Título: Angel

Author: MaxG2005

Casal: Jensen/Jared (AU)

Disclaimer: Nenhuma dessas pessoas me pertence. Elas não sabem sequer que eu existo. Isso é pura história saída da minha doente imaginação. Nada é real. E nem ganho dinheiro com isso. E como o nome diz é fanfiction. Uma ficção feita por fã, para fã. Não tenho a mínima pretensão de ser profissional.

Aviso: Fic Slash (pra quem não sabe relacionamento entre pessoas do mesmo sexo). MPREG (Gravidez masculina), MORTE (não dos J2). Sim, no meu mundo homens podem ter filhos. Não acho justo que apenas mulheres tem esse poder, então se fanfic é imaginação porquê não imaginar que homens podem também gerar crianças? Se você não gosta nada disso, procure algo que gosta.

Sumário: Um anjo é sempre um anjo. E ele vem quando a gente menos espera e mais precisa dele.

NOTA DA AUTORA: Esta fanfic está toda escrita. Mas eu preciso saber se alguém está lendo para que eu possa postar o restante. A fic não tem beta, porque eu não achei nenhuma. Todo e qualquer erro é somente meu.

Capítulo 2

ATUALMENTE.

Jensen odiou Jared por ter vindo até aqui, até a casa deles. Isso o lembrava do quanto ele sentia a falta dele. E honestamente Jensen não poderia culpá-lo por ter saído.

A emissora de TV local estava transmitindo o episódio de Natal de Supernatural. Todos os episódios eram como vídeos caseiros; Jensen pode se lembrar claramente, onde ele e Jared estavam naquele momento da vida deles. Jared não tinha terminado com Sandy ainda, mas eles estavam começando um relacionamento, finalmente encarando o fato que eles estavam apaixonados. Para parafrasear Eric Clapton: como poderíamos saber a promessa final.

Bem, agora ele sabia. Assim que os créditos finais começaram a ser exibidos, ele desligou a TV, tirou o plug da tomada e desligou as luzes de Natal. Chega é chega. Ele perdeu Bradford e agora perdeu também Jared. Essa era também a casa de Jared e ele não deveria deixar uma bagunça. Jared não merecia encontrar uma desordem total. Por isso ele tinha dado uma faxina na casa mais cedo.

Ele procurou pelas gavetas da cozinha e encontrou a faca mais afiada. Então ele foi para a suíte master e começou a encher a banheira com água quente. O telefone começou a tocar, e logo a secretária eletrônica respondeu a chamada. Enviando o sinal para a pessoa do outro lado da linha, responder.

Jensen estava cansado de ouvir a pena na voz deles, de todos eles, família, amigos, colegas de trabalho. Ele andou pelo corredor a fim de desligar a máquina e não ouvir quem estava do outro lado. Assim que ele chegou à porta que dava entrada para sala, ele ouviu a voz da mulher do outro lado e parou.

- Alô, aqui é Harriette Griffin. Desculpe estar ligando num feriado, véspera de Natal, mas eu tenho um pedido de emergênc...

- Senhora Griffin. Oi – Jensen não sabe por que ele pegou o telefone.

- Olá Senhor Ackles. Estou tão contente de ter encontrado você em casa. A razão pela qual eu estou ligando é que a polícia estourou uma boca de fumo de crack mais cedo, na verdade nesta manhã e eles encontraram uma garotinha de quatro anos de idade. Aparentemente a mãe morreu de overdose e a garotinha ficou com o corpo. Eu acredito que ela está muito vulnerável para ir pra uma casa de apoio ou um abrigo do governo. Desde que você e o Senhor Padalecki disseram que estariam interessados em acolher crianças provisoriamente, eu estava esperançosa que vocês pudessem me ajudar. Ela só precisaria ficar até dia 26 de dezembro. Até lá eu terei outros arranjos feitos e vocês não precisarão mais acolhê-la.

- Sim. Ela pode ficar aqui algumas noites - Jensen respondeu sem nem pensar muito e em seguida olhou para faca ainda na sua mão.

- Muito obrigada Senhor Ackles. Eu posso estar aí em uma hora. Não se preocupe, eu levarei roupas extras e coisas que ela pode precisar. Eu também deveria dizer a você que ela não tem falado desde que ela foi encontrada. Nós sequer sabemos o seu nome - a mulher disse com pesar.

- Eu verei vocês em uma hora – Jensen respondeu secamente.

- Tudo bem. Boa noite.

As mãos de Jensen estavam tremendo violentamente. O que ele estava pensando? Onde ele estava com a ideia? Ele não poderia lidar com uma criança quando ele nem conseguia lidar consigo mesmo. A única coisa que ele tinha feito ultimamente era beber até que a dor estivesse meio que dormente ou afogada pelo álcool. Talvez ele devesse ligar pra senhora Griffin e dizer...

Ele tomou um banho e lavou seu cabelo pela primeira vez em duas semanas. Vestiu roupas limpas pela primeira vez em quase um mês. E também limpou seus óculos que estavam imundos de sabe se lá o que. A campainha da porta tocou enquanto ele se endireitava e seguia pra sala de estar. Quando ele abriu a porta, a senhora Griffin trazia uma garotinha para dentro.

- Querida, este é o senhor Ackles. Você ficará aqui por algumas noites. – a mulher mais velha disse carinhosamente para a menina.

A garotinha olhou pra ele, e ele pôde dizer que ela estava tão nervosa quanto ele. Ela tinha a pele pálida, de quem não tinha visto muito a luz do sol, cabelos escuros, curtos e olhos castanhos escuros. Jensen se ajoelhou para ficar no nível dos olhos da menina.

- Oi. Você pode me chamar de Jensen.

Ela o encarou sem nenhuma resposta. Jensen se levantou pensativo.

A senhora Griffin entregou nas mãos de Jensen uma sacola com suprimentos extras para uma garotinha e o cartão dela.

- Se você precisar de alguma coisa, por favor, me ligue.

- Nós estaremos bem – Jensen tentou sorrir.

- Eu vou te ligar dia 26 de dezembro e deixar você saber quando eu virei pegá-la. Mais uma vez, muito obrigada por isso – ela se virou para garotinha – Tchau querida. Eu verei você em alguns dias.

Jensen fechou a porta logo que a senhora Griffin saiu. Ele se virou para a menina.

- Tire seu caso e fique o quanto quiser – ele riu da piada sem graça. Ela o encarou. Ele tirou o casaco da menina que parecia como se ela pesasse 15 quilos. E agora? TV!

Ele pegou a menina pela mão e a levou para a sala de estar que era interligada à sala de TV. Ela parou em frente à arvore. Jensen se perguntou se ela alguma vez já vira ou tivera uma antes. Ele colocou o plug na tomada e as luzes começaram a piscar.

A menina se sentou em frente à árvore olhando intensamente como se ela estivesse estudando cada mínimo detalhe. Jensen se sentou ao lado dela. Diante das luzes da árvore, a pele dela parecia translúcida, quase transparente e o lembrou de um anjo. Anjo que brilhava a cada vez que Jensen olhava pra ela. Angel. O nome combinava com ela.

Eles ficaram sentados observando as luzes piscarem até que Jensen ouviu o estômago de Angel roncar. Ele a puxou pra ficar de pé e a levou pra cozinha. Depois de colocá-la numa cadeira com algumas almofadas para deixá-la mais alta, ele procurou por algo para alimentá-la. Tinha sido um tempo desde que ele foi à mercearia, mas ele achou uma lata de sopa de vegetais no armário. Em seguida ele foi pra geladeira e encontrou algum queijo e o pão não estava vencido. Eles teriam sopa e sanduíche de queijo quente para o jantar.

Jensen estava ciente que Angel não tinha tirado os olhos dele o tempo inteiro que eles estiveram na cozinha. Ele abriu a lata de sopa, colocou numa panela e levou para o fogão para esquentar. Ambos deram um pulo quando a campainha tocou. Ele disse a Angel que ele estaria de volta.

Jared estava aliviado em ver que Jensen tinha se limpado e trocado de roupa.

- O que você está fazendo aqui? – Jensen logo disparou sem nenhuma outra saudação.

- Eu estava indo para os meus pais e me perguntei se você gostaria de vir comigo.

- Eu tenho alguém aqui – Jensen fez um gesto para Jared vir pra dentro.

Alguém finalmente veio de Dallas, Jared pensa, enquanto ele segue Jensen para cozinha. Ele para quando ele vê Angel sentada na mesa.

- Quem é essa? – Jared olha confuso para Jensen.

- Harriette Griffin ligou esta tarde e ela precisava com urgência de um lar adotivo provisório. – Jensen disse enquanto ele mexia a sopa – Nós dissemos durante a entrevista que gostaríamos de acolher crianças – Jensen olhou pra Jared e ele acenou se lembrando - Então ela ligou e eu disse sim. É só até dia 26.

Enquanto isso Jared se sentou numa cadeira perto de Angel.

- Oi, eu sou Jared – ele falou gentilmente, com um pequeno sorriso.

- Ela não tem falado, então a senhora Griffin não sabia seu nome. Eu tenho a apelidado de Angel. Parece combinar com ela.

- É, combina. – ele sorriu mais amplamente em direção a Angel, que não mudou a expressão.

Há um silêncio desconfortável.

- É melhor você ir para casa dos seus pais antes que eles enviem um grupo de busca – Jensen disse sorrindo para Jared. O sorriso não passou despercebido. Parecia anos desde que ele viu Jensen sorrir.

- É, eu deveria ir – ele se virou para Angel – Muito prazer em conhecê-la Angel.

Jensen acompanhou Jared até a porta.

- Por que a senhora Griffin precisava com urgência de um lar adotivo?

- A polícia invadiu uma casa de crack e encontrou Angel com sua mãe morta.

- Vocês dois ficarão bem? – Jared olhou pra ele preocupado.

- Sim, nós ficaremos bem. Não se preocupe. – Jensen disse tranquilo.

Jared acenou e começou a abrir a porta quando Jensen colocou uma mão no braço dele.

- Jay. Desculpe pelo modo que eu me comportei mais cedo. Foi desnecessário. Foi injusto com você. – Jensen disse tão baixinho que Jared mal ouviu.

Sem nem pensar, Jared puxou Jensen num abraço para deixá-lo saber que tudo estava perdoado, e ele ficou surpreso quando Jensen o abraçou de volta, levemente trêmulo. Ele sentia falta de Jensen, sentia falta do jeito que o corpo dele se moldava ao de Jensen, do jeito que ele sentia nos braços de Jensen. O abraço também lembrou a Jensen que ele sentia tão profundamente a falta de Jared tanto quanto ele o amava. Tinha sido um longo tempo desde que eles tinham mostrado algum tipo de afeição para com outro. Jensen sentiu como se ele estivesse esse tempo todo andando e vivendo no escuro e apenas Jared poderia tirá-lo de lá. Jensen sentia tanta falta daqueles braços o envolvendo, o apertando junto de si e assegurando que tudo ia ficar bem.

Quando eles se separaram, eles olharam profundamente um ao outro. Abaixo de tanto sofrimento e pesar, eles ainda se amavam.

Jared pegou a mão de Jensen, apertou e levou aos lábios. Em seguida falou gentilmente, olhando dentro das profundezas verdes daquele olhar.

- Se você precisar de alguma coisa ou de ajuda, me ligue. A qualquer hora, ok?

Jensen acenou concordando. Ele procurou controlar suas emoções.

- Diga Feliz Natal à sua família por mim. É melhor eu voltar – Jensen disse apontando pra cozinha.

Sorrindo, Jared o deixou ir e se dirigiu para seu carro. Parecia que ele devia à senhora Griffin uma enorme dívida de gratidão.

Angel comeu o seu jantar como se ela não comesse há dias. Depois que Jensen limpou a cozinha, eles acharam um filme de Natal na TV. Durante o relatório do Papai Noel, dizendo aos expectadores onde ele estava indo, Jensen explicou o quanto ele se divertia com os relatórios quando ele era jovem. Angel apenas olhou inexpressivamente pra ele.

Algumas horas depois, Angel estava caindo de sono, então Jensen a levou pro quarto de hóspedes. Não havia nenhum pijama com as roupas extras. Jensen encontrou sua velha camiseta vermelha da Puma, colocou nela e imediatamente a camiseta a engoliu. Jensen sorriu, a pegou nos braços e a colocou na enorme cama. Desde que era a primeira noite dela longe de sua mãe, ele decidiu que ela precisava de uma luz noturna.

Jensen parou diante da porta fechada. Ele não tinha estado no quarto do bebê desde o funeral. Com a mão na maçaneta, ele respirou fundo e abriu a porta. O quarto parecia o mesmo, cheirava o mesmo. As pessoas diziam que ele deveria embalar os brinquedos e as outras coisas por lá. Ele não podia. Ele não podia se afastar de Bradford. Ainda não. Aquele era o único pedacinho de Bradford que restava. A única ligação física que ele ainda tinha com seu garotinho. Jensen não tinha forças para desfazer tudo que ele e Jared tinha feito com tanto amor. Antes que ele se dissolvesse em lágrimas, Jensen pegou o pequeno abajur que estava em cima da mesa perto do berço e saiu do quarto fechando a porta atrás dele.

Angel observou Jensen ligar a lâmpada perto da cama. As mãos dele tremiam levemente. Ele respirava pesado. Assim que o abajur foi ligado, peixes multi coloridos e tartarugas mexiam ao redor do quarto e das paredes.

- Eu estou no próximo quarto. Se você ficar com medo, assustada ou precisar de qualquer coisa, apenas me chame. Não precisa ficar com vergonha, ok? – ele deu um tapinha carinhoso no braço dela e foi pro quarto dele.

Tinha sido um longo tempo desde que ele foi para cama porque ele estava cansado, não bêbado ou tão depressivo que tudo que ele poderia fazer era chorar. Ele pensou que se a senhora Griffin tivesse ligado dez minutos mais tarde, ele já teria cortado seus pulsos e Jared o teria encontrado quando ele estava indo pro seu jantar. Isso teria destruído Jared. Jensen só percebeu isso agora. Jared não merecia isso. Não depois do que eles perderam. Estando com Angel tinha trazido Jensen para fora de suas ideias sombrias e depressivas por um tempo, enquanto ele deixava sua cabeça clarear. Ele estava afundando na própria dor e pesar, e pior, ele estava arrastando Jared pra baixo com ele. Jensen não aguentava mais tanta dor e solidão.

Aquilo foi tão suave, e ele não tinha certeza do que ele estava ouvindo, então ele se levantou e foi pra fora no corredor.

Angel estava chorando, deixando o estresse e a dor dos últimos dias, sair. Jensen sentou na cama. Ele não tinha certeza do que fazer. Ela tinha sido tão não-responsiva durante toda a tarde e noite e agora a barragem emocional rompeu. O choro era tão doloroso. Sim, a mulher falta da mãe. Ela estava assustada porque não entendia o que aconteceu a ela. Jensen teve uma ideia.

- Vire-se Angel – ele disse suavemente enquanto ele a ajudava a se virar de bruços. Sempre que ele tinha um sonho ruim ou ele não se sentia bem, sua mãe esfregava carinhosamente suas mãos nas costas dele, cantando uma música qualquer. Enquanto Jensen lentamente esfregava as costas de Angel e cantarolava uma canção infantil ele sentiu a respiração dela se acalmar até que ela estava dormindo de novo. Ele puxou as cobertas em cima dela e se voltou pra sua própria cama.

Continua...