Capítulo Quatro
Desinformado
- Gaara, o que eu devo fazer com duzentos e quarenta quilos de café?
- Ficar acordado por alguns anos?
- Hey, você está melhorando. Eu sabia que era uma piada.
- Era?
X X X
Temari mostrou seu quarto para Shikamaru, tão desinteressadamente quanto se estivesse mostrando onde guardavam os copos na cozinha. Ela tomou a mochila dele e a jogou sobre a cama. Era um fato; ela estava mudando-no para a casa dela quisesse ele ou não. Ele só não sabia o porque.
- Isso realmente não é necessário. – ele disse – Eu ficaria bem num quarto de hóspedes.
- Supere - ela respondeu, cruzando os braços – Não vamos discutir sobre isso.
Cara, ela o confundia tanto! Estava claro que ela estava infeliz por ter sido forçada a se casar com ele, e ele estava mais do que disposto a dar espaço a ela pelo tempo que ela precisasse. O certificado continha as digitais deles. Nada mais seria pedido deles. Então porque ela estava se torturando?
Mais importante, porque estava o torturando?
- Então, qual é o plano? – ele perguntou – Kawa é obviamente um estratagema, mas não consigo imaginar que alguém vai ser idiota o bastante para acreditar nisso.
- Sempre tem alguém – Temari disse enquanto andava pelo quarto e abria todas as cortinas, permitindo que a luz da tarde entrasse no aposento – Gaara vai mandar um casal de chuunins disfarçados em nosso lugar. Pelo menos vai servir para enganar.
- E onde nós estaremos?
- Indo para Konoha. Seu pai anunciou nosso casamento assim que Tsunade morreu. Aparentemente ele até conversou pessoalmente com o Danzou sobre isso, pediu a benção dele para receber a nova cidadã de Konoha e bla bla bla. Ele só omitiu uma pequena informação.
Essa era fácil de adivinhar.
- Ele não disse que eu me casei com você.
- Exatamente. Então o interesse público foi despertado e todos ficarão curiosos para saber quem é sua esposa de Suna. Mas temos esperanças de que Danzou não veja o casamento como puramente político até que seja tarde demais.
E conhecendo Shikaku, já era tarde demais.
- Kankurou irá conosco, estaremos disfarçados de comerciantes de café, somente porque três pessoas são menos suspeitas que duas até onde sabemos. Mas os disfarces e a isca de Kawa é apenas a maneira de Gaara ser extra cauteloso. A esperança é de que ninguém venha atrás de nós, ainda, porque ninguém percebeu como somos importantes. E quando chegarmos a Konoha, entraremos pelos portões do modo antigo. Nenhum fingimento entre nós e os moradores da vila.
- Tudo bem.
- Partiremos amanhã pela manhã. Enquanto isso, Gaara quer que fiquemos no meu andar. – ela apontou para fora de uma das janelas – Ele tem doze guardas nos vigiando agora.
- Uau.
A kunoichi concordou.
- Eu te falei. Cautela. E agora você sabe o que eu sei.
Depois disso, não havia muito para fazer a não ser andar pelo quarto, ou folhear os livros de Temari, ou comer quando o jantar foi servido, ou... conversar. Lá pelas oito horas, Temari entrou no banheiro para se preparar para dormir. Era muito cedo quando ele imaginou tentar dormir naquela cama com ela, e estava bastante certo de que ela se sentia da mesma maneira que ele: que passar mais tempo conversando sobre amenidades o deixaria louco.
Apesar de os planos já estarem traçados e não haver mais nada para que se preparar, Shikamaru sentou-se no chão e estendeu um mapa das cinco grandes nações Shinobi. Aquilo deu a ele algo em que se focar, e amassar as páginas fazia barulho alto o suficiente para abafar os barulhos suaves e borrifos que vinham do banho de Temari. Algo para enrolar casualmente quando ela saiu do banheiro, usando uma blusa justa e short, o cabelo molhado e ondulado, com gotículas de água em seus ombros, para demonstrar que ele esteve bastante ocupado enquanto ela não estava lá, e que tinha muita coisa em mente.
Era estranho e incrivelmente desconfortável ver Temari de pijama. Ele sabia que era o tipo de veste que só a família dela veria, e se sentiu um pouco culpado por ser incluído naquele grupo tão facilmente. Não deveria se sentir culpado, mas não conseguia evitar. E também não pode evitar perceber que o pijama apresentava uma visão bem diferente dela, detalhes que eram problemáticos se pensasse neles. Então ele não pensou.
Depois te ter ido tomar seu próprio banho, ele saiu do banheiro e a encontrou sentada na beirada da cama, lendo um livro. Ela marcou a página e colocou o objeto no criado mudo, e então o olhou.
- Escute, Nara. Há algo que quero falar com você.
- Okay.
- O fato é que fui meio... Quero dizer, não fui muito legal com você ontem à noite. Ou hoje à tarde. Estou certa?
- Eu... – primeiramente, Shikamaru colocou aquela pergunta na categoria daquelas perguntas que as mulheres fazem e você não deve responder. Mas depois de pensar mais um pouco, resolveu que era uma das perguntas que devem ser respondidas, mas com uma mentira.
- Você não foi tão má.
Ela ergueu uma sobrancelha. Depois se levantou e cobriu a distância entre eles com alguns passos, e pegou sua mão. Torceu o braço dele num ângulo estranho e doloroso, e levou um segundo para que ele percebesse que ela não estava tentando quebrar seu pulso; estava mostrando a ele seu próprio dedo com a ferida ainda aberta.
- Pelo menos fui má a esse ponto.
Ele se permitiu balançar a cabeça em concordância.
Temari girou a mão dele para que ela própria pudesse observar o ferimento com o cenho franzido antes de largar seu braço.
- De qualquer maneira, não deveria ter feito isso. Nada do que aconteceu é sua culpa.
A loira voltou para a cama e se sentou, tirou suas pantufas, e ele soube que o pedido de desculpas estava terminado. Se de fato aquilo fora um.
- Então, vamos dormir. – ela disse.
Shikamaru assistiu enquanto ela alinhava cuidadosamente suas pantufas ao lado da cama para depois puxar as cobertas e deslizar entre os lençóis. E por um momento ele ficou abismado por aquilo ser tão estranho, pelo fato de que ontem, enquanto estava ocupado tentando quebrar recordes de velocidade entre Konoha e Suna seria incapaz de imaginar que passaria a noite com uma mulher menos de vinte e quatro horas depois. Com Temari, dentre todas as mulheres. E ela não precisava de títulos como "irmã do Kazekage" para intimidá-lo. Ela simplesmente intimidava. Ela era assustadora por sua força e por ser muito direta, e pelo fato de que poderia se entediar e matá-lo enquanto ele dormia.
Ela girou os olhos, como se soubesse exatamente no que ele estava pensando.
- Ah, por favor. Eu não vou te morder.
Ele fez seus pés se moverem e andarem até o outro lado da cama para que ele pudesse se sentar. Não era de mordidas que tinha medo. Simplesmente não sabia até que ponto Temari se convenceria a ir para tentar manter a normalidade, ou o que quer que estivesse a compelindo a fazê-lo dormir com ela. Não pensava que ela tinha algum tipo de interesse nele, e imaginá-la procurando-o apesar daquilo o deixava razoavelmente nervoso. E enjoado.
Ele aindanão havia se deitado quando ela esticou o braço para desligar a única lâmpada acesa, deixando ambos na escuridão.
- Deite-se. - ela disse. Definitivamente não havia nada sedutor naquilo. Era uma ordem nascida da irritação. E, estranhamente, fez com que ficasse um pouco mais calmo. Sentiu como se estivesse novamente em território familiar.
Ele fez o que era mandando, tentando ficar o mais confortável possível com a Temari de pijamas tão perto, se assegurando que nenhuma parte de seu corpo saísse do seu limite na zona neutra do meio da cama. A maneira mais fácil de fazer aquilo era sondar a beirada da cama e se virar de lado, de cara para a parede, e foi o que ele fez.
- Uau. Quanto espaço. - Ela disse e ele ouviu o braço da loira se esticar por baixo dos lençóis, e pode sentir que os dedos dela estavam quase perto o suficiente para tocar suas costas, mas nem tanto. - Parece que você nem está aqui.
Shikamaru descobriu então que era possível chegar ainda mais perto da beirada da cama sem cair.
Temari riu.
- Sabe, você provavelmente vai dormir melhor se relaxar.
Ele se forçou a deitar-se de costas, respirar fundo e esticar seus dedos das mãos e dos pés.
- Só prometa que não vai me sufocar enquanto eu estiver dormindo.
- Nah, decidi que não vou fazer isso.
Ele decidiu considerar aquilo uma piada.
X X X
O descanso veio em intervalos interrompidos, quando o corpo de Shikamaru parecia saber, mesmo que sua mente não soubesse, que ele estava a centímetros de tocar Temari acidentalmente. Vez e outra ele se afastaria bruscamente porque seu pé encostou em determinada parte do lençol que estava alguns graus mais quente, e ele subitamente ficaria consciente da posição dela em relação a ele, e do fato que ela estava com um dedo ou outra coisa na metade dele da cama alguns momentos antes.
Ainda quando Temari estava do lado dela da cama, o sono dele ainda era pontuado por sonhos vívidos e problemáticos, breves imagens que não faziam sentido e que mal poderiam ser aplicadas à vida real, que ainda assim fizeram com que ele ficasse desconfortável e assustadiço durante a noite.
Então quando a "manhã" chegou, assim chamada porque o despertador havia despertado e não porque o sol já havia nascido, foi quase um alívio. Ele estava cansado e tenso, mas pelo menos podia se levantar, se vestir e se confortar com o fato de que levaria alguns dias até que tivesse que viver alguma versão daquela noite novamente. Durante a viagem eles dormiriam em sacos de dormir.
Depois de um café da manhã rápido eles se encontraram com Kankurou. Usando henge os três assumiram as personalidades de mercadores de café, pegaram suas cargas no centro de distribuição local e já estavam fora dos portões de Suna às 5 horas.
Café havia sido uma escolha excelente. Leve para o volume que carregavam mas ainda não perecível, e era um dos poucos itens não-essenciais que Konoha estava importando naquele momento turbulento, já que uma porcentagem dos habitantes mais jovens e economicamente ativos preferia café a chá. Shikamaru não se surpreendeu por Temari carregar o mesmo peso que os dois homens, ela e Kankurou estavam acostumados a carregar muito peso quando viajavam. Se alguém teria dificuldades em manter o ritmo, esse alguém seria Shikamaru.
Claro, carregar café significava que Kankurou e Temari foram forçados a deixar suas armas para trás, mas teriam que deixá-los de qualquer maneira, pois o leque e as marionetes os tornavam tão reconhecíveis. O leque voltaria para Temari através do exército de Suna, que estaria pronto na fronteira com Konoha aguardando as ordens de Shikaku num momento que ainda seria determinado. Nesse ínterim, ela mantinha dois leques menores escondidos nas roupas, e um dos sacos de café de Kankurou continha um protótipo de marionete que era um oitavo do tamanho das outras que ele normalmente usava. As armas compactas não eram tão mortíferas quanto as usuais, mas se tudo ocorresse de acordo com o plano não precisariam usá-las.
O grupo viajou rapidamente, distante o suficiente da estrada principal para que pudessem evitar o trânsito mas não tão longe para que não pudesses justificar suas posições como necessárias para comer ou dormir. Falavam alto, riam com vontade e, no caso dos dois irmãos, contavam piadas sujas o suficiente para que ninguém os confundisse com nada que não fossem três homens de negócios que não costumavam ser ouvidos por esposas ou crianças.
Durante à noite dormiam numa tenda grande, e acordavam com os músculos tensos e com dores por terem andado tantos quilômetros sob o peso do café. Recolocar a carga nos ombros sempre era o momento para uma rodada saudável de reclamações que era dividida igualmente pelos três. E no final do terceiro dia eles chegaram à Konoha sujos, fatigados, e desesperados para se livrarem do café. Para sempre.
Não havia mais nada a fazer a não ser entregar o café para Kankurou e lhe dar adeus. Infelizmente a cidadania por casamento só se estendia a Temari, e Kankurou já estava infringindo a lei por tê-los acompanhado até lá.
Depois, Shikamaru e Temari desfizeram o henge e caminharam para o portão como eles mesmos, ainda fora da vista dos vigias. Era tão tentador para o Nara que Temari entrasse na vila com outro rosto e nome que não fossem os dela, por que ele sabia que no momento em que ela entrasse, a fofoca se espalharia, as engrenagens da informação girariam e não haveria volta. Não havia possibilidade que Danzo interpretasse aquilo como outra coisa que não uma manobra política contra ele.
Mas ele tinha ordens de seu pai e entendia a sabedoria por trás delas. Deveria sempre haver abertura e honestidade entre eles e os cidadãos de Konoha. Os cidadãos nunca deveriam achar que viram qualquer ação por parte dos Nara como ardilosa ou ludibriante. Era para se espelharem neles, não desconfiar.
Ele reconheceu o par no portão imediatamente: Izumo e Kotetsu, ainda usando negro pelo luto. O funeral deveria ter sido hoje. Vê-los foi um alívio, se conheciam bem e provavelmente ele e Temari não ficariam detidos ou incomodados com interrogatório desconfiado.
- Ei, Shikamaru! – Izumo chamou assim que o viu entrar pelo portão. – Você voltou!
- Voltei - o Nara respondeu.
Kotetsu estava segurando uma prancheta; provavelmente já havia escrito o nome dele, então se preparou para as perguntas de rotina.
- Quanto tempo ficou fora?
- Sete dias.
- Qual foi o seu destino?
- Suna.
Quandou ouviram a última resposta, Izumo e Kotetsu sorriram identicamente. Eles precisavam parar de ficar tanto tempo juntos, começavam a agir como uma mesma pessoa.
- E o que você foi fazer em Suna?
Era uma das perguntas de rotina, mas o modo com que Izumo estava se debruçando na mesa, encarando-o com interesse confuso deixou claro que eles já estavam bem informados sobre o propósito de Shikamaru em Suna. O que era uma boa coisa; significava que as novidades haviam se espalhado. Mas ele ficou irritado, de qualquer maneira. Ele gostava de pensar que aqueles caras deixariam as provocações para mais tarde, mas nunca se sabia.
- Fui me casar.
O olho descoberto de Izumo voou para Kotetsu.
- Se casar, é? Kotetsu, você sabia que o Shikamaru tinha se casado?
- Acho que ouvi algo sobre isso – o outro respondeu rabiscando na prancheta.
- E a noiva é...?
Ele deu um passo para o lado, para que eles pudessem vê-la e disse "Nara Temari" ao mesmo tempo que ela simplesmente disse "Temari". A kunoichi arregalou os olhos e o encarou. Mas com ou sem o 'Nara', Izumo e Kotetsu ficaram paralisados, como dois manequins de loja, a mão de Kotetsu congelada na prancheta.
- Você disse Temari?
Ah sim, muito engraçado. Os dois sabiam perfeitamente quem Temari era. E estavam sendo dois idiotas. A mão dele se dirigiu inconscientemente para seu pescoço, esfregando-o.
- Disse.
- A Temari irmã do Gaara? – Kotetsu quase berrou, e Shikamaru se inclinou na direção dele, falando num tom bem mais baixo.
- Só escreva o nome, ok?
- Estou escrevendo, estou escrevendo!
Izumo deu um assovio baixo.
Sempre era quente do lado de fora, mas Shikamaru podia sentir seu rosto esquentando independentemente daquilo. Muito embaraçoso. Provavelmente todo mundo teria aquela reação, inveja ou muito impressionados ou qualquer coisa ao ver que ele tinha conseguido uma mulher tão poderosa. E o fato de que era óbvio que ela teve que ser coagida a se casar com ele só tornava as coisas piores.
Kotetsu virou a prancheta para que pudessem assinar seus nomes.
- Vou presumir que vocês tenham o certificado de casamento. – Izumo disse. – Vocês tem três dias para fazer a validação no escritório do Hokage, ou ambos serão presos, juntamente com qualquer outra pessoa que abrigar um inimigo de Konoha.
- Entendido.
Temari recebeu seu passe para três dias e Shikamaru lhe mostrou o caminho para "casa". Não conseguia decidir se estava apreensivo ou aliviado em ir para lá. Definitivamente se sentiria melhor assim que conseguisse conversar mais aprofundadamente com seu pai sobre o Grupo Anti-Danzo, mas seria muito estranho levar Temari à bagunça que era a casa que os Nara dividiam com duas outras famílias enquanto a Vila era reconstruída. E sem dúvida Ino iria provocá-los e incomodá-los sem piedade. E a mãe dele...
A apreensão estava definitivamente vencendo.
- Então, - Shikamaru foi surpreendido pela mão de Temari em seu braço, apertando-o acima do cotovelo como uma garra. – Nara Temari?
Ele deu de ombros.
- Nos casamos. Você recebe meu sobrenome.
- Nos casamos em Suna e lá não temos esse costume. Então não, não recebi.
- Mas estamos em Konoha agora, e você será reconhecida pelo Clã a que pertencer. Quando sua cidadania for aprovada, vai ter meu nome nela. Para todos os propósitos e tentativas, você é Nara agora.
Shikamaru a ouviu resmungar "pertencer" bem baixinho, mas era uma discussão que ele não queria ter agora. Então deixou passar.
X X X
- Entao, o que você acha?
- Acho que já estava na hora. Esses dois chegavam a ser nojentos!
- Concordo com você.
X X X
Ninguem poderia acusar a mãe do Nara de trair o pai dele com o carteiro. Shikamaru se parecia tanto com seu pai que chegava a ser engraçado, e Temari se viu encarando o homem mais velho incrédula. Não deveria ser uma surpresa, considerando a maneira com que humanos se reproduziam. Troca de DNA e todas aquelas coisas, e ainda assim ela nunca havia visto uma pessoa ser o perfeito clone de um de seus pais. O Nara não deveria ter algo da mãe?
E de alguma forma, o Nara mais velho, Shikaku, parecia ainda mais despreocupado que o filho, o que era um diferente do que ela havia imaginado, levando-se em conta seu recente nível de atividades políticas. Ele não parecia o tipo de home que saía de casa, menos ainda o tipo que sobe numa caixa de fósforos para fazer um discurso. Ele era apático. E ela imaginou se era aquilo que deveria esperar do marido? O Nara ia ficar progressivamente menos envolvido nas coisas à medida que envelhecia? E como a mãe dele lidava com um homem daqueles? A mulher matinha controle sobre tudo; aquilo era óbvio. E não parecia que ela tolerava poeira ou mofo ou qualquer coisa que desperdiçasse tempo em seu navio. Então como Shikaku havia entrado?
Mas apesar da personalidade relaxada do homem, ou talvez por causa dela, todos se calavam e ouviam quando ele falava. O que era um milagre, porque a casa estava lotada de gente e um parecia querer falar mais alto que o outro. Nenhum poder era exercido, ele não fazia nenhum esforço e era claramente o líder da casa, incluindo as três famílias. A não ser que você contasse a influência que a esposa tinha sobre ele, que era bem considerável. Mas geralmente, ele era o chefe.
E apesar de a mãe do Nara ser eficiente e fizesse todas as suas atividades domésticas como se os pratos fossem se multiplicar e dominar a casa caso ela lhes desse chance, ainda havia algo estranhamente reconfortante nela. Ela era neurótica com suas terefas, seu marido, e seu filho, mas ainda assim era perfeitamente paciente com todo mundo. Parecia que enquanto ela mantivesse o controle sobre sua pequena comunidade, ela ficaria feliz.
Entao a primeira impressão que Temari teve dos sogros era ok. Mas ela preferiu guardar suas opiniões mais especificas, preferindo esperar para ver o que mudaria assim que eles se acostumassem um com o outro. A princípio ela estava preocupada com a mãe do Nara. Era fácil demais assumir que a mulher sempre seria carinhosa e cordial com ela, mas os problemas que ela tinha com controle poderiam dar dois resultados: ou se acostumaria lentamente com a idéia de Temari ser a mulher na vida de seu filho e afrouxaria o aperto das rédeas; ou sugaria Temari para dentro de seu redemoinho e a clamaria como uma nova Nara sobre quem ela teria total controle. Então Temari não se permitiu responder muito positivamente ao comportamento amigável da Nara-san.Não queria dar àquela mulher a impressão de que seria fácil de controlar.
Mas pelo menos ela não havia feito aquela coisa nojenta de "me chame de mamãe". Se ela tivesse feito, Temari provavelmente teria pego suas coisas e voltado para Suna naquela noite. Algumas mulheres haviam tentado aquilo na vida da kunoichi, e com muito menos motivos. Uma vizinha, a mãe de um amigo podem ter feito aquela oferta quando ela era criança. Talvez porque a viram como uma patética criança abandonada sem mãe, ou talvez porque estivessem tentando forçar intimidade. A mais velha dos Sabaku nunca esteve nem um pouco interessada em substituir sua mãe com uma versão de plástico vazia, e sua recusa em tratar as mulheres da forma que queriam geralmente resultava em ofensa consumada, sentimentos feridos e um distanciamento no relacionamento. E nenhuma mãe permitiria aquilo com um filho de verdade, o que fazia com que ela percebesse o quão insinceras as ofertas haviam sido em primeiro lugar. Agora ela via tentativas como aquela como insegurança da parte da mulher. Como fraqueza.
Não havia nada fraco na mãe dele. Nada fraco em Yoshino. Sentada à mesa entre Shikamaru e seu companheiro de time grande, Chouji, Temari teve visão privilegiada do modo como ela conduzia as atividades da hora do jantar, e ela parecia controlar um esquadrão. As outras mulheres, incluindo Ino, eram seus soldados, e ela as controlava com sugestões curtas e efetivas. Aquelas mulheres provavelmente nem desconfiavam que estavam sendo subjugadas. E aquilo tornava Yoshino assustadora. Aparentemente Temari estava isenta de ter que ajudar naquela noite, mas ela imaginou quanto tempo levaria para que também fosse um subalterno enquanto o jantar era servido. Suspeitava que não seria muito.
- Temari-chan - Yoshino disse, enquanto entrava na sala com uma grande terrina de sopa. – Você gosta de mariscos?
- Claro...
- Ino-chan, acho que mariscos seriam ótimos.
Ino correu até a cozinha para obedecer, deixando Temari admirada com a habilidade de Yoshino em comandar alguém sem parecer que ela o estava fazendo. Na verdade, aquilo poderia ser algo interessante para se aprender, apesar de não ser muito seu estilo. Quando comandava um esquadrão, o fazia com um punho de ferro, e gostava de fazer daquela maneira. Sem duvidas quanto a quem era o chefe. Sem pergunta nenhuma.
- Shikamaru, tire os cotovelos da mesa!
Bem, ok... Yoshino tinha diferentes maneiras de mandar em diferentes pessoas. Aquilo fazia sentido.
Ela pode ouvir Shikamaru resmungando, mas ele se indireitou na cadeira e colocou as mãos no colo. E Temari imaginou se Yoshino era mais gentil com pessoas que não eram família ou mais dura com o Nara e o pai dele porque deixar nas entrelinhas simplesmente não funcionaria. Ela achou a coisa toda fascinante.
- Como foi a viagem? - Yoshino perguntou quando todos estavam sentados à mesa comendo, e Temari levantou a cabeça para ver se a pergunta havia sido dirigida à ela.
- Longa. – respondeu.
- Tiveram algum problema?
A loira balançou a cabeça, engolindo uma colherada de sopa.
- Só com bandidos... dois em Kawa. Não acho que eles esperavam que mercadores soubessem se defender, ou teriam trazido um grupo maior.
- Bem, isso é bom. Não vai ser fácil de agora para frente. Havera muita gente de olho em vocês, mas quando Shikamaru for trabalhar vocês ficarão separados. A não ser que...
O Nara estava balançando a cabeça, como se já soubesse onde iam terminar os pensamentos da mãe.
- Ela não vai querer ir para a Academia comigo.
- Eu posso querer. – Temari respondeu – Não é como se eu tivesse um emprego aqui em Konoha.
- Deixe-me explicar de outro jeito. – ele insistiu – Você vai ser uma distração para os meus alunos. Eles já não me ouvem.
- Então aja como um homem. Se imponha.
A resposta dela fez com que uma rodada de risadinhas se elevasse da mesa, e Temari teve que refrear o impulso de mandar todos calarem a boca.
- Ok... Que tal isso? Não, você não vai para o trabalho comigo.
- Não quis dizer que era para você se impor a mim.
- Essa conversa pode esperar até que não tenhamos uma platéia?
Ah, claro, e quando seria? A casa estava tinindo de platéia. Ela estava surpresa com seu próprio auto-controle, por conseguir manter aqueles pensamentos só para ela. Não estava acostumada a refrear seus comentários. Ao invés de qualquer coisa, fez um sinal com a mão e voltou para a sopa. Mas Shikaku limpou a garganta e Temari se viu levantando a cabeça como todo mundo.
- Levá-la com você é uma boa idéia, Shikamaru. Vai expor vocês ao público. Mostrá-los unidos.
A Sabaku não pode evitar provocar um pouquinho.
- Viu? – ela disse olhando para o Nara. – Unidos.
Ele não disse nada, mas voltou a comer com ainda menos entusiasmo que antes.
- Você tem um mapa novo de Konoha? – Yoshino perguntou a ela.
- Uhum. – Temari balançou a cabeça. - Na...Shikamaru me deu um.
- Mantenha-o com você, caso vocês se separem.
O pai de Ino, Inoishi, riu.
- Ela não vai precisar de um. Tudo o que ela tem que fazer é dizer 'socorro' e haverá meia dúzia de shinobis para resgatá-la.
- Nunca se é muito cauteloso. – Yoshino respondeu sorrindo. Soou como Gaara. Ou melhor, Gaara soava como ela. Como uma mãe.
- O que eu quero saber agora é – Shikamaru disse – O que está havendo com Danzo? Qual á o plano?
A mesa ficou silenciosa e Temari presumiu que Shikaku falaria novamente.
- Precisamos realizar muitos movimentos, ordenadamente, e com precisão de tempo antes de atacarmos. Meu objetivo é tirar Danzo do poder sem perder nenhuma vida.
- A não ser a de Danzo. – Inoichi completou.
- Possivelmente. – Shikaku concordou. – Mas esses movimentos... serão todos feitos nos bastidores. Vocês dois precisam ficar à vista do público, vivos. É a única missão que vocês tem, porque vai exigir toda a sua concentração.
O Nara mais novo o observou por um momento, esperando por mais. Quando ficou claro que o pai não lhe diria mais nada, ele franziu as sobrancelhas.
- É isso? É tudo o que vai me contar?
- É tudo o que voce precisa saber.
- Mas...
- Vou te dar uma lista de pessoas em que você pode confiar, memorize-a. Fora isso, vai ter que deixar o resto comigo.
- Mas... Isso é uma merda, pai! Você está controlando minha vida e não está me explicando nada!
Ele apontou com a cabeça para Temari, como se ela cobrisse sua retaguarda. E ele estava certo, era uma merda. E então? Eles teriam que fazer tudo o que fosse pedido serm perguntar nada? Aquilo era pior que merda. E era pessoalmente ofensivo à Temari. Konoha não era sua vila, mas era esperado que ela se submetesse, novamente, e até onde sabia os eventos eram pouco relacionados com sua vida. Sim, ela queria que Suna tivesse uma aliança com Konoha. Sim, ela queria ser leal a Gaara. Mas ela e Shikamaru eram fortes estrategistas. Não havia motivo para que eles não fossem úteis de outras maneiras. E não havia motivo para deixá-los às cegas, como se não se pudesse confiar neles.
Talvez aquele fosse o problema. Talvez Shikaku não confiasse totalmente nela, então estaria sendo cauteloso em não dar ao filho nenhuma informação que ele pudesse transmitir. Talvez ele não confiasse em Gaara. Então por que toda aquela história elaborada para ter Suna como aliada?
- Sou eu? – ela perguntou. Não havia razões para mais rodeios.- Não sei o que mais posso fazer para provar meu comprometimento, a não ser me tornar uma cidadã de Konoha amanhã de manhã.
Shikakau balançou a cabeça.
- Não é voce. E se tornar uma cidadã de Konoha não prova nada, mesmo que pudesse. Tudo o que vai fazer é jurar lealdade ao Hokage. Um juramento que você certamente vai quebrar.
- Então por que? Por que nos deixar ignorantes?
Ele a olhou nos olhos, sua postura letárgica mas seu olhar afiado.
- Lembre-se de que a coisa mais vital para vocês é manter a transparência para os cidadãos. Haverá momentos em que ser ignorante será a única maneira de fazer isso.
- Tenho que ser honesta. – Temari disse – Você está me fazendo suspeitar que não devemos confiar em você. Não quero ofender, mas você admite que tem metas para cumprirmos, e que se formos informados dessas metas não as cumpriríamos. Ter esse conhecimento nos daria razões para não agir?
Todos na mesa a encavaram, e ninguém balançava a cabeça em confirmação. Nem mesmo o Nara, que parecia mais embasbacado que qualquer outra coisa. E os pais dele pareciam... bem frustrados. Mas ela não podia evitar; tinha que chamar uma espada de espada.
O silêncio se prolongou, interrompido pelo som ocasional de alguma cadeira. Mas de repente alguém deixou escapar uma gargalhada e Temari se virou para Yoshino, que cobria a boca com uma das mãos. Ela balançou a cabeça num pedido de desculpas silencioso.
- Temari, - Shikaku começou – Não sei bem o que dizer. Sim, saber de tudo poderia causar hesitação quando fosse hora de seguir com o plano. Mas nosso time está trabalhando duro para conseguir o melhor para Konoha e Suna, e não conseguiremos sem vocês dois. Não posso dizer nada que faça com que confie em mim, mas seu marido confia. Você confia no julgamento dele?
Ela olhou para o Nara, para seu perfil porque ele não estava olhando para ela, e percebeu que nem precisava se fazer aquela pergunta. Ela confiava nele. Não achava que ele poderia ser facilmente enganado, nem por seu próprio pai. Ele era provavelmente o cara mais analítico, conservativo e consciencioso que ela conhecia, e nunca faria algum movimento sem ter certeza das consequências. Ela suspirou.
- Sim.
Shikaku balançou a cabeça.
- Ao prosseguirmos, haverão coisas que poderei contar a vocês, e prometo que se eu puder, contarei. Não vou excluí-los mais do que o necessário.
Não havia mais nada que ela pudesse dizer, a não ser.
- Obrigada.
X X X
- Eu a amo! Ela é absolutamente perfeita!
- Aposto que sim.
- A vingança é doce, meu querido.
- Pode ser engraçado agora, mas espere até ela se virar contra você.
- Você viu a cara do Shikamaru? Acho que ele se apaixonou.
- Que filho. Se apaixonar pela garota que insulta seu pai.
- Você preferiria que eles vivessem infelizes para sempre?
- Eu preferiria não ter duas mulheres problemáticas na minha casa, me dizendo o que fazer. Isso é o que eu preferiria.
- Me beije.
- Sim, senhora.
X X X
A lista era maior do que ele havia esperado, e era reconfortante ver que tanta gente estava ao lado de Kakashi. Nenhum dos Hyuugas estava na lista, com exceção de Hinata, e algumas famílias importantes não tinham membro nenhum na lista. E amanhã, depois de ir buscar a cidadania de Temari, ele iria trabalhar. E daria aulas para alguns dos filhos dessas famílias importantes, e Temari estaria com ele. E pela vida dele não conseguia decidir se ela era um ganho ou um endividamento. Mas aquelas famílias precisavam ser conquistadas, especialmente os Hyuuga. E Temari e ele teriam que fazer aquilo? De modo geral, os dois eram provavelmente as pessoas menos carinhosas do mundo. De quem era aquela idéia estúpida mesmo?
Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta, e Ino entrou.
- Desde quanto você bate? - ele perguntou.
- Desde que você se casou. – ela respondeu. – Onde está a Temari-san?
- Não sei. Não está no seu quarto?
- Por que ela estaria no meu quarto?
Ele dobrou a lista, colocando-a em cima do criado.
- Porque é lá que ela vai dormir?
Ino observou-o sem expressão por algum tempo, até ele começar a ficar desconfortável.
- O que? - ele disse.
- Por que ela não vai ficar com você?
Ah, por favor. Aquilo de novo. Já era ruim só com Temari no caso, mas agora Ino estava atrás dele também.
- Por que ninguém lembra que o Chouji dorme aqui? Temari não pode ficar comigo sem colocar Chouji no seu quarto.
- E daí?
- E daí que seria estranho.
Ino riu e colocou uma das mãos no quadril.
- Não é estranho desde que tínhamos doze anos, Shikamaru. Estivemos em situações mais estranhas do que essa.
- Fica mais estranho à medida que envelhecemos. - ele insistiu - E você sabe disso.
- Todos temos que fazer concessões. Chouji e eu não seremos as únicas pessoas sem parentesco a dividir um quarto. Konoha está cheia de situações similares.
- É, e em nove meses vai estar povoada de bebês, e sem lugar para colocá-los.
Ela revirou os olhos tão enfaticamente que provavelmente quebrou algum recorde nesse sentido.
- Primeiro, você está parecendo meu pai, então pare. Segundo, o que está sugerindo está me deixando enojada. Qual é o seu problema?
- Só estou dizendo. É psicologia básica pós-guerra.
Ino atravessou o quarto e se sentou ao lado dele na cama.
- Você não quer Temari-san aqui com você?
Pronto, ela tinha feito. Fez a pergunta mais direta e com a resposta mais difícil. E ele nem sabia a resposta.
- Ino... Eu não sei.
Ela afastou a franja do rosto, somente o suficiente para que ele visse seus dois olhos.
- Bem, vocês não dormiram juntos até agora?
- Dormi na cama dela na primeira noite, e dividimos uma tenda na viagem para cá. Mas...
- Espera, espera, espera. - ela disse levantando as mãos. - Não perguntei onde vocês estavam dormindo.
Ele repetiu a pergunta mentalmente, e percebeu seu erro de interpretação.
- Whoa, não. Não estamos casados nem há uma semana.
- A maioria das pessoas não espera um dia inteiro, seu idiota.
Shikamaru se levantou e andou até o outro lado do quarto, com as mãos enfiadas nos bolsos. Aquilo não era algo que queria discutir com Ino agora. Ou nunca. Mas parecia que ela estava deliberadamente o confundindo, e não sabia o porquê.
- A maioria das pessoas não é forçada a se casar. A diferença não é óbvia?
- É, mas é da Temari-san que estamos falando.
Ele esperou por mais. Uma explicação. Alguma coisa. Mas ela simplesmente o encarou como se estivesse sendo perfeitamente clara.
- E daí?
- E daí, quero dizer... você não gosta dela?
E novamente a pergunta direta e rudemente franca.
- O que te faz pensar que eu gosto dela?
- Vocês brigam, tipo, o tempo todo, por um motivo.
- Ah, isso é lógico. Você e a Sakura também brigam.
- E nós temos um motivo. Somos rivais. Então por que você briga com a Temari-san?
Ele parou e percebeu que estava andando pelo quarto. Por que ele brigava com Temari? Não conseguia encontrar nenhum motivo concreto, apenas alguns julgamentos de valor.
- Ela é irritante.
- Uhum. Por que?
- Porque... ela nunca me ouve. - Por que sentia aquela sensação enstranha no estômago? - Ela sempre tem uma resposta. Ela briga comigo antes!
- Você está dizendo que é circular.
Sim, era o momento perfeito para que ela começasse a rotina de perguntas tontas de loira. Quando as perguntas dela faziam o cérebro dele doer.
- Você não sabe porque briga com ela. - Ino continuou – Talvez ela não sabia por que briga com você?
- Não faço idéia, Ino. Vá embora.
- Vou encontrar as coisas dela e trazê-las para cá. - Ino disse - Vai ser prático. Quando vocês dois perceberem que são a fim um do outro vocês virão até mim e o Chouji e pedir para trocar de quarto, e será estranho porque Chouji e eu vamos saber de tudo. E será nojento. E eu não quero pensar nisso.
- Então não pense! Para alguém que não quer pensar nas coisas você é meio obcecada, sabia?
- E está bem, você vê? Tem outa cama completamente diferente, bem aqui. Então ela pode dormir aqui, sem nenhuma pressão. Certo?
Ele estava andando novamente.
- Dá para você ir embora?
Naquele momento, Chouji entrou no quarto e sentou-se em sua cama, trabalhando em seu pacote de batatas de depois do jantar.
- Por que vocês estão brigando?
Ino simplesmente apontou para ele e disse "Levante." E sendo Chouji, ele obedeceu sem discussões.
- Vem, Chouji. - ela disse enquanto se levantava e o segurava pelo braço – Vamos encontrar algum outro lugar para colocar você.
Sim, por favor, vá para qualquer outro lugar. Ele não se importava mais com Temari ou Chouji. Queria que Ino fosse embora para que pudesse não-pensar em paz. Mulher irritante. Com aquelas perguntas.
Infelizmente, aquele foi o momento que Temari escolheu para entrar no quarto.
E ela não parecia feliz.
O plano inicial era postar um capítulo dessa história por semana, mas diminuí a frequencia por que o feedback está muito ruim. Muita gente lê, muita gente coloca nos favoritos, mas pouca gente deixa review, e isso não é muito estimulante. Como vcs podem ver os capítulos são longos e complexos, e a tradução é demorada e trabalhosa, e sem retorno é difícil arrumar vontade de postar, e fazer por amor à arte tbm é complicado. Postei este principalmente por incentivo da review da Gaby Amorinha. Obrigada a todos que se deram ao trabalho de deixar review. Obrigada mesmo.
Então se vc leu, por favor deixe review. Não custa e me ajuda a ter uma ideia do que vcs estão pensando e se devo continuar.
