tipo de animal nojento! – Rin interrompeu os pensamentos da mulher.
- A minha vida inteira eu fui humilhada assim... - Calou-se repentinamente, o único som presente no aposento eram seus soluços.
Sentiu algo quente sobre si, levantou a cabeça lentamente, deparando-se com o colo de Sango. A mulher abraçava Rin docemente, consolando-a.
- Rin- chan, já basta. Eu já disse que não me importo, fique, ninguém precisa saber. –
Rin abraçou-a de volta, chorando debilmente.
Quantos minutos passaram? Nenhuma das duas sabia ao certo.
- Anou, Sango-chan...Preciso ir - O clima empático foi cortado por Rin.
- Tudo bem Rin-chan, espero você para jantar – Sango concordou com um sorriso doce, como de uma irmã - Mas, diga-me, você vai ficar conosco? -
Rin suspirou.
- Eu não posso. No fim das contas - aquele olhar choroso foi substituído por uma determinação abrasadora - ainda tenho que procurar por algo -
Sango encarou a menina com dúvida no olhar
- O que você procura, Rin? - Perguntou, incerta.
- Meu demônio - Sorriu para si mesma.
E assim a jovem se levantou e saiu da pensão, deixando uma Sango estarrecida para trás.
Ao fim da tarde, o brilho do crepúsculo tingia as nuvens com matizes de laranja. A rua estava deserta, Rin já devia saber. Que tipo de pessoa andava por aí na escuridão?
Assim era melhor.
Sozinha.
Precisava pensar no que acabara de acontecer na pensão. Sango não se importava mesmo com quem ela era? Ficaria tudo bem se ela passasse a morar na vila? Será que ninguém jamais descobriria?
Sua cabeça dava voltas diante de tantas perguntas. "Deuses, que reviravolta!" pensava a menina. Parece que, pela primeira vez, ela havia encontrado uma amiga. Mas não podia, não podia se desviar de seu objetivo!
"O que fazer então?"
Ouviu passos leves atrás de si, virou-se esperando encontrar algum vira-lata.
Era Kohaku.
- Olá, Rin-chan –
Sua voz parecia mais...Madura, mas ainda assim ele não perdera sua essência jovem.
- Okayo, Kohaku-kun – Embora não tivesse conversado muito com Kohaku, se sentia à vontade com ele.
- E...tto...Isto é pra você! – Empurrou um pequeno buquê flores do campo para Rin.
Obviamente não eram as mais bonitas, e nem as preferidas de Rin, mas o sentimento contido naquelas flores a deixou comovida.
Aceitou as flores, sentiu um doce cheiro inundando suas narinas. Como adorava flores!
-Arigatou, Kohaku-kun, realmente não precisava...-
-Rin-chan! E-eu, eu queria te dar algo, sabe...Sei que nos conhecemos ontem, mas... – O garoto parecia estudar cuidadosamente suas próximas palavras
- mas eu gosto de você! – Suas bochechas coraram violentamente.
Não foi diferente com a garota."Minha primeira declaração"pensava ela, abobada.
Kohaku aproximou-se, levando sua mão ao encontro das bochechas de Rin.
"Perigosamente perto!" seus instintos apitaram, mas não encontrava nenhum meio de afasta-lo gentilmente, estava encurralada.
A distância entre os dois diminuiu até que fosse quase zero. Rin podia sentir a respiração de Kohaku em sua face, e tinha certeza de que ele podia sentir a sua também. Seu coração batia acelerado, e suas bochechas estavam quentes, "Céus! O que eu faço?"
O garoto aproximou sua boca da dela lentamente, passando direto por seus lábios, e depositou um beijo em sua bochecha, afastando-se logo depois.
Seus olhos pareciam vidrados.
Rin não pôde deixar de se sentir um tanto rejeitada e aborrecida, este seria seu primeiro beijo, mas ainda assim, algo em seu interior pareceu respirar aliviado.
Com o silêncio que pairava entre os dois, a menina pôde ouvir sons de passos e gritarias por perto.
Rodopiou e ali estava, bem atrás dela.
Pás, garfos e tochas estendidas em sua direção.
Em meio a toda a gritaria não conseguia identificar o que os moradores diziam, e agradeceu mentalmente por isso.
O que estava acontecendo afinal? Como descobriram sobre seu segredo, e como sabiam que ela estava na rua?
De repente um flash de entendimento passou por sua cabeça
Sango.
-K-Kohaku-kun! – Sussurou desesperadamente, precisava ter certeza de que havia alguém ali ao seu lado, protegendo-a
-R-Rin- chan! Espere, eu vou buscar ajuda! – Kohaku parecia muito mais apavorado do que ela mesma, sua voz tomando o timbre infantil de sempre.
Era isso, estava sozinha então.
Como sempre estivera. Nunca devia ter alimentado falsas esperanças em seu coração, humanos sempre serão todos iguais, temendo o que não conhecem.
À sua frente, um homem grande e gordo apontava ameaçadoramente uma lança de sílex bem afiada, gritando maldições e palavras ininteligíveis.
O gordo parecia estar se preparando para atingí-la, já estava com sua mão para trás, tomando impulso.
"MORRA, MALDIÇÃO!" escutou-o urrando.
"Isso é tudo..."Pensou, agachando-se, cobrindo os olhos com as mãos. Se iria morrer, ao menos não daria à esses vermes o prazer de ver sua face contorcida em dor.
Ouviu o típico som de corte no ar, mas a lança nunca a atingiu.
Um choque de espada, seguido por um grito de pavor foi o que chegou aos seus ouvidos.
Ousou abrir os olhos, espiando entre as aberturas de seus dedos, e o que viu foi uma figura muito exótica em meio ao caos sangrento que a paisagem havia adotado.
Longos cabelos brancos dançando ao vento.
Em breve... mais!
Obrigada por lerem, prometo responder as reviews assim que arranjar algum tempo, mas saibam que leio todas com muito carinho!
