– Porcaria – gritei pela décima vez. Estava sentada no salão Comunal, quase vazio exceto por Tia- não, não é mais Tiago, agora é Potter P.O.T.T.E.R. Que seja. Estou tentando há quase uma hora fazer as contas do que vai precisar para o baile, mas não consigo me concentrar porque toda hora o POTTER fica me olhando como se quisesse falar alguma coisa.

– Olha a boca, Evans.

Maldito seja a pessoa que falou para o Potter dizer Evans com tanta frieza. Ele me chama assim desde que nós brigamos.

Não era o que você queria?

Bom...

É claro que ela queria isso não é, Lily?

Sabe o que é...

Então sofra as consequências Lílian.

– Não me dirigi a você, Potter.

Decidi terminar os preparativos para o baile amanhã, que é sábado e eu não vou poder ir para Hogsmeade por causa do Potter.

Por causa do Potter? Você também participou, ninguém te forçou a nada.

Que seja.

Você de novo com esse "que seja"

Bufei e peguei minha mochila, comecei a procurar o meu livro de poções para fazer o dever de casa (90 centímetros de pergaminho falando das propriedades dos ingredientes da poção da verdade). Fiquei procurando no livro de poções a poção da verdade. De repente Potter puxou o pergaminho onde eu estava organizando as coisas do baile. Levantei a cabeça por cima do livro e o fitei irritada.

– O que pensa que esta fazendo? – Perguntei irritada.

– Tentando consertar seus erros, parece que não sebe fazer as coisas. Qual é Evans, mesmo uma pessoa com a sua cabeça podem fazer isso aqui. Acho que teu mal é sono – Respondeu ele olhando para o pergaminho.

Puxei o pergaminho da mão dele e analisei.

– Como assim "uma pessoa com a minha cabeça"? Me acha burra?

– Nunca disse isso em voz alta.

– Bom – falei me levantando e recolhendo meu material – você me acha burra agora, só porque eu não te quis. Mas saiba que eu não me acho burra, muito pelo contrario, sou esperta o suficiente para saber que "não" é não e não sair ofendendo as pessoas só porque elas não me suportam.

Joguei minha mochila nas costas e sai andando deixando ele sozinho no Salão Comunal. Subi direto para o meu dormitório, tomei banho e me joguei na cama. Fiquei revirando na cama até pegar no sono.

xxxXxxx

Acordei tarde no dia seguinte. Quando fui tomar café o Salão Principal já estava quase vazio. Avistei em um canto os marotos; Remus parecia mais cansado do que o normal e olhava irritado para Dorcas que estava na mesa da Corvinal conversando com um garoto moreno, Sirius esta falando com uma menina e o Potter tinha acabo de levantar e vinha na minha direção. Continuei caminhando diretamente para onde Alice e Frank estavam sentados.

– Ei, Lílian – me virei automaticamente para Tiago. Merda é POTTER. Fazia tempo que não escutava ele falar meu nome.

– É Evans, Potter – Corrigi.

– Que seja – Falou ele. Olhei para ele irritada.

Viu como esse "que seja; é irritante?

Detesto quando você tem razão.

– O que você quer? – Perguntei.

– Eu queria pedir desculpa por ontem – Respondeu ele. ELE ESTÁ CORRANDO. EU FIZ TIAGO "TODO MARAVILHA" POTTER CORRAR. PEGA ESSA – Eu fui muito idiota, eu estou irritado. Não gosto de ficar sem falar com você, Lily.

– Por isso que você age como idiota? Isso não é uma boa desculpa, Potter.

– Mas...

– Por que você não vai brincar com seus amiguinhos e me deixa em paz? Eu tenho muita coisa pra fazer hoje.

Depois disso perdi a fome. Voltei para o Salão Comunal e subi direto para o dormitório. Peguei minha mochila e fui para a biblioteca.

Me sentei em uma mesa no fundo da biblioteca e comecei a fazer meus deveres. Já havia acabado a redação de Poções quando alguém se sentou na minha frente. Levantei a cabeça. Sirius estava parado na minha frente.

– O que você quer? – Perguntei com frieza.

Ele não te fez nada Lílian, não seja grossa.

Com gente como o Potter e o Black deve sempre ser grossa.

Não é, o Sirius não te fez nada, Lilian.

Ele é amiguinho do Potter, a Lílian esta confraternizando com o inimigo.

Cala a boca vocês duas.

– Falou como uma autêntica Black – Ele deu um sorrisinho debochado.

– Idiota – Ele continuou lá sem falar nada – Então, o que você quer?

– Hum... Sua amiga ainda ta saindo com o Fabian Prewett?

– A Lene nunca saiu com o Fabian, era só para te fazer ciúmes.

– Ela te disse isso? – Perguntou ele esperançoso.

– Não, mas eu sei que foi pra isso. Eu conheço a Marlene. Ela estava te fazendo ciúmes e pelo jeito funcionou.

– Então... Eu ainda tenho alguma chance?

– Melhore, amadureça, deixe de ser arrogante e prepotente, aja como um cavaleiro e não tente fazer ciúmes para ela... – Fui falando distraída.

– Vou tentar. Talvez eu de essas dicas ao Pontas, para ele conquistar uma certa ruiva, sabe.

– Francamente Sirius, seu amiguinho não iria amadurecer nem a magia dele estivesse em jogo.

– Mas ai eu acho que estaria muita coisa em jogo, não acha? Ah Lily deixa de ser cabeça dura. Sabe que Tiago nunca faria mal a você, nem a ninguém. Por mais garotas que ele já tenha ficado nunca foram duas ao mesmo tempo, não queremos ninguém aqui com a cabeça enfeitada.

– Olha, eu já estou atrasada. Combinei que iria encontrar os organizadores do baile depois do almoço, preciso me apressar.

Sirius deu uma gostosa gargalhada. Droga. Ele sabe que eu estou mentindo. A organização do baile só vai se reunir no domingo.

– Ah é? Pensei que seria apenas no Domingo.

– Ta bom, ta bom. Estou mentindo. É só que não estou afim de falar sobre Tiago, okay?

– Tudo bem – Ele se levantou e sorriu – mas, se você quer um conselho, se eu fosse você iria para ouvir o seu coração, não sua razão.

Ele saiu andando.

– COMO VOCÊ PODE FALAR DO MEU RELACIONAMENTO INESISTENTE QUANDO VOCÊ TAMBÉM NÃO TEM UM?

Recolhi meu material com Madame Mazzi, a bibliotecária, gritando no meu ouvido, não dei importância, joguei a mochila nas costas e sai andando irritada.

Estava a caminho do Salão Comunal quando ouvi uma risada fria e aguda. Olhei para onde vinha o barulho e vi Bellatrix Black, Severo Snape, Lucio Malfoy e Rodolfo e Rabastan Lestrange conversando. Que estranho, hoje todo mundo vai ir para Hogsmeade, menos eu, claro. Fiquei observando e os vi vindo na minha direção. Me escondi atrás de uma armadura para tentar ouvir alguma coisa.

– ... se você não quiser, Snape, tudo bem, não vamos te fazer nada – Ouvi Bellatrix falar.

– Claro, vocês irão tentar me matar – Disse Snape frio.

– Quem falou que nós vamos tentar. Não seria uma tarefa difícil para nós, Snape, sabe disso – Disse um dos Lestrange.

De repente a cabeça da armadura caiu e eu me abaixei para não me verem, mas foi em vão.

– Olha o que temos aqui. Evans.

– Olá – Disse sorrindo sarcástica. Sai de trás da armadura e fiquei parada de frente para eles.

– Ouvindo nossa conversa, Evans? – Perguntou Bellatrix.

– Uma parte – Respondi meio insegura.

– Qual parte? – Perguntou Snape empalidecendo.

– Interessa?

– Isso é jeito de falar conosco? – Falou Bellatrix tirando a varinha das vestes. Os outros três imitaram o gesto. Fiz o mesmo que eles – Eu acho que você ouviu o que não devia.

– Agora não tem seu namoradinho intrometido e nem os amiguinhos patéticos dele – Falou o Malfoy.

– Quem disse, Malfoy? – perguntou uma voz atrás de mim. Olhei para trás e vi Tiago, Sirius e Remus parados na nossa frente com a varinha em punho.

– Não devia falar de "amiguinhos patéticos" quando os seus são esses ai – Falou Sirius.

– Ninguém se dirigiu ao amante de trouxa – Falou Lestrange.

Sirius lançou um feitiço no Lestrange, que voou longe. Todos olharam espantados para Sirius.

– Quem quer ser o próximo? – Perguntou ele.

– Olha o que você fez seu idiota – Gritou o Lestrange que esta em pé, ainda. Bellatrix mandou um feitiço que Sirius desviou rapidamente. Senti Tiago me puxar pelo braço para trás dele.

– Fugindo da briga, Evans? – Perguntou Bellatrix. Snape olhava a cena, perplexo.

– Não mesmo – Puxei a varinha e gritei: – Expelliarmus!

A varinha dela voou alguns metros e caiu com um baque surdo.

– Quer correr? – Perguntei para o Lestrange que ainda estava de pé e assistia a cena tremendo.

– Não fale comigo sangue ruim – Respondeu ele. Malfoy, Snape e Lestrange levantaram a varinha e começaram a duelar com Sirius, Tiago e Remus respectivamente. Bellatrix saiu de perto e correu para apanhar sua varinha. Quando ela conseguiu pegar a varinha caminhei para frente dela.

Isso vai ser divertido.

– Ah, a oportunidade que eu queria. Agora você vai ver com quantos feitiços fazem um bom bruxo Bellatrix.

Bellatrix me olhou como se estivesse ofendida.

– Como ousa dizer meu nome? Como se fossemos amiguinhas. Não se dirija a mim como se fossemos iguais Evans.

– Expelliarmus! – gritei. Ela desviou por pouco.

– Crucio! – Uma luz vermelha saiu da varinha dela. Me abaixei e senti a luz raspando na minha cabeça.

– Sua idiota. Isso é ilegal – adverti. Bellatrix riu.

– Como uma sangue ruim como você pode saber? – Perguntou ela com aquela voz aguda e irritante.

– Quer jogar sujo? Então vamos jogar sujo. Staklo Sferni! (N/A: Explicação rapida: esse é o feitiço qe Tio Voldy usa contra o Tio Dumby no Harry Potter e a Ordem da Fenix, mas isso não é magia negra)

Pedacinhos de vidro sairam da ponta da minha varinha. Bellatrix abaixou e se encolheu no chão. O pedaços de vidro sumiram. Ela se levantou e me olhou irritada. Seus braços estavam com alguns pequenos cortes e escorria sangue da sua cabeça.

– Sua Sangue-Ruim! Avada Kedavra!

Deviei por pouco da luz verde que veio em minha direção.

– Estupefaça! – Gritei.

Bellatrix voou alguns metros, bateu contra a parede de pedra e caiu, desmaiada.

Sorri e olhei para os lados. A briga estava feia com os meninos. Remus estava com um rasgo na calça e muito sangue escoria da sua perna(e que perna), mas havia conseguido estuporar Lestrange; Sirius se encontrava com o cabelo bagunçado, as vestes sujas e um corte no rosto, duelava ferozmente contra Malfoy; e Tiago estava quase inteiro a não ser por um corte no ombro e já tinha se livrado de Snape.

Quando Sirius estuporou Malfoy eu suspirei.

– Você está bem? – Perguntou Tiago.

– Estou sim – respondi sorrindo. – Você que não me parece muito bem, alias, todos vocês. Como conseguiram todos esses corte em menos de dois minutos?

– Os Comensais da Morte devem ser treinados para primeiro ferir e depois matar ou deixar desacordado – respondeu Remus.

– Mas você foi realmente boa, Lily – Comentou Sirius – Deixar a Bellatrix desacordada não é fácil. Ela é ótima duelista.

– Mas a Lily é melhor – falou Tiago. Encontrei o olhar dele, mas logo desviei.

– Vamos para a Ala Hospitalar cuidar desses machucados – Chamei.

– A Madame Pomfrey vai nos perguntar o que fizemos para ganharmos esses cortes – disse Sirius mostrando o corte em seu rosto.

– Eu vou tentar fechar esses machucados então. Vamos.

Caminhamos em direção ao Salão Comunal e no meio do caminho encontramos Marlene, Dorcas, Alice e Frank.

– O que aconteceu com vocês? – Perguntou Dorcas ansiosa e preocupada espiando por cima do meu ombro onde eu sabia que Remus estava.

– Nada não. Só uma briguinha com o pessoal da Sonserina. Nada de mais – Respondeu Sirius.

– Olha esse corte no seu rosto! – Exclamou Marlene indo em direção a Sirius e tocando de leve em volta do corte – Como vocês conseguem se meter em tanta confusão? Não podem apenas ficarem sentadinhos, quietinhos no Salão Comunal? Parece que estão sempre atrás de confusão... – ela começou a ralhar, mais precisamente para Sirius. Então resolvi interromper.

– Foi minha culpa Lene – Admiti.

– Com assim "sua culpa"? – Perguntou ela parando de falar.

– Eu estava onde não devia e o pessoal da Sonserina descobriu. Se não fosse por Tiago... – Sorri para Tiago – ...Sirius... – olhei diretamente para Marlene – e Remus claro – mandei um olhar significativo para Dorcas. Esta pareceu entendeu e puxou a Mao de Remus.

– Vem eu vou dar um jeito nesse machucado.

E os dois foram caminhando pelo corredor (Remus foi mancando por causa da perna).

– Ah, pensei que tinha sido culpa do Sirius – falou Marlene – Eu vou te ajudar com esse corte.

Sirius e Lene foram por onde Remus e Dorcas acabaram de sair.

– Nós vamos dar uma voltinha no jardim – disse Alice pela primeira vez. Ela e Frank também saíram e só sobramos eu e Tiago.

– Vem – Chamei, ele sorriu pra mim e puxou a minha mão.

Fomos caminhando lentamente para o Salão Comunal.

– Ainda não entendi – falei quando estávamos chegando ao quadro da mulher Gorda – por que eles machucam antes de deixar desacordado ou matar. Se eu quisesse, verdadeiramente, me livrar de uma pessoa eu deixaria, pelo menos, desacordado.

– Como Remus disse; eles devem ser treinados para ferir ou torturar suas vitimas, os Comensais – respondeu ele.

– Não sabemos se eles são Comensais, Tiago, podem ser apenas pessoas que querem ferir as outras, não acha? Sinceramente, não acho que aquelas pessoas possam ser consideradas boas suficiente para poder servir Você-Sabe-Quem.

Okay, isso foi uma espécie de "falso orgulho", mas eles não me intimidam.

– Fala serio Lily – ele me olhou inexpressivo – O Malfoy e os Lestrange são uns babacas idiotas que só porque ao sangue-puro se acham superiores, mas, por mais que eu odeie, do fundo da minha alma, admitir, ele é muito bom em azarações. E a Bellatrix sabe duelar muito bem, já a vi brigando com as irmãs e não queria estar na pele dela.

– Eles não me intimidam – fechei a cara para ele.

– Nem a mim, – ele parou no meio do corredor – mas não é por mim que eu tenho medo, é pelas pessoas que eu amo. Meus pais são aurores, já fiquei meses sem eles, por estarem em viagens ou no hospital. É horrível a angustia de poder perder alguém. Eu tenho medo de perder as pessoas. Meus pais, Sirius, Remus, Pedro... você... Comensais da Morte não querem saber se estão ferindo uma pessoa importante ou magoando alguém. Ferem sem piedade. Imagine o que iria acontecer a você se nós não tivéssemos te encontrado...

– Eu sei me cuidar sozinha.

– Você sabe se cuidar sozinha, mas não consegue brigar com 5 Comensais da Morte sozinha...

Olhei emburrada para ele. Paramos em frente ao quadro da Mulher Gorda, falei a senha (cabeça de hipogrifo) e entramos no Salão Comunal.

– Fique aqui que eu vou pegar um kit primeiros socorros pra cuidar de você – Falei.

– Eu vou para o meu quarto.

– Okay te encontro lá.

Subi de pressa as escadas do dormitório. Entrei correndo no quarto e abri meu malão procurando uma caixinha branca. Quando finalmente achei, desci para o Salão Comunal e fui em direção ao Dormitório masculino. Quando abri a porta do dormitório vi Tiago deitado em uma das camas.

Caminhei até ele e parei em frente a cama.

– Sente-se – Ordenei.

Ele obedeceu. Sentei na sua frente e comecei a limpar o machucado.

– Ai! Isso dói Lily! – Exclamou ele se esquivando.

– Fica parado, Tiago! Não vai dar pra mim curar isso aqui.

– Mas isso dói Lily.

– Vai doer mais se você não parar quieto.

Ele suspirou e parou de se mexer. Quando coloquei o curativo ele olhou para o ombro.

– Uau. Não esta mais doendo. Obrigado – ele sorriu pra mim.

– Não foi nada e obrigado você. Eu poderia não estar aqui se não fosse por você.

Ele me fitou serio por alguns instantes e logo depois me abraçou.

– Ah, Lily, você não tem idéia do quanto você é importante pra mim. Volte a falar comigo, por favor. Não consigo ficar sem você.

Ele me soltou e eu sorri para ele.

– Você tem certeza que quer ser apenas meu amigo? – Perguntei.

Certo. Não sei de onde tirei coragem para dizer isso. Mas eu sei de onde eu vou eu tirei coragem para fazer o que eu estou prestes ao fazer me aproximando daquela boca vermelha que, eu não posso negar, me deixa com tanta vontade.

xxxXxxx

N/A: Como vocês podem perceber, já estamos na reta final da nossa querida fic.

Mas ainda tem coisas a serem feitas. Como, por exemplo, o baile. Isso mesmo. O tão querido e desejado baile.

Espero que gostem do cap e se divirtam com os próximos que será a conciliação da Lene e o Sirius e a reconciliação de Remus e Dorcas. E pra quem gosta, vai ter um pedacinho de Alice e Frank.

Não percam o próximo cap.

BjoBjoBjo

Até a próxima

D. Hally Black e Kcooka Potter