Ela é diferente
Capítulo 4
Não acredito que ele fez isso
- Oi, Weasley! - cumprimentei-a me sentando ao seu lado na mesa da Grifinória.
Todo mundo estava tomando o café da manhã, e é claro que a minha chegada naquela mesa não alegrou muita gente.
- Malfoy - ela nem olhou para mim.
- Escuta, eu queria pedir desculpas pelo mal entendido ontem, podemos simplesmente esquecer...?
- Tanto faz - ela me cortou.
- Nossa - me surpreendi - O que houve com a garota sensível e delicada que morava aí dentro?
- Cresceu e aprendeu.
HÃ? Quem foi que corrompeu a garota?
- Não estou te entendendo - eu estava à beira da risada.
- Melhor que não esteja - Rose disse, não me dando chance para falar - Bryan me falou tudo ontem, disse que você só apostou com ele que podia ficar comigo, como você faz com todas as garotas dessa escola. E eu sabia sim que não podia ter festa nenhuma no quarto andar, e Bryan também me contou seu planinho de me levar pra qualquer canto. Eu não sou boba, Malfoy.
- O QUÊ? AQUELE FILHO DA... - Eu comecei, mas Rose apenas me deu as costas.
E lá vinha Doug, correndo. Ofegante, tentou me informar:
- Bryan... surtou... não pude impedir... disse... Rose... mentira...
- Eu já fiquei sabendo.
- Já? - foi tudo que ele foi capaz de dizer, ainda com uma mão no peito e a outra apoiando no joelho.
- Sim, Rose acabou de me dar o maior fora aqui. Droga! - chutei a mesa da Grifinória. E doeu.
- Cara - Doug pareceu recuperar o fôlego - Ele pirou ontem à noite, disse que ia procurar Rose e fez o que fez, tentei ficar te esperando no dormitório, mas dormi antes de você...
- Você dormiu antes de todo mundo. Você nem jantou. - eu o lembrei.
- Ih, é - Doug comentou, inexpressivo - Bateu uma fominha agora.
- Vai comer, cara.
- Espera! Scorpius! Onde você vai, cara? - Doug berrou, enquanto roubava comida da mesa da Grifinória.
- Para qualquer lugar onde possa ficar sozinho - respondi baixo.
- Dane-se se ele escutou ou não, dane-se se alguém escutou, dane-se a minha vida - eu susurrava enquanto pensava, em um canto escuro de qualquer sala vazia, que agora não fazia importância, parecia que eu estava num buraco negro profundo, caindo e caindo cada vez mais - Eu não acredito que ela me rejeitou, não acredito que Bryan mentiu... Bryan me enganou completamente, e agora deve estar com ela se agarrando em qualquer canto.
E de repente, a ideia surgiu em minha cabeça. Não era bem uma ideia, era um plano. Não ia mudar muita coisa, só iria impedir que o que eu mais temia acontecesse. Mas, como sempre, não pensei nas consequências, apenas me levantei e saí. E agora o bicho ia pegar.
