A história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha
— Perdão, milorde. — O homem com o qual Rin co lidira não se moveu nem disse nada. Na verdade, parecia que todos ao redor estavam paralisados.
O medo invadiu seu corpo. Ela fechou os olhos por um instante antes de erguer a cabeça. Só um homem poderia ser tão alto.
A imprecação que ela deixou escapar não foi nada servil.
— Ora, ora, que recepção encantadora. Combina com roupas tão adoráveis. — Os olhos verdes a examinavam com atenção. — Agora percebo meu erro. Passei toda a se mana procurando por uma dama.
Rin sabia que ele se referia com sarcasmo ao vestido esfarrapado, aos cabelos desmazelados e à sujeira em seu rosto. Não, ela não se parecia em nada com uma dama.
Mas não recuaria por causa daquele comentário. Sim plesmente ergueu o queixo, endireitou os ombros e o enca rou de igual para igual.
Ele acenou para um de seus homens antes que ela pudes se fazer qualquer coisa.
— Lady Gervaise, David cuidará de você por enquanto. — Após uma breve pausa, ele disse ao escudeiro. — Man tenha-se alerta. Coloque-a numa cela, use sua espada se ne cessário, mas não a deixe escapar.
O rapaz com quem ela falara no pátio desembainhou a espada e lhe estendeu a mão ainda livre.
— Milady, se me dá a honra.
Rin o ignorou. Continuava a sustentar o olhar de Sesshomaru de Falcon.
— Ainda pretende me dar ordens? — Um sorriso sur giu em seus lábios. — Sabe que elas não surtiram muito resultado antes. — Olhando para as unhas quebradas e mal cuidadas, sabia que não poderia arranhá-lo desta vez. Mas isso não significava sua derrota.
— Poderá me atacar, depois. — Com um rápido movi mento, ele a segurou pelo pulso. — Talvez acabe sendo divertido. Mas agora, faça o que eu mandei.
Antes que ela pudesse responder, ele acrescentou:
— Lady Rin, ficarei satisfeito em brigar com você mais tarde. Talvez eu até lhe ofereça meios para que possa cortar minha garganta dessa vez. Mas no momento… — ele fez uma pausa e indicou o salão com a cabeça —, tenho assuntos a tratar. Poupe-nos de maiores aborrecimentos.
Ela ficou irritada ao constatar que ele tinha razão. Não suportaria se as pessoas da fortaleza descobrissem que ela era uma fugitiva do rei. Isso causaria muitas complica ções.
Rin encarou Falcon com um olhar furioso antes de rumar para a cozinha, com David seguindo seus passos.
Qualquer guerreiro de valor conhecia a vantagem do elemento surpresa. Sesshomaru de Falcon não era diferente. Aprendera muitas lições com seu irmão mais velho, Inuyasha.
Mas sua vantagem teria sido inócua se os portões de Browan não estivessem desprotegidos. Um erro que bei rava a traição.
Sesshomaru olhou pelo salão principal. Duvidava que os ho mens caídos no chão notariam sua chegada. Mas, aparentemente, nem todos tinham caído em estupor por causa da bebida. Um homem fora atacado por um jarro de barro. Era óbvio que Lady Rin não tinha gostado de seus modos.
A maioria dos homens ainda acordados procurava um corpo desejoso de compartilhar o leito naquela noite. Pela risadinha das criadas, Sesshomaru imaginava que não teriam di ficuldades.
Como ele e seus homens não tinham entrado no salão brandindo armas, ninguém os notara.
Fato que jamais aconteceria novamente.
Sesshomaru acenou para que seus soldados o seguissem en quanto caminhava até o centro do salão.
— Onde está Sir Hector? — O grito despertou a aten ção de todos. Sesshomaru se surpreendeu. Tinha imaginado que o grupo estava completamente embriagado. Então todos os olhares se concentraram em uma figura mal vestida na mesa principal, que cambaleou antes de se firmar de pé.
— Aqui estou. Quem pergunta?
Sesshomaru não respondeu imediatamente. Primeiro queria ver o rosto de Hector de perto. Continuou a cruzar o salão, e parando apenas quando alcançou o estrado.
— Sesshomaru de Falcon. — Ele entregou a carta do rei Bankotsu;— Seu novo mestre. — O homem não precisava saber que ele só seria o legítimo senhor de Browan Keep quando entregasse Rin à família. Um detalhe que logo seria resolvido.
Vendo o selo, Hector contornou a mesa o mais rápido que suas pernas bambas permitiram e gesticulou para a ca deira ao centro.
— Milorde, por favor, junte-se a nós. — Ele acenou para uma criada. — Traga comida e bebida.
— Não, suspenda a ordem. — Sesshomaru olhou para seu capitão e então caminhou lentamente até o outro lado da mesa. Antes que pudesse alcançar o lugar de honra, seus homens já haviam se posicionado estrategicamente ao re dor do salão. Nenhuma porta, corredor ou escada tinha fi cado desprotegido.
Sesshomaru se sentou na cadeira de espaldar alto e se dirigiu a Sir Hector.
— Não julga que seu serviço tem sido imprestável? O homem parecia verdadeiramente confuso.
— Talvez possa me explicar certas coisas.
Hector se aproximou da mesa.
— Deseja conversar em um lugar com mais privaci dade?
— Não. Como minhas perguntas dizem respeito a todos aqui, este lugar serve.
Aqueles que não estavam embriagados demais se apro ximaram do estrado. Sesshomaru observou cada um deles, ima ginando se algum seria de valia para Browan Keep.
— Diga-me, Sir Hector, quantos homens guardam a mu ralha?
Hector franziu o cenho. Era difícil determinar se estava confuso ou se apenas pensava.
— Há dois homens em cada portão, o principal e o pos terior, e mais seis espalhados pelos passadiços, milorde.
Escondendo seu espanto, Sesshomaru perguntou:
— E estes homens são leais?
— Sim, milorde. Sem dúvida. Eles dariam a própria vida para proteger a fortaleza.
Sesshomaru praguejou e ergueu-se irritado, a cadeira caindo ao chão.
— Edgar, proteja a fortaleza. Agora! Não deixe que nin guém entre ou saia.
Quando o capitão e metade de seus homens saíram, ele se dirigiu a Sir Hector:
— Parece que temos problemas.
Os olhos dos homens se arregalaram.
Com a espada presa em sua cintura, Sesshomaru rumou para a saída.
— As muralhas e os portões estão desprotegidos, dez homens desapareceram. — Hector ficou aturdido, então o seguiu o mais rápido possível. Quase foi esmagado pelos outros homens de Falcon, que se apressaram em acompanhar seu mestre. !
Sesshomaru parou na entrada e gritou:
— David! — Apesar do que poderia encontrar lá fora, queria que o rapaz e a pequena fera ficassem em um dos aposentos lá em cima.
Depois de certo tempo, David surgiu no salão seguran do um pano manchado de sangue na cabeça e arrastando uma mulher consigo. Infelizmente, a mulher não era Lady Rin.
Sesshomaru sentiu uma dor surgir nas têmporas. Fechou os olhos, imaginando se era assim que alguém à beira da mor te se sentia.
Abriu os olhos e esperou pela explicação de David, re zando para não ouvir o que mais temia.
— Lorde Falcon, ela me atacou. — O tom esganiçado revelava o quanto estava surpreso. — Com um caldeirão. — Então puxou a mulher. — E essa… essa mulher me fez tropeçar para que eu não apanhasse a dama.
— Dama? — A velha se soltou. — Ora, ela é só mais uma das criadas da cozinha. — A risada dela soou tão estri dente que a cabeça de Sesshomaru latejou ainda mais.
— O rapazinho será um ótimo soldado. — Todos perce beram o sarcasmo da criada. — Estava tão ocupado admi rando as outras moças que nem viu o caldeirão se aproxi mando.
David tentou esconder seu embaraço, olhando para os próprios pés.
Sesshomaru poupou David de um sermão. Na verdade, a cul pa era sua por mandar um rapazola cuidar do serviço de um homem. David podia ser experiente em batalhas, mas ain da não sabia lidar com mulheres obstinadas. Seu escudeiro aprendera a lição da maneira mais difícil.
Ele olhou de David para a velha.
— Aquela criada é Lady Rin de Gervaise.
Como a mulher não demonstrasse surpresa, Sesshomaru es treitou os olhos.
— Parece que você já sabia… ah, perdão, não lembro de ter ouvido seu nome.
— Kaede — Sir Hector disse. — Ela é responsável pela cozinha.
— Eu não tinha certeza de que fosse uma dama. — Kaede torcia os dedos na saia de seu vestido enquanto lamen tava. — Era apenas uma suspeita.
Sesshomaru apontou para Kaede.
— Se quer continuar vivendo nesta fortaleza, é melhor que você e David encontrem logo Lady Rin.
David parecia hesitante.
— Lorde Falcon, como…
Sesshomaru ergueu a mão, interrompendo a pergunta do es cudeiro.
— Dois homens os ajudarão. — Não acreditava no que estava falando. Ninguém precisaria de quatro pessoas para capturar uma mulher — a não ser que a mulher em questão fosse Lady Rin.
Uma criada recolhia os cacos de um jarro quebrado do chão. Ele resolveu reconsiderar.
— Melhor levarem quatro homens.
Dizendo isso, saiu. Precisava descobrir como os dez guardas haviam desaparecido.
O vento frio da noite fustigava seu rosto enquanto atra vessava as tábuas que levavam ao passadiço. Observando o pátio mais abaixo, percebeu as formas daqueles que j procuravam pelos guardas. Nenhum canto daquela fortaleza deixaria de ser vasculhado.
Uma figura pequena demais para ser confundida com um de seus homens cruzou o pátio. Quando ela desapareceu sob a sombra dos estábulos, Sesshomaru decidiu não escaparia assim tão fácil.
Rin puxou bem o capuz de seu manto e se esgueirou no espaço entre o estábulo e a muralha. Pelos gritos, sabia que os homens estavam procurando algo. Só não conseguia determinar o quê. Mas isso não importava. Ela tinha sua própria missão — escapar de Falcon.
E também do rei e de qualquer um que tentasse entregá-la para seus parentes. A adorável família de sua mãe nem mesmo reconhecera sua existência naqueles 19 anos.
Rin sabia pouco sobre eles, apenas ouvira rumores. Diziam que eram pagãos, servidores do demônio. Agora que seu pai morrera, queriam-na para que casasse com um de seus semelhantes.
Ela preferia morrer.
O pai a criara sozinho, tinham vivido muito bem sem eles durante todos aqueles anos. Portanto, Rin conse guiria uma maneira de viver sem a família materna agora também.
Respirando fundo, olhou pelo canto do estábulo e con teve uma imprecação. Pressionando-se contra a parede, rezou para que Falcon não a tivesse visto. Com a sorte que estava tendo ultimamente, podia contar apenas com sua astúcia.
Se não podia cruzar o pátio para alcançar os portões, te ria que achar um caminho por trás do estábulo. Avançou lentamente ao longo da parede, completamente envolta pela escuridão. Seu pé atingiu algo sólido que a impediu de continuar.
Não querendo perder a proteção do prédio, Rin se abaixou para empurrar o objeto para fora do caminho. Seus dedos encontraram carne humana — um corpo sem vida. Como o pai apreciasse batalhas, Rin já estava familiari zada com mortos. Continuando sua exploração, imaginou que a substância pegajosa que cobria a cota era sangue.
Ela esfregou a mão no chão, tentando limpar o sangue antes de esfregar os dedos na ponta da capa.
Além de uma pequena prece, não havia nada que pudes se fazer pelo falecido. Então ela se levantou e passou por cima do corpo. Mas tropeçou em algo que descobriu ser outro homem morto.
O medo se infiltrou nela. Não tinha medo dos mortos, que não poderiam lhe fazer mal algum, mas do assassino. E se ele ainda estivesse por ali? O estômago de Rin se revirou. A idéia de continuar caminhando pela escuridão não parecia mais tão atraente.
Ela tentou conter sua imaginação. Os corpos já estavam frios, provavelmente haviam sido mortos enquanto todos bebiam e festejavam no salão.
Rin meneou a cabeça, desgostosa. Onde estavam os guardas que deveriam estar vigiando a fortaleza?
Guardas.
Aqueles homens usavam armaduras. Poderiam ser os guardas desaparecidos?
Ela refletiu por um instante, ouvindo os gritos dos ho mens de Falcon ecoando pelo pátio. Era óbvio que procu ravam alguma coisa. Dando mais um passo, esbarrou em um terceiro corpo. Será que estavam procurando por aque les homens?
Rin decidiu se afastar dos mortos, voltando em dire ção ao pátio. O que faria agora?
Enquanto pensava, foi puxada pelo ombro. Antes que pudesse gritar, um homem perguntou: — Precisando respirar um pouco mais?
Ela não precisava se virar para descobrir quem a segurava.
— Eu estava tentando fugir quando me deparei com alguns homens mortos. — Não havia razão para mentir.
Falcon soltou seu ombro, mas logo a agarrou pelo braço. Depois de chamar por seus homens, que surgiram munidos de tochas, arrastou Rin até o local que ela indicava.
Rin não pôde conter o susto ao ver os corpos cobertos de sangue, assassinados como os homens que tinham leva do o pendente de ametista até Gervaise Keep.
Seu estômago se revirou novamente. A única ligação que havia entre Gervaise e Browan era ela mesma. Rin tentou controlar o medo.
Falcon se dirigiu ao seu capitão:
— Edgar, conduza Lady Gervaise em segurança até o quarto.
Rin quis reclamar daquele tratamento, mas suas pala vras desapareceram ao ver novamente os mortos ilumina dos pela luz das tochas.
Sesshomaru esperou que Edgar levasse Rin antes de exa minar os corpos. À primeira vista, suas gargantas pareciam ter sido cortadas. Contudo, a coifa de armas os protegia da cabeça aos ombros.
Enquanto tentava descobrir como eles haviam morri do, Hector chegou e ficou visivelmente horrorizado com a cena.
— Quem poderia ter feito isso?
— Algum estranho teve permissão para entrar na forta leza recentemente?
— Não. — O homem pareceu reconsiderar a resposta. — Só a mulher que você chama de Lady Gervaise.
Sesshomaru não duvidava que Lady Rin desejava cortar sua garganta, mas não acreditava que ela fosse capaz de matar alguém.
— Quanto sangue! — Hector observava os corpos. — O que terá acontecido?
Sesshomaru se ergueu.
— Só um exame poderá nos revelar algo.
A conversa foi interrompida por gritos que clamavam por justiça. Sesshomaru e Hector correram para o pátio. Sesshomaru puxou a espada ao se aproximar do grupo.
— O que está acontecendo aqui?
A gritaria parou e um dos homens de Browan se apresen tou, as roupas rasgadas e sujas.
— Fomos atacados pelas costas antes que pudéssemos dar o alarme.
— Quantos eram? — Sesshomaru perguntou.
O homem olhou para os companheiros antes de respon der.
— Acredito que oito. — Os outros assentiram. Sir Hector perguntou:
— Quantos de vocês sobreviveram?
O homem arregalou os olhos.
— Nós somos seis. — Cada um parecia mais machucado que o outro, mas ao menos estavam vivos.
Sesshomaru respondeu a pergunta silenciosa.
— Três foram mortos. Um ainda está desaparecido. Ele franziu a testa, pensativo. Então oito homens haviam atacado os guardas de Browan. Ou eram muito habilidosos ou alguém os ajudara a preparar aquela emboscada. Mas por qual motivo?
Ele voltou a dar atenção aos guardas.
— Seus atacantes disseram qualquer coisa? Um deles respondeu, hesitante:
— Sim, senhor. Eles perguntaram onde a princesa dormia.
— Princesa? — Sesshomaru e Hector perguntaram em unís sono.
O guarda encolheu os ombros.
— Eu disse que não havia princesa alguma aqui, mas eles riram e me atingiram na cabeça.
Sesshomaru examinou o pátio, a torre e as paredes iluminadas por tochas. A fraca luz realçava a pobreza do lugar, as más condições dos muros e aparência abandonada da fortaleza.
Uma princesa?
A luz na torre prendeu a atenção de Sesshomaru. Sem desviar o olhar, deu ordens a Hector.
— Cuide para que os corpos sejam levados para o salão e providencie assistência para estes homens.
Então saiu à procura de respostas para suas próprias per guntas.
— Você o quê? — O líder do pequeno bando atirou um de seus trêmulos subordinados contra uma árvore. Seu braço prendia a garganta do homem.
— Milorde, quando cuidamos de todos os guardas, Falcon apareceu e nos impossibilitou capturar a mulher.
Num rápido movimento, uma arma afiada cortou a gar ganta do subordinado. O líder encarou os outros.
— Que isso não aconteça novamente.
Ain essa Rin é muito atentada como pode, KKKKKKKKK Vai dar um duro trabalho pro Sesshy, espero que tenham gostado desse cap.
Relena-chan - Hm será que ela é uma princesa fugida? Nossa eu tenho ctz que você vai amar a história dela.
- Muito bom saber que você gostou da minha fic, Awn você vai adorar, é mt romantico e mt ação de verdade, eu me envolvi demais com essa história, espero ver você aqui sempre em, bjs
