"… Me and my head high, and my tears dry…"
Back to Black – Amy Winehouse
Quinn se sentou na beirada da cama de hospital e se espreguiçou. Pulou para o chão com cuidado e a primeira coisa que a atingiu, antes mesmo do impacto do queda, foi mais uma das tonturas que já haviam se tornado mais do que habituais nos últimos três dias. Apoiou-se na cama e imediatamente "Rachel" se aproximou, preocupada. A mãe que lia uma revista qualquer de culinária, também pareceu acordar e no segundo instante estava ao lado da menina, colocando uma das mechas de cabelo loiro para trás da orelha.
- Tá tudo bem? Uhn?
Quinn sorriu, um sorriso fraco. Olhou de relance para a senhora de cabelos grisalhos que também se aproximara tão logo sua mãe se colocara ao seu lado. A pouca memória que Quinn tinha dos tempos de infância, lhe diziam que aquela era uma tia-avó, ou algo assim e Quinn tinha a ligeira sensação de que aquela senhora tinha morrido há algum tempo. Engoliu em seco, tentando não pensar naquele assunto, como estava fazendo com maestria desde que Rachel lhe dissera uma ou outra bobagem no outro dia.
Os dois primeiros dias haviam sido meio... complicados.
Quinn se recusava veementemente a ser tocada por Berry.
Por pura força do hábito, havia engolido uma ou outra dúzia de palavrões que seriam muito úteis para descontar a raiva por estar presa num hospital em cima da garota bons centímetros mais baixa que ela. Mas o olhar que Rachel sempre lhe lançara logo em seguida dela desistir de dar voz aos pensamentos, mostrava que talvez ela estivesse falando sério sobre a história de conseguir ler pensamentos.
Não que fosse de propósito... Como já foi dito, era pura e simplesmente força do habito. Quinn não estava acostumada a ter Rachel assim, preocupada com ela. Ou melhor dizendo: Quinn não estava acostumada a ter Rachel assim tão próxima.
Sempre fora extremamente confortável manter Berry longe. O mais longe possível.
Era o mais certo a se fazer. Com certeza era o mais certo a se fazer.
Rachel lhe sorriu e foi quase impossível não sorrir de volta.
- Está faminta? – Quinn olhou para Judy do mesmo modo que vinha fazendo desde o dia da queda: Parecendo acordar de um sonho ou algo do tipo. A senhora de meia idade suspirou, acariciando os cabelos loiros da filha que se recostara à cama alta.
- Ela está preocupada...
Rachel disse e Quinn a olhou pelo canto dos olhos.
"Por que?"
- Acha que você está vendo coisas.
Foi a vez de Quinn suspirar, engolindo com certo custo a gargalhada que lhe fez cócegas nas cordas vocais.
- Não tem graça, Quinn. – Rachel torceu o nariz e Quinn se perguntou se a verdadeira Rachel seria tão adorável quanto essa aqui. – Eu sou mais gostosa.
"Você disse que não tem sexo."
- Não me faz menos gostosa.
"Um absurdo você usar esse vocabulário, sabia?"
- Conta pro meu supervisor então. – Rachel deu de ombros, numa careta de desdém e Quinn mordeu o lábio inferior, ainda mais divertida.
- Você está mesmo bem, meu amor? Por acaso ainda está...
- Vendo aquelas coisas? – Quinn voltou a se virar para Judy, que parecia ainda mais preocupada agora.
- ... É...
- Não, mamãe. – A cara de pau foi tão grande que Rachel chegou a revirar os olhos.
- Mas você...
- Estou pensando.
- No que? – Judy por fim sorriu, um pouco mais aliviada, ainda empenhada na tarefa de prender a franja rebelde atrás das orelhas da filha.
"Que eu estou com vontade de apertar a Berry."
Outra careta de Rachel, que se sentou na outra cama do quarto, a qual para alívio de Quinn não fora ocupada desde o primeiro instante dela naquele hospital e Quinn pelo que ela imaginou ser a centésima vez refletiu se os anjos eram em geral tão malcriados quanto aquele que estava à sua frente.
- Não.
Pela primeira vez, a outra senhora, a toda vestida de branco (como Rachel), falara com ela e Quinn se assustou. Encarou a velha erguendo a sobrancelha direita, quase sem perceber. Em um modo geral, nenhum outro daqueles que ela aprendera a distinguir das pessoas "comuns" pelas roupas e pelo brilho incomum da pele, falava com ela... Talvez por desconhecer que ela também os podia ver (Rachel desistira de tentar convencer os outros de que Quinn podia vê-los, ouvi-los e brigar com eles também no primeiro dia depois do acidente, quando foi chamada de louca pela quinta vez).
- Geralmente nós refletimos... a personalidade de vocês. – A senhora hesitou, ajeitando a saia que lhe chegava um pouco abaixo dos joelhos. Quinn procurou por Rachel e ela também olhava o anjo de Judy com certo estranhamento.
Depois de algum tempo, Quinn entendeu que podia se comunicar com Rachel (ou Mick, que seja) sem precisar falar... Ouvia Rachel, mas não falava. E acredite em mim, ela não se incomodou nenhum pouco quando os olhares esquisitos por parte das enfermeiras quando a pegavam falando "sozinha" cessaram. Então não foi preciso que Quinn desse "voz formal" ao que acabara de pensar para que Rachel cruzasse os braços ofendida, enquanto apertava os olhos
- Quinn... – A voz da mãe voltou a prender a atenção de Quinn – Você está realmente bem, minha filha?
- Eu estou muito bem, mamãe.
- Você tem...
- Tenho certeza. – Quinn sorriu com todos os dentes e Judy voltou a suspirar. Pobre senhora. Tantos anos de convivência, tantos exemplares diferentes... e ainda assim, nunca imune ao charme Fabray. – E eu estou faminta.
- Faminta. Eu imaginei. Então eu vou...
- Contrabandear uma porção extragrande de bacon para mim. – Outro sorriso cheio de dentes, ainda maior que o anterior.
- Eles não vão deixar você comer isso aqui nunca, Quinnie...
- É exatamente por isso que você vai contrabandear. – E então o sorriso deu lugar para a mais adorável das expressões de pena, antes de Quinn choramingar um "mããããe" assim mesmo, cheio de as que fez Judy (eu repito: nunca imune), derreteu-se.
No minuto seguinte ela ganhava o corredor do hospital, enquanto uma Quinn ainda sorridente se acomodava na cama outra vez.
Suspirou, alcançando o controle da televisão sobre o criado mudo logo ali, ao lado da cabeceira. A televisão nunca fora lá um passatempo para Quinn. Cinco minutos depois, ela se virava na cama, entediada. Terminou por fim desligando o aparelho.
- Hey! – Rachel protestou, se sentando na outra cama, onde estava deitada até então.
- O que?
- Eu estava vendo.
- Novela mexicana?
- Qual o problema?
- É novela mexicana!
- Ai, Quinn... – Enquanto Rachel se deitava de novo, Quinn girou na cama, para conseguir olhar o bico que causara, achando tudo muito engraçado. – Alguém já te falou que você é insuportável?
- Você. Alguns milhões de vezes. Nos últimos três dias.
- E você acha que isso é bonito, né? – O sorriso da moça loira se estendeu e a careta da outra também. – Ninguém merece você.
- Quando eu vou sair daqui? Estou ansiosa pra voltar a treinar. – O anjo suspirou, a mudança repentina de assunto de Quinn era uma coisa extremamente corriqueira. Ela sabia que a menina simplesmente não conseguia pensar em uma coisa só. Mickahil se lembrava do começo, quando Quinn ainda era um bebê de alguns meses e Mick não tinha a forma de Rachel Berry... E não fora nada fácil para os pais da princesinha loira e inquieta aprenderem a lidar com aquele motorzinho ligado no 220 que era sua cabeça. A questão aqui, era que não seria tão fácil explicar para Quinn as implicações físicas da queda no começo da semana. E com certeza era muito mais fácil lidar com a ira de Quinn quando se é invisível...
- Bom... – Ela não precisava olhar para o lado para saber que os olhos dourados estavam fixos nela agora. – Seu médico acha que você já está bem. Sua alta está prevista pra hoje de tardezinha...
- Ótimo! Amanhã eu volto para a escola. Eu tenho que terminar aquela coreografia da pirâmide e...
- Quinn...
- ... tenho que dar um jeito naquela menina também. Onde já se viu me deixar ca...
- Quinn...
- ... ir? Se estivéssemos nas seccionais, nós com certeza já estaríamos descla...
- Quinn!
- Ai... O que? Que chata você! – A loira parara de tagarelar para reclamar e Rachel suspirou em alívio. Muito bem, que viesse a tempestade.
- Você não vai poder terminar a coreografia amanhã...
- Não? – Quinn se apoiara no cotovelo esquerdo e franzia o cenho, confusa. – Como não? Claro que vou.
- Não, Quinn...
- Do que você está falando, Rachel?
- Mick...
- Rachel.
- Mick!
- Do que diabos você está falando, afinal de contas?
- Você bateu a cabeça muito forte... E bem... Não vai poder mais fazer a pirâmide por um tempo... Porque... bem... Não vai conseguir se equilibrar lá em cima...
...
Quando Judy Fabray voltou da lanchonete da esquina, escondendo um x-bacon na bolsa enorme, encontrou Quinn com a televisão ligada em um programa qualquer... Os ombros eretos, recostados com disciplina na cabeceira da cama. Os olhos esverdeados ligeiramente vermelhos... Como sempre ficavam quando sua menina engolia o choro. Mas de nada valeram as quase trinta vezes que perguntou; Quinn simplesmente não falou absolutamente nada. Nenhuma palavra além do "obrigada" extremamente baixo quando recebeu o lanche. Nada foi dito também quando veio a alta, no fim do dia nem quando o médico explicou o que acontecera na verdade e a pequena inflamação no cerebelo que dispensaria cuidados extras.
Quinn voltara a ser Quinn. Simples assim.
Oi, gente!
É, eu sei que eu ando sumida... eu sei.
Mas eu queria muito que vocês entendessem que está sendo um pouco mais dificil do que eu achei que seria, confesso.
E eu temo que esteja deixando um pouco a desejar. A história está enrolada e esse já é o terceiro capítulo... eu vou repetir o meu pedido para que tentem me entender.
Capítulo pequeno, de transição.
O outro já está terminado. Falta a revisão e eu posto amanhã (se não for hoje ainda, porque eu não consigo segurar capítulos), não vão ter que esperar muito.
Tenho medo de estar deixando a desejar... Uma amiga me disse que escrever é um ato egoísta, mas eu nunca estou satisfeita com meu ão eu tento satisfazer vocês. Preciso de opiniões.
Uma outra amiga me disse que escrever duas histórias em paralelo ajuda a afastar o bloqueio de criação. Então eu tava pensando em postar uma outra ideia minha.
Uma adaptação, na verdade... uma coisa mais leve, pra ver se ajuda. Porque eu realmente estou tendo bastante problema pra escrever e eu me odiaria pro resto da vida se eu não conseguisse terminar essa história.
Aguardo resposta.
Com amor,
Lalá.
