A história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha


Primavera, 1142 Norte da Inglaterra

Sir Edgar, capitão da guarda de Falcon, observava a fu maça da fogueira se elevar e desaparecer na escuridão da noite.

Edgar e os outros homens ao redor do fogo davam pouca atenção aos sons noturnos. Continuavam atentos às vozes exaltadas na tenda de seu senhor.

Embora todos já tivessem sido repreendidos por Falcon uma vez ou outra, nenhum deles jamais o ouvira erguer a voz para uma mulher. Os homens faziam apostas. Será que o lorde se controlaria, ou sua protegida o faria perder a ca beça? Edgar apostava em Falcon.

— Meu Deus, salve-me!

Os insistentes pedidos de ajuda não recebiam resposta. Embora todos estivessem nervosos, Edgar sabia que nin guém ajudaria a mulher. Se ela estava naquela situação, era por querer seguir a própria vontade em detrimento das or dens do rei Bankotsu.

Ela relutava em ser entregue à família materna. E há dois dias tornava a vida de todos um inferno.

Edgar não sabia se admirava ou sentia pena da paciência de seu senhor. Se estivesse no lugar dele, a moça já teria sentido o peso de sua mão. Ninguém censuraria Falcon caso isso acontecesse.

— Solte-me!

O som de uma bofetada fez com que vários soldados se encolhessem, como se a tivessem recebido também.

— Seu porco imundo!

Com um suspiro, Edgar se ergueu e dirigiu-se à tenda de seu mestre.

Antes que pudesse cruzar a clareira, lorde Sesshomaru de Falcon surgiu, examinando o braço sob a luz que emanava da tenda.

— Nunca faça isso novamente.

A ameaça estava subentendida na voz de Falcon. Olhan do de soslaio, Edgar percebeu que os outros estavam pe trificados. Todos sabiam que aquele tom era um sinal de que Falcon chegara ao limite. Edgar temia pelo ouro que apostara; já podia visualizar suas economias encolhendo consideravelmente.

Sesshomaru olhava para o braço, que ela arranhara na tentati va de provar o quanto estava descontente.

— Céus, estou sangrando!

Enfurecido, ele decidiu cuidar do arranhão e colidiu com Edgar.

— Milorde. — Edgar manteve o equilíbrio e impediu Sesshomaru de cair. — Não seria melhor explicar toda a situação novamente?

Novamente? Acha que não tentei? — O espanto dele era óbvio ao capitão. — Essa discussão só serviu para que eu conseguisse uma dor de cabeça, uma bofetada e um bra ço arranhado.

Ele rumou para a fogueira e aceitou um odre de vinho. A bebida excessivamente fermentada desceu com dificuldade por sua garganta. Sesshomaru engoliu, mas conteve a careta ao devolver o odre que lhe fora oferecido.

Bebida amarga e mulheres desagradáveis tinham algo em comum — ambos conseguiam arruinar seu bom humor.

— Lorde Falcon!

Sesshomaru instintivamente se virou ao ouvir o grito, e viu sua protegida sair correndo da tenda para desaparecer na escuridão da floresta.

— Por todos os santos! — ele praguejou bem alto. Se aquela garota achava que ia escapar, estava muito enga nada.

Sesshomaru e seus homens chegaram à orla da clareira ao mesmo tempo. O longo tempo de convivência fazia com que ordens fossem desnecessárias. Quando Sesshomaru fez um rápido aceno com a mão, seus homens se alinharam ao seu lado para começar a vasculhar a floresta.

Um destacamento de quinze homens certamente serviria para encontrar aquela mulher teimosa.

Ele havia jurado entregar a moça aos parentes e voltar ao serviço do rei dentro de um mês. Cumprir aquela missão agora se transformara numa questão de honra.

Honra. Sua reputação, bem como a de sua família, já fora manchada em Lincoln.

Mesmo tendo obedecido às ordens de seu superior, a cul pa pesava na alma de Sesshomaru. Haviam se retirado da bata lha, deixando o rei desprotegido, permitindo que o inimigo capturasse e aprisionasse Bankotsu por meses.

Sim, ele encontraria a mulher. Não que tivesse escolha. Se falhasse com seu rei desta vez, sua cabeça serviria de adorno nas ameias de Windsor.

Um pequeno grupo de homens observava a tudo em si lêncio. Quando a mulher fugiu, todos olharam para seu líder. Ele os conteve com um gesto. Sua hora chegaria. No fim, ela cairia em suas mãos. Era melhor permanecerem escondidos por enquanto. Que Falcon cuidasse da mulher. Seria muito mais satisfa tório tomá-la dele. O tempo e a sorte estavam a seu favor.


Oi gente, voltei! Então essa é aquela missão que o Rei mandou pra Sesshomaru na primeira história. Espero que gostem, e me mandem reviews, espero encontrar tbm minhas antigas leitoras. Beijos