A história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha


Rin deu um pulo. A ordem parecia vir do próprio ar. Ela quase derramou os jarros que levava para o salão prin cipal.

Escolher o quê?

Estava em Browan Keep há poucos dias e não tinha a intenção de permanecer ali para descobrir o motivo de sua inquietação.

O lugar era um refúgio temporário — refúgio que se tor nava mais desagradável a cada dia.

E agora uma voz invisível insistia para que fizesse uma escolha.

Mas escolher o quê?

— Mulher! — O grito veio de um dos homens no salão. — Mais rápido com essa cerveja. — Uma ordem repetida inúmeras vezes naquela noite.

Servir aquele grupo de bêbados a irritava um pouco, pois os grosseirões sempre tentavam lhe apalpar. Browan não ti nha um mestre. Ouvira dizer que o senhor daquela fortaleza havia morrido em uma caçada e que o rei Bankotsu ainda não enviara um substituto.

O homem que estava temporariamente no comando não tinha controle sobre os outros; por isso, a licenciosidade reinava. Quanto mais bebiam, mais tentavam acariciá-la quando passava.

Embora outras garotas apreciassem essa atitude, ela não queria se comprometer dessa maneira. Já tinha sido bastan te comprometedor aparecer ali sozinha; não queria piorar as coisas. ,

Ela colocou o jarro com estrondo sobre a mesa, esqui vando-se de um par de mãos.

Um sorriso satisfeito surgia em seus lábios quando se deparou com outro daqueles fedorentos.

— Ah, benzinho, você tem bom gosto. — O homem cingia sua cintura, prendendo-a com força.

Rin murmurou uma imprecação:

Quando ele quis um beijo, o mau hálito fez com que a necessidade de escapar aumentasse e ela acertasse um dos jarros de cerveja na cabeça dele.

O jarro se partiu, apenas a alça ficou em sua mão. Mas ele nem se moveu do lugar. Ou a cabeça era feita de rocha, ou estava bêbado demais para notar o ataque.

Então ele sacudiu a cabeça, sorriu e caiu no chão. A rea ção do homem parecia ser mais demorada que o normal.

Sem parar para verificar se ele ainda respirava, Rin correu para a entrada. Estrondosas gargalhadas irromperam no salão.

Rezava para que a pequena passarela que ligava a forta leza à muralha interna, ainda inacabada, estivesse no lugar. Sua prece foi atendida, e ela atravessou as tábuas.

O vento frio açoitava seu rosto enquanto corria às cegas pelo passadiço iluminado por tochas, procurando uma ma neira de alcançar o pátio. Já era noite e a muralha não era lugar para uma criada.

Ouviu um tropel de cavalos mais abaixo.

— Você, garota!

O grito não soava ameaçador. Ela respirou fundo antes de olhar para o homem no pátio.

Rin protegeu os olhos por causa da claridade da tocha que ele carregava. A voz não entregava sua idade. O ho mem era pouco mais que um garoto. Seria um escudeiro? Era óbvio que não era um dos homens de Browan.

— Ah, ela é obediente!

Quando os homens que o acompanhavam riram, Rin se afastou da beirada. Ele não parecia ameaçador, mas os homens ao redor dele tinham bem mais idade e aspecto de testável.

— Não pretendo lhe fazer mal. Só quero fazer uma per gunta.

O tom de súplica a incitou a responder.

— Não tenho tempo para conversas, seja rápido.

— Seu mestre está em casa?

— Não, Browan não tem mestre.

— Mas deve haver algum responsável.

— Sir Hector está cuidando da fortaleza enquanto o novo mestre não chega. — Por que ele conversava com ela? Poderia ter feito perguntas nos portões.

— Meu mestre ficará feliz em ouvir isso. — Ele puxou as rédeas do cavalo como se pretendesse partir, mas se diri giu a ela novamente. — Diga, os portões de Browan ficam sempre desprotegidos?

Rin ficou pasma. Era por isso que o rapaz interroga va uma mera criada. Que tipo de imbecil estava cuidando daquele lugar? Isso explicava por que ninguém a notara na muralha, mas não explicava por que deixar a fortaleza à mercê de qualquer invasor. Se ela prezava pela própria segurança, deveria partir de Browan ao amanhecer.

— Eu… eu não sei. Talvez os guardas estejam ocupados com outra coisa.

O rapaz assentiu.

— Talvez você tenha razão. Obrigado por sua ajuda. Sem esperar que ele e seus companheiros partissem.

Rin andou de um lado para outro, procurando uma esca da que a levasse ao pátio.

O homem limpou a garganta. Quando ela ergueu o rosto, ele apontou para a esquerda com sua tocha.

— Se procura por uma escada, há uma logo adiante. Sem dizer mais nada, ele partiu. Os outros o seguiram, as risadas ecoando na noite.

Para seu alívio, ela conseguiu descer a escada sem cair. A relativa quietude do pátio lhe oferecia um pouco de paz. Os dois guardas que encontrou não lhe deram muita aten ção, apenas perguntaram o que ela fazia em Browan. Ela ficou surpresa quando permitiram que seguisse caminho ao dizer que era uma das criadas. Não lamentaria nem um pouco partir dali.

Rin se recostou na parede de uma choupana para des cansar um pouco antes de voltar para a cozinha. Enquan to o cansaço abandonava seu corpo, sua mente fervilhava. Como viera parar ali? Teria perdido o juízo? Por que não ficara com…?

— Você! Garota!

Por que todos a chamavam de garota.

Ela olhou para o homem no cavalo. Na escuridão da noite, não via muito mais que sua silhueta. Como estava montado e acompanhado por muitos outros, presumiu que era alguém de certa importância.

— Sim, milorde?

— Onde estão os cavalariços? Por que ninguém veio nos receber?

Desorientada, Rin olhou na direção do estábulo.

— Uma grande celebração está acontecendo esta noite. Talvez estejam festejando no salão.

— Isso não é desculpa.

Mesmo não podendo discernir seu semblante, algo na voz soava vagamente familiar. Não, ocultara bem seus ras tros. Ele não seria capaz de encontrá-la tão rápido.

Confiante nas habilidades aprendidas com o pai, Rin não se preocupou mais. Todos os homens importantes fala vam naquele tom arrogante.

— Por que está sozinha aqui fora numa noite escura como essa?

Uma pergunta que ela deveria ter feito a si mesma antes de buscar refúgio no pátio praticamente deserto. Mesmo assim, a segurança dela não dizia respeito a ele.

— Só queria respirar um pouco. O salão está muito cheio e abafado.

— Se já respirou o bastante, volte para a segurança da fortaleza.

Ele se aproximou com o cavalo, fazendo com que ela sentisse o hálito quente do animal em seu rosto. Rin se encolheu.

— Pretende desobedecer a uma ordem?

Ela respirou fundo para conter a irritação e parecer o mais subserviente possível.

— Não, milorde, eu jamais faria isso.

— Então vá!

Escolha.

— Escolher o quê? — Rin estava cansada de receber ordens. Olhou ao redor da cozinha impregnada de fumaça.

Kaede, uma velha criada, meneou a cabeça.

— Garota, você poderia escolher qualquer homem do salão…

A risada zombeteira de Rin interrompeu o comentário absurdo.

— E o que eu faria com ele? — Era ridículo sequer con siderar escolher algum daqueles beberrões.

Kaede se aproximou, sussurrando:

— Qualquer coisa que quisesse! Isso a ajudaria muito na vida.

Só um milagre a ajudaria a esta altura.

— Não preciso desse tipo de ajuda, mas agradeço por sua preocupação.

— Isso não foi um conselho, sua tonta. — Uma das cria das mais jovens retrucou enquanto saía da cozinha.

Outra criada, uma loura, comentou:

— Está fazendo jogo sujo às nossas custas. Rin ficou atônita.

— O que quer dizer?

— Exibe-se para nossos homens, mas não se deita com ninguém. Eles agora ignoram as que sempre dispuseram seus favores.

Todos naquela fortaleza eram insanos.

— Eu nunca me ofereceria assim.

— Não? — A loura ergueu uma sobrancelha. — Você é melhor que as outras?

— Não, só não quero me comprometer desta forma. A garota se aproximou das outras.

— Ouviram isso? A dama não quer se comprometer com um homem entre as pernas. — Ela pegou um jarro e passou por Rin. — Não sabe o que está perdendo.

Quando Rin conseguiu recuperar a voz, não havia mais ninguém na cozinha exceto Kaede, que ria escanda losamente.

— Ora, ora… — Kaede conseguiu parar de rir. — O que foi, pequena dama? O gato comeu sua língua?

Rin tentava imaginar um modo de mostrar àquela mu lher o absurdo da situação. Mas não havia como explicar qualquer coisa sem revelar sua identidade.

Kaede a olhava de maneira especulativa, como se pu desse ver sua própria alma. Por fim, ela meneou a cabeça antes de entregar a Rin uma tigela de doces.

— Leve isto para o salão, milady, e volte depressa. Será que ela descobrira?

— Kaede… — Rin implorou.

— Vá e não demore. Nada de se exibir para os homens. Deixe-os para as outras.

Exibir-se, pois sim. Rin olhou para os homens reuni dos no salão e encrespou os lábios. Não havia um sequer que lhe chamasse a atenção.

Ela se aproximou da mesa erguida sobre o estrado no fim do salão para deixar os doces.

Antes que pudesse voltar para a cozinha, alguém a segu rou pelo pulso.

— Ah, aí está você, amorzinho. Ela encarou o homem.

— Deixe-me ir. Tenho trabalho a fazer.

Ele se levantou, puxando-a para que sentisse a evidência de sua masculinidade.

— Senhor, não faça algo que lhe causará arrependimen tos depois. — As pernas dela tremiam, mas ela se recusava a demonstrar medo.

— Arrependimentos? — Ele se inclinou, os olhos azuis turvados pela bebida e pela luxúria.

Rin piscou duas vezes para ter certeza do que via: Kaede arrastava a criada loura para perto do homem.

— Por que quer uma garota esquelética como essa? - A mulher indicou Rin antes de atrair a atenção do bêbado para a loura de corpo mais favorecido. — Esta aqui está mais do que disposta a atender suas necessidades.

Felizmente, o homem desdentado se interessou pela outra garota, dando a Rin a chance de voltar para a cozinha.

Kaede logo a seguiu.

— Eu disse para voltar imediatamente. Não sabe ouvir?

— Eu tentei voltar, mas fui impedida.

— Você não se esforçou muito para se soltar.

— O que eu deveria fazer?

— Dê um chute. Use seu joelho. Como consegue sobre viver sozinha?

Rin ergueu a cabeça.

— Sobrevivi muito bem até agora.

— Sim, provavelmente sob os cuidados de seu pai. — Kaede se sentou em um banquinho. — Não minta para mim, já estou velha e cansada demais para isso. Você não é uma criada, não é?

— Não pode ter certeza disso. — Rin fez uma pau sa, considerando as próprias palavras. — Isso não importa, logo irei embora.

Kaede riu.

— Para onde vai, criança? Uma mulher viajando sozinha é presa fácil para todo tipo de assassinos e predadores.

— Saberei me cuidar. — Ela conseguira sobreviver mui to bem até o momento. Mas para ser honesta, chegara a Browan Keep por acaso.

— Cerveja! — Gritos ecoavam do salão.

Para fugir daquela conversa, Rin pegou alguns jarros e rumou para lá.

— Ainda não terminamos! — a mulher avisou.

Como muitos homens já tinham dormido pelo chão, Rin não se preocupou muito com o assédio ao colocar os jarros nas mesas. Terminando sua tarefa, olhou para a entrada do salão.

Esta era uma escolha que poderia fazer: ouvir o sermão de Kaede ou abandonar Browan. Os portões estavam des protegidos, nada a deteria.

Distraidamente, Rin tocou a fita em seu pescoço. O único item de valor que possuía estava pendurado naquele cordão improvisado.

O pendente de ametista lhe fora enviado após a morte da mãe meses atrás. Era arredondado, com o esboço de um dragão gravado no centro. Mal pôde respirar pela dor da lembrança, uma dor que ainda assombrava seus sonhos.

Seria fácil sair do salão. Ninguém notaria sua ausência. Se não houvesse nenhum cavalariço nos estábulos, talvez conseguisse atrair um dos cavalos até os portões.

Rin apertou os lábios. Se o cavalo apenas a seguisse para fora, isso seria considerado roubo? Ela bem sabia a resposta: se fosse capturada, perderia a vida.

Um cavalo requisitaria comida que não possuía. Poderia ir caminhando. Se evitasse a estrada e seguisse pela flores ta, como fizera antes, andaria mais rápido e em segurança.

Tendo tomado uma decisão, caminhou com determina ção por entre as mesas em direção à saída.

Quando se aproximava, pôde ouvir certa movimentação do lado de fora. Rin desacelerou os passos. Mais homens pareciam estar chegando. Se agisse rápido, talvez pudesse escapar sem ser notada.

As portas foram abertas com tanta força que bateram nas paredes e o estrondo ressoou por toda a fortaleza.

Rin praguejou baixinho. Estava muito próxima para evitar o grupo. Ela curvou os ombros e baixou a cabeça, na esperança de parecer bem servil. Talvez, se continuasse andando, eles simplesmente a deixassem passar.

Certa de que sua idéia funcionaria, Rin olhou por cima do ombro antes de se esgueirar para a entrada. Como ninguém a observava, continuou seu caminho e colidiu com uma dura cota de malha.


Oi aqui vai o primeiro cap, espero que gostem.

Relena-chan - Você viu né? Ela desafiando o Sesshy na cara dura, tenho até dó do que ele vai fazer com ela, ou não né KKKKKKK linda to postando uma outra história, da kag e do inu, leia la, ctz que voce vai amar