Título: Bons Costumes
Autora: Olg'Austen a.k.a Prince's Apple
Personagens: OCs e Personagens de POTC
Aviso: A fic passa-se muitos anos depois da saga dos três filmes [RATED M] Cena de sexo hétero num dos chapters.
Resumo: Pennnynão tem mais jóias, juventude ou maridos carrascos, apenas uma pequena pensão em New Orleans, e o amor do filho que teve com o Capitão Jack Sparrow (CONTINUAÇÃO DE "MAUS COSTUMES")
Bons Costumes:
Capítulo 2.
Nova Orleans
Os olhos de Jack revezavam-se entre mirar a imensidão do Mississipi a sua frente, mal iluminado por um candeeiro, trazido por ele próprio, e o visor da bussola sem norte em suas mãos. Não imaginara em vida que o tal rio fosse tão extenso; navegara toda a tarde e pela noite se ia. Perdido no breu, de uma margem não se podia ver a outra e, de certeza que, para o seu arrependimento, no curso do aqüífero caberiam dez galeões como o da tripulação que antes viajava consigo. A grandeza do Mississipi, naquele instante, lhe pareceu tão plena quanto os oceanos pelos quais navegou.
Enquanto remava por entre suas águas turvas, Sparrow se deteve a navegar em paralelo a uma das margens - aquela que lhe pareceu mais habitada e que ao longe podia-se ver em terra alguns pontos luminosos e uma musica chorada ao som de um velho bandolim -. Por um instante o capitão do Pérola Negra cessou as remadas em meio ao silêncio do rio, erguendo os olhos até a abobada estrelada sobre sua cabeça.
Toda noite, em meu coração... — a melodia ouvida guiava a voz cansada de Jack, sibilando os versos conhecidos — Eu sinto - - as batidas do dela...
Amarrando o pequeno barco ali, se pondo deitado no fundo do bode, encostando a cabeça num dos acentos, Sparrow serviu-se de um pouco de rum, bebericando uma garrafa fosca que trouxera consigo. Não sabendo o que os habitantes daquele lugar poderiam achar de si, ou que tipo de povo ocupava aquelas terras longínquas, Jack repousou ali mesmo, deixando-se resmungar qualquer coisa... Um nome feminino, talvez.
De certeza que os beijos de seus lábios vermelhos eram doces —seus olhos negros pesavam, cerrando-se de sono — Mas, desolado... Acordei e vi o amanhecer cinzento...
A vida do capitão poderia ser vista em gêneros, enfim. Já fora pura aventura, excitante, nada comedida, divertida e toda sua coragem sempre maquiar o drama que carregara consigo desde muito jovem.
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[flashback]
Um garoto de tenra idade corria por entre as balsas de um porto qualquer em Shipwreck Cove, driblando os tantos piratas que desembarcavam, pondo-se de pé sobre as mercadorias contrabandeadas e caixotes dispostos pelo píer a fim de mirar melhor o barco de velas negras que surgia no cais.
Misty Lady — era o escrito na embarcação.
Quando os primeiros marujos saltaram em terra, o menino refez os próprios passos, entusiasmado com a chegada dos tais piratas, passando como um raivo pelos transeuntes do porto de volta até sua casa.
Ao romper numa das desorganizadas habitações ali dispersas sobre palafitas ele deu com uma jovem mulher ocupada em um dos dois únicos cômodos da casa tomado como cozinha.
— Jackie? — ela lhe gritou, indo ao seu encontro. — Que cara é essa, menino?
Jack Sparrow era o jovenzinho calado a sua frente. Os olhos escuros do garoto jaziam sobressaltados ao passo que sua respiração ofegante não lhe permitia falar. Não que o menino Sparrow falasse muito. Ele não era dos que falavam pelos cotovelos. Pelo contrário, o silêncio era o seu forte. Garotos de doze anos de idade não careciam de sustentar personalidade alguma, mas Jack conseguia ser genioso por todos os outros desprovidos de tal característica.
— Vai falar, menino? — a mulher sempre impaciente a sua frente, assim como todos os outros que habitavam aquela ilha pirata, possuía ares estrangeiros; pele morena de nascença, cabelos negros escorridos até o meio das costas. — Deixe estar, Jackie. Você só fala quando quer. — a indígena concluiu, voltando ao trabalho.
Noya era o seu nome. Apesar de fria e por vezes até distante de sua cria, amava o filho com todas as forças. A última coisa que queria para o pequeno Sparrow era que este seguisse os passos daquele que lhe dera o sobrenome.
— Há algo que a senhora gostaria de saber, mãe. — ele enfim falara, dramatizando um certo mistério ao lhe dirigir a palavra — Não quer saber o que é?
A voz abafada de Noya respondeu — Fale com esse tom novamente e te cortarei a língua,a-tsu-tsa! Não te pari em meio a um furação pra aturar suas manias, Jackie! — sua mãe zangada lhe colocava nos trilhos em dois tempos.
O menino deu-se por vencido, revirando os olhos — Ele chegou.
— Ele quem? — Papai, oras — Já disse pra não chamá-lo de pai, Jack! É Teague, só Teague. Nada de "papai".
O rosto do jovem Sparrow ficara vermelho, uma de suas pálpebras se pôs a tremer, nervosa — Mas o homem é o meu pai, não é? — ele indagou.
— É apenas o homem que pode ser o seu pai, a-tsu-tsa! — ela bradou, vendo Jack espumar de raiva — E não se anime, porque o máximo que ele fará será mandar alguns daqueles piratas nos visitar. Ladrões! Não sei com agüento viver no meio deles!
Pondo-se brando, Jack disse; — Um dia eu serei como eles.
— E me vai matar de desgosto!
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A noite já se ia enquanto Benjamin, acompanhado de Big Sam, caminhava até a pequena casinha afastada da aldeia dos agricultores — Sinto muito pela bussola, Benjy — o homem negro lhe disse — Vou ver se eles trocam por outra amanhã bem cedo.
— Eu gosto dela — Ben disse, disperso ao mirar o artefato que tinha em mãos.
— Quebrada?
O jovenzinho de cabelos longos replicou — Não me parece quebrada
— Não aponta pro Norte, menino — Samuel tentava lhe explicar, mas o mais novo estava decidido pela bússola.
— O Norte é algum lugar pra se ir, Big Sam? — Ben tornou a falar, entusiasmado — Os nortistas estão lá, não? Por isso não deve ser melhor que o Sul.
A mão pesada do agricultor assanhou os cabelos finos do rapaz — Quem lhe disse que os nortistas não são bons, Benjy? — perguntou certo do engano de Benjamin, mas este logo levantou os olhos, pronto para lhe responder;
— E quem lhe disse que eles são bons, Big Sam?
De fato, as palavras do garoto faziam algum sentido. Muito sentido na verdade, mas antes que a conversa se estendesse por mais tempo a voz de Penélope ao longe os interrompera;
— Benjamin Thomas Lane! — ela exclamara — Isso são horas?
Ben praguejou alguma coisa baixinho já preparando-se para ouvir o que viria de sua mãe. Era seu aniversário, mas, como uma criança, levaria uma bela bronca antes de dormir.
— Me diga, Big Sam... — a voz do menino saíra tristonha — ... De que adianta ficar mais velho se de nada a idade tem a ver? Minha mãe sempre vai me tolher das coisas...
— Benny, olha pra mim. — seu amigo agachou-se ao seu encontro, pousando as mãos em seus ombros, encarando-lhe os olhos — Sua mãe é uma ótima mulher, ela só quer o seu bem. Foi criada nos bons costumes e quer o mesmo para si, mas... Olhe a sua volta, rapaz. — ele disse fazendo-o girar o pescoço a mirar a plantação ao seu redor — Acha que é fácil? — o homem negro indagou fazendo Benjamin pousar uma mão sobre uma de suas pálpebras nervosas.
Com um aceno de cabeça ele disse que não.
— Boa noite então, Ben. Feliz aniversário.
— Obrigado... — Benjy agradeceu, guardando a bússola da bolsa a tira colo, tratando de andar ligeiro até sua mãe.
— Boa noite, Sra. Lane! — Big Sam gritou à mulher enfezada à porta.
— Até mais, Big Sam! — ela respondeu.
Comportado, Benjamin passou reto por Penélope até o interior da casa. Em vez de uma reclamação, sua mãe apenas investiu numa conversa; — Passou o dia todo fora...
— Eu gosto da vila. E depois, nós fomos ao centro também... — disse — Fui com Robbie e Clara, mãe. — mencionou a companhia dos filhos de Samuel — Foi divertido.
— É eu sei que foi... E os cabelos continuam longos... — Penny parecia cansada por esperá-lo, já vestindo os trajes de dormir — Já jantou?
Um murmuro do rapaz lhe disse que sim. — Achei que jantaríamos juntos.
— Desculpe, mãe.
— Tudo bem... Vá se lavar e depois direto pra cama.
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Como era de costume, Penny recolheu as roupas sujas que ele sempre deixava pelo caminho e as botas enlameadas à porta do quarto do garoto. Certificando-se de que nada mais havia pra ser feito por ali, mantendo a simples e pequena choupana sempre limpa e organizada, ela sentou-se numa cadeira a observá-lo dormir.
— Mãe... — o rapaz de olhos cerrados sussurrou — Eu sei que você está aí.
— Eu o acordei, desculpe. — Penélope se mexeu para sair dali. — Amanhã trate de acordar cedo, a colheita não pode atrasar, e - -
— A senhora sempre faz isso. — o rapaz sentou-se sobre o colchão — Sempre entra aqui e fica parada a me olhar. Eu sei disso.
— Mania de mãe, Ben! — ela se desculpou — Agora vá dormir.
Muito bem acordado, a última coisa que Ben faria era deixar aquela oportunidade de uma conversa calma com sua mãe se ir. — Posso lhe perguntar uma coisa, mãe?
A mulher engoliu em seco — Não.
— Porque não?
— Porque é tarde, Benjamin! — Penélope pensou ter encerrado a conversa, lhe beijando a testa, pondo-se de pé. — Durma bem!
Antes que Penny lhe deixasse no vácuo, ele engatou a tal pergunta o mais rápido que pôde — Ele era um bom homem?
—... Céus! — ela praguejou
— O meu pai era um bom homem, mãe?
Penny voltou-se a cadeira novamente, mirando através da janela, dizendo; — Era um ótimo homem. Disso eu tenho certeza; John Teague... — fora o codinome tão utilizado que ela revelara ao menino — Era um grande homem. — até então apenas verdades foram ditas à Benjamin, mas, a seguir... — Era honesto e trabalhador, mas não éramos casados, então... Ah! Não conte isso para as mulheres da aldeia, por favor, meu filho. — um tom jocoso surgira na voz de sua mãe — Já sou bastante mal vista por elas... Mas a verdade é que ele não pôde ficar conosco e veio a morrer num naufrágio antes de você completar um ano.
— Pareço com ele?
— Sim, muito na verdade. — Penny esclareceu — Olhos e cabelos escuros. De certo que ele não era tão alto, mas se você tomasse mais um tanto de sol eu diria que é o próprio Ja- - John! — corrigiu uma revelação rapidamente — Er... Só não me lembro da Sra. Teague reclamar de algum mau comportamento... — e brincou — Nisso você deve ter puxado a mim, Benny! Inglês mal comportado!
Pulando fora da cama, Benjamin tomou as roupas recolhidas por sua mãe, tirando do bolso das calças encardidas o artefato presenteado por Big Sam. — Olha, mãe. Big Sam me comprou essa bússola. Pena que está quebrada e - -
Penélope empalideceu ao unir "quebrada" a "bussola" — O que é isso, Benjamin?
— Uma bússola, mãe. Já disse, mas não aponta para o Norte... — no segundo seguinte ela lhe tomou o artefato. De pronto, a direção da agulha mudou de Sul para Leste.
O rosto pálido de Penélope acompanhado dos olhos castanhos saltados assustou o então confuso Benjamin — Big Sam tem muito a me dizer, Benjamin — disse, se levantando, levando consigo a tal bussola.
— Mas, mãe... É minha!
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"Eu não sou tão bom quanto eu era sob o domínio de Cynara."
Os versos ainda vagavam por seus sonhos conturbados no momento em que fora desperto pela água fria jogada em seu rosto. Assustado, Jack abriu os olhos, sentindo as costas doerem e a luminosidade de um novo dia lhe queimar as vistas. No momento em que se levantou, Sparrow ouviu o ruído de uma jarra se espatifar ao chão, seguido por risos infantis, se distanciando ao longe.
— Ele é engraçado, mamãe!
Jack mirou a figura de uma menina se distanciar ao encontro de uma mulher de modos simples ao longe.
— Betsie! — a mulher gritou. — Desculpe-me, senhor!
— Não... — ele escondia a raiva, saltando fora do barco. — A senhora poderia me dizer, onde... — Apenas agora Jack se percebera rodeado por outros tantos moradores. Notara então que havia passado a noite ao lado de uma plantação e que desta tinha-se a vista de uma pequena aldeia. — Ahn... — Todos a sua volta - homens, crianças e mulheres - trabalhavam naquele roçado e pareciam ter interrompido o trabalho curiosos em lhe acordar descobrir.
Enxugando o rosto, Jack pôs o tricórnio no topo da cabeça e saiu a caminhar por entre as pessoas — Obrigado pelo banho, menininha — ele fez uma vênia em direção à garota que atrás das saias da mãe se pôs a sorrir.
— Está perdido, monsieur? — um homem de pele macilenta, contrastando-se em meio aos trabalhadores, lhe perguntou. — Estas terras têm dono.
Ao checar a bússola que apontava além dos campos plantados, Jack ignorou as palavras do tal que lhe inquiria, seguindo em frente como se conhecesse o lugar. Alguns passos depois, o engatilhar de uma pistola foi ouvida à sua espalda.
— Monsieur... — o homem branquelo repetiu pausadamente — Não entende a minha língua?
De supetão, girou o corpo na direção do homem, dizendo calmamente. — É claro que entendo, Sr... Qual o seu nome?
— Qual o seu nome? Ora essa! — o francês disparou, nervoso. Jack não lhe respondeu — Aonde pensa que estava indo tão depressa?
— Mas que diabos! — Sparrow bufou encarando o cano da arma — Ao meu destino, claro!
Impaciente, o homem a sua frente girou os olhos antes de avançar alguns passos até o pirata — Que destino seria?
— Diga-me você, meu caro! — Jack contornou o mal estar, indo ter com o fazendeiro, prostrando-se ao seu lado. — Olhe pra agulha dessa bussola — estendeu o que tinha em mãos até a altura dos olhos do homem —... E me diga pra onde ela me levará?
O dono das terras deu uma olhada no visor do artefato, logo voltando a encarar Jack irritado como como se esse o fizesse passar por tolo — Il est casse, mounsieur! — disse.
— É claro que está quebrada, seu francês! — Sparrow exclamou mirando ao longe — Mas me diga o que encontrarei naquela direção, sim?
Além dos campos de índigo pouco se podia notar. — O que vai fazer lá? São as terras de Monsieur McCarthy! — o outro disse por fim, sustentando ira nos olhos ao pronunciar o sobrenome inglês. — Vá embora. — emendou sustentando a pistola — Se é um dos dele, vá embora, agora!
— Já estou indo, calma - - — a voz de Sparrow foi abafada por um tiro de alerta disparado pelo fazendeiro — Certo, achei que fossemos amigos! — brincou tratando de correr na direção que a agulha apontava. Os trabalhadores a sua volta não se moviam ou assustavam-se com a atitude do patrão, eles apenas miravam o forasteiro de trejeitos estranhos correr em meio a eles, driblando-os, sumindo por entre a grama alta.
Diversos outros tiros, para o ar, ou disparados diretamente ao chão, foram ouvidos por Jack conforme ele saía em disparada plantação adentro.
— Maudit McCarthy! — o péssimo anfitrião gritava, espumando em raiva. — Anglais connard!
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Os raios da manhã entravam intensos pela pequena janela, inundando o modesto quarto em que Penélope antes dormia. A mulher se pôs sentada, já repassando o que teria de ser feito naquela manhã. Receberia alguns dos agricultores antes do meio dia, ou ainda quando lhes sobrassem algum tempo para uma colheita clandestina nas terras ministradas por Lane. Venderia o índigo ao produtor local, Monsieur Vardin, e repartiria os lucros com o bondoso Sr. McCarthy.
Oliver McCarthy, o gentil fazendeiro inglês que arrendara as benditas terras de onde Penny tirava o sustento. Apesar de ser um antigo dono de muitos hectares no Novo Mundo, Oliver não era muito mais afortunado que Penélope. Os franceses lhe tomaram a maioria das terras ao norte de Nova Orleans, e o pouco que restara de nada lhe servia. Longe do rio, as terras se voltavam num problema.
Mas, antes de Penélope assim seguir com a rotina do dia, teria de conversar seriamente com Big Sam quanto àquele artefato que ele presenteara Benjamin. Afinal, onde conseguira aquela bússola antiga? A quem ela pertencera? Porque se parecia tanto com a bússola de um certo pirata muito bem conhecido por si?
Quando, voltando-se ao criado mudo do lado da cama, Penny nada encontrou além do abajur solitário. À noite, ou ainda pouco antes dela acordar, Ben devia tê-lo pego. Imaginar Benjamin seguindo o curso apontado pela agulha da bússola quebrada pôs Penélope em pânico. A mulher sentiu o sangue se esvair de seus membros e um pressentimento bobo afundar em seu estomago.
— BENJAMIN!
Depois de procurar o filho por cada canto da pequena casa, Penélope pousou uma mão na testa, mirando a porta da cozinha.
Há alguns quilômetros dali, avançando no caminho certeiro para as terras do fazendeiro vizinho, Monsieur Vardin, um francês empreendedor – pra não se dizer "afanador" – e também o produtor local, o maior vendedor de índigo da região. Ao deparar-se com a cerca limitante dos terrenos, Benjamin vacilou, praguejando contra a bussola que mais parecia apontar para algo além do rio. — Que inferno! — o menino bufou, sentando-se ao chão, chacoalhando a caixinha que tinha em mãos.
Encostando-se na cerca em madeira, Ben ergueu uma sobrancelha, focando-se na agulha nervosa da bussola, notando-a tensa, tremida. Talvez o jeito como a havia tratado tinha desregulado o compasso — Mas que diacho! — o rapaz bradou, jogando a bussola a alguns metros de si — O compasso dessa coisa já está mais do que quebrado. É lixo e não me serve de nada. — Ben enchia-se de raiva, mirando o artefato que à distancia parecia mais ter enlouquecido, pondo-se a girar sem destino certo — Não devia ter desobedecido minha mã- - Ow!
Por um breve instante, o sol que lhe torrava o juízo foi encoberto por uma sombra, chamando a atenção do jovem rapaz para alguém que, acima de si, pulava a cerca ligeiro como se fugisse do diabo.
— Esse maldito índigo não acaba mais? — um homem nunca antes visto pelo garoto passou correndo de maneira engraçada por si — Esse fazendeiro não gosta de estrangeiros, e - -!
O tipo esquisito pretendia seguir sem olhar pra trás, mas a figura de Ben pareceu ter-lhe dado esperanças. Endireitando o belo chapéu digno de um capitão corsário no topo da cabeça, o tal, ofegante, dirigiu a palavra a Benjamin. — Onde fica a civilização mais próxima, garoto? Essas pessoas são loucas
O filho de Penélope se pôs de pé, desconfiado — Essas terras são do Sr. McCarthy.
— Eu sei disso. Acabei de passar a cerquinha, estou na terra do McCarthy! — o mais velho gesticulava ao passo que Benjamin analisava todo o conjunto espalhafatoso a sua frente — Não há uma vila por aqui? Um comércio? Nova Orleans é o índigo em forma de cidade por acaso?
Ben ergueu o rosto, endireitando a roupa suja de terra — Seus olhos o enganam, senhor.
— Maldita terra essa em que vim parar! — o homem bradou — Na Jamaica nenhum moleque haveria de falar assim com o grande Capitão Jack Sp - -!
— Em pouco menos de meio hectare ao norte já se encontrará na vila dos nossos agricultores. Só quero lhe dizer para não se iludir com a altura dos arbustos...
— É fácil pra você dizer isso, criança! — o forasteiro mirou o garoto inglês dos pés a cabeça — Tem só dois anos de idade, mas sendo cria do Ieti, já possui dois metros de altura... Arh - - Está me fazendo perder tempo. Até mais, obrigado e cuidado com esse francês. Ele é doido de pedra.
Benjamin revirou os olhos observando a figura afetada se distanciar — Oh, claro... É o francês que é doido de pedra... — o garoto divagou consigo mesmo — No mínimo, este deve ser... — zombou do louco que perdera de vista ao recuperar a bussola tresloucada do chão —...grego.
Analisando o visor da bússola, Ben se surpreendeu; a agulha do compasso não mais apontava para o Sul como costumava fazer em suas mãos. O Norte parecia enfim ter sido encontrado.
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C o n t i n u a
- A-tsu-tsa: "menino", em cherokee
- Anglais connard: "Inglês filho da mãe", em francês.
N/A
Eu queria agradecer de coração aos comentários de Jodivise, Tati C. Hopkins, xJull, Sra Sparrow, Taty S.G e BProngs
Meninas, muito obrigada pelos comentários lindos e me perdoem pela imensa demora em postar o segundo capítulo. Prometo ser mais rápida na postagem do próximo. Eu estive travada por todos esse tempo, mas com muitas idéias na cabeça. Irei entender perfeitamente se não aparecerem mais aqui pra ler essa atualização.
Mil abraços_
