Pessoal, cá estou eu com mais um capítulo para dar continuidade a nossa versão de "Wuthering Heights"! Bem, vejamos como estou me saindo adaptando a história, comentários serão muito bem-vindos! ^-^


Capítulo Dois

Depois de uns dois, três dias, era visível a estima que o pai daquelas crianças possuía pelo órfão que acolhera. Obviamente, esse comportamento do patriarca provocava ciúmes em seus filhos legítimos, principalmente no menino mais velho.

Aquele comportamento do homem incomodava mesmo a criada Kaede, que não conseguia compreender e tampouco criar laços com o menino. Talvez se ele fosse uma criança mais simpática não seria tão árduo apegar-se, mas estava sempre calado, sério, e aqueles olhos vermelhos e únicos sempre distantes, vagos. Como uma pessoa poderia se apegar a alguém que parecia tão sem vida ?

O pequeno Bankotsu, que apesar de ter apenas doze anos, antes do tal Heathcliff chegar sentia-se o homem da casa, mas parecia que após a chegada desse estranho a sua autoridade ilusória havia diluído-se. Detestava a forma como aqueles olhos vermelhos o encaravam, tinha um desejo doentio de açoitar o desconhecido toda vez que cruzava o seu caminho. Eram frequentes os empurrões e esbarrões "não intencionados" que dava no pobrezinho quando passavam por um lugar ao mesmo tempo .

A sua irmã, apesar de ser dois anos mais nova, parecia mais madura. Era fato que também não possuía afinidades com o novo irmão, mas havia um quê de curiosidade sobre o novo inquilino de sua casa. Vez ou outra, acompanhava-o discretamente até o estábulo e ficava a observá-lo escovar a crina dos cavalos. Ele era consideravelmente mais alto, tinha os ombros largos, e era apenas uma criança, sua idade ao certo era uma incógnita, mas estimava-se que fosse da idade de Bankotsu ou um ano mais velho. Era maltratado, mas não feio… Era até interessante ,na verdade.

"Como será a voz dele ?" - Pensava todos os dias, quase morrendo de tanta curiosidade. Nunca ouvira um barulho sequer soar dos lábios dele. - "Será mudo?" - Arregalava os olhos ao pensar na hipótese.

E assim, afastava-se do estábulo para que ele não percebesse a sua presença, era a sua rotina todos os dias.

- De hoje não passa, menino! Olhe só para você, os tempos de mendigo já se foram! - Kaede, impaciente, pegava Naraku pelo braço e arrastava-o para a cozinha onde havia uma enorme bacia que certamente ele entraria sem dificuldades, a água morna acabara de ser depositada ali – Vamos, cigano! É hora do banho! – Fez com que o menino, mesmo relutante, entrasse sentado na bacia.

Quase em pose fetal e mostrando certos traços de birra na face, mas sempre em silêncio, o menino apenas suspirou impaciente enquanto a ama lhe escovava e ensaboava as costas e os braços, em seguida os cabelos noturnos. Quando finalmente terminou o asseio, separou uma roupa mais digna que seu amo comprara e dera-a para Heathcliff vestir. Ajudara pouquíssimo em comparação ao que fazia pelos outros meninos da casa, praticamente vestia-os por completo sem que os pequeninos fizessem qualquer esforço.

- Agora, vá procurar um espelho, olhe-se e veja a diferença! - Ela abriu seu primeiro sorriso para o menino – Kaede é mesmo uma fada madrinha, não acha? – Pegou-o pelos ombros, levou-o até a sala onde havia um espelho na parede e deixou-o lá para apreciar-se.

-Mas veja que rapaz bem apessoado! - Disse o amo, baixando o livro que lia enfrente a lareira só para olhá-lo. - O que acha, querida? - Tocava o ombro de Kikyou que estava ao seu lado, sempre curiosa, querendo saber o que ele lia.

O pequeno Naraku voltou seu rosto sempre inexpressivo e encontrou o olhar curioso da menina, aqueles olhos negros circulados pelos longos cílios que dificilmente piscavam. Ainda parada ao lado do pai, a menina não disse nada, apenas permaneceu a olhar, reparando em cada detalhe, fosse no rosto já não mais encardido ou nas vestes nobres, mas o semblante vazio do menino jamais mudava, parecia um boneco, um lindo boneco …

- E então, minha pequena Kikyou? Diga o que acha! - O pai disse em um tom brincalhão, sacudindo levemente o ombro da filha.

- Bonito! - Ela respondeu impaciente, incomodada pela insistência do pai. Não pôde conter o leve rubor que queimara sua face momentaneamente, e desconsertada por isso, deixou a sala em passos largos. Naraku apenas a acompanhou com o olhar.

Bankotsu entrou na sala, brincando com uma bola de meia e couro, quando se deparou com a transformação do outro imediatamente seu brinquedo escorregou entre os dedos, caiu no piso de madeira e rolou até tocar o pé de seu odioso fraterno companheiro novo.

- Mas o que é isso? Uma piada? Então ele é um astro circense, foi de lá que veio? - Seguido das indagações de mau gosto vieram altas gargalhadas e olhares extremamente debochados.

- Bankotsu, venha já aqui! - Da poltrona enfrente a lareira, o senhor Earnshaw falou, autoritário.

- O que foi, papai? Perguntou, fazendo-se de desentendido.

- Venha já! - O pai falou mais firme.

Bankotsu fez-se de desentendido e mais uma vez lançou um olhar pejorativo à Naraku, que o encarava sempre da mesma forma, por mais irritado que estivesse, mostrava apenas a indiferença, ao menos enquanto conseguia.

Uma vez que o filho o desobedecera, o pai já impaciente levantou-se tirando o cinto que envolvia sua cintura, quando o menino malcriado se deu conta e preparava-se para correr, o homem adulto já o alcançara o braço, e sem dificuldade o conteve. Com a outra mão, que segurava o cinto, dera-lhe três açoitadas nas costas, arrancando-lhe três gritos de intensidade gradativamente mais alta.

- Papai, como pode ser tão cruel comigo? Eu sou seu filho de sangue, esse aí é só um pagão, um cigano sem nome! Como pode gostar mais dele do que de mim? Até o nome que lhe deu foi o do meu primeiro irmão que morreu ao nascer! O senhor é um carrasco!

- Mas que moleque atrevido! Esse é o resultado da falta de surras que deveria ter aplicado-lhe, mas corrigirei esse erro já! Aprenderá a não falar de tal forma com seu pai que é autoridade máxima dessa casa, e também, a respeitar o seu irmão! Pois se digo que é irmão, é incontestável e deve ser aceito, criança rebelde! - Aos berros, ainda a segurar Bankotsu pelo braço, arrastou-o a um quarto e trancou a porta. Era nítido o som dos gritos de choro e dor que a criança dava, pedindo para o pai parar.

Foi a primeira vez que um sorriso real fora presenciado no rosto do misterioso Heathcliff. Kaede não pôde conter os olhos de arregalarem-se ao fitarem aquele sorriso vingativo num menino tão novo. Era possível uma criança ainda na época da inocência conter a maldade que aquela expunha no olhar e nos dentes a mostra?

- Kaede,o que acontece? Ouço gritos do Bankotsu! - Kikyou descera correndo as escadas, chegara à sala ofegante. Quando a menina tornara, o sorriso de Naraku fechou-se instantaneamente.

- Seu pai o está castigando por ter se comportado mal com Heathcliff. Que isso lhe sirva de exemplo para jamais implicar com seu irmão! - Kaede, ainda nervosa, disse em tom de repreensão.

A menina olhou mais uma vez para Naraku daquela forma que o constrangia, tão direta e indecifrável. Ele sabia inteiramente ou quase o que cada um sentia ao olhá-lo. Seu pai era carinho, seu irmão total asco, a ama certa antipatia. Mas Kikyou, sua considerada irmã mais nova? Nada. Ele não sabia absolutamente o que ela poderia sentir ou pensar. E por não conseguir decifrá-la, tornava-se incômodo estar onde ela estava. Por isso deu as costas e saiu do cômodo.

A noite passara fria como sempre naquela região. As janelas haviam de ser fechadas por conta dos ventos tão gelados que sopravam em direção a casa. Quando fechadas estavam, o uivo era escutado ao bater nos vidros, era a sinfonia dos ventos que circulavam aqueles morros...

O dia amanhecera ainda frio, mas o Sol essa manhã não se escondera atrás do cinza das nuvens carregadas como de costume, a névoa era fraca, tênue, a visão do verde úmido ainda do sereno noturno era agradável. Aquela ama, se não fosse atarefada, poderia recostar-se na enorme janela e ficar apenas a olhar aquela paisagem ao som do canto das cotovias e pintarroxos. Mas, como havia muito a se fazer, como preparar o almoço, Kaede arrumou a cesta em seu braço e encaminhou-se até a Gimmerton para fazer as compras devidas.

Naquele dia teria uma paróquia no mesmo local, a família Earnshaw jamais faltava. Não que o senhor Earnshaw fosse muito religioso, mas queria educar bem seus filhos e incentivá-los a vida social. Wuthering Heights era tão distante e eles tão pequenos para andarem sozinhos pelos morros que os dias de paróquia eram a chance única para interagirem com outras crianças.

Aquela seria a primeira vez que Naraku visitaria uma instituição cristã, provavelmente sua antiga família fosse pagã ou até mesmo excomungada, mas seu pai adotivo realmente não se importava se assim o fosse. Por isso, o levou à pequena capela de Gimmerton junto com seus filhos.

Sempre calado, o menino apenas passou os olhos por cada semblante ali, e não pôde deixar de reparar que o orador da paróquia estava sempre a encará-lo com um olhar desaprovador. Talvez fossem os seus olhos que sempre chamavam a atenção por serem diferentes do que as pessoas costumavam ver. Notou também um menino de cabelos prateados fitando a sua considerada irmã mais nova, e sem compreender o porquê, sentiu-se enfurecido. Ao lado desse menino desagradável, havia uma menininha de cabelos castanhos e olhos claros, muito provavelmente a sua irmã. Carinha de anjo, outro asco.

Dera-se por satisfeito quando aquele tormento se findara e enfim estavam deixando a paróquia, quando a família Earnshaw chegava à porta da capela , o orador os cumprimentou, mas seu tom não era tão amistoso quanto deveria ser.

- Está uma belíssima tarde, não é mesmo, senhor Earnshaw? Será que podemos conversar por um momento?

- Claro, padre Renkotsu! Por que não? – O homem respondera sorridente – Crianças, podem brincar um pouco enquanto tenho uma conversa aqui.

Kikyou e Bankotsu foram à frente sorridentes e Naraku bem atrás, sempre com o mesmo humor e no mesmo silêncio fúnebre.

- Bem senhor Earnshaw… - O orador começava, visto que as crianças não poderiam mais ouvi-lo – Sei que este assunto pode incomodá-lo, mas é necessário. O senhor entende que essa é uma paróquia respeitável e que às vezes pessoas de outras cidades aparecem por aqui justo pela paróquia, certo?

- Aonde quer chegar com essa conversa? - O homem já pareceu desconfiado.

- Este jovem que o acompanha, ele é batizado? Catequizado?

- Oh, entendo. - O homem fechou o semblante – É por causa do aspecto do menino, não? Os traços exóticos que vem a ser comparados com o paganismo, não?

- Bem senhor, não posso negar que o fato de desconhecer as origens do menino façam-me especular se não é um herege …

- Naraku Heathcliff é parte de minha família agora, se ele não puder frequentar essa paróquia, nenhum de nós frequentará.

Diante o silêncio de Renkotsu, o senhor Earnshaw deu as costas para a paróquia e vagarosamente seguiu a direção em que as crianças estavam. Naraku estava sentado enfrente ao pequeno córrego atirando pedrinhas, distante. Enquanto isso Kikyou e Bankotsu brincavam de tacar pedrinhas em uma casa de abelhas à distância, riam copiosamente enquanto as outras duas crianças que estavam na paróquia os encaravam de longe e cochichavam. Kikyou, observadora, notava-os e discretamente perguntava à Bankotsu quem eram .

- São Inuyasha e Ayame Linton! Seus pais são donos da maior propriedade dessas redondezas! - O menino ria e respondia em um tom de obviedade, querendo deixar a irmã sem graça.

- Thrush Cross Grange? - Kikyou perguntava, e em seu tom entregava-se, estava completamente surpresa.

- Mas em que mundo você vive, irmãzinha? - Passou a mão pela cabeça da menina.

Kikyou encarou Inuyasha por uns segundos ainda surpresa, logo virou-se para o lado e distraiu-se com qualquer outra coisa. Enquanto isso Naraku sempre a observava, e não pôde deixar de ouvir a conversa dela com o outro (odioso) irmão. A conversa se findou quando o pai chamou os três para partirem. Subiriam na carroça, onde Kaede já esperava com as compras para o almoço, e retornariam a seu lar – Wuthering Heights.

A rotina se seguiu como de costume, almoçaram, estudaram ( O pai era rigoroso se tratando de estudos , queria seus filhos bem instruídos, Naraku não fora exceção) e depois ficaram livres para fazerem o que bem entendessem.

Já era quase noite, o Sol alaranjado se punha enorme atrás dos montes e quando já quase submergia, ficava apenas a faixa laranja contornando os morros, e em seu contorno as brumas se mostravam esbranquiçadas e cinzentas nas extremidades. Frio, mais uma vez, como sempre, ainda que fosse verão.

Como todos os dias, Naraku fora ao estábulo para olhar os cavalos e escová-los. Distraía-se tanto quando cuidava daqueles animais que nem notava a presença da menina que ficava a espioná-lo, porém , naquele dia , não era só ela …

- Agora sim está agindo como um verdadeiro criado, o que combina com você! - Sentado sobre um bloco dourado de feno estava Bankotsu com uma chibata.

Naraku não dera-se o trabalho de virar para olhar o outro, continuara a sua função enquanto de outro canto Kikyou arregalava os olhos quando percebia o instrumento que seu irmão carregava nas mãos. Fora tão rápido que quando o menino se deu conta, o outro já tinha o empurrado com tamanha força que fora de encontro ao chão. Mas antes que lhe acertasse a chibata, como vingança por ter apanhado no outro dia por sua causa, a menina escondida até então, em passos largos praticamente em pulos, jogou-se em cima do irmão e rolou com ele pelo feno, tentando arrancar o instrumento de sua mão .

- Pare com isso Bankotsu! Que covarde, querendo acertar alguém pelas costas! Estou com vergonha por você! - A menina gritou, estapeando o outro.

- Você é mesmo uma idiota, não vê que ele está tentando tomar o nosso lugar no coração do papai? E ainda se vira contra mim, traidora? Pois bem! - Segurou-a pelo cabelo e atirou-a para o lado – Então deve ser tratada como criada, tal como ele! - Enfurecido, puxou a chibata e preparou-se para desferir um golpe na menina, que se encolheu no chão.

Antes que a sua chibata marcasse o corpo tão branco da menina, uma mão segurou seu punho por trás apertando-o, fazendo-o perder a força e soltar o instrumento de tortura. Vendo-o desarmado, Naraku aproveitou para realizar o que há muito pretendia: desferiu um único murro na face do outro que acertou perfeitamente o nariz, nocauteando-o. Bankotsu caiu tonto no chão, com o nariz sangrando.

Kikyou, ainda sentada no chão, fitava a cena boquiaberta. Naraku de costas, limpando friamente a mão suja de sangue e depois ajeitando as roupas amarrotadas. Em seguida, virou o rosto fitando-a de soslaio, e vendo que ela ainda estava inerte, caída no chão, foi até lá e estendeu-lhe a mão.

- Ele a machucou? - Fora a primeira vez que a voz rouca e baixa soara, hipnotizando-a.

Ela sorriu no exato instante, como um instinto, e deu a mão para o outro, permitindo que a ajudasse a levantar. Respondeu a pergunta do garoto com um simples negar com a cabeça. E quando estava de pé, diante dele, face a face, encarando aquele semblante sempre sério mas não mais tão distante, com uma das mãos passou a tirar o feno que se espalhara em pequenas porções pelos longos cabelos dele .

- Você deu uma boa lição nele, ne? - Comentou entre risos, enquanto ia recolhendo os fenos.

De início ficara desconsertado com a proximidade, mas não demorou muito para que se permitisse sorrir com o comentário bobo que a menina fizera. Logo, estava fazendo o mesmo que ela, recolhendo os fenos que também tinham se espalhado pelos longos cabelos lisos femininos. Começaram a contar quem juntava mais pedacinhos dourados, e não demoraram a se ver brincando enquanto o outro gemia atirado na palha, provavelmente seu nariz havia sido quebrado. Ao terminarem de catar os fenos, nem pararam para contar, apenas jogaram de volta ao chão e assim que se libertaram deles, suas mãos se encontraram e entrelaçaram-se. A menina balançava os braços fazendo-o balançar os seus também, arqueava uma das sobrancelhas, confuso, mas apreciava estar assim com ela e pela primeira vez desde que chegara naquele lugar, sentia-se completo.

O momento fora interrompido pela chegada repentina de Kaede ao estábulo, que estava à procura das crianças para o jantar. Gritou horrorizada ao ver o estado do pequeno Bankotsu enquanto os outros dois brincavam ali do lado. Levou imediatamente os três ao encontro do pai, onde teriam que explicar-se.

- Muito bem, quero saber agora o que aconteceu aqui! Quem vai começar a explicar? - O homem já mostrava a impaciência no tom ao fitar os três.

Bankotsu estava sentado em um banco segurando um lenço sobre o nariz para estancar o sangramento, Naraku e Kikyou estavam de pé, um ao lado do outro, ambos calados.

- Se não explicarem direito, terei de punir todos igualmente! - O homem se preparava para puxar o cinto. - Naraku ? Kaede disse-me que o culpado foi você.

- Isso não é verdade! - Kikyou objetou por Naraku – Bankotsu ia açoitá-lo com a chibata dos cavalos, eu fui impedi-lo e começou a me bater, Naraku me protegeu!

Tudo o que fez Bankotsu foi lançar um olhar direto para Kikyou de desaprovação e desapontamento. De certa forma a menina sentiu-se culpada em entregar o irmão, mas não conseguiria suportar a injustiça que seu pai cometeria punindo aquele que a salvou.

O homem suspirou, cerrando os punhos e fitando o piso. Em seu olhar mesclavam-se indignação, raiva, decepção e desgosto.

- Muito bem – Passou a fitar o menino do nariz ferido – Naraku e Kikyou , podem ir . Fica só Bankotsu .

Obedecendo ao pai, as duas crianças deixaram o cômodo, nenhuma pronunciara palavra alguma e cada uma seguiu até seus respectivos quartos. Apesar de toda a confusão, dormiram tranquilamente naquela noite, sem pesos na consciência mas uma estranha alegria.

Dessa vez o céu amanhecera completamente cinzento, porém não caía uma gota de chuva, era sempre frio, mas ao menos não havia tempestades avassaladoras. Naquela manhã o pai acordou todas as crianças mais cedo e as chamou até o enorme pátio enfrente à casa. Todos foram até lá, inclusive Kaede, a criada. No centro havia uma carruagem, dentro dela o senhor Earnshaw depositava algumas malas e em seguida virava-se e olhava para cada um daqueles que estavam presentes. Puxava somente Bankotsu pela mão e colocava-o à frente dos dois irmãos.

- Seu irmão Bankotsu partirá para um colégio interno, e lá aprenderá a comportar-se como um verdadeiro homem. - Virou o menino de frente para si e beijou-lhe a testa – boa viagem, meu filho. Despeça-se de Kaede e seus irmãos agora…

O menino , mudo, desvencilhou-se dos braços do pai e ainda sem proferir uma palavra, bateu o olhar em todos, fixou-o em Naraku por alguns segundos, e em seguida, sem uma palavra de adeus, encaminhou-se à carruagem.

- Boa viagem, pequeno Bankotsu ! Torne-se um cavalheiro, volte um homem nobre e honroso! - Kaede, ainda assim, abriu um pequeno sorriso e lhe falou, antes de subir no transporte.

Depois que Bankotsu partiu, uma paz sem tamanho tomou conta de Wuthering Heights, nada mais os afligia e a cada dia que passava, mais próximos tornavam-se Naraku e Kikyou . Quem os via brincando, conversando, ou até mesmo discutindo notava o quão inseparáveis eram. Ficarem separados ao menos por um dia estava fora de cogitação … E foi nesse ritmo e nesse apego, que cinco anos se passaram …


Continua ...