Observação: Para o Projeto Claustrofobia com o item Criança.
Upside Down
Ela estava grávida.
No começo, tudo foram flores. Eram mil alegrias, abraços e beijos. Eram promessas, sonhos, futuros. Era o fruto do amor, a realização do desejo, a experiência primária daquela inocência que crescia dentro de si.
Em sua família, tudo havia se resolvido. A chegada daquele raio de luz iluminara as consciências de todos, fazendo-os aceitar sua decisão de ficar com ele. Porque era só ele que ela queria.
Infelizmente, não existia um "e vice-versa".
Ele enlouqueceu. Disse, de repente, que não agüentaria aquilo. Que não planejara, não imaginara. E ele sempre planejava. Tudo. Simplesmente tudo.
E, então, a deixou. Grávida de um filho seu.
No final, tudo se tornou abismo, decepção, mágoa. Tornou-se lágrimas, desinteresses, solidão. Tornou-se vinganças, vinganças e vinganças. Tornou-se a razão da separação, a experiência primária de solidão.
E ela tinha que dar fim àquilo que lhe trouxe tanta dor.
Mesmo que o fim também fosse o dela própria.
