A história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha
Rin andava de um lado ao outro de sua cela improvi sada.
Observava o pequeno cômodo, que na verdade era pou co mais que uma re-câmara com porta.
Mas o tamanho de sua prisão era a menor de suas preo cupações.
A antiga senhora de Gervaise, tornara-se, no espaço de uma semana, protegida de Falcon, fugitiva, criada e, agora, prisio neira. Eram mudanças suficientes para uma vida inteira.
O que aconteceria em seguida? Seria a esposa de um adorador do demônio?
Não se pudesse evitar.
Mas como evitar que isso acontecesse?
Cada passo no cômodo frio aumentava sua sensação de derrota.
Não, não desistiria tão facilmente. Faria o que fosse ne cessário para recuperar sua liberdade.
Ela parou ao lado do braseiro, procurando se aquecer. A brisa noturna da primavera tornava o quarto mais frio e o braseiro teria que permanecer aceso por horas antes que seu calor preenchesse o cômodo.
Horas que Rin não pretendia passar naquela cela, na quela fortaleza. Mal podia conter um grito de frustração.
Ficar confinada era insuportável. Mas fugir para a flores ta não parecia tão atraente quanto antes.
Mesmo ignorando aqueles estranhos assassinatos, sen tia-se acuada por todos os lados — o rei Bankotsu, a família materna, e Falcon. Por que não a deixavam em paz? Por que ao menos não a tratavam de modo mais digno?
Rin topou com o catre colocado a um canto, jogou-se nele e suspirou profundamente.
Por quê? Porque agora era uma ninguém.
Com a morte de seu pai, ela simplesmente deixara de existir. O rei Bankotsu já havia entregado sua casa para ou tro. Suas posses foram levadas com a promessa de que lhe seriam entregues quando chegasse ao seu novo lar.
Rin tocou distraidamente o pendente. O que o futuro lhe reservava? Não conhecia a família de sua mãe. Será que eram mesmo discípulos do demônio, como os rumores diziam?
Tentou não imaginar essa possibilidade. Encontraria uma maneira de fugir daquele destino.
Assustou-se com o barulho provocado pela porta do quarto ao ser aberta. Vendo Falcon, imaginou como estaria seu humor.
Falcon olhava para a porta, agora pendurada em uma das dobradiças. Com uma imprecação, ele ordenou que o capitão procurasse alguém para consertá-la.
Todas as emoções dela — receio, medo, culpa — irrom peram em uma risada nervosa. Rin levou a mão à boca na tentativa de abafar o som.
Falcon se virou e fitou-a.
— Fico feliz por poder diverti-la.
Rin ergueu uma das sobrancelhas, retribuindo o olhar.
Ele examinou o pequeno quarto, andou até o braseiro e estendeu as mãos sobre ele.
— Você precisará de mais carvão. E de uma cama de cente.
Aliviada por Falcon não estar gritando com ela, Rin apalpou o colchão recheado de ervas e palha.
— Isto servirá. Não ficarei em Browan por muito tem po.
Falcon não saiu do lugar, mas a olhou de modo indeci frável.
— Mesmo? E quando pretende partir?
— Em breve.
— E para onde irá?
Rin deu de ombros.
— Não importa, desde que seja bem longe do lugar para onde pretende me levar.
Falcon cruzou os braços e meneou a cabeça.
— O que a faz pensar que tem qualquer escolha nessa questão?
— É com minha vida que está lidando, Falcon. Minha vida.
— Você fala feito uma menina mimada que não conhece seu lugar.
— E aí que está enganado. Não há mais lugar para mim neste mundo.
Falcon esfregou a ponta do nariz enquanto seguia para a estreita janela.
— Se um rei chega ao ponto de assegurar seu futuro, eu diria que você tem um lugar no esquema das coisas. — Ele a encarou. — Não concorda?
Rin, ainda sentada no catre, se recostou na parede.
— Ele me envia para uma família que nunca se importou com minha existência. Uma família que desconheço, exce to pelos rumores.
— Não acredito que esteja permitindo que mexericos controlem seu bom senso.
— E se os mexericos dissessem que eles reverenciam Satã? Isso não faria qualquer pessoa sensata refletir sobre o assunto?
Falcon deu de ombros.
— Talvez fosse melhor descobrir por si mesma se isso é verdade.
Rin riu brandamente.
— Oh, sim. É fácil um homem dizer isso. Se os rumores fossem verdadeiros, você poderia usar a espada e lutar para se defender. Mas como eu poderia me proteger?
— Você? — Ele parecia surpreso. — Você enfrentou uma floresta para fugir de mim, um feito que poderia ter resultado na sua própria morte.
Rin sentiu o rosto arder de vergonha.
— Eu não raciocino muito bem quando estou com raiva.
— Verdade? — ele esfregou o braço, deixando-a ainda mais embaraçada. — Mal posso acreditar.
— Se seu sarcasmo fosse maior, você acabaria se afo gando nele.
— Se suas unhas fossem maiores, eu teria sangrado até a morte.
— Um guerreiro forte como você? Duvido muito.
Ele se afastou da janela e levou a mão ao peito.
— Ah, ela me considera um forte guerreiro. Meu cora ção explode de alegria por causa de palavras tão gentis. Considerarei isso um elogio.
— Considere como quiser.
Meneando a cabeça, Falcon suspirou.
— Para onde irá, Lady Rin? O que fará? Como viverá?
Rin se sentou ereta.
— Irá me libertar?
— Não enquanto eu viver!
— Por que não, Falcon? Não represento nada para você.
Desta vez, ele riu antes de responder.
— Nada? Milady, você garantirá meu futuro.
— Como? Que relação eu tenho com seu futuro?
Ele ficou sério. Por um momento, Rin vislumbrou cer to pesar nos olhos dele. Mas foi algo tão rápido que ela não sabia se tinha apenas imaginado.
— Digamos que ao completar esta tarefa, estarei nas boas graças do rei novamente.
Ela franziu a testa.
— O quê…?
— Todos têm experiências que preferem esquecer — ele afirmou antes que ela pudesse fazer a pergunta. — Até você.
— Eu? — Rin meneou a cabeça. — Pois não me lem bro de nada no momento.
— Não? Diga-me, princesa, por que estão à sua procura?
O coração dela disparou. O pai sempre a chamava as sim, carinhosamente. Soava estranho ouvir outra pessoa chamando-a de princesa.
— Princesa? Não sei do que você está falando.
— Alguns guardas de Browan foram atacados por ho mens que queriam saber o paradeiro da princesa.
Rin ficou com a boca seca.
— Você descobriu como os outros homens morreram?
— À primeira vista, parece que as gargantas foram cortadas. Mas a cota de malha tornaria isso improvável. — Falcon franziu as sobrancelhas, como se estivesse con siderando o fato. — Assim que os corpos forem limpos, poderemos descobrir como morreram.
Ela esfregou as têmporas.
— Que ligação isso tem comigo? — Ela precisava ana lisar a situação antes de contar o que sabia.
— O fato de os assassinos estarem procurando alguém. Você é a única pessoa estranha que apareceuem Browan Keepnos últimos dias.
— Acha que sou a mulher que eles procuram? — Ela teria chegado à mesma conclusão se estivesse no lugar deFalcon, mas não lhe diria isso.
Ele permaneceu em silêncio, sem desviar os olhos de Rin. — Falcon, isso é uma coincidência. Eu cheguei a Browan por acaso depois de sair da floresta. Se eu estivesse sendo seguida, teria sido capturada antes de atravessar estes portões.
A expressão dele permanecia inalterada.
Uma voizinha dentro dela dizia para que contasse tudo a Falcon.
Confusa, Rin suspirou. Contar ou não contar?
— Falcon… — Não, melhor esperar. — Nada, Falcon. Esqueça.
Ele atravessou o cômodo e se postou diante dela.
— Nada? Não é o que parecia.
Rin teve que inclinar a cabeça para poder olhá-lo, mas não queria permanecer naquela posição.
— Ajude-me a levantar. — Ela estendeu o braço.
— Não. — Ele cruzou os braços, meneando a cabeça. — Gosto de nossas posições.
Quando ela agitou a mão no ar, ele cedeu e puxou-a. Sua mão era quente, afugentava o frio.
Rin deu um passo para trás. Mesmo estando de pé, precisava erguer a cabeça para ver seu rosto. Alto demais. Ela não gostava de homens tão altos. Isso a colocava em desvantagem.
As chamas do braseiro iluminavam os fios prateados que entremeavam os cabelos escuros. Parecido demais com um lobo. Ela não gostava de animais selvagens. Eram imprevisíveis. Os olhos brilhavam feito duas esmeraldas, contrastando com a pele queimada de sol. Penetrantes demais. Como , alguém poderia esconder um segredo de olhos tão perspica zes? Ele acabaria descobrindo seus pensamentos.
Seu queixo quadrado se retesava constantemente. Enér gico demais. Homens teimosos a irritavam. Perdiam a cal ma com qualquer discussão.
Ainda segurando sua mão, Falcon a levou ao peito. Musculoso demais. Ela apoiou a cabeça em seu peito também, lutando para clarear a mente subitamente enevoada.
Falcon acariciou seu pescoço. Para se manter de pé, Rin fechou os olhos e apoiou uma das mãos em seu om bro. Largos demais. Homens assim achavam que podiam carregar todos os problemas do mundo nas costas. Por um instante, desejou que ele carregasse os seus.
— Rin.
A voz profunda sussurrava uma ardente carícia em seu ouvido. Convidativa demais. Uma voz assim poderia con vencê-la a…
Ele roçou os lábios nos dela.
Rin se aproximou mais. O pulso estava acelerado de ansiedade.
Sesshomaru deslizou as mãos por suas costas, abraçando-a. O beijo foi insistente, explorador.
Quando Falcon correu a ponta da língua por seus lábios, Rin se surpreendeu com a explosão de calor e frio em seu corpo. Ele era tudo o que mais detestava, mas estava disposta a…
Por Deus, no que estava pensando?
Rin meneou a cabeça e tentou empurrá-lo.
Falcon a soltou imediatamente, parecendo arrependido.
— Não sei o que eu estava pensando.
Para a surpresa de Rin, o rosto dele começava a ficar vermelho.
— Não precisa se desculpar. — Ele foi até a janela para admirar as estrelas. — É óbvio que eu estava pensando na mesma coisa.
Ouviu sua aproximação. Falcon fazia seu coração acelerar, sua respiração falhar, sua garganta secar e sua pele formigar. Não conseguia agir naturalmente nem pensar com clareza. Isso não devia ser bom sinal. Felizmente, quan do ergueu a mão para impedi-lo de se aproximar mais, ele parou.
Falcon limpou a garganta.
— Honestidade. Que atitude singular.
— Seria difícil mentir, não acha?
— Talvez. Mas não seria o esperado? Ela se voltou para Sesshomaru.
— Como assim?
— Está a sós com um homem neste quarto. Não faria mais sentido fingir-se de virgem ofendida?
Arrogante demais.
— Por que eu faria isso?
— Não seria a melhor maneira de evitar maledicências caso alguém nos visse?
— Mesmo que alguém tivesse nos visto, eu não precisa ria fingir nada. Não me importo com o que os outros pos sam pensar. Sou uma virgem, mas isso só interessa ao meu futuro marido.
Rin mordeu o lábio, aflita. Sua consciência a atormen tava.
— Falcon, temos que nos preocupar com outras coisas no momento.
O tom da voz dela fez Sesshomaru se recostar na parede, do outro lado da janela, esperando que estivesse longe o sufi ciente para que seu coração desacelerasse.
Aquela mulher de cabelos negros e brilhantes olhos azuis ainda seria sua perdição se não tomasse cuidado.
— Que preocupações seriam essas, Lady Rin?
Ela respirou fundo e Sesshomaru imaginou se realmente que ria ouvir o que ela tinha a dizer.
— Os corpos no pátio, cobertos de sangue. Eu vi algo semelhanteem Gervaise. Doismensageiros da família de minha mãe foram assassinados da mesma maneira fora de nossos portões. Os assassinos nunca foram encontrados.
Ela cruzou os braços, mas continuou explicando.
— Primeiro, imaginou-se que suas gargantas tinham sido cortadas, mas um exame cuidadoso revelou que al guém havia furado a veia do pescoço com algo pontiagu do como um prego. Isso explicaria a grande quantidade de sangue…
Sesshomaru ergueu a mão, tentando assimilar a informação.
— Não havia pistas? Testemunhas? Nada que pudesse indicar os assassinos?
—Não. — Ela balançou a cabeça. — Os homens de meu pai procuraram inutilmente por semanas.
— Agora só sabemos que estão a procura de uma mu lher. — Ele a fitou antes de olhar para a janela. — Uma princesa, para ser preciso.
— Posso assegurar que não sou uma princesa. Muitas coisas passavam por sua cabeça, mas Sesshomaru pre feriu não responder ao comentário.
— Esses dois mensageiros. O que queriam?
Rin levou a mão até a gola alta do vestido e puxou o pendente.
— Eles me trouxeram isso. Queriam noticiar o faleci mento de minha mãe.
Sesshomaru pediu licença para examinar a ametista. Olhou o dragão, então revirou a peça em sua mão. Era imaginação sua ou o objeto parecia vivo, pulsante.
— Por que está tão quente? É como se estivesse junto ao fogo.
Ela o tomou de volta e o escondeu sob o vestido nova mente.
— Está quente porque fica junto à minha pele.
Sesshomaru observou o pendente deslizar entre os seios, ima ginando o quanto a pele dela devia ser cálida. Tentou pen sar num assunto diferente.
— Então foram comunicar o falecimento de sua mãe?
— Sim. — A voz de Rin era quase um sussurro. —Eu nem mesmo sabia que ela estava viva.
— Ela não morava com você e seu pai? — Outro mis tério.
— Não, nunca a conheci.
— Não achava isso estranho?
Rin encolheu os ombros.
— Sempre me disseram que ela estava morta, por que eu estranharia a ausência dela?
— Então seu pai mentiu.
Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Certamente.—A palavra parecia pesar em seus lábios. Rin se afastou da janela, parando diante do braseiro.
— Pediu explicações ao seu pai?
Rin o fitou, erguendo as sobrancelhas.
— Claro que sim. Não faria o mesmo?
Ele ignorou o tom amargo.
— E?
— Ele disse que nada disso importava mais. Tive que aceitar o assunto como encerrado.
Tudo ficava cada vez mais misterioso. Por que aquela tarefa não era tão simples quanto imaginara?
— Seu pai morreu logo depois, não?
Rin assentiu.
— Seria muita intromissão perguntar como?
— Foi jogado do cavalo e morreu imediatamente.
Ele podia sentir a dor e o lamento na voz dela.
— Sinto muito, Lady Rin.
Ela sustentou o olhar dele por um breve instante e agra deceu.
—Agora devo levá-la para sua nova vida em Caernarvon.
— Não.
— Não? O que quer dizer? Não a deixarei fugir nova mente.
A risada amarga ressoou em seus ouvidos.
— Depois dessas mortes, não pretendo fugir. Só quis di zer que a família de minha mãe não viveem Caernarvon. Esteé meramente o lugar onde deve me deixar.
— Deixá-la? — Ele parecia confuso. — Eu não a deixa rei até me certificar de que está segura com sua família.
— Então, Lorde Falcon, se os rumores são verdadeiros, terá que seguir para Ynys Môn, Anglesey.
Sesshomaru mal podia respirar.
— Druid's Isle?
Ele se repreendeuem silêncio. Rumores, apenas rumo res. Não havia nada de satânico na ilha. Mesmo que alguns druidas ainda vivessem por lá, eles não tinham qualquer ligação com Rin.
— Agora entende por que não quero encontrar minha "adorada" família? — A voz dela vacilava.
Ele percebeu o medo nos olhos de Rin e lutou contra a vontade de confortá-la. Uma luta que perdeu ao se apro ximar dela.
Sesshomaru pousou as mãos em seus ombros.
— Não se amedronte com rumores, milady.
Rin encostou-se a ele, como se buscasse conforto.
— Não posso evitar. Prefiro enfrentar o demônio que já conheço.
— Demônio? Não sou um demônio.
Ela apoiou as mãos em Sesshomaru, que a abraçou.
— Não falava de você. Refiro-me ao desejo que sinto quanto estamos juntos.
Surpreendente. Uma mulher que não desmaiava ao ver pessoas mortas, que fugia para não encontrar a família.
Uma mulher que enfrentava um guerreiro com o dobro de sua força. Uma mulher que correspondia ao seu desejo e não hesitava em admiti-lo.
Uma mulher digna de ser sua esposa.
Ele engoliu em seco. De onde tinha vindo essa idéia?
Ahh já ta rolando aquele clima né, amei essa história, gente essa história é a continuação de Dois amores, Uma escolha, tipo mais com o Sesshy e a Rin, essa é a missao que o sesshy é enviado naquela noite do casamento do inu, só pra deixar bem claro KKKKK.
Relena-chan - Hm não vou revelar pra você, se ela é princesa ou não, mais ao longo do tempo voce vai descobrir KKKKKKKKKKKKKKKKKK bjs amr, ta gostando da história?
Danii - Viu, o sesshy sempre protege ela, KKKKKKK nem vai demorar, viu que nesse cap eles estao se conhecendo, a partir dai, os dois nao param mais OKSEOKSEOKPSKO bjs
