A história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha
Rin acordou aos poucos. Alongou-se preguiçosamente, saboreando os últimos resquícios de sono.
O frio e a umidade do chão se infiltravam pela capa de lã que Sesshomaru esticara no chão para dormirem — quando fo ram dormir. Um sorriso curvou seus lábios quando esticou a mão para tocar o homem que dormia a seu lado.
Mas seus dedos nada encontraram. Rin abriu os olhos. Uma pequena faixa de sol iluminava a caverna.
Manteve os olhos meio fechados por causa da claridade. Sesshomaru não estava ali. Seu coração disparou; o medo a fez seguir para a entrada estreita.
Ele não a deixaria sozinha. Olhando ao redor, viu que a espada não estava junto aos suprimentos.
E se ele tivesse sido capturado? Não, se aqueles homens es tranhos tivessem capturado Sesshomaru, teriam vindo atrás dela.
Parou na entrada da caverna. E se estivessem esperan do que ela saísse? Respirou fundo e colocou a cabeça para fora.
O calor do sol fez com que se aventurasse sair um pouco mais.
— Finalmente. Pensei que dormiria o dia inteiro.
Rin galgou o rochedo, mas seus músculos reclamaram do esforço. Ela esfregou as costas e resmungou:
— É como se eu sempre tivesse dependido das mãos e dos joelhos para me locomover!
Sesshomaru riu.
— Tem certeza que a dor é por ter rastejado pela mon tanha?
O calor que ela sentiu no rosto seria capaz de causar um incêndio. Olhou para o sopé da montanha, ignorando o co mentário.
— É seguro ficar aqui fora?
— Se seus gritos não os trouxeram até aqui na noite pas sada, nada o fará.
O rubor no rosto dela aumentou.
— Tenho certeza de que seus roncos foram muito mais altos.
— E por uma boa razão. — Ele fingiu inocência. — Eu fiquei exausto depois de…
—Falcon!
Ele deu de ombros.
— Se algum ronco a acordou, não foi o meu. Eu fiquei de guarda enquanto você dormia.
Rin se esforçou para encará-lo de maneira reprovadora. Mas ele correspondeu com um olhar tão faminto que ela ficou desarmada.
Será que os olhos dele estavam assim na noite passada? Ela sentira o calor de suas mãos e seus lábios, mas a escu ridão não lhe permitira ver seus olhos.
Seu coração palpitava. Sua pele se arrepiava como se tivesse recebido um afago. Quase podia sentir as mãos aca riciando seu braço, envolvendo seus seios, descrevendo um caminho até seu ventre.
Rin desviou o olhar, sentindo uma mistura de vergo nha e confusão.
Sesshomaru clareou a garganta:
— Está com fome?
Estava se referindo à comida ou a ele mesmo? Rin engoliu em seco antes de responder que sim.
Ele se aproximou e tocou seu rosto.
— Cuidarei de nosso desjejum.
Ela observou aquela figura alta se afastar. O sol da ma nhã lançava seu brilho sobre Sesshomaru, fazendo-o parecer al gum tipo de herói invencível saído das canções de algum trovador.
Rin sacudiu a cabeça. O que estava pensando? Pior, o que tinha feito?
Sesshomaru se abaixou para entrar na caverna que tão bem servira a seus propósitos.
Além de se ocultarem do inimigo, eles tinham desperta do a paixão que sentiam um pelo outro.
A lembrança daquela noite lhe despertava o desejo, a vontade de obter mais. Só pretendera abraçar Rin e rou bar um beijo ou dois. Mas ao notar a rendição dela, fora impossível resistir à urgência daquele apelo silencioso.
Um sorriso surgiu em seus lábios. Talvez não tão silen cioso assim. Se os gritos frenéticos serviam para indicar o que o futuro reservava, Sesshomaru teria que manter certa dis tância. Pelo menos por enquanto,
Fizera de tudo para não consumar definitivamente aque la paixão. Por mais que quisesse possuí-la, tinha que man ter sua honra e entregá-la à família.
E ao futuro marido.
Sesshomaru franziu a testa ao pegar o que ainda havia de co mida em sua sacola. Não havia outra escolha: teria que en contrar uma maneira de casar-se com ela.
Mesmo que fosse preciso lutar, Rin de Gervaise seria sua esposa.
Quando Rin entrou na caverna, Sesshomaru tentou contro lar seu coração e seus pensamentos.
— Sua refeição a aguarda, milady. — Ele lhe ofereceu uma maçã.
Ela pegou a fruta e se sentou na ponta mais afastada da capa.
Um rápido olhar foi o suficiente para saber que não seria difícil manter distância entre eles.
Ele lhe ofereceu um pedaço de pão, mas Rin recusou.
Sesshomaru se recostou na parede úmida. Às vezes um ataque frontal não vencia a batalha. Nessas situações, a vitória exi gia muitos avanços e retiradas estratégicas.
— Perdoe minha falta de modos esta manhã. Como está se sentindo?
Ela arregalou um pouco os olhos, mas logo franziu a testa.
— Por que pergunta? — O tom era tão desconfiado quanto sua postura.
Ele bebeu um longo gole de água e ofereceu-lhe o odre. Quando os dedos de ambos se tocaram, Rin puxou a mão, como se tivesse sido queimada.
Sesshomaru deixou a água próxima a ela, sobre a capa. Percebeu que ela ainda aguardava uma reposta.
— Por duas razões. Primeira: eu só estava tentando ser educado. E segunda: considerando suas quedas durante a escalada e nossas "atividades" posteriores, estava preocu pado com seu bem-estar.
Ela bufou, parecendo pouco convencida. Sesshomaru susten tou o olhar de Rin, recusando-se a fugir daquele silencio so desafio até ela baixar o rosto.
— Estou muito bem — ela resmungou. — Estou um pouco machucada, mas não quebrei nada.
Recuar.
Ele ergueu os joelhos, como se colocasse um muro entre eles. Talvez assim ela se sentisse mais segura.
— Talvez devêssemos ficar aqui um dia ou dois para que se recupere.
— Não! — ela ergueu a cabeça. — Posso continuar a via gem sem problemas. — Ficando de joelhos, ela rumou para a entrada da caverna. — Podemos partir agora mesmo.
Avançar.
Sesshomaru agarrou seu braço.
— Pare.
— Por quê? — Ela tentou se soltar. — Não quer comple tar a missão para seu rei?
A raiva e a confusão se mesclavam na voz dela.
— Só iremos atrasar ainda mais a viagem se continuar mos aqui.
Ele tentou puxá-la contra si, mas Rin ficou tão tensa que ele a deixou.
— O que há de errado?
Ela apenas balançou a cabeça.
— Rin, fale comigo.
— Não há nada a ser dito.
Ele riu, sem acreditar.
— Está envergonhada ou zangada por causa da noite passada?
— Seu idiota — ela resmungou, disparando novamente para a entrada da caverna.
Sesshomaru a agarrou pela cintura, ignorando seus protestos. Puxou-a para seu colo e a abraçou com força.
— Rin, pare com isso. — Sabia que ela estava confu sa, mas não entendia o motivo da raiva.
Começou a acariciar os cabelos sedosos.
— Por favor, não. — Ela fechou os olhos. Ignorando-a, encheu-a de beijos, sussurrando: —- Calma, está tudo bem.
Por fim, ela relaxou e apoiou a cabeça em seu ombro.
— Não, está tudo errado. — Ela envolveu seu pescoço com um dos braços.
Ele massageava suas costas, tentando aliviá-la da tensão.
— O que está errado?
Rin permaneceu em silêncio por algum tempo.
— O que fizemos na noite passada. — Ela pressionou os seios contra seu peito, levou o outro braço ao seu pescoço e sussurrou em seu ouvido. — O que quero que faça agora.
Sesshomaru não pôde evitar o sorriso.
— E o que há de errado nisso?
— Estou prometida a outro homem.
Ele se esforçou para ignorar a sensação dos lábios de Rin em seu pescoço. Seria mais fácil ignorar uma espada cortando sua pele.
— Pensei que não quisesse se casar com esse homem.
— E não quero. Talvez agora nem precise mais. — Ela brincava com seus cabelos, fazendo uma onda de prazer envolver seu corpo.
Sesshomaru engoliuem seco. Seela aceitasse logo sua pro posta, poderia colocar um fim naquele jogo. Só assim vol taria a pensar racionalmente.
— Por que não?
— Depois do que aconteceu, você ainda pergunta?
A idéia de seduzi-la já não parecia tão boa. Na verdade, agora lhe parecia muito arriscada.
— Pode me chamar de idiota, mas quero saber o motivo. Os olhos azuis como sátiras o encararam. Um sorriso curvou a boca de Rin, atraindo seu olhar.
— Estávamos sozinhos. Sabe que eu teria me entregado a você. Mais uma noite ou duas como esta e estarei com pletamente arruinada.
O desejo desapareceu num piscar de olhos. Sesshomaru podia jurar que seu coração gritava "Recuar!". Ao mesmo tempo, as palavras de Miroku ecoavam em sua cabeça. Deite-se com ela.
Ele estreitou os olhos. Um intenso rubor cobria as faces de Rin, que apoiou as mãos no colo.
— Que jogo está fazendo, Lady Gervaise?
Rin fechou os olhos. Não imaginava que ele fosse per ceber sua manobra assim tão rápido.
E agora?
Mesmo que a proposta de Sesshomaru a salvasse de um es tranho, estaria oferecendo total domínio sobre seu coração. Como poderia ter certeza de que Sesshomaru não a faria sofrer?
Ela engoliu a aflição que sentia e forçou um sorriso nos lábios.
— Jogo? Não há jogo nenhum.
Ela beijou o queixo de Sesshomaru, que afastou a cabeça.
— Não era exatamente isso o que eu queria? Não pedi a você que me arruinasse? — ela perguntou.
— Sim, mas…
— Mas o quê, Falcon? — Ela estreitou os olhos. — Pen sou que alguns beijos me fariam mudar de idéia?
Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Rin se viu deitada no chão da caverna novamente. Tinha ido longe demais. Ficou aterrorizada quando viu a fúria nos olhos de Sesshomaru.
— Alguns beijos? — Ele cuspia as palavras.
Rin tentou se soltar, mas ele a prendeu pelos pulsos ao chão.
— Acha melhor se oferecer feito uma prostituta para fu gir do casamento? — Ele baixou a cabeça e capturou seus lábios.
Ela esperava ser castigada com aquele beijo, mas ficou surpresa ao perceber paixão e tristeza entremeadas.
O que havia de errado com ela? Queria esse homem, mas sentia medo. Lágrimas começaram a escapar por seus olhos fechados.
Sesshomaru se afastou, praguejando, e deixou a caverna. Incapaz de conter as lágrimas, Rin escondeu o rosto com os braços.
— Senhor, não quero amar esse homem. Ajude-me.
Sesshomaru, cuja raiva desaparecera tão rápido quanto sur gira, mal tinha ultrapassado a entrada da caverna quando decidiu voltar. Ficou paralisado quando ouviu aquela prece desesperada.
Precisava organizar as emoções que tumultuavam sua mente e seu coração.
Sesshomaru voltou para seu posto no topo da montanha. O calor do sol serviu para dissipar qualquer raiva remanes cente.
Rin não queria amá-lo? Isso significava que já o ama va? Ou isso já estava perto de acontecer para que quisesse evitar o sentimento?
Resistiu à vontade de forçá-la a admitir o que sentia. Como poderia? Nem ao menos entendia o que acontecia em sua própria cabeça.
Não podia descrever o que sentia como amor.
Mesmo que fosse mais intenso e profundo que o dese jo que experimentara por outras mulheres, não podia ser amor.
Sesshomaru atirou uma pedra para longe. Ela voou no ar e en tão desapareceu além da montanha. Nenhum ruído marcou sua queda.
Com um meio sorriso, ele concluiu que sua situação era semelhante à da pedra — estava perdido.
— Não tem nada melhor para fazer que jogar pedras na queles que vêm lhe ajudar? — Miroku surgiu no topo da montanha, com a pedra nas mãos.
Sesshomaru riu do absurdo de seus pensamentos e da oportu na aparição de Miroku.
O capitão olhou ao redor e o encarou, como se estivesse diante de alguém insano.
— Milorde? Por acaso está vendo algo engraçado? Sesshomaru apenas indicou o céu.
— Quem não sorriria num dia maravilhoso como esse? Miroku ergueu as sobrancelhas.
— Decidiu seguir meu conselho? — ele perguntou ma liciosamente.
Sesshomaru não queria discutir seu relacionamento com Rin.
— Não teve dificuldades em seguir meus rastros?
— Não, suas marcas estavam bem visíveis. Nós os al cançamos assim que dispararam para a montanha.
— E os homens que nos seguiam?
Miroku apontou para o que, à luz do dia, parecia ser uma trilha.
— Os que sobraram já se foram há muito tempo.
— Os que sobraram?
— Há um homem encapuzado caído logo do outro lado da montanha. O pescoço dele foi perfurado.
— Então ele não era o líder. Descobriu mais alguma coisa?
— Descobri algo bem interessante, na verdade. — Miroku meneou a cabeça. — O homem é quase idêntico ao que você matou.
Sesshomaru fechou os olhos por um instante.
— Encontrar uma pessoa com traços semelhantes aos de Rin é aceitável. Mas duas?
— Talvez sejam parentes. Acho que logo saberemos a
resposta.
— Logo?
— Sim, eles abandonaram a trilha e seguiram rumo à casa da dama.
Sesshomaru sentiu uma pontada de dor na cabeça.
— Temos que descobrir o segredo deste pendente antes de entregar Rin à família.
— Concordo. Conseguiu descobrir mais alguma coisa com ela?
Sesshomaru rezou para que seu rosto não estivesse vermelho.
— Não perguntei nada.
— Perdoe-me por dizer isso, mas seria melhor concen trar-se em sua missão e deixar outras… "atividades" para mais tarde.
Sesshomaru sabia que ele tinha razão.
— Lady Rin está numa caverna ali adiante. Espere aqui. Irei buscá-la.
Sesshomaru deixou o capitão. Não costumava ser covarde, mas rezou para que Rin já estivesse recomposta. Se ela ainda estivesse em lágrimas, ficaria com o coração despe daçado.
Parou na entrada da caverna e suspirou aliviado ao ver que Rin estava sentada, recostada na parede.
Os olhos estavam fechados, parecia estar dormindo. Aproximou-se em silêncio e sentou-se ao lado dela.
Assustada, Rin pulou quando sentiu que sua mão era beijada. Na verdade, Sesshomaru beijava seus dedos um por um, fazendo-a estremecer.
Lamentando tudo o que dissera e fizera, Rin ia se des culpar quando ele meneou a cabeça.
— Se pensar em se desculpar, eu a deixarei aqui sozi nha.
Rin queria descobrir como ele descobria exatamente o que estava pensando ou sentindo.
— Sou eu quem deve desculpas — Ele a abraçou. — La mento ter agido feito um garoto que não consegue controlar o próprio gênio. Isso não acontecerá novamente.
— Não foi sua culpa. Eu…
Sesshomaru pousou um dedo sobre seus lábios. — Ouça bem, Rin. Eu a quero como esposa. Nunca faria nada para magoá-la ou amedrontá-la. Mas não a dei xarei em paz enquanto não estiver carregando meu nome. Entendeu?
Sem fala, Rin apenas assentiu.
— Pode tentar impedir meus avanços, mas não vencerá.— Ele buscou seus lábios, varrendo qualquer sensação de medo que pudesse surgir dentro dela.
— O que eu sinto por você é mais do que desejo. Mas não posso dizer que seja amor. — Ele roçava os lábios dela. — Só sei que é um sentimento genuíno. Se isso não lhe serve, diga antes que seja tarde demais.
Ela não podia rejeitar Sesshomaru já que sentia o mesmo. Por mais assustador que fosse, tinha que admitir que aquele sentimento incendiava seu sangue e enchia seu coração de alegria.
Por que descer era mais difícil que subir? Rin jurou que não daria mais um passo caso tropeçasse outra vez. Eles que seguissem sem ela.
— Maldição! — Rin praguejou ao cair novamente. As mãos de Sesshomaru imediatamente surgiram para recolo cá-la de pé, mas ela o repeliu.
— Deixe-me em paz.
Ele se inclinou para examinar seus tornozelos.
— Machucou-se?
— Não, só estou cansada dessa viagem. Acabarei encon trando minha morte antes que ela chegue ao fim.
Miroku se voltou para trás.
— Seguindo nesse ritmo, não há dúvidas.
— Miroku, basta!
Diante da reprimenda de Sesshomaru, ele simplesmente res pondeu:
— Estarei esperando junto ao corpo. — E continuou ca minho abaixo.
— Corpo? — O coração de Rin disparou. — Quem morreu?
— Os assassinos executaram um dos seus.
— O quê? Mas… — Ela mordeu o lábio. — Foi porque eu fugi?
— Imagino que sim.
Rin se agarrou à perna dele.
— Não podemos ficar aqui até ter certeza de que eles se foram? Não seria mais seguro? — Faria qualquer coisa para evitá-los.
Sesshomaru se ajoelhou ao lado dela.
— Rin, meus homens não estão longe. Estaremos mais seguros ao lado deles.
Ela assentiu, mas apontou para o vestido.
— Mesmo que seja perto, eu não consigo evitar tropeçar a todo instante.
Sesshomaru pensou por um instante e puxou uma faca da cintura.
— Levante-se.
Rin obedeceu, mas estreitou os olhos.
— O que pretende?
Sesshomaru se ajoelhou novamente e, antes que ela pudesse se afastar, segurou-a pelo vestido.
— O que está…
— Não se mexa.
Ele cortou as laterais da saia desde a coxa até o chão. Então, puxando as duas faixas para frente, cortou-as um pouco abaixo do joelho.
— Experimente agora.
Ela olhou para baixo e viu que seu vestido se transfor mara em uma espécie de túnica. Dando alguns passos, con cluiu que aquela roupa estranha facilitaria a caminhada.
Mas havia um problema. Suas pernas ficavam expostas aos olhares de todos.
— Encontraremos algo mais apropriado quando chegar mos ao acampamento — Sesshomaru murmurou, acariciando sua perna.
— Sesshomaru!
Ignorando-a, ele a conduziu pela trilha.
Rin não teve escolha senão acompanhá-lo.
Felizmente, a caminhada agora era mais fácil. Depois de uma breve descida, alcançaram um vale.
Miroku, que estava recostado numa árvore, olhou para ela. A eterna expressão de desagrado foi substituída por ge nuíno espanto.
Rin corou, mas sua atenção se voltou para o corpo.
— Você o conhece? — Sesshomaru perguntou Ela se inclinou um pouco para vê-lo melhor.
— Não.
— Não lhe parece familiar? — Miroku perguntou. Rin estudou o homem. Cabelos escuros e anelados.
Olhos intensamente azuis.
O coração dela disparou. Apalpando o próprio rosto, no tando a semelhança das feições, sentiu falta de ar.
— Eu juro que não o conheço.
Sesshomaru a abraçou.
— Acredito em você.
— Como pode existir alguém tão parecido comigo?
— Ele não era o único. — Miroku respondeu. — O que a atacou em Browan também era.
Rin fechou os olhos e se apoiou em Sesshomaru. Miroku tirou o pendente de dentro da túnica.
— Mas os olhos eram da cor desta pedra.
Miroku jogou o pendente e Sesshomaru o pegou no ar, examinando-o antes de entregá-lo a Rin.
Segurando-o na palma da mão, Rin sentiu o calor do dragão de ametista se intensificar. Rin o recolocou no pescoço.
— Será que isso é mesmo valioso?
Sesshomaru cutucou a perna do morto com o pé.
— Acho que mais do que imaginamos.
Ela escondeu o pendente dentro do vestido, sentindo a jóia pulsar entre seus seios.
— Ainda deseja completar esta missão? Sesshomaru a fitou, entrelaçando seus dedos aos dela.
— Não quero começar uma nova etapa de minha vida com assuntos pendentes.
Sorrindo, ele beijou Rin.
— Mais um falcão que abandona o ninho.
Rin riu do comentário de Miroku. Sesshomaru mordiscou seu lábio, envolvendo-a num novo beijo, repleto de pro messas.
Miroku bufou novamente.
— Quando terminarem, fiquem à vontade para se juntarem a nós.
Com um suspirou de lamento, Sesshomaru interrompeu o beijo.
— Teremos tempo para isso depois. —Acariciando-lhe o rosto, Sesshomaru seguiu Miroku.
Rin o acompanhou. Quando entraram na pequena clareira onde os homens de Sesshomaru estavam reunidos, o assombro de todos fez Rin lembrar que suas pernas esta vam à mostra.
Sesshomaru ordenou rispidamente que os homens retomassem suas tarefas e levou Rin para a única tenda erguida.
Lá, desenrolou um pacote e ofereceu-lhe roupas novas.
— Pode usá-las. Eram para minha irmã.
— Não posso usar as roupas de sua irmã.
Sesshomaru a tranqüilizou.
— Sango tem muitos vestidos. Não sentirá falta deste. Dirigindo-se à entrada da tenda, parou para admirar as pernas dela.
— Talvez devesse guardar este vestido. Tenho certeza d que será útil no futuro.
Rindo, saiu da tenda antes que Rin pudesse retrucar.
Em meio às brumas, eles avistaram o que parecia se uma fortaleza no topo de uma colina.
— Acha que é Dougal's Keep? — Miroku perguntou.
— Só há uma maneira de saber. — Sesshomaru continuou a cavalgar.
— Espere. — Miroku incitou o cavalo, parando à frente de Sesshomaru. — Deixe-me ir na frente, milorde.
Sesshomaru contornou o cavalo do capitão.
— Não é por você que Sir Dougal está esperando.
Os dois ficaram nessa troca de posições até Sesshomaru ficar impaciente.
— Pare com isso. Miroku, por fim, manteve-se ao lado de Sesshomaru.
— Eu pediria desculpas, milorde, mas só estou cumprin do meus deveres.
— Desculpas? — Sesshomaru perguntou, surpreso. — Se isso acontecesse, eu morreria de susto.
Rin se interpôs entre os dois.
— Tenho uma idéia: vamos os três juntos. — Tentando ignorar a proximidade de Sesshomaru, ela concluiu. — Assim não haverá discussões e poderemos sair logo dessa umidade.
— Não! — Os dois homens gritaram ao mesmo tempo.
— Ótimo! Fiquem aqui discutindo. Procurarei abrigo com Sir Dougal. — Sacudindo as rédeas, Rin atiçou o cavalo e disparou para a fortaleza.
Então começou a contar. Um, dois, três…
— Não vai a lugar algum. — Sesshomaru lhe tomou as ré deas.
— Ora, ora, você foi bem rápido. — Ela sorriu. Mais atrás, Miroku ironizou:
— O conde ficará muito satisfeito se formos mortos.
Sesshomaru riu.
— Se morrermos, o que ele poderá fazer? — Jogar meu corpo aos abutres.
— É uma possibilidade, certamente. — Sesshomaru se virou para Miroku. — Isso seria algum problema?
— Minha esposa acabaria me encontrando no inferno.
Curiosa, Rin perguntou: — E isso o aborrece?
— Claro que sim. Nenhum homem quer ouvir as recla mações da mulher por toda a eternidade. Já não basta ouvi-las por uma vida inteira?
Sesshomaru irrompeu em gargalhadas.
— Miroku quer que todos acreditem que sua esposa é uma megera — ele confidenciou a Rin. Miroku ficou muito vermelho e evitou o olhar de ambos.
— Na verdade, ele perseguiu a moça por anos até finalmente aceitar ser sua esposa — ele acrescentou.
— Sir Miroku?
— Sim, ele mesmo. Foi insuportável conviver com este homem enquanto esteve doente de amor.
Rin não conseguiu conter a gargalhada.
— Sinto muito, mas é difícil acreditar nisso.
— É incrível as coisas que o coração faz com as pes soas. — Miroku os ultrapassou com o cavalo. — Vocês são prova disso.
Então Miroku disparou para a fortaleza.
Apesar da chuva, Sesshomaru olhava para as ondas se cho cando contra a costa rochosa.
Seu anfitrião, Sir Dougal, parecia apreciar a vida naquele distante posto fronteiriço, sempre exposto ao rigor dos elementos.
Sesshomaru se recostou na muralha, cuja estrutura de madeira nada mais era do que uma velha paliçada.
O som de alguém subindo a escada atraiu sua atenção. Era Rin.
Ele a ajudou a terminar de subir.
— O que faz aqui fora?
Ela olhou para as águas revoltas.
— Acha que minha escolta chegará logo?
— Ansiosa para partir?
— Não, só não quero ficar esperando.
Sesshomaru estava atrás dela, as mãos sobre seus ombros. Apesar da roupa, podia sentir a tensão de seus músculos.
— Como pode ter tanta certeza de que não gostará de sua nova vida? — Ele não deixou que ela se afastasse. — Você condena sua família sem nem mesmo conhecê-la.
— Não preciso ver o demônio para saber de suas maldades.
— Isso é absurdo, Rin. É uma comparação infundada.
— Já discutimos isso antes.
Ele assentiu.
— Sim, mas pensei que tinha concordado em lhes dar uma chance antes de tomar qualquer decisão.
— E eu pensei que tivesse me pedido em casamento.
— Mesmo que você já tivesse aceitado, iríamos comple tar essa missão.
Rin cruzou os braços, empinou a cabeça e deu as cos tas para ele.
Achando graça, Sesshomaru rumou para a escada.
— Deixarei que fique à vontade para ruminar sua raiva.
— Espere. — Ela o alcançou e começou a brincar com o pendente em seu pescoço. — Acha que aqueles homens pertencem à minha família?
— Não. — Sesshomaru meneou a cabeça. — Seria mais práti co esperar por sua chegada para reclamar o pendente.
Ela franziu a testa, refletindo sobre a resposta.
— Acho que tem razão. Mas aquele homem era muito parecido comigo.
Sesshomaru a puxou para seus braços.
— Não se preocupe. Não prometi protegê-la?
Ela se protegeu na capa dele, escondendo o rosto em seu peito.
— Irá me acompanhar até Ynys Môn?
— Claro que sim. Fiz uma promessa.
— E se você não for bem-vindo?
Ele apenas sorriu.
— Não seria a primeira vez. E nem a última, garanto.
— Acha que o homem que procura o pendente estará lá?
— Tenho certeza. — Ela estremeceu, então ele a abraçou com força.
— Eu queria nunca ter recebido esse dragão de ametista.
— Com um puxão, Rin arrancou a jóia do pescoço e er gueu o braço. — Ele merece ficar perdido no mar.
Sem pensar, Sesshomaru a deteve antes que jogasse o pen dente.
— O que está fazendo? — Ela lutou para libertar a mão.
— Não pode me impedir. É meu para fazer o que eu qui ser.
— Pense, Rin. Se é tão importante para esses homens, deve ser importante para você também.
— Como? — Ela baixou o braço.
— Não sei… ainda. Mas será interessante desvendar este mistério. — Sesshomaru sorriu.
Rin ficou corada quando ele lhe acariciou o rosto.
— Sesshomaru, eu…
— Milorde! — O grito de Miroku quebrou o encanto do momento.
Sesshomaru revirou os olhos antes de olhar para baixo. O ca pitão apontou para o lado oposto da fortaleza.
— Um grupo se aproxima. Acho que deveria vê-lo.
— Serão eles? — Rin parecia assustada. Sesshomaru deci diu guiá-la pelo frágil passadiço até a torre de vigia.
Rezava para que os visitantes fossem mercadores ou via jantes procurando abrigo. Mas olhando para além da mura lha, perdeu todas as esperanças.
Gente estou postando correndo, porque minha mãe não pode nem sonhar que estou no pc, eu andei aprontando na escola ai deu nisso IEUHSIHES, AMEI as reviews.. e respondo assim que puder. Tomara que tenham gostado do cap.
