Oi, gente.
Minha intenção era fazer um capitulo bem maior... mais esclarecedor. Mas eu comecei a ficar meio sem inspiração, se estendesse, eu ia travar.
Eu adorei ver que vocês gostaram da idéia! Fiquei meio receosa antes de escrever, não tinha certeza se agradaria e tal.
Mas enfim, a opinião de vocês importa e MUITO!
Me ajudem a escrever, gente.
E outra vez, Fabray acordou com a cabeça latejando. O gosto de cabo de guarda-chuvas na boca lhe dava a sensação de que estivera bebendo por algumas semanas seguidas, sem parar e sem comer absolutamente nada. Engoliu em seco, o estomago gelando com violência quando se lembrou dos últimos segundos conscientes. Hesitou em abrir os olhos... Bom, talvez tudo tivesse sido apenas um sonho. Talvez ela tivesse batido a cabeça forte demais.
Isso, com certeza era isso. Ela tivera apenas um sonho ruim.
Suspirou, um sorriso débil se desenhando nos lábios bem feitos enquanto ela abria os olhos com vagar, se acostumando ao quarto, que como da última vez, estava claro demais.
Sorriso este que morreu tão logo encarou a pessoa que estava no mesmo lugar que estava da última vez.
E assim que o choque inicial passou, Quinn por instinto se encolheu. O corpo chegou a subir na cama, as costas se apoiando na cabeceira de metal. Com olhos arregalados, ela puxou o travesseiro de encontro ao peito e abraçou os joelhos com força. Tudo tão rápido que ela chegou a se surpreender pela punção venosa não tivesse saído do lugar ou algo assim.
Ela teria se divertido com a ideia da agulha escapando de sua pele e esguichando soro por todos os lados como se fosse uma mangueira daquelas de bombeiro ou algo do tipo, se não estivesse apavorada o suficiente para ter vontade de pular pela janela, caso alguém lhe bloqueasse a passagem da porta quando ela fugisse dali correndo como se não houvesse amanhã.
Rachel (?) sustentava o olhar de Quinn, sentada ereta demais para estar confortável, as mãos nos joelhos como se estivesse com tanta vontade de fugir quanto a loira. Quinn a observou engolir em seco e limpar a garganta, antes de quebrar o silêncio quase sepulcral do quarto de hospital.
- Quinn? – A voz de Rachel saiu vacilante e Quinn não respondeu, apenas abraçou os joelhos com mais força. – Você ainda está me vendo, né? – Ela lamentou e Quinn franziu o cenho, desconfiada. – Droga... Eu achei que... Olha, - Rachel se levantou e Quinn se encolheu ainda mais, o corpo todo arrepiado de medo. – Quinn, eu não vou te fazer mal. Eu sei que você está confusa, mas... – Quinn continuou em silêncio e o estado catatônico só foi vencido quando a outra moça ameaçou se aproximar.
- Longe! – Uma única palavra, dita com toda a veemência que Quinn podia apresentar naquele momento.
Rachel ergueu ambas as mãos, estacando onde estava, uma clara demonstração de cuidado ao se aproximar, mas não deixou de andar na direção de Quinn, pé ante pé.
- Você precisa ficar calma...
- FICA LONGE DE MIM! – Quinn gritou, exasperada, puxando o cobertor até então esquecido aos pés da cama até a altura do queixo.
E os gritos pareceram surtir efeito. Em menos de um minuto depois, uma senhora de meia idade, num uniforme azul muito claro entrou no quarto na companhia de um senhor um pouco mais velho. O esfigmomanômetro, o estetoscópio e uma seringa em mãos.
- Vejo que acordou, senhorita Fabray. – Quinn não respondeu, os olhos muito arregalados fixos ainda em Rachel que parara a meio caminho da cama e agora a olhava com olhos preocupados.
"Eu devo estar ficando louca.."
- Eu também acho que seja loucura, Quinn, mas por razões diferentes.
Quinn arregalou ainda mais os olhos, engolindo em seco. Seria possível que...
- Sim, é possível, eu consigo te ouvir. Não! Não fale para ela que você está me vendo... ou que você me ouve... ou qualquer coisa assim.
Quinn olhou para a bondosa senhora que lhe auferia a pressão arterial e voltou a olhar para Rachel.
- Isso que ela está segurando ali, na outra mão, é exatamente o que você pensa que é. E caso não queira dormir pelo menos mais umas doze horas, porque é isso que vai acontecer, tenta ficar calma... muito calma.
Alguma coisa no tom urgente de Rachel a fez engolir a objeção que estava na ponta da língua. Arriscou uma rápida olhada para fora do quarto. Estava escuro... anoitecera.
- Porque você fala com ela como se ela pudesse te ouvir? – O senhor falou, se dirigindo a Rachel e Quinn sentiu vontade de gritar outra vez. Voltou a puxar o cobertor com a mão livre, a vontade de gritar se tornando quase insuportável.
- Está com fome?
A voz veio muito de perto e Quinn se virou para a senhora que agora tirava o estetoscópio dos ouvidos. Concordou com um balançar de cabeça e um sorriso tímido, vacilante, medroso.
- Seu nome é Quinn, não é?
- Ela PODE me ouvir. E pode ouvir você também... – o sussurro de Rachel para o outro homem nublou toda e qualquer outra coisa que a enfermeira respondeu quando Quinn concordou sobre a última pergunta.
- Você está ficando louca. É claro que ela não pode nos ouvir.
E outra vez Quinn se pegou olhando de Rachel para o homem e novamente para Rachel, que por sua vez retribuia o olhar do velho homem. O silencio repentino o quarto a fez por fim olhar para a bondosa senhora, que, com olhos preocupados, analisava a moça loira.
Pigarreou, desconfortável.
- Não, Quinn, ela não pode me ver. Nem me ouvir. E se você gritar comigo outra vez, ela vai te sedar.
Quinn tombou a cabeça, franzindo o cenho, desconfiada. Seria uma impressão ou...
- Quinn, eu já falei que eu consigo te ouvir. – Rachel revirou os olhos e Quinn apertou os olhos, mas que garota mais...
- Abusada.
Não... não era possível... Aquilo era contra as leis da razão. Devia ser mais um desses...
- Truques da Berry.
Quinn se encolheu de novo, puxando com força a coberta para perto de si, rápido. Rápido demais.
A enfermeira se afastou, assustada com o movimento repentino. A seus olhos, a menina se encolhia olhando para o nada com olhos arregalados. Talvez fosse necessário chamar o médico de novo, ou alguma coisa assim. Alucinações naqueles casos eram mais do que comuns, mas as de Quinn pareciam durar um pouco mais do que o necessário.
- O que está acontecendo aqui, afinal de contas?
O senhor que acompanhava a outra mulher, com seus lá sessenta anos e uma barba extremamente farta seria uma figura interessante para se analisar... se Quinn não estivesse preocupada demais tentando não ter um surto ali, naquele exato momento... Se bem que talvez ela já tivesse surtado. Com certeza... Afinal de contas ela não estaria vendo al...
- Eu NÃO sou uma alucinação, Fabray!
Rachel a olhou feio, e ela se encolheu ainda mais, se enroscando nas cobertas e instintivamente se aproximando um pouco mais da mulher que agora lhe aplicava alguma coisa através do cateter endovenoso.
- Você está com medo?
O gesto de cabeça foi muito mais enfático do que deveria ser. A dor de cabeça voltou.
A senhora sorriu, ajeitando o jaleco que parecia uns dois números maior do que o resto de suas roupas e se sentou na cabeceira da cama. Acariciou com timidez os cabelos loiros um tanto quanto pálidos agora, contrastando com a fronha alva.
- Quantos anos você tem?
- Dezessete...
- E onde está sua mãe?
Quinn franziu o cenho, a atenção finalmente desviada para alguma coisa que não fosse aquela forma bizarra de uma Rachel Berry com poderes psíquicos em seu quarto.
- Eu... eu não sei...
- Ah, mas você não deve estar aqui sozinha... Eu tenho certeza que tem alguém lá fora, na lanchonete. Eu vou avisar que você acordou, tudo bem?
E novamente Quinn concordou com a cabeça.
A senhora saiu do quarto... o homem a acompanhou. Quinn não notou. Os olhos ainda fixos em Rachel, que suspirou e ajeitou a franja castanha atrás das orelhas, um gesto tipicamente Berry.
- Eu vou me aproximar, mas só o suficiente. Vou me sentar na cama e nós vamos conversar. Sem gritar, ok?
Quinn apenas a olhou, se encolhendo um pouco mais quando a viu sentar na cama. Curiosamente, o colchão não cedeu com o peso do corpo da outra menina, mas novamente Quinn estava ocupada demais tentando não entrar em pânico que não notou.
- Eu estou me fazendo a mesma pergunta que você. Por que você está me vendo, Quinn?
- Então... Você é um espírito.
- É a quinta vez que você afirma isso.
- Só checando.
- De novo, Quinn: eu não morri!
- Você é uma alucinação?
- Não, Quinn.
- Um ET?
A moça morena riu. A gargalhada de Rachel.
- Definitivamente não.
- Eu não entendo...
- Eu também não... Você viu os outros?
- Outras Rachels? – Olhos arregalados, Quinn sentiu o estomago gelando com violência extrema. Duas Berry já seria algo muito próximo ao apocalipse, mais de dois exemplares então...
- Isso foi muito malvado. Ela não é tão ruim assim.
- Ela?
- Rachel.
- Você está se referindo a si mesma na terceira pessoa?
Rachel revirou os olhos, se ajeitando na cama.
Dez minutos do que Quinn julgou ser a conversa mais estranha de sua vida foram suficientes para que ela superasse a vontade de gritar toda vez que Rachel se aproximava. Agora, ela estava sentada exatamente no centro da cama do hospital. Rachel não mudara muito a posição inicial, mas com certeza não parecia nada incomodada quando a sensação de que Quinn sairia correndo desesperada caso ela se mexesse rápido demais, ou falasse um pouco mais alto.
- Eu já te falei que somos... seres diferentes.
- Você quer MESMO que eu acredite naquela historinha, quer?
- Não é historinha, Quinn. – Outro revirar de olhos.
- Não faz sentido.
- Não é porque não faz sentido que tem que ser mentira.
- Berry? Por que Berry?
- Isso é você quem tem que me responder.
- Rachel...
- Mas que insistência em me chamar assim!
- Mas é o seu nome, Cristo!
- Não, não é.
Quinn vacilou, como já fizera incontáveis vezes naquele mesmo dia.
- Como é o seu nome então?
"Rachel" pareceu indecisa... Deu de ombros, como quem não sabe exatamente o que dizer. Como quem não tem o que dizer...
- Já me chamaram de muitas coisas...
- Por... Por exemplo?
- Mickahil.
- Mickahil?
- É. Mickahil.
- Isso nem é um nome feminino.
Outra vez ela deu de ombros.
- Nós não temos sexo...
"Não tem sexo? Como assim ela não tem sexo?"
Por puro instinto, os olhos de Quinn baixaram dos olhos muito castanhos para o pescoço de Rachel.
Pela primeira vez no dia, ela notara algo diferente nas roupas de Rachel. Aqueles tons que ela não costumava ter tanta sorte assim para combinar, tinham ido. As vestes que a menina usava agora, eram completamente brancas. Um branco muito alvo. Extremamente alvo. Talvez fosse por isso que o quarto parecia tão...
- Claro.
Quinn piscou, chacoalhando a cabeça quase sem perceber. Definitivamente, ela teria grandes problemas para se acostumar com aquela coisa de alguém podendo ler seus pensamentos. Grandes e muitos problemas...
- Nem tantos...
- Dá pra parar?
- Desculpa.
- Você é uma menina.
- Bom... você me vê assim.
- Eu te vejo?
- É.
- Como assim "eu te vejo"?
- Você escolhe como eu sou, Q.
- Isso não faz sentido...
- Todo o sentido do mundo.
- Mas...
- Como você se sentiria se fosse o seu pai, por exemplo, quem você visse nos seus sonhos com tanta frequência?
E foi então que Quinn sentiu o próprio queixo caindo. Por Deus, como ela sabia...?
- Q.. Você quer que eu faça uma cartilha?
- Isso não é certo. – A piada foi ignorada... Mais pela falta de certeza de Quinn de que poderia bater naquela sentada em sua cama do que por outra coisa.
- Não.
- Não?
- Não.
- Essa é a conversa mais estranha que eu já tive na vida.
- Eu sei. A minha também.
- Então só eu consigo te ver.
- É.
- E você não sabe porquê.
- É.
- Você ouve o que eu penso.
- É.
"E está fazendo isso agora"
Outro revirar de olhos por parte de Rachel, antes de responder.
- É!
- Quem é você?
Rachel suspirou, e pela primeira vez no dia, Quinn teve a ligeira sensação de que ela estava sem graça... insegura, talvez.
- Eu sou... – Outro suspiro e antes de falar novamente, Quinn teve os olhos presos nos olhos castanhos e enormes outra vez – Eu sou um anjo. O seu anjo, Quinn.
E vocês ficaram confusos no primeiro capitulo.
Vou ter que confessar: eu adorei.
Porque se não tivessem ficado confusos, eu não teria feito um bom coisas vão ir mais rápidas agora... fiquem tranquilos.
E vocês não tem noção do quanto é divertido escrever a Quinn com medo da Berry. AHUAHAUHAUH
With luv,
L.
