Capítulo 20 – Pais e Mestres
Desde o desentendimento, Gina e Draco não mais trocavam palavras. Limitavam-se ao estritamente necessário, como "bom dia" e, no caso de Gina, "qualquer coisa, ligue no meu celular" e, no caso de Draco "nada vai dar errado, Weasley".
A situação era bastante desconfortável, o que a deixava extremamente irritada, mas não irritada o suficiente para alguma ação.
Afinal, ela tentara se redimir e ele a afastara, não foi?
O que, possivelmente, poderia fazer?
Se ele a odiava, era um direito dele... certo?
A ruiva ocupava sua mente lendo "Pais e Filhos", uma revista qualquer que estava na sala de espera da escola preparatória de magia. Amy e Buck estudavam lá e hoje era o dia da reunião de Pais e Mestres.
Ou, no caso, mestra, já que a professora era uma senhora chamada Agnes Gunsy, que mais parecia-se com um Sapo Boi do que com uma pessoa, mas que conquistava o respeito de todos os pais por ser bem direta.
Muitos outros pais encontravam-se na sala, conversando animadamente entre si, e, normalmente, tentando desesperadamente conhecer o pai do amiguinho do filho, coisas que Gina não se interessava em fazer, até porque normalmente, ouvia apenas reclamações.
"Amy é muito perfeccionista, sabe? Ela não deixa os outros correrem, porque ficam descabelados e desarrumados! Meu filho vive falando nela", disse uma mãe, certa vez, escolhendo cuidadosamente as palavras.
Leia-se: "Sua filha é uma maníaca controladora, será que você pode mantê-la longe do meu filho – e do resto da sociedade – antes que ele enlouqueça?"
Ao que Gina respondeu:
"Ela se importa com a estética do mundo, o que há de errado nisso?"
Leia-se: "Vá cuidar da sua vida"
Bom, mas Amy é o de menos.
"Seu filho, Buckler... Ele é um tanto quanto... ahn... agressivo, não?", perguntou uma mãe, receosa "Meu filho sempre aparece roxo... Você poderia falar com ele"
Leia-se: "Ou você põe uma coleira nessa criança, ou eu mesma vou cuidar para que o mandem para Azkaban!"
Gina sorria e respondia.
"Vou conversar com ele"
Leia-se: "Eles não se gostam, o que eu posso fazer?"
Depois de algumas conversas desse tipo, Gina resolveu que não seria uma boa idéia se envolver com as demais mães.
"Senhor e senhora Ashton?", a voz grossa e autoritária da senhora Agnes se fez ouvir.
Um homem e uma mulher se levantaram e caminharam em direção à sala.
Gina olhou para o relógio, já fazia quase uma hora que estava esperando pela sua vez.
Era de conhecimento materno (ou pelo menos, de todas as mães naquela sala) que Virgínia Weasley era quase sempre a última a ser chamada, pelo simples fato de seus filhos serem considerados as encrencas da escola.
Mas, assim que os Ashton saíram, agradecendo os conselhos, com frases do tipo "não podemos concordar mais com a senhora" e "trabalharemos nisso", ela chamou pela "Senhora Weasley".
Todas as mães arregalaram os olhos e fitaram-na, surpresas.
Era um avanço!
Mais do que isso, um progresso do tamanho do mundo!
Gina levantou-se, hesitante, e caminhou em direção à sala da mulher, que deu um breve sorriso ao vê-la.
"Bom dia, senhorita Weasley", disse ela, em voz baixa, já que ambas tinham esse acordo.
Agnes chamava-a de "senhora" na presença das outras mães, para poupar embaraços, mas, em troca, Gina era a única que tinha a obrigação de seguir realmente os conselhos da mulher.
"Bom dia", cumprimentou Gina de volta, com um sorriso, enquanto entrava na sala e sentava-se na confortável cadeira azul, estofada.
"Bom, temos boas notícias. E más também. Escolha", ordenou.
Gina hesitou.
"As boas?", disse, mais em tom sugestivo do que em um tom decisivo, mas a professora tomou-o mesmo assim.
"Eles têm melhorado. Ambos. Em relação a tudo: Buck tem melhora e se empenhado mais na escola, e Amy tem se tornado mais sociável – não só com o irmão, mas com todos os outros colegas de sala, também -, o que é ótimo, Buck até mesmo...", então a porta se abriu.
Gina – que encontrava-se de costas para a entrada da sala - observou quando Agnes ergueu os olhos, prestes à matar quem a interrompia, e, depois, o cenho franziu, em uma careta confusa.
Gina voltou-se para trás.
E viu ele.
Draco Malfoy, abrindo a porta e olhando receoso para dentro.
"Ahn... desculpe, mas...", começou ele, incerto.
"Mas?", fez Agnes, de maneira gentil "Sinto muito, mas estou ocupada. Qualquer coisa que deseje entregar, é só deixar na portaria e..."
"Ahn... senhora Gunsy", interrompeu, gentilmente, Virgínia "Esse é meu... ele é...", depois hesitou.
O que dizer?
"Sou o pai de Buck e Amy", disse Draco, finalmente "E sei que estou atrasado, sinto muitíssimo por isso, mas..."
"Oh, sim! O famoso Papai!", sorriu, deliciada, Agnes "Vejo que é dedicado", avaliou.
O loiro encolheu os ombros, enquanto entrava na sala e fechava as portas às suas costas.
"Eu tento", comentou, sentando-se na cadeira ao lado da de Gina "Então... perdi muita coisa?"
Gina abriu a boca, mas Agnes a interrompeu.
É assim que as coisas costumam ser.
Draco Malfoy costuma ter essa influência sobre as mulheres, tentam ser o mais agradáveis possíveis, simplesmente porque ele faz você querer ser legal com ele.
É o jeito que ele é.
"Estava contando que seus filhos melhoraram bastante desde que você surgiu", sorriu ela, aprovadora "Buck tem sido mais fácil de lhe dar e tem se empenhado em todo o resto, enquanto Amy tem se tornado mais sociável, mais comunicativa, o que é ótimo!", garantiu "Mas..."
"Mas...?", ecoaram os dois.
"Eles tem problemas. Em relação à situação de vocês", disse a mulher, recostando-se na cadeira.
Draco e Gina se olharam, e depois voltaram a atenção para ela.
"O que quer dizer com isso?", Gina expressou-se por ambos.
"Bom, um dia, na hora do recreio, Amy ficou até que todos saíssem da sala – ela é bem discreta, um amor de criança – e veio falar comigo", disse a mulher, fitando atentamente os dois "Me perguntou se papais e mamães se beijam"
Draco e Gina se olharam de novo, perplexos, e Gina corou furiosamente.
"Eu disse que 'sim, claro', e perguntei o porquê da pergunta", acrescentou "Ela disse que nunca tinha visto o papai e a mamãe dela se beijarem. Um momento bem incômodo, ao bem da verdade, e ela me perguntou se 'papais e mamães dizem eu te amo', e eu respondi que claro que sim, principalmente para os filhos. Então, ela balançou a cabeça e explicou a perguntar ainda melhor: 'Não! Papais e Mamães não dizem eu te amo uns pros outros?', e... bem... eu disse que sim, mas... o que eu quero que entendam aqui é que a relação de vocês, anda confundindo a cabeça deles", disse finalmente, entrelaçando os dedos das duas mãos, enquanto os analisava "Buck, embora seja mais quieto, anda observando os pais que vêm buscar os filhos. Eles não são tolos. Já percebi o olhar 'estranho' que Buck lança quando vê um pai e uma mãe de mãos dadas, ou se beijando. Eles sabem que algo não se encaixa. Em relação à vocês..."
Gina sentiu lágrimas vindo aos olhos.
"O que eu quero saber, senhores... É o que há entre vocês? Ou, então, o que houve?"
Gina abaixou os olhos, incapaz de falar.
"É dos tempos de escola", disse Draco, com a voz inexpressiva "Éramos namorados. E... bem, pouco antes da Guerra, ela engravidou. Eu sumi. Não nos correspondemos e descobri da existência de Amy e Buck há pouco menos de um mês", resumiu Draco "Sinto muito por ter estado ausente todo este tempo, mas eu não tive uma escolha", alfinetou ele.
"Você poderia ter ficado comigo", disse a ruiva, amarga "E não ter se juntado aos seus amigos comensais"
"As coisas não foram assim. E você sabe disso!", retrucou ele, irritado.
Agnes massageou as têmporas.
"Estou vendo que vocês têm muito o que conversar", disse ela.
"Não temos o que conversar", disse Gina "O que poderíamos fazer? Fingir que estamos juntos? Fingir que nos amamos? Achei que você fosse a favor da sinceridade!", e só depois se calou, ao perceber o que falara.
Passou a mão pelos cabelos.
"E eu sou", disse a outra, calmamente, ignorando o clima pesado que se instalara "Mas sinceridade é a última coisa que eu estou vendo aqui", disse ela "Obviamente, vocês dois têm negócios mal resolvidos, só que as crianças estão sentindo isso. Então, eu digo: resolvam-se, ou... bem... ou então aceitem o fato de que não podem mais conviver juntos"
"O que quer dizer com isso?", perguntou Draco.
"Quero dizer que, se as coisas continuarem desse jeito, senhor..."
"Malfoy", completou Draco.
"... Malfoy, o melhor à fazer é que vocês tomem as medidas normais dos divorciados: o senhor poderá ver seus filhos todos os fins de semana, contanto que você e a Virgínia não fiquem muito tempo juntos. E, claro, expliquem para eles que vocês não se amam mais", acrescentou, casualmente.
"Mas não quero afastar o Draco das crianças!", interpôs Gina.
"Bom, então, sugiro que o melhor seja se acertarem, OK? Obrigada por terem vindo, ótimo fim de ano!", agradeceu ela, despachando-os.
XxXxX
"O que faremos, Draco?", perguntou ela, puxando-o pelo antebraço, para que ele parasse de andar.
"Não sei, Virgínia!", disse ele, levemente irritado "Como vamos explicar para os nossos filhos que os seus pais não se amam?", perguntou, sério.
Gina engoliu em seco.
Sabia que o erro fora seu, que ela falara aquilo em voz alta, mas ouvir da boca dele era muito pior.
"Eu não sei... os seus pais...", começou ela, com a voz fraca.
"Meus pais nunca disseram que não se amavam, eu apenas era esperto o suficiente para deduzir, OK?", disse ele, irritado "Meus pais queriam 'manter as aparências', fingiam ser felizes na frente de todos, mas em casa... Você sabe da história!", acrescentou, mal humorado "Não vou contar de novo"
Os dois ficaram em silêncio.
"O que vamos fazer?", perguntou Gina, finalmente, voltando-se para fitar Draco.
Houve um longo silêncio, onde Draco Malfoy, pensativo, olhava para a rua.
"Você acredita em honestidade, não é, Virgínia?", perguntou ele, finalmente.
Ela soltou um 'huhum', enquanto tentava entender o que passava pela cabeça do loiro.
"Então, talvez, seja melhor contarmos a verdade para os nossos filhos, afinal", disse, pegando a chave do carro.
"Que verdade?", perguntou a ruiva, apressando o passo para acompanhá-lo.
"A que você disse na sala. Que não nos amamos mais", disse ele, rispidamente "É o correto, não é?"
Gina hesitou.
"Draco, ouça...", começou ela, e ele se reteve, sem entrar no carro, mas com a porta aberta.
"Eu preciso ir, Virgínia", disse ele, sério, mas ainda sem se mover.
"Para onde?", perguntou ela, sem se conter.
"Para minha entrevista. De trabalho", acrescentou, passando a mão pelos cabelos e soltando o ar lentamente "Você estava certa. Não posso ser um bom pai se não der um bom exemplo para meus filhos... Muitas coisas já deram errado... Eu quero ser um bom pai", disse "Quero que meus filhos tenham orgulho de mim, quero ser o oposto de tudo o que meu pai era, Virgínia... A começar, por me importando com os meus filhos", disse, sério, fitando-a com intensidade.
A mesma intensidade que Gina vira diversas vezes em seus olhos, quando eram mais novos e faziam planos mirabolantes para o futuro, mas os quais ele parecia querer seguir.
"Você esteve certa desde o começo", disse ele, sério "Desde sempre. Desde que nos conhecemos eu percebi isso, você sempre esteve certa. Então... se você diz que nós temos que contar para eles, então... nós temos que contar para eles, certo? A verdade.", concluiu ele.
Gina hesitou.
"Certo", sorriu. Hesitante "Acho que sim"
"Eu... apareço amanhã... para contarmos... a verdade", disse ele, relutante, entrando no carro "Até mais"
Gina hesitou, novamente.
Aquilo não parecia certo, mas a única coisa que conseguiu fazer foi acenar um 'tchau', enquanto dava as costas para o carro do loiro e ia em direção ao ponto de táxi.
Quando se virou, para trás, e viu o carro do loiro sumindo no meio do tráfico, engoliu em seco.
E encarou a clara realidade: apaixonara-se novamente.
Continua...
N/A: Oi, gente!!!
Só para avisar: Sim, está acabando:D
Mais um ou dois capítulos e a fanfic acabooou! ;D
De qualquer forma, espero que tenham gostado deste capítulo...
TERÇA FEIRA ESTOU EM FÉRIAS! \O/
O primeiro ano do colegial é muito chato, fala sério! U.u
Bom, agora, as reviews:
Musa-Sama: Aqui está a continuação!! Sinto muito se teve que esperar muito, mas aí está o novo capítulo:D
Miss Moriart: Bom, 5 páginas! Tá bem maior que os outros, vai! Espero que tenha gostado deste capítulo e, bem, a Gina acaba "cedendo" aos encantos dele, no fim... será que vai conseguir arrumar o estrago que causou?
Hzinhah: Aqui está! O Draco está firme na decisão de não falar mais com ela, não é? XD Bom, mas ela foi bem chatinha...
Karen Dantas Malfoy: Obrigada por amar minhas fics! ;D E espero que também tenha amado este capítulo... O que achou do Draco:D Beijos!
Paola Lee: Claro que vou continuar, tanto que aqui está o capítulo! Eu tardo, mas não falho! Hauihauiah O que achou deste capítulo?!?
Gla Evans-Dumbledore: Aqui está! E acho que a Gina percebeu que ainda tinha fogo na palha meio tarde demais, não é:(
Mari Veiga: Bom, acho que vai durar bastante tempo... Um capítulo inteiro e passou algum tempo desde este capítulo para o outro (duas semanas)! Ele está mesmo bravo com ela, ainda mais depois do que ela deixou escapar na sala, não é? Espero que tenha gostado!
Fefa Black e Ana Paula Snape: A-M-E-I a review! Obrigada e espero que tenham gostado do capítulo! ;D
Gisele M.: Xará! Como você tá? XD hauhaiuha É verdade, o Draquito saiu com várias, né? E vem ficar puto da vida, porque a Gina saiu com um cara só. Mala! Espero que tenha gostado do capítulo!
Rk-chan: Espero que você ainda esteja viva! Sinto muito a demora, mas ando meio sem inspiração! XD Tive que aproveitar a pontada de inspiração e terminar o capítulo!! Espero que tenha gostado! Beijos!!
Miaka: hauiahiau Sua sádica! A Gina sofre e você se diverte (mentira, porque no começo você queria que eu matasse o Draco! XD Eu lembro... :D), mas tudo bem! Aí está o novo capítulo, espero que tenha gostado!!
Bethy Potter: Acho que não, hein? Ele parece decidido a terminar tudo, afinal... ela pegou pesado com ele desde que ele voltou... E ela soltou aquela frase, na sala... Uu Besta. A Gina. Não você. Você sabe, certo? XD
TheBlueMemory: Hey, Chris! Que bom que você gostou do último capítulo! Espero que tenha gostado deste também, e eu concordo: acho muito estranho quando surge um Draco bonzinho do nada, nas histórias... Ele tem que ser... você sabe... o Draco! XD Por isso, quando percebi que o meu já tava virando um Harry, tive que fazer alguma coisa rápido! XD Beijos!!
Sophia D.: hauihaiuah Me dê um Draco bravo, que eu fico feliz para o resto da vida! O que você acha da gente começar essa campanha?!?
É isso aí, gente!
Mais uma vez desculpem a demora!
Espero por mais reviews e até a próxima!!
Gii
