Tenten pov's

Minha cabeça doía horrores, minha visão estava muito embaçada e eu não lembrava absolutamente nada da noite anterior, tateei em busca do controle da minha TV, ele não estava ali. Cocei os olhos e esperei alguns segundos até eles voltarem ao normal e aquele não era meu quarto!

Onde eu estava?

Por que estava de calcinha e sutiã?

Onde estavam minhas roupas?

O que eu fiz noite passada?

Onde estava meu carro e todas as minhas outras coisas?

Tratei de me acalmar e dei uma boa olhada em volta, certo... Tinha janelas com cortinas azul-escuro, paredes azul-claro, chão preto e branco, o que lembrava um jogo de xadrez, um criado-mudo marrom combinando com a cama e um guarda-roupa da mesma cor. Levantei-me, enrolei-me no lençol branco e saí cautelosamente quarto a fora.

Ninguém a vista, mas eu conhecia aquele lugar! De onde mesmo? Não era a casa dos Sabaku e nem a minha, disso eu tinha certeza. Andei mais um pouco cheguei a uma sala de jantar onde três pessoas estavam reunidas e vários empregados de pé, encostados na parede. Eu conhecia aquele garoto! Ah! Maldito!

-Não acredito que teve a cara de pau de me seqüestrar! O que mais fez comigo? Por que estou quase nua? – gritei.

-Valei-me Nossa Senhora do céu! – berrou uma garota levantando-se da cadeira abismada – Você a seqüestrou, Neji?

-Não seja besta, Hinata. Não seqüestrei ninguém. – ele levantou-se e segurou meu braço com força - Olha aqui, garota, você estava tão bêbada que achei melhor te trazer pra cá, ou sabe lá o que teria acontecido com você sozinha naquela casa! – falou encarando-me furioso – Ingrata!

-Eu acordei numa casa estranha, seminua e sem meus pertences! O que queria que eu pensasse?

-Estranha? Quando você invadiu você não achou estranha! E seus pertences estão no guarda-roupa do quarto!

-E como explica minhas roupas? – vi um leve rubor no rosto dele? Ai meu Deus! O que eu fiz?

-Você as tirou.

-Tirei? Por quê? – Por que, droga?

-Por que estava... Calor. E o vestido estava apertado e você ia dormir...

-Eu não me importaria de emprestar roupas para ela! Uma dama não deve dormir assim na casa de um rapaz! – disse a garota denominada Hinata – É promiscuo! E promiscuidade é coisa do satanás! – ela é meio doida?

-Er...

-Eu empresto roupa pra ela, não vai pra casa com aquele vestido de festa. Vem, Tenten, não é? – disse outra garota me puxando até um quarto – Eu sou Hanabi, não liga muito pra minha irmã, a Hinata é meio pancada. Pode tomar banho no meu banheiro, depois vem tomar café com a gente, aí Neji te deixa em casa. – falou tirando de seu guarda-roupa uma toalha, um short jeans desbotado e uma blusa cinza.

-Obrigada.

-Não há de quê. O banheiro é ali. – falou apontando pra uma porta dentro do quarto.

Tomei um banho rápido, me vesti e fui pra sala de jantar.

-Nossa, foi rápida! – comentou Hanabi impressionada, eu deveria ter demorado uns cinco minutos no máximo.

-Aposto que você não rezou. Você tem que se comunicar com Deus, Tenten! Com Deus! Só ele pode te salvar das trevas! Só ele! Ele vai guiar o seu caminho, então você precisa rezar! – olhei pra Hanabi, ela fez um gesto de "ela é louca" enquanto tomava um copo de suco. Neji lia o jornal, parecia uma boa família apesar de tudo.

Comi em silêncio, quer dizer, Hinata me fez algumas perguntas...

-Com que freqüência você vai a templos ou igrejas? – perguntou olhando-me enquanto eu comia.

-A ultima vez foi quando meu pai morreu.

-Seu pai morreu? Meus pêsames! Há quanto tempo foi isso?

-Dois anos.

-Você não pode passar tanto tempo sem ir à casa de Deus!

-Eu rezo em casa, só eu e ele.

-Isso é preguiça? Cuidado! A preguiça é cosia do demônio!

-Ah Hinata! Por que você não vai pra igreja? Vai se atrasar! – disse Neji impaciente.

-Ah! É verdade. Quase me esqueci! Perdão, Senhor. Perdão. – ela pegou uma bíblia e um terço encima de uma bancada e saiu.

-Que saco...

-Eu não a vi quando vim aqui sexta. – comentei - Por onde andava essa figura?

-Fez uma excursão para um templo budista. Ela é adepta de todas as religiões.

-Hm... E Hanabi? Não a vi também.

-Eu não gosto de festa onde só tem gente rica e mimada. – respondeu a revoltada da família.

-Nós pensamos um pouco igual, Hanabi.

-Pode me chamar de Hana. Hanabi é muito chato.

-Tudo bem, Hana-chan.

-Você tem algum apelido? Algum nome que seus amigos usam?

-Tenho uma amiga que me chama de Ten-chan. Mas eu realmente prefiro Tenten.

-Você tem muitos amigos?

-Bem... Amigos... Não muito... Na verdade acho que só tenho quatro. Ino, Deidara, Temari e Gaara. Passo muito tempo com eles.

-Que triste... Nunca pensou na sua solidão?

-Não me sinto só... – respondi um pouco triste, parando pra pensar eu sempre fui uma pessoa sozinha.

-Já chega de questionário, vá terminar sua lição de casa. Vou levar a Tenten de volta.

-Se importa de me deixar na casa da Tema? Tenho que pegar meu carro.

-Tem certeza que está apta a dirigir?

-Tenho.

Eu peguei minhas coisas e nós saímos.

-Neji... – chamei cabisbaixa.

-Sim? – perguntou sem tirar os olhos da estrada, mas parecia distante, relaxado.

-O que aconteceu nessa noite?

-Como assim? – senti o carro estancando, ele parecia nervoso de repente.

-Não sei... Senti algo estranho enquanto dormia... Como se... Como se alguém estivesse comigo. Até sonhei que fui beijada! – falei rindo.

-Beijada? – ele parecia cada vez mais nervoso.

-É... Vê se pode!

-Por que não?

-Ah, pelo amor de Deus! Eu nunca fui beijada! – admiti por fim. Cara, agora me dei conta, devo ser a única garota da Terra com 19 anos que nunca beijou!

-Nunca beijou? – ele parou o carro e me olhou nos olhos, estava atônito.

-Não. Ridícula, não sou?

-Nunca teve curiosidade?

-Tive... Mas... Eu nunca achei ninguém certo pra mim.

-Calma aí... Você invade festas, já esteve na cadeia, tem carteira de motorista, carro, mora sozinha, e nunca beijou?

-Muito estranho... Mas eu sempre fui estranha. – comentei abraçando minhas pernas, não sei porque, mas sentia que podia me abrir com ele – Eu morei minha vida toda com meu pai, nunca conheci o resto da família, sempre me zoavam na escola porque eu tinha gostos excêntricos e na verdade nem parecia muito feminina... Os garotos que chegavam em mim sempre queriam saber algo de Ino ou Temari, nunca estavam afim de mim e quando finalmente chegaram a se declarar eles nunca avançavam... Nunca deixei ninguém me beijar... Era como se eu sempre estivesse à espera de um príncipe encantado que por mais que eu soubesse que não existe... Meu coração me mandava esperar. Ah, cara! Eu sou muito bizarra. – enterrei minha cabeça nos joelhos e fiquei ali, compartilhando o silêncio com ele.

-E se eu dissesse que você realmente foi beijada noite passada? – estávamos há uma quadra da casa de Temari, parados no acostamento. Olhei pra ele, estava com a cabeça baixa deixando as mechas de seu cabelo solto escondendo varias partes de seu rosto alvo.

-O que disse?

-Eu te beijei enquanto você dormia. E você sorriu. – passei um tempo assimilando a resosta e peguei o queixo dele com a ponta dos dedos e ergui seu rosto, obrigando-o a olhar pra mim.

-Por quê? Por que beijou alguém que ninguém quis beijar?

-Porque você me atraiu. Sabe... Te ver dormindo daquele jeito... Eu também sou humano. E nenhum humano resistiria àquilo.

-Essa foi a coisa mais linda que já me disseram. – respondi beijando-o, dessa vez com gosto, com prazer, com amor. E agora posso dizer: beijar é a coisa mais gostosa do mundo.

-Também fui eu quem tirou-lhe a roupa. – falou quando nos separamos. Eu não podia acreditar no que ele disse. Primeiro diz aquela coisa linda e de repente fala que tirou minha roupa? O que mais fez? Deixei minha mão fazer as honras e ela esborrachou a cara dele. Bati a porta do carro novamente e saí furiosa.

Como ele pôde? Levar-me pra cadeia, eu perdôo; levar-me pra casa dele inconsciente, eu perdôo; dar-me um beijo enquanto durmo, eu perdôo; mas tirar minha roupa sem meu consentimento? Ah, Hyuuga! Não mesmo!

(...)

Temari se contorcia no sofá de tanto rir, ela havia achado cômica minha história

-Ai... Como pôde bater nele, Tenten? Você por um acaso, ao menos, sabe por quê ele tirou sua roupa?

-Por é safado!

-Não amiga, sou obrigada a discordar! Se ele fosse safado teria feito outras coisas além de tirar sua roupa!

-E quem sabe não fez?

-Ah! Dá um tempo, Tenten! Neji de longe não é esse tipo de pessoa! Você viajou legal!

-Ele pode ter abusado de mim!

-Ou não.

-Ele pode ter me usado!

-Ou não.

-Ele pode... Arg... Ele pode ter feito muita coisa!

-Ou não. E eu acho que não.

A campainha tocou, uma das empregadas dos Sabaku foi atender.

-A Tenten ainda está aqui?

-Oh! Neji! –maldito! O que ele estava fazendo ali? - Ela estava me contando a hilária história de vocês. Venha, entre. – ele estava com um lindo buquê de rosas vermelhas e uma caixinha de veludo, onde havia conseguido aquilo em tão pouco tempo, só passara meia hora desde saí do carro dele! Ele chegou à minha frente, entregou-me as flores e se ajoelhou aos meus pés.

-Me perdoe. Eu fui um idiota. – ele abriu a caixa, tinha um lindo colar de pedrinhas, creio que eram brilhantes.

-Foi mesmo.

-Desculpe! Eu estou me ajoelhando aos seus pés!

-Eu aceito. Mas com uma condição.

-Que condição? – perguntou desconfiado.

-Vai ter que namorar comigo.

-Namorar? Nossa. – ouvi Temari sussurrando.

-Condição aceita. – sem dar tempo de qualquer reação ele levantou-se num pulo e beijou-me com urgência, sua língua quente roçava com carinha na minha, explorando todo e qualquer canto, e ali eu descobri o verdadeiro significado de felicidade.


Aqui está o capítulo final.

Reconheço que a fic não ficou lá essas coisas, eu não gostei muito dela, mas enfim... ¬¬

Estou escrevendo uma nova e espero que ela fique boa. -.-'

Ja ne, minna-san! o/