Disclaimer:O mundo e personagens de Harry Potter não me pertencem; eles são da propriedade de J. K. Rowling. A história a seguir foi feita sem fins lucrativos; de fã para fã.

Notas do Autor: Boa leitura q


— I'M A FOOL TO HOLD YOU —


Nessa noite, quando apenas acabava de se mover o seu ponteiro ao indicador "Casa", entrava Ginevra Weasley pela porta d'A Toca, já a sua expressão oscilava entre a ira e o cansaço; o cabelo um tanto desmanchado pela correria; e os braços, frenéticos, lutando para manter o abraço que envolvia uma desordem de casacos, pergaminhos e pastas. E mal atravessado o portal, exclamou:

— Não se está para conversa!

Foi largar-se no sofá da sala, onde as línguas de fogo abrasavam, lançando contornos alaranjados que apenas acentuavam a cor daqueles cabelos de brasa, realçando a cor dos xales sobre os móveis e fazendo estalar a lenha; na poltrona ao lado crescia a sua anarquia de materiais; e, sob a luz da lareira e do abat-jour sustentado por uma mesinha de madeira alta, vinha a sua mãe, Molly Weasley, toda preocupada, limpando, como de usual, as suas mãos no seu avental.

Queria saber o que se passava para causar à sua filha tanto incômodo! Ah... Era escusado tanto alarde... Apenas o estresse do trabalho! Estivera todo o dia a editar, ler e escrever matérias para o Profeta Diário! Estava cansada, e só...

Molly inclinou-se para a filha, envolvendo o seu rosto com as suas mãos molhadas e beijando sua testa um pouco suada com um estalo. Depois foi voltar à cozinha, gingando, toda contente, compadecida e orgulhosa da filha: tinha jeito! Talento! Espírito de jornalista!

Era sempre assim: a primeira coisa que fazia pela manhã era vir recolher o Profeta Diário, e achava — quase sempre lá para as últimas páginas — o nome da sua filha!, a sua Gina!... E não se demoravam os seus olhos a não poderem mais ler a matéria: vinham logo as lágrimas, que, vez ou outra, manchavam, pingavam o jornal; mas era a sua alegria do dia! E pousava as suas mãos gordas, toda chorosa e orgulhosa, ao peito, cerrando os olhos numa teatral expressão de vaidade pela filha.

Mas assim que veio abrir a geladeira, os armários e as gavetas com a varinha, fora-se toda aquele contento: faltava a carne, os temperos... E como se para afastar aqueles pensamentos tristes, agonizantes, aprumou-se a senhora, pondo-se a narrar a sua pequena aventura para Gina:

— Sabe que hoje quase morri quando fui alimentar os animais? Pois bem!... Como sabe, nevava, e já o gelo estava por centímetros! Tanto que foi um esforço para abrir caminho pela neve! Mas aí lembrei da varinha... Mesmo assim, acho que estou necessitando perder alguns quilinhos... Mas não é prioridade, não é... Gente como nós não se pode dar o luxo de se ocupar com as aparências...

E Gina, muito aérea, muito alheada, anediando os cabelos com os seus olhos pousados sem foco nas chamas, murmurava, pensativa:

— Hm... Sim... É claro...

Então, como se de repente acordada, cortou a narrativa da mãe:

— Que horas são?...

Foi Molly bambolear até o relógio; e depois de uma breve pausa soou a sua voz da cozinha:

— Vai indo para as nove!

Vai indo para as nove! E Hermione — a Ligeirinha — onde estava?... Ah, sinceramente não estava para ver a sua cara ultimamente! Saía cedo, voltava tarde, ainda não arranjara emprego, não abalava para ir ver os pais, e ainda vivia a favor! Se fosse por ela, por Gina, era dar-lhe pontapés! Fora daqui! Despesa, boca aqui não falta!

... Principalmente depois daquele dia, quando Hermione dissera ter ido ao Ministério à seção das Relações Internacionais. Coincidência: também tinha ido Gina por aqueles lados, incumbida de entrevistar o responsável por lá, a tratar sobre como o fim da guerra influenciaria as relações exteriores... Bem! Preocupada, ao fim da entrevista avistara ela uma amiga sua, de Hogwarts, e aproximou-se:

— Hermione Granger passou por aqui?

— Hermione Granger? — repetira a garota. — Não!

— Com certeza?...

— Absoluta! — exclamara. — Acho que eu saberia se Hermione Granger passasse por esse corredor!

Há! E onde estava a infeliz?... Um "Ai" e era pô-la na rua! E que não ficasse de folga, de sestas, de preguiça! Estava comendo de graça, dormindo sob um teto de graça... Ah, aquilo não ia durar... Assim que tivesse uma brecha...

Foi nesse momento que chegava Hermione, vestida com as suas melhores roupas, maquiada, bonita; apenas a face triste e acabada maculando a sua pessoa...

Molly foi logo saudá-la, beijá-la, dizer que o jantar estava para sair:

— É apenas Arthur chegar e está servido!

— Tudo bem, Sra. Weasley — disse a Granger, com um sorriso tímido e torto. — Olhe, eu vou subindo... Estou com sono e se eu logo não descer, dormi... Não me chame...

— Algo aconteceu, querida?...

Hermione já abalara, subindo os degraus aos pulos. Gina já se enfezara: aquela timidez desavergonhada, aquelas velhas reticências colocavam-na exausta, enraivecida! Ia ver a Granger, ia... Era apenas passar aquele cansaço.

— Ô mãe, você lembra que hoje vou jantar com George e Angelina, né?

— Ah, sim, querida!... Acho que jantaremos só eu e o seu pai, então.

— Sim... Logo George chega por aí; vou tomar o meu banho.

— Vai... Vai...

Banhou-se com água escaldante, doce e demoradamente, feliz por ter algum passatempo que não fosse textos, matérias e entrevistas.

Tomado o banho, saiu; escolheu a roupa, os sapatos, o penteado, e as joias... Joias... Não havia joias. Vendera-as... Mas Gina nem se deu ao trabalho de fornecer qualquer espaço para as angustias da pobreza: trotou rapidamente sobre os degraus, batendo três vezes à porta de Hermione antes de entrar.

Estava vazio... Ótimo... Deu alguns passos, cautelosa, e logo localizou, à mesa de cabeceira, a caixinha de jóias negra; abriu-a.

— Que está fazendo?

Era Hermione que chamava à porta. Gina não tivera tempo de replicar: já Hermione entrava pelo quarto, tomando a caixa das mãos da ruiva ao dar a volta pelo leito, a cama separando-as.

— Arre! Que é isso?... Só estava tomando emprestadas algumas jóias... Credo!

Ah... Era isso? Pois bem, qual ela queria?

— Deixe-me ver...

Hermione recuou o braço, escondendo a caixinha às suas costas num movimento rápido e infantil. Gina fechou a cara, franzindo muito as sobrancelhas.

— Olhe lá, Hermione! Posso não estar em boa situação financeira, mas eu jamais, jamais!, iria roubar uma joia sua assim, na cara!

— Pois então roubas quando não estou a olhar?

Gina recuou, estranhando o pronome, mas logo retomou:

—... Não estou para aturar! — rosnou entre dentes. — Claro que não! Ia te avisar na despedida, quando saísse!... Como pode? Está aqui conosco há tanto tempo... E já tomou por falta algum objeto? Hein?

—... Bem... Não.

— Então! — exclamou Gina. — Posso tomar emprestada uma das joias?

— Pode...

Hermione lentamente estendeu o braço, mostrando a sua mão coberta pela caixinha onde nas bordas estavam cravados os seus dedos numa força que os empalidecia, expulsando o sangue, a vermelhidão.

Gina estendeu os dedos para pegá-la.

— Na minha mão! — exclamou Hermione.

Foi o fim; acabara a paciência da Weasley. Avisara! Avisara! Não estava para aturar! E foi rosnar, ameaçar, bufando, todo o sangue lhe subindo, inchando a face:

— Olhe lá que o seu pedido para a Austrália não sai assim tão cedo!

Hermione fez-se pálida, privada de qualquer cor, balbuciando:

—... Como assim?

— Isso mesmo! Eu sei que você 'tá cheia dos passeios! Vadiando! E os seus pais a apodrecer na Austrália! Como anda o pedido, Hermione? Sai logo?

A Granger caiu, gelada, na cama, os olhos desfocados e perdidos no terror, caída a caixinha de jóias no colchão velho. Ficaram um momento em silêncio, Hermione olhando Gina sem bem enxergá-la, cega, lívida; e então a Weasley pegou a caixinha, e, muito calma, pôs-se a escolher o brinco que mais combinava com a sua roupa.

~ II ~

I'm a fool to Hold you

Passaram-se dois dias. Ainda o frio do inverno britânico castigava a precária casa em St. Ottery Catchpole; e Molly queixava-se, vinha chorar, que os animais morriam! E onde arranjariam o leite, a comida sem ter de comprá-la?... Felizmente chegava o dia de pagamento de Gina, que iria todo para repor os mantimentos básicos...

E nesse meio tempo Hermione não se atrevera a sair.

Apenas naquela manhã entrava Gina no seu quarto, altiva e cheia de majestade; roubou-lhe uma fita para enfeitar o seu vestido, buscou à caixinha de joias dois brincos de pérola e disse, antes de sair, ao portal do quarto:

— E não fique aí a vadiar, diabo! Vá arrumar emprego ou eu conto tudo à mamãe!

E desde então se estirava Hermione na sua cama, imóvel, desfalecida, perdida em pensamentos. Precisava de Draco! Sempre ele amenizavam as suas dores, as suas mágoas, sem dizer uma sequer palavra, apenas gemidos abafados de prazer... Sentiu-se horrenda de repente. Como podia pensar assim? Ora essa!... Gina tinha razão, era mesmo preguiçosa, ingrata! Decidiu fazer algo. Era primeiro terminar com Draco, terminar com a ilusão! Ela era de Ron, não era...? Pois bem, falaria com o Malfoy assim que se apresentasse outra mensagem à caixinha de joias. Se mandasse carta de certo Gina — de algum modo — a interceptaria e seria o estopim... Então primeiro o emprego; ela era Hermione Granger, não era? Seria fácil arranjar qualquer trabalho no Ministério... Tinha fama, inteligência, bom-senso e talento; era amanhecer o próximo dia e partiria ela ao Ministério! — E junto de Gina, é claro; tinha ela de ver o seu esforço!

Ficou um momento deitada na cama, mudando de posições, com os lábios, secos pelo frio, entreabertos, sensuais; os olhos perdendo-se nos móveis, demorando-se perdidamente. Sentia-se tola! Que idiota fora! Ser tão descuidada assim... Ela, que sempre se gabara do seu racionalismo, da sua prudência, acabava assim, escrava de Gina, submetida aos seus desejos...

George os visitara no dia anterior, e ela cogitara, até falar com ele: o rapaz sempre fora o mais "prudente", o mais bondoso dos irmãos. Haveria de ajudá-la! Mas então que pediria ela? Matar Gina? Falar com ela... Mas sobre o que? Pedir que deixasse Hermione viver de graça? Bem seria capaz que ele mesmo viesse intimá-la a deixar de ser tão vagabunda!

Sentiu-se suja, maculada... Tudo isso acontecera num furor! Como ela pudera ter deixado as coisas naquele estado?...

Realmente precisava do Malfoy.

Mas então lhe abalava a mente um borrão vermelho, seguido logo pela face de um homem ruivo, sorrindo; lembrava-se dos beijos, da guerra, das juras que fizeram, e sentia-se horrível de novo. Ron certamente estava sendo fiel, lutando bravamente contra os Bruxos das Trevas que restavam; e ela vadiava, entregava-se — por capricho, por horrível capricho! — às vontades do Malfoy, o homem que ele odiava, abominava; o homem que outrora ela socara, tomada de ira, mas agora não sobrevivia ela sem o seu fumo, o seu cheiro na pele dela, a sua voz ao pé do ouvido, o roçar da sua barba por fazer nas suas intimidades...

Adormeceu, dividida, aos prantos.

~ II ~

I'm a fool to Hold you

No outro dia acordou toda resignada, derrotada e arrependida das suas tolices. Sentia novos ares, joviais ares, a inflarem todo o seu peito, e foi com muita energia que foi se levantar, tomar o banho quente, sair aos pulinhos do chão frio, escolher a mais bela roupa profissional — e bruxa, é claro! Tivera esse descuido, ainda!... — e perfumar-se fartamente. Mas foi com espanto que ela não encontrou a sua caixinha de joias no costumeiro lugar na sua mesa de cabeceira.

Abalou pela casa, aflita. Ó céus! E se Draco tivesse enviado uma mensagem pelo feitiço!... Gina!

Abriu a porta com um estrondo, fazendo saltar a jovem que calçava os sapatos; mas logo Ginevra recompôs-se, olhando-a com desdém.

— O que quer?

—... Bom dia, Gina — disse, cortês. — Estou procurando minha caixa de joias.

— Hã... E onde vai assim?

— Ao Ministério, arrumar emprego.

— Ótimo; isso mesmo.

Hermione sorriu afetadamente, ainda nervosa pelo susto.

— Então... Posso pegar?

— Ainda não peguei os brincos.

A Granger, num ímpeto, precipitou-se para a caixa; mas foi repelida por Gina, que se pusera em pé de um salto, protegendo o objeto atrás si e dizendo apressadamente, sem muito pensar:

— Olhe lá que não você vai poder ver amante nenhum quando estiver morta por mim, infeliz!

Hermione fez-se branca como cal, engolindo em seco, fazendo os seus seios oscilarem para cima e para baixo bruscamente, tropeçando para trás. Gina retesou-se, altiva; há, então tinha amantes!

—... Posso pegar a minha caixa de joias...?

— Vai, vai! — despachou Gina, sorrindo.

Tinha-a na mão!

~ II ~

Hey (:

Tive até 36 visualizações no capítulo anterior, e, infelizmente, recebi apenas dois reviews. Por favor, deixem reviews dizendo sobre o que gostaram, o que acham que eu devia melhorar, e sobre as suas dúvidas quanto à história. Quanto menos reviews, mais demorarei. Obrigado ~