Capítulo Oito
Desfeito – Parte 2
Temari
Assim que Shikamaru saiu de casa, Temari ficou olhando para a porta, embasbacada, por cerca de dois minutos. Depois ela acordou, todo o ódio e apreensão e medo que estava contendo inundaram-na de uma vez. Aquilo a impulsionou, forçou-a até a porta dos fundos, levou-a a até a floresta na parte de trás da propriedade. Ela ouviu Inoichi a chamar, indo atrás dela, avisando-a para esperar, mas não diminuiu o passo, não podia diminuir porque seu corpo exigia alívio do stress agora, e se ela não destruísse algo iria matar alguém. Melhor que ela ficasse na frente dele.
Uma vez que estava na floresta puxou seus dois leques e gritou sua ansiedade na forma de jutsus, rasgando um caminho através das árvores com ventos semicirculares. Era um jutsu que ela provavelmente não deveria usar com leques pequenos, porque lhes faltava a habilidade de distribuir o poder numa superfície maior. Como resultado, seus ventos eram rajadas de vento concentradas e pouco controladas. Mas era perfeito para ela naquele momento, uma ventania adequada para suas emoções porque era assim que ela se sentia: focada, mas fora de controle. Ao redor dela a floresta ecoava sua fúria e paralisação, no som dos galhos quebrando e no rugido de árvores de séculos de idade tombando, caindo contra o chão. No grito dos pássaros enquanto escapavam de sua ira, voando para o céu.
Ela nunca fora alguém que depreciaria a si própria. Que considerava erros e perdas como golpes em sua auto estima. Era patético fazer aquilo, e o tempo e energia gastos seriam melhor empregados aprendendo e treinando. Ficando mais forte, para não cometer o mesmo erro duas vezes. Mas não havia esforço que ela poderia ter feito que mudaria a história, que o traria de volta e lhe daria outra chance para convencê-lo. Não havia treino ou estudo que lhe daria outra chance para impedir seu marido de sair e encontrar sua morte, sozinho. Era um evento que aconteceria uma vez na vida, e ela falhara, e demolir a floresta não era o suficiente, não poderia pacificá-la, não estava aliviando nada. Então ela começou a dirigir aquele ódio contra si própria, podia senti-lo devorando-a viva mesmo enquanto ela lutava contra ele gritando mais alto, colocando ainda mais chakra em seu próximo ataque.
Perdedora. Tudo convergiu para o que você poderia ter dito para ele hoje e você falhou. Era tudo o que você realmente poderia ter feito? Você foi muito orgulhosa para implorar? Poderia ter implorado. Poderia ter quebrado o nariz dele por ter te obrigado a ficar, e feito com que ele considerasse seu ponto de vista. Poderia ter lhe prometido qualquer coisa... qualquer coisa que ele quisesse... que ele colocasse um preço... mas quando o momento chegou, quando ele estava bem na sua frente e você teve a chance, você se engasgou. Você é fraca demais, Temari.
E o que era aquele momento? Aquele dia e aquela hora e aquela Vila e aquela família e aquele homem? Perder... não era uma parte dela. Não estava em seus genes. Ganhar estava em seus genes. Fazer as coisas do seu jeito. Assumir o controle e quebrar paredes e conseguir o que ela queria porque, afinal de contas, o que ela queria era o que era melhor para todo mundo. Para seu povo. Para Suna. Até mesmo seu marido e seus sogros. Mas hoje fora como se ela não fosse Temari. Ela fora controlada, ela fora pressionada e ele conseguiu o que queria com nada mais que um plano que havia traçado nos segundos em que havia ficado deitado na grama depois de receber a carta ontem. Segundos. Havia a encurralado em segundos, e ela havia passado aquela tarde e a madrugada e a manhã de hoje ainda lutando, ainda pensando que teria uma chance, e ela nunca teve a chance, porque ele venceu a batalha naqueles segundos em que estava na grama, sem fôlego pelo exercício. Ele piscou e a teve. Sem nenhum esforço da parte dele, a teve.
Ele era mais forte que ela.
Ela caiu no chão, derrubando os leques e arrancando a grama debaixo dela, bufando. Era tão incrivelmente tentador ignorar as ordens dele e o seguir. O que significaria sua insubordinação, no final das contas? Rebaixamento de posto? Perda de sua licença shinobi? Prisão? Até a prisão não seria nada. Ela ficaria presa. Mas em seu coração sabia que submissão significava mais que aquilo. Por mais que fosse contra sua personalidade seguir regras apenas pelo bem de segui-las, entendia que, militarmente, a cadeia de comando representava segurança para os civis. Eles poderiam dormir à noite, seguir suas vidas em paz porque sabiam que se fossem ordenados a morrer por eles, os shinobis morreriam. E, se fosse necessário, seus colegas permitiriam. Mesmo que uma ordem estúpida surgisse e uma vida fosse perdida desnecessariamente, não queria dizer que o sistema era falho. Que seria desconsiderado por um capricho. Mesmo o capricho de uma esposa.
Fique aqui enquanto vou ao escritório de Danzo, ele disse. Tão arrogante. As palavras dele ecoavam em seu cérebro e ela ainda podia ouvi-las, quando parou de gritar com seus leques por tempo suficiente para ouvir. A simplicidade da ordem a irritou. Sem esforço nenhum. Fique aqui enquanto vou até o Danzo.
Fique... aqui.
... espere um momento.
O fôlego de Temari ficou preso em sua garganta enquanto sua cabeça dava uma volta, e ela se levantou lentamente. Pode ouvir Inoichi correndo atrás dela, desaprovando o fato de ela ter saído sozinha, mas ela não estava mais ouvindo. Estava pensando.
Fique aqui.
Enquanto eu vou.
Ao escritório de Danzo.
Enquanto eu vou.
Ela percebeu que o verbo fazia toda a diferença, e o pensamento a fez rir um pouco, desacreditada. Enquanto eu vou, não enquanto estou. 'Enquanto eu vou' cobria somente o tempo que ele gastaria indo para o escritório, o período de tempo em que ele estaria se movendo fisicamente.
Ela riu novamente. E a segunda ordem dele 'esteja aqui quando eu retornar'... desde que eles voltassem juntos para casa, ela seguiria aquela. Só teria que ser a primeira a passar pela porta.
Estava forçando, sabia. O propósito de seguir ordens não era selecionar a semântica, era entender e honrar o espírito em que a ordem foi dada. Mas não se importava. Ele havia usado o sistema para fazer do seu jeito, e ela poderia fazer o mesmo. Deixe alguém tentar e provar que ela havia entendido as ordens perfeitamente. Ela mentiria.
- Inoich... – o som de sua voz a surpreendeu, estava rouca de tanto gritar e agora não estava falando direito. Limpou a garganta e tentou novamente, mas os resultados não foram muito melhores. – Inoichi-san?
Ele parou e a olhou, testa franzida pela irritação.
- O que?
- Quanto tempo leva para se chegar ao Prédio do Hokage?
- Quinze, vinte minutos. Por que?
Ela não respondeu, apenas pegou seus leques e voltou para a casa, usando chakra para atravessar o quintal mais rápido. Os pés de Inoichi soaram no chão atrás dela. Em alguns segundos ela estava na cozinha. O relógio apontava dez para as nove.
Shikamaru havia saído cerca de dez minutos atrás, então ainda não estaria lá. Mas estaria em cinco ou dez minutos. Não poderia saber exatamente quantos.
A única coisa que tinha certeza era que ele estaria lá as 9. Aquelas eram as ordens dele. Então as nove ela estaria pronta. Às nove suas ordens seriam cumpridas perfeitamente, e ela estaria livre para fazer o que quisesse. Como fazer uma visita ao Hokage.
Aquilo lhe dava dez minutos.
E aqueles provaram ser os dez minutos mais longos de sua vida toda. Naquele tempo, ela prendeu o cabelo, escovou os dentes, andou em frente ao relógio, se forçou a comer um pedaço de pão e tomar chá gelado, tentou sem sucesso encontrar Yoshino e lhe dizer seu plano, e andou mais um pouco. Os espaços entre os segundos pareciam anos.
Inoichi não lhe disse nada, mas a observou curiosamente... quase com suspeita. Quando faltavam dez segundos para as nove, Temari andou até a porta, contando-os mentalmente.
Aparentemente, Inoichi não podia conter suas perguntas por muito mais tempo.
- Indo à algum lugar?
- Sim.
- Vai desobedecer ordens?
- Não até onde sei. – ela olhou para onde ele estava parado no final do hall de entrada, braços cruzados. – Você vai me seguir, certo?
Ele concordou.
- Também tenho minhas ordens.
- Melhor se apressar, então.
O relógio mental dela chegou ao zero, e ela abriu a porta da frente. Não se importou com a rua, pulou para o telhado e começou a correr o mais rápido possível, sem se importar com Inoichi e as ordens dele. Não era culpa dela se ele já estava velho; se ele queria acompanhá-la, era problema dele.
A raiva ainda estava lá, empurrando, incitando... destruir as árvores não a havia diminuído em nada. Árvores não sentiam nada. Não podiam absorver seu ódio em forma de dor e aliviá-la. Ela precisava punir alguém.
E realmente estava desejando uma desculpa para arrancar os dentes de Danzo.
Ela estava cobrindo a distância com rapidez, os telhados e copas de árvores voando num borrão sob seus pés, mas quando ela se aproximou mais do centro da cidade descobriu a falha em seu plano. Não sabia onde era o novo Prédio do Hokage. Estava indo na direção dos prédios de governo, mas dali todos pareciam iguais. Aparentemente era esperado que os cidadãos soubessem qual era qual. Então ela foi até onde pôde, mas quando chegou ao mercado foi forçada a pular para o chão e pedir informações para alguém. Havia muitas pessoas por lá, o mercado estava tão lotado quanto no dia anterior, e ela foi atrasada enquanto tentava passar entre os compradores. Mas logo avistou alguém que conhecia: a mulher da barraquinha de churrasco.
- Ogawa-san!
A mulher sorriu.
- Temari-chan, não é? Está aqui para tomar café da manhã?
- Não, desculpe. Esperava que você pudesse me dizer onde é o prédio do Hokage.
- Oh, bem... – Ogawa-san a observou, suas sobrancelhas se franzindo de preocupação. – Você está bem, querida?
- Por favor, - Temari pediu. Não havia tempo para explicações. – o prédio do Hokage.
Ela balançou a cabeça.
- Você sabe onde é o Escritório do Hokage?
- Acho que sim. – Sim, o terceiro prédio do lado este da quinta avenida poeirenta.
- O Prédio do Hokage é ao lado, a leste. Eles são iguais.
- Ok, lado leste. Obrigada.
Antes que Ogawa-san pudesse responder, Temari correu novamente, pulando no telhado mais próximo para evitar a multidão. Inoichi havia a alcançado, mas ela acelerou e o deixou para trás novamente. Não estava tentando o provocar, só estava usando sua motivação para ir mais rápido. Teria que ser mais rápida que um homem de meia idade se quisesse chegar a tempo de ser útil.
Não demorou muito para ver o Escritório do Hokage, e ao lado o que ela assumiu ser o prédio. Obrigou-se a diminuir a velocidade e pular para a rua, para que os homens de Danzo não vissem uma kunoichi furiosa se aproximando e soassem algum alerta. Mas manteve um passo rápido, contornando a última esquina, o prédio se materializando à sua frente. Finalmente. Não sabia dizer quanto tempo levou para chegar lá, tudo o que sabia era que Shikamaru estava sozinho naquele prédio por pelo menos por aquele tempo. Iria entrar e não permitiria que nada a atrapalhasse. Nenhuma secretária, ninguém. Nem Danzo poderia mantê-la do lado de fora.
Mas quando ela passou por uma alameda escura, uma voz rouca a chamou, fazendo com que ela parasse.
- Temari, espere.
Ela se virou para ver Shikaku parado lá, entre os dois prédios, encostado contra um deles, olhando para baixo. Ele estava bem ao lado dela, perto o suficiente para alcançar e tocar. Mas ela não o havia visto nas sombras.
- Shikaku-san?
Ele levantou o rosto para olhá-la.
- Shikamaru acabou de entrar na escadaria. Estamos dando a ele alguns minutos para sair sozinho.
- O que quer dizer com 'sozinho'?
- A escadaria não é visível do lado de fora. Sempre foi nossa maior preocupação.
Ela hesitou.
- Está me dizendo que ninguém pode vê-lo agora?
Ele concordou.
- Mas isso é muito arriscado! Alguém precisa estar lá dentro agora!
Ela se virou para sair, mas a voz dele a parou novamente.
- Sei como se sente, Temari. Mas não podemos sair até ter certeza de que ele está em perigo.
- É claro que ele es... – estava falando alto, sabia. Abaixou o tom de voz. – É claro que ele está em perigo. É um território inimigo.
- Ainda assim. – ele disse. – Temos que esperar.
Ela não tinha tempo para aquilo. Mais arrogância Nara. Mais orgulho Nara. Estava farta.
- Você pode esperar. Tenho negócios lá dentro.
- E que negócios seriam, exatamente? Se me recordo bem, era para você estar em casa.
- Então você não se recorda bem, porque estou bem aqui.
Os olhos dele se estreitaram.
- E meus negócios são realizar os desejos da sua mulher. – ela continuou.
- Que são?
- Estar ao lado do filho dela hoje. Agora, se me der licença...
- Temari.
Um suspiro exasperado escapou de seus lábios.
- O que?
- Espere.
Ela o encarou, mas ele retornou o olhar com a mesma teimosia. Não pôde manter o desdém longe de sua voz quando respondeu.
- Isso é uma ordem, senhor?
- É.
Vermelho brilhou em frente aos olhos dela, e ela apertou seu maxilar. Seu ódio assustava a ela mesma de vez em quando; estava muito próxima de atacar seu superior. Respirou lentamente pelo nariz, tentando se controlar. Guarde a raiva para o Danzo.
- Não podemos estragar nosso disfarce. Se Danzo suspeitar que estamos unidos contra ele, ele estará em seu direito de pedir a execução de cada um de nós.
- Não preciso de um disfarce. É perfeitamente possível que eu me junte a Shikamaru enquanto ele vai discutir minha cidadania com Danzo. De fato... – Ela olhou para o prédio, irritação e preocupação fazendo com que seus pés ardessem para andar. – Ele já se encontrou com Danzo?
Shikaku não respondeu imediatamente.
A raiva voltou a subir, mas ela a engoliu.
- Senhor?
- Sim, já se encontrou.
- E ele pegou meus papéis de cidadania?
O silêncio e o olhar penetrante dele lhe deram todas as respostas que ela queria.
Ela balançou a cabeça.
- Então acho que você sabe o que pode fazer com suas ordens, Shikaku.
Ela se virou e correu sem mais nenhuma palavra, punhos apertados, respiração entrecortada pela raiva e a adrenalina. Tente me dar ordens. Sou uma jounin de Konoha agora.
E se Shikamaru houvesse sido ferido durante o tempo que Shikaku desperdiçou, ela nunca o perdoaria.
Mal conseguiu manter seu andar estável enquanto atravessava a rua, e quando entrou no prédio começou a correr. Não havia ninguém na recepção, ninguém naquele andar que ela pudesse ver. Pareceu estranhamente deserto, sendo a manhã de um dia útil. Mas serviu para seu benefício, não perdeu nenhum tempo tentando parecer 'normal'.
Percorreu o único corredor, procurando a escadaria, encontrando-a no final. Não ouvi nada vindo de dentro, e não tinha certeza se era bom ou ruim. Mas uma coisa era certeza: Shikamaru já deveria ter saído.
Ela abriu a porta e o viu de joelhos, segurando seu braço direito, rosto contorcido de dor. Havia sangue em sua boca e queixo, e espirrado no chão perto da parede. Mas quando ele a viu, o alívio por vê-la transpareceu em seu rosto.
- Shikamaru?
- Você está atrasada.
O que? O que ele quis dizer com aquilo? Não fora ele quem a mandou ficar em casa?
Mas aquelas questões eram irrelevantes no momento. Ele estava ferido. Caído. E uma mulher mascarada o enfrentava com uma espada, uma imagem que incitou tanto ódio nela que a raiva que sentiu por Shikaku parecia carinho agora. Vai enfiar uma espada no meu marido, Gata? Vou te fazer comer essa espada.
- Cuidado. – Shikamaru disse. – Ela é...
Antes que ele pudesse terminar a frase, a kunoichi se moveu. Temari mal pode acompanhar seus movimentos; ela apareceu em frente a seus olhos como um filme em câmera lenta, mas entendeu instintivamente para onde ela estava indo e o que ela faria. E Temari se moveu também, mesmo quando sabia que não conseguiria alcançá-la.
A mulher parou atrás de Shikamaru, seu rosto virado para Temari. Depois, rápida como uma cobra, apunhalou o Nara nas costas. Os olhos dele se arregalaram em choque.
-... rápida. – ele terminou a frase, num sussurro incrédulo.
- Não! – Temari gritou. A mulher retirou a espada do corpo dele, o que só piorou as coisas; agora o sangue estava livre para ser vomitado da ferida aberta. Temari correu até ele, observando seu rosto ir da surpresa à dor, ao desinteresse, enquanto seus olhos começavam a fechar. - Não, Shikamaru!
Ela mergulhou e o alcançou antes que ele caísse no chão. A kunoichi escapuliu, indo em direção às escadas, e Temari o colocou no chão o mais gentilmente que podia e se levantou.
Um médico. Ela precisava encontrar um médico-nin imediatamente. Mas fúria com o destino e com o tempo e seus esforços desperdiçados enuviaram sua mente, a cegaram, e ela se lançou atrás da mulher, com a velocidade que havia reservado para o golpe
mortal. Não a alcançaria... era rápida mas a kunoichi era mais rápida, e ainda assim estava conseguindo vencer a distância. Voou escada acima, pulando os degraus, dois lances atrás da outra mulher, depois só um, e com um grito de ódio absoluto a agarrou quando a outra estava tentando abrir a porta.
Puxando um dos punhos deu um soco tão forte na outra que ouviu a mandíbula dela se quebrar. A kunoichi voou por cima do corrimão e caiu nas escadas do andar de baixo. Temari pulou do corrimão, puxando seus leques. Não os abriu, queria clavas agora. Queria ouvir ossos se estilhaçando.
Mas a kunoichi rolou para longe quando Temari aterrissou. Sua máscara da ANBU havia sido deslocada pelo soco de Temari, revelando uma máscara de pano grossa e escura como aquela que Kakashi usava puxada até seus olhos. Ela a puxou de volta e pulou, usando a vantagem de estar num plano mais alto para passar sobre a cabeça de Temari, fora do alcance da loira. Estava indo para a porta novamente.
Temari correu na mesma direção, com intenção de pegar a mulher quando ela chegasse ao chão. Mas a outra acertou a parede e ricocheteou, depois mudou de direção novamente. Ainda ia para a porta, mas forçava Temari a reavaliar seus movimentos constantemente. Ela finalmente apenas seguiu a mulher, e quando chegou perto o suficiente arremessou os dois leques fechados de uma vez. Tentava acertá-la duas vezes numa sucessão rápida.
A kunoichi desviou no último momento e só um leque a acertou. Ainda assim, a ponta metálica e afiada do objeto fez um barulho satisfatório contra as costas dela, e a trajetória da mulher foi interrompida. Ela bateu na parede e caiu um andar abaixo.
Ela já estava de pé quando Temari a alcançou, mas não rápida o suficiente para fugir. Temari lhe deu um soco, que a mulher bloqueou e então socou. Acertou Temari em algum lugar em seu estômago, mas ela quase não o sentiu; absorveu a energia, virou-se em direção à mulher, inclinou o cotovelo em 90 graus e o acertou no rosto da outra. Presa entre Temari e a parede, a cabeça da mulher balançou, uma rachadura aparecendo na máscara. Não era um osso, mas ainda era bom.
A mulher caiu mas era um fingimento e ela desviou, indo para longe do alcance de Temari novamente, em direção à porta. E Temari teve que tomar uma decisão. Ela queria muito seguir a mulher, pegá-la nem que fosse no fim do mundo e socá-la até a inconsciência. Mas Shikamaru estava ferido, precisava dela... estava sangrando até a morte no andar de baixo, e dali ela conseguia ver as duas portas: a de cima, para onde a kunoichi corria, e a de baixo, por onde teria que tirar Shikamaru o mais rápido possível.
Não havia escolha. Gritou com a mulher uma última vez, um rugido desarticulado de insatisfação. Depois se virou e correu escada abaixo em direção à Shikamaru, recolocando os leques nas costas no caminho. Pulou o último lance de uma vez, caindo de quatro no chão ao lado do corpo dele. Ao lado dele. Não era um corpo, era Shikamaru. Ele iria ficar bem. Mas quando ela o pegou nos braços e se levantou, a poça de sangue que ficou no chão a aterrorizarou. Havia sobrado sangue nele?
- Acorde. – ela disse. – Não é hora para ser preguiçoso. Ela fungou e só então percebeu que estava chorando. Estava chorando alto, lágrimas e coriza corriam seu rosto. – Acorde, idiota!
Mas ele estava totalmente inerte. Ainda quente, mas não suportava seu próprio peso. A cabeça dele se recusava a ficar encostada ao peito dela, onde ela havia a colocado; ela pendia, balançando enquanto Temari corria com ele pela recepção. Ainda nenhuma secretária. Onde estava todo mundo?
Ela chutou a porta e correu para a rua, pulando na frente do primeiro humano que viu. Um senhor idoso.
- O Hospital! – gritou. - Onde é?
Assustado, ele apontou para o norte, e ela correu naquela direção. Claro que tinha que fazer tudo aquilo depois que tudo em Konoha havia sido rearranjado.
Enquanto corria, ouviu passos leves atrás de si, acompanhando-a.
- Temari, espere!
Olhou para onde vinha a voz; Ino estava ao lado dela, correndo facilmente sem o peso de um ser humano extra em seus braços.
- Não posso esperar!Ele está morrendo! Precisa de um médico-nin!
- Espera... só... – A mão delicada de Ino segurou o braço de Temari. – Eu sou médica-nin! Pare, okay?
Médica-nin? Ino... era... oh.
- Ajude-o! – ordenou.
- Eu vou. – Ino afirmou, olhando Temari nos olhos e falando cuidadosamente. – Mas você tem que colocá-lo no chão.
Ela concordou estupidamente, depois o colocou na calçada.
- Você não pode deixá-lo morrer. – insistiu.
- Não planejo isso. Relaxe.
Ino se ajoelhou ao lado de Shikamaru e abriu seu colete.
- Me ajude. Levante-o para que eu possa tirar isso.
Temari concordou com a cabeça e fez o que lhe era pedido, depois segurou o colete enquanto Ino erguia a camiseta dele e posicionava suas mãos sobre o ferimento, sobrancelhas franzidas em concentração. Temari observou os dois, o rosto acinzentado de Shikamaru e o olhar intenso de Ino, como se estivesse planejando intimidar o ferimento a fechar a si próprio. Observou o chakra brilhante que era emitido das palmas dela, fazendo a pele de Shikamaru ir do cinza ao verde. Observou a multidão que começava a se formar, um mar de rostos curiosos e ansiosos. E por alguma razão, o único pensamento coerente que tinha era irritação com Shikamaru, por ele ter sido tão descuidado a ponto de conseguir furos em seu uniforme novo em folha.
Houve comoção quando alguém abriu caminho entre e multidão, uma voz masculina mandando as pessoas saírem da sua frente. Naruto apareceu, choque e incredulidade fazendo-o parecer uma criança.
- É o Shikamaru! - ele disse.
Por alguma razão, aquele comentário doeu. Mais que vê-lo sendo apunhalado; aquilo havia a deixado com mais raiva que qualquer outra coisa. Mas antes tudo havia sido correria e agora ela era a inútil, ficando de lado assistindo a alguém tentar salvá-lo. E a voz de Naruto, dizendo de maneira tão inocente, mas tão cheia de medo... parecia que ele estava identificando uma vítima.
- Nara Shikamaru? – alguém perguntou.
- É... – Naruto concordou, o que causou um burburinho na multidão enquanto a informação era retransmitida. Nara Shikamaru, morrendo na calçada. Recém-casado. E... aquele era um uniforme jounin? Foi promovido? Mas estava morrendo. Que triste.
- O que aconteceu com ele? – uma criança perguntou.
- Pergunte ao seu Hokage. - Temari respondeu, sua voz falhando. Não com lágrimas, já tinha derramado todas que era capaz. Mas porque havia gastado toda a voz gritando. Mal podia se ouvir.
- O que? – Naruto perguntou, confuso. - O que ele fez?
Temari fez um gesto para que ele se aproximasse, para que ela pudesse falar mais baixo. – Você não estava no time de Shikaku?
Ele balançou a cabeça.
- Não hoje.
- Foi a Raiz. – ela começou, mas a voz de Ino a interrompeu.
- Naruto, me ajude. Afaste essa multidão. Não consigo me concentrar.
Ele concordou e pulou para a ação, ordenando com surpreendente efetividade. Temari não esperaria que ele, sozinho, conseguisse abrir tanto espaço para Ino em tão pouco tempo, empurrando a primeira linha da multidão para a rua. Mas o tom de voz dele não permitia discussões. E talvez o fato de que o herói querido de Konoha estava trabalhando para sua própria vantagem. Dando a ele um ar de autoridade.
E houve um barulho quando Chouji pulou no chão ao lado deles, vindo do telhado. Ele começou a ajudar Naruto imediatamente usando sua força física. O rosto dele estava mortalmente pálido... talvez mais pálido que o de Shikamaru. Parecia que ele ia desmaiar a qualquer momento.
Mas ele continuou firme ao lado de Naruto, dando a Ino o espaço que ela precisava enquanto trabalhava. Lágrimas escorriam por seu rosto, e ele as deixava cair sem vergonha.
Minutos longos e miseráveis passaram, nos quais Temari se viu observando a multidão, hipnotizada pelos padrões de rostos e corpos. Alguns rostos estavam faltando. Shikaku. Inoichi. Chouza. Eles tinham que estar cuidando da kunoichi com máscara de gato. Ela ficou se repetindo aquilo; não se permitiria considerar ideia de que ela havia fugido.
Finalmente, Ino moveu suas mãos e se levantou, limpando o sangue de Shikamaru em sua saia.
- Fechei as artérias maiores, mas ele precisa de uma transfusão imediatamente. E não sei o que mais pode estar danificado, ele precisa ser examinado por alguém com mais habilidades que eu.
Temari entregou o colete a Ino, que o pegou automaticamente, e se inclinou para pegar Shikamaru novamente. Mas Chouji entrou na sua frente.
- Deixa que eu faço isso. - Ele disse enquanto secava o rosto na manga de sua camisa. – Você pode vir com a gente.
- Obrigada. – ela respondeu. – Não saberia para onde ir, de qualquer maneira.
Chouji pegou Shikamaru e desceu a rua, incrivelmente rápido para seu tamanho. Temari e Ino o seguiram de perto. Shikamaru ainda não estava a salvo de maneira nenhuma. Tudo o que Ino havia feito era evitar que ele sangrasse até a morte. Mas havia uma dúzia de maneiras de se morrer com um ferimento daqueles. Envenenado pelo conteúdo de seu colón. Pâncreas, rim ou pulmão perfurados e sem conserto. Tantas maneiras de morrer, e poucos e preciosos caminhos que levavam à vida.
Mas se ela não houvesse ido até ele, ele já estaria morto. Morto naquela escadaria, enquanto os idiotas que deveriam cuidar dele brincavam de esconde-esconde ao redor de seu corpo gelado.
E o mais estranho de tudo, Shikamaru sabia. Não ficou surpreso com sua chegada, estava esperando por ela. Esperando que ela achasse uma brecha em suas ordens estivesse na escadaria, naquele minuto. Mas por que? Porque causara tantos problemas ao invés de simplesmente explicar a ela? Ela não entendia a maneira com que a mente dele trabalhava, era como se ele pensasse em ondas diferentes.
E ocorreu a ela, enquanto um arrepio muito próximo ao horror passava por seu corpo, que o entendimento que ele tinha dela, e consequentemente seu controle sobre ela, era muito mais profundo do que ela jamais compreenderia.
X x x
- Shikaku...
- Shhh, eu sei. Ele está bem. Ele vai ficar bem.
- Mas... o meu bebê! Meu menininho...
- Eu sei, Yoshino. Mas acabou. A pior parte passou. E ele está bem.
- Não consigo... não consigo fazer isso, Shikaku. Pensei que conseguisse, mas não. É muito perigoso e muito... ele não é uma ferramenta. Não é um sacrifício para o bem comum. Ele é nosso filho.
- Eu sei... Me desculpe... shhh, está tudo bem. Não chore.
- Não acho que consigo vê-lo daquele jeito novamente. Até... só até ele acordar, ok? Por favor? Diga a ele que eu sinto muito. Se você estiver lá quando ele acordar diga a ele que eu estarei lá assim que puder.
- Eu entendo.
- É que... meus piores pesadelos. De novo, e de novo, e de novo... e... não acho que eu vá conseguir dormir novamente.
- Você vai dormir de novo. Shhh... Vou estar aqui com você enquanto você estiver dormindo. E ele vai estar em casa em alguns dias, e tudo vai voltar a ser o que era.
- Nunca vai voltar a ser como era antes.
- Você pode estar certa. Só temos que torcer para que seja melhor.
X x x
Foi uma surpresa quando Shikamaru abriu seus olhos novamente. Uma luz amarelada atravessava a janela, formas e linhas, cores e contrastes, todas as coisas que ele achou que nunca mais veria.
Não pôde ver mais ninguém, apesar de que mover a cabeça era algo que seus músculos não podiam fazer no momento. E sua boca estava seca. Sua garganta doía, o que era estranho. Principalmente porque se lembrava de todos os lugares em que havia sido ferido, e não parecia certo que o único que doesse fosse a garganta.
Tossiu um pouco para limpá-la, e aquilo fez com que dor se espalhasse por seu abdômen. Não valia a pena.
Houve barulhos de coisas se raspando e um par de olhos azuis preocupados apareceram. Temari se levantou de uma cadeira e se inclinou em direção à ele, e antes que ele pudesse dizer ou fazer qualquer coisa ela desapareceu novamente. Alguns ruídos de plástico. Uma torneira aberta. Depois um copo d'água apareceu na frente de seu rosto, segurado por longos dedos bronzeados.
- Você consegue segurar sozinho? – ela perguntou. Sua voz estava rouca, e o lembrou como ela havia gritado na escadaria.
- Você está doente?
- Estou perguntando da água. Precisa de ajuda para beber?
Ele tentou levantar seu braço direito, por hábito. Mas o fantasma da dor em seu ombro fez com que levantasse o esquerdo, e pôde pegar o copo que ela oferecia. Assim que o fez, ouviu um clique, um zunido e sua cama começou a se inclinar. Não muito. Não houve pressão extra em seu abdômen. E então ela voltou a se sentar em sua cadeira.
- Obrigado. - ele disse.
- Mm.
Shikamaru bebeu um gole de água, estava morna. Mas era doce e fresca, como um gole roubado da pia do banheiro às 3 da manhã. O que fez com que ele percebesse que estava com a boca fechada há muito tempo.
- Há quanto tempo estou aqui?
O rosto dela sumiu de vista novamente, apenas por um momento.
- É meio dia, então... vinte e seis horas.
- Fiquei desmaiado esse tempo todo?
- Eles te mantiveram sedado. Uma parte do seu tratamento foi bem dolorosa, como quando colocaram seu ombro de volta no lugar. – Uma marca apareceu no meio das sobrancelhas dela. – Se lembra de alguma coisa?
Ele tentou lembrar, mas as únicas imagens que conseguiu foram de uma máscara de gato e uma lâmina cintilante.
- Não.
Ela balançou a cabeça.
- Bom.
- Você a matou? – ele perguntou.
Raiva brilhou nos olhos dela.
- Não.
- Alguém a matou?
- Não. Seu pai não a encontrou. Ela não deixou nenhum rastro.
- Oh. – Não estava morta. Significava que teria outra batalha para se preocupar?
O canto da boca de Temari se ergueu um pouco, e houve um pouco se satisfação nas palavras dela.
- Mas você não foi o único que precisou de um hospital quando acabou.
- Tenho certeza. – Nunca houve dúvida em sua mente que Temari pelo menos se imporia contra aquela mulher.
Temari lhe dirigiu um olhar estranho e abriu a boca. Mas a porta foi aberta e Naruto apareceu, sorrindo com algum feito que havia conseguido completar. Ou coisa do tipo.
- Rámen de porco chegando! – ele disse enquanto balançava um saco marrom de papel. – Trouxe refrigerante também. Ei, olha quem acordou!
Ele andou até uma mesa próxima e começou a remexer o conteúdo da sacola. Pegou uma embalagem para viagem e deu para Temari, junto com um par de hashis descartáveis. Depois uma lata azul. Parecia Pocari Sweat. Depois ele coçou a testa com um dedo e olhou para Shikamaru se desculpando.
- Não trouxe nada para você... Achei que ainda estaria dormindo.
- Tudo bem. - Shikamaru disse. – Não estou com tanta fome assim.
Mas quando terminou de dizer, percebeu que estava mentindo. E como se fosse para acusá-lo, seu estômago roncou alto. Naruto ficou com uma expressão culpada, mas Temari riu.
- Ele não pode comer nada, Naruto, então não se preocupe. Alimentação intravenosa até amanhã. – Ela estendeu a mão e tocou a embalagem de fluidos pendurada perto da cama dele. – Mas ouvi dizer que é uma delícia.
- Realmente não posso comer nada? – Shikamaru perguntou.
- Nada além de fluidos sem gás. – ela abriu a lata de refrigerante. – Seu pequeno intestino foi parcialmente seccionado e teve que ser fixado novamente. Já terminaram o serviço, mas não querem que você tente digerir nada muito difícil. Posso te trazer suco, se você quiser.
Ele se sentiu culpado por pedir algo a ela quando ela estava prestes a comer seu próprio almoço, mas o pensamento de algo com sabor fez com que ele ficasse desesperado.
- Ok.
- Maçã ou Uva?
- Glicose.
Ela sorriu.
- Entendido. Já volto.
Ela colocou a comida fora da vista dele e saiu do quarto. Ele ficou ambicioso e virou a cabeça para ver onde estava. O ramen estava num balcão longo, ao lado de um tabuleiro de shogi. Mas as peças não estavam nele, o tabuleiro só estava lá.
- Seu pai trouxe aquilo. – Naruto disse enquanto mastigava macarrão. – Temari e eu jogamos algumas vezes.
- Mesmo?
Ele balançou a cabeça.
- Ela é muito boa. Não consigo ganhar dela.
Aquilo não surpreendeu Shikamaru nem um pouco. Não que Naruto fosse burro; longe daquilo. É que planejar não era o forte dele. Ele pensava melhor com os pés e com os músculos. Sob pressão, quando algo que realmente importava estava em jogo. A verdade era que Shikamaru sempre teve um pouco de inveja dele. Só um pouco.
- Posso te mostrar como ganhar dela.
Naruto pareceu cético.
- De verdade. Só me arrume um jogo de peças em branco e uma caneta. Você nunca mais vai perder para ela.
- Tá bom! – Naruto inclinou a cabeça para trás, segurando a embalagem de ramen sobre a boca e comendo o resto do macarrão. Depois ele pulou de sua cadeira e correu para a porta, jogando a caixa no lixo no caminho. – Já volto.
- Espera, eu não quis dizer agora...
Mas o loiro já havia saído, a porta balançando atrás dele, e Temari entrou imediatamente depois que ele saiu.
- Aonde ele vai com tanta pressa? – ela colocou o suco no balcão e abriu a tampa.
- Eu... não tenho certeza. – ele admitiu. – Onde quer que vendam peças de shogi em branco.
Temari pareceu confusa, depois balançou a cabeça, derrotada. Como se não valesse a pena nem tentar. Ela lhe deu o suco.
- Vá devagar com isso.
- Sim, senhora.
Ele revirou os olhos.
- Pode pegar seu próprio suco da próxima vez.
Ele não pôde evitar sorrir um pouco enquanto bebia. Maçã. A verdade era que se sentia muito bem. Ele estava vivo... Temari estava viva... Todo mundo importante estava vivo. As coisas não aconteceram exatamente de acordo com o plano, mas ele conseguiu a cidadania de Temari...
- Os seus papéis.
Ela olhou para ele.
- Sim?
- Ela não os pegou, pegou? A mulher da Raiz?
- Não, não pegou. Estavam onde você os deixou.
- Bom.
- E vamos dizer que eu não vou dizer nada sobre as suas respostas por causa de sua condição debilitada. Você não está em condições de se defender.
- Obrigado. – ele sentiu seu sorriso aumentar. – Nara.
- Ah, cale a boca.
Ele a observou comer, invejoso daquele pedaço de carne que era grande demais para a boca mas que ela tentava comer inteiro de qualquer maneira.
- Então, o que mais eles tiveram que fixar novamente?
Ela levantou uma mão...mastigou... balançou a cabeça... mastigou mais um pouco. Depois finalmente engoliu.
- Nada, na verdade. Sakura disse que foi um milagre nenhum órgão vital ter sido seriamente danificado. Provavelmente a diferença entre a vida e a morte.
- Huh. – ele não estava ouvindo, descobriu que sua atenção ficava voltando para o ramen dela. Tentou tirar o foco do ramen, olhando para outro lugar. Bebendo seu suco. Seus olhos pousaram em algo que ele não havia visto antes, apesar de que agora ele se perguntava como era possível. Porque toda a parede do quarto estava coberta com flores, uma floresta variante de verde, branco, amarelo e roxo.
- De onde saiu tudo isso?
- Pessoas. – ela disse. – Não sei te dizer quem eram.
- Civis?
- A maioria. Você está ficando popular.
- Ótimo.
- Mas esse era o plano, certo? – ela comeu macarrão, ele se viu encarando a comida novamente.
- É, esse era o plano. Mas não era para ficar popular por quase morrer.
- Bem, tanto faz. Tenho certeza que o seu pai sabe manipular as coisas à favor dele. De alguma maneira as pessoas acham que derrotamos a mulher gato juntos.
Havia algo... estranho... na maneira com que ela mencionou seu pai. Uma queda súbita na temperatura. Abriu a boca para perguntar, teve alguma dificuldade, porque não sabia como perguntar sem ser ofensivo. Mas foi salvo de ter que descobrir na hora quando Temari riu.
- Você quer um pedaço? Teoricamente não posso te dar, mas dou se você prometer mastigar muito, muito bem.
- O que? – ele tirou os olhos do ramen de novo, e olhou para o rosto dela. Ela tinha uma expressão divertida no rosto. – Não, tudo bem. Não devo.
- Não, você realmente devia, porque esses seus olhos estão implorando e me deixando enjoada.
Shikamaru suspirou. Não tinha força para discutir, nem queria. Tudo o que ele realmente queria era ramen.
- Posso comer um pedaço de porco?
- Isso é tão patético. – ela comentou, mas procurou na caixinha até achar um pedaço pequeno e estendeu para ele.
- Só isso?
- É pegar ou largar.
Ele pegou. Era maravilhoso, e acabou rápido demais.
- Sem mais.
- Sim, sim.
Bateram na porta e Sakura entrou. Ela sorriu para Shikamaru.
- Naruto me disse que você acordou.
- Estou acordado.
- Como se sente? O efeito dos analgésicos já passou?
- Acho que não.
- Isso é bom. Só vim porque você precisa preencher uma ficha. Como seu parente mais próximo, pediram para Temari preencher enquanto você estava inconsciente, mas... – um dos cantos da boca da Haruno se curvou. – Mas não acho que posso entregar o que ela escreveu.
Ela lhe entregou o papel e um lápis. Ele olhou do papel para Temari, que mordia o lábio inferior e olhava para todo lugar, menos para ele.
- Minhas respostas são perfeitamente precisas.
Sakura sorriu e balançou a cabeça.
- Volto para pegar mais tarde. – disse saindo do quarto.
Shikamaru olhou para o papel. A primeira página era de informações pessoais. Nome: Nara Shikamaru. Data de aniversário: 22/9. Huh, ela sabia o dele com certeza. Cabelo...
- Cabelo: ridículo?
Ela deu de ombros.
- Bem, ele é. Olhe para ele.
- Olhos: vagos?
Ela torceu um dos lábios.
- Ocupação: Déspota e pé no saco. Muito obrigado. Eu poderia ter morrido, você sabe.
- Mas não morreu, graças à mim. E eu precisava de algum alívio cômico depois daquilo, saiba você.
- Pelo menos eu tentei preencher a sua ficha com alguma precisão.
- Quarenta e cinco quilos? Isso é quase um insulto.
- Ei. É uma pergunta retórica, e você sabe. Achei que você me poupar.
- Estou te poupando.
- Uhum. - ele jogou os papéis na mesinha ao lado. Preencheria tudo mais tarde. Ou talvez nunca.
- Então, está se sentindo melhor? – ela perguntou.
- Melhor que o que?
- Quero dizer, você tomou suco e comeu porco, está acordado... está melhor que uma hora atrás.
- Acho que sim.
- Ótimo. – ela deixou o rámen de lado e cruzou os dedos no colo, se inclinando em direção a ele. Subitamente todo o humor havia sumido dos olhos dela.
- Porque você tem algumas explicações para dar.
N/T: Feliz 2012! Obrigada pra quem acompanha a tradução!
Acho que a tradução desse capítulo ficou mais esquisitinha porque eu revisei à noite, depois de ter lido muito, e com algum sono. Me desculpem e qualquer erro/frase estranha, por favor avisem.
Agora, saindo totalmente da fic, alguém aqui sabe se ainda existem pessoas que gostam/leem GaaIno? Mexendo nas minhas coisas descobri uma long que eu escrevi deles num estado já bem adiantadinho, e pensei em talvez postar, quem sabe.
