Romances açucarados demais aumentam os riscos de se ficar diabético

Capítulo 4

Chicletes com excesso de açúcar

Intervalo. Enquanto o intervalo transcorria, Hijikata curava sua dupla crise de abstinência causada pela falta de maionese e cigarro. E Gintoki estava tão distraído saboreando mais um pirulito que acabou surpreendido.

- GIN-SAAAAAAAAAAAANNNNNNNNNNNN!

E o pobre Yorozuya acabava de ser sufocado por um abraço forte e com a sensação de ser sádico demais pra ser um simples abraço. Tentava se livrar daquela "prisão", mas faltava-lhe o fôlego.

- Está... Me... Sufocando, sua louca! Larga o meu pescoço!

Estava difícil se livrar daquele abraço pegajoso de Yamanaka Ino... Quer dizer... Da ninja quatro-olhos que não enxergava nada sem seus óculos... Sarutobi Ayame, ou Sa-chan, se preferir. Gintoki empurrava aquela mulher pegajosa de tudo quanto é jeito, mas nada adiantava.

Quanto mais torturada era, mais a kunoichi sentia prazer em ficar agarrada ao pescoço do samurai. Típico de sua personalidade sadomasoquista.

Ela estava pior do que antes, e mais grudenta. Era pior que tirar chiclete da roupa, porque os chicletes não forçavam beijos como aquela maluca estava fazendo.

E ninguém pra acudir o pobre homem. Mas...

Em um movimento rápido, Sa-chan foi agarrada pela cintura e jogada de cabeça pro chão, numa espécie de golpe usado em luta livre. Quem fez tamanha proeza? Tsukuyo!

Gintoki estaria aliviado, não fosse por um pequenino detalhe... Sa-chan ainda continuava agarrada nele, mesmo depois de tudo isso. E continuava cada vez mais assanhada com isso.

Tsukuyo, completamente alterada e com o rosto enrubescido, conseguiu desprender Sa-chan de Gintoki e a jogou longe, contra uma parede.

- Já chega de zona por aqui...! – ela disse com a voz arrastada.

O samurai ligou a voz arrastada ao rubor da face da loira e aos soluços que ela deixava escapar. Agora não restavam dúvidas: ela estava alcoolizada.

- Onde é que você encontrou bebida?

- Porguequerzaber...? – ela perguntou de volta.

Tsukuyo já era perigosa em circunstâncias normais. Bêbada, então, nem se comparava! Gintoki já havia tido uma experiência traumática de aturá-la nesse estado. E não era preciso que ela enchesse a cara, não! Bastava uma gota de álcool pro estrago ser feito!

Tsukuyo aproximou-se de forma agressiva de Gin, mas tropeçou sozinha e caiu nele, que fez acidentalmente o que não deveria fazer: segurou os seios dela, a fim de que não caísse sobre ele. A face da loira ficou completamente escarlate. Ela soltou um berro furioso e aplicou nele o mesmo golpe que aplicara em Sa-chan, deixando sua cabeça enterrada no chão.

Isso que dava ser descuidado...

"Eu devia saber que isso não iria prestar...", pensou, ainda com a cabeça enterrada no assoalho devido ao golpe. "Preciso terminar essa história logo ou vai ficar ainda pior..."


Hora do recreio, e Sasuke e Naruto se dirigem ao refeitório. Sasuke, completamente entediado, e Naruto, que não se separava de sua bazuca. Na fila, deram de cara com um ser estranho, que disse, através de uma placa:

"Capricha aí no rango!"

- Kabuto... – o Uzumaki e o Uchiha disseram ao mesmo tempo.

Cada um foi para uma mesa diferente. Não por muito tempo, pois Naruto se juntou a Sasuke na mesma mesa.

- Por que você não ficou na mesa dos fracassados?

- Porque eu não sou fracassado, "Sasuke-emo". – Naruto respondeu, enquanto se sentava com a bazuca ao seu lado, diante de olhares apavorados.

- Dá pra parar de me chamar de "emo", ou tá difícil? – o "emo" disse enquanto sacava do bolso um frasco de maionese e cobria toda a comida com seu conteúdo.

Nisso, Sakura apareceu por ali, sentando-se ao lado de Sasuke para comer uma enorme tigela cheia de comida. Acidentalmente, ela roçou seu braço no dele, fazendo-o errar a maionese e com que esta caísse na mesa.

Ele olhou torto para a garota, que murmurou um "desculpa" com a boca completamente cheia de arroz. Continuou a encará-la, e a garota sentiu-se incomodada.

- Eu já pedi desculpas, ok? Cara feia pra mim é fome!

- Pedidos de desculpas não são suficientes pra compensar minha maionese derramada, garota irritante! Você violou a supremacia da maionese!

- Sério? – ela perguntou. – Tudo bem, então...

Sakura pegou Sasuke pela parte de trás da cabeça e o empurrou com tudo pra meter a cara em cheio na maionese, espalhando-a na mesa do refeitório.

Naruto, que deveria ajudar seu companheiro de classe...

... Não o ajudou. Pelo contrário, ajudou Sakura a afundar a cara de Sasuke ainda mais no prato de maionese, com a cara mais sádica de toda a sua vida.


Enquanto isso, em algum outro lugar qualquer, ecoavam as gargalhadas de quem parecia se acabar de tanto rir.

- Isso é incrível! Esse tal de Gintoki fez a coisa ficar mais divertida que o "Jardim dos Amassos"...! Minha barriga dói de tanto rir! Nem dá pra respirar direito...!

- Não sei qual é a graça, Kakashi-sensei... DESDE QUANDO EU SOU VICIADO EM MAIONESE, HEIN?

- Sei lá, mas se você fosse viciado em maionese, seria mais divertido, Sasuke!

- Eu não vou me viciar em maionese! E também não sou "emo" como eles estão fazendo!

- É verdade, Kakashi-sensei. – a verdadeira Sakura partiu em defesa de seu "amor platônico não-correspondido". – O Sasuke não é tão "emo" assim.

- Sakura, você não está ajudando. – o verdadeiro Sasuke disse.

- Ah, desculpa, Sasuke...

Enquanto isso, o verdadeiro Naruto não pronunciava palavra alguma, estava com um ar bastante pensativo.

- Ué, Naruto... – o Uchiha disse. – Que milagre é esse que você não disse nenhuma asneira?

- É mesmo, Naruto... – a garota de cabelo rosado percebeu. – Por que você anda tão pensativo?

- Bem... – o ninja loiro resolveu responder. – Estive pensando muito e quero saber de vocês... Vocês acham que eu fico mais descolado carregando uma bazuca?

As palavras de Naruto foram extremamente impactantes. E de resultado imediato.

Sakura e Sasuke simplesmente caíram para trás em perfeito sincronismo e com as pernas para o alto – uma "queda-padrão" de qualquer anime.

E Kakashi não estava nem aí. Continuava rolando de rir da encenação de Gintoki e companhia, enquanto o seu livro favorito ficava esquecido ao seu lado.