Disclaimer: Naruto não me pertence. Alguém quer me dá-lo de presente? 8D

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Um sentimento, a amizade.

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Depois daquilo, voltei para o meu quarto.

Um cenário:

Um corredor.
Com uma lua cheia no meio.

Confesso que a conversa, no início, foi bem estranha. Mas depois de pensar um pouco, entendi o que ocorria ali. Eles só... não perceberam o que acontecia um com o outro.

De qualquer forma, não ia ser eu quem iria ajudá-los. Tinha coisas bem mais importantes com o que me preocupar. Como o fato de que, quando estava voltando para o meu quarto, vi Lua Cheia saindo do dela.

Ela se virou e arregalou um pouco os olhos quando me viu. Um tom rosado começou a aparecer em suas bochechas. Ficamos nos encarando, sem falar nada. Eu torcia por dentro para que ninguém chegasse naquele corredor, seria uma visão bem estranha ver duas pessoas, cada um perto de um lado da parede, se encarando sem falar absolutamente nada.

"Bo-boa noite, Sai-kun." Hinata disse, mordendo o lábio inferior. Ela se virou para entrar novamente em seu quarto. Franzi o cenho. Por que ela estava fugindo de mim? Antes que ela conseguisse entrar completamente no quarto, segurei seu braço.

"Boa noite, Lua Cheia." Falei, sem pensar. Na verdade, eu iria perguntar por que ela estava fugindo de mim, mas essas palavras simplesmente saíram da minha boca.

Talvez eu soubesse que se eu perguntasse isso, ela desconversaria e fugiria. Não que o que disse tenha um efeito contrário, pois Hinata arregalou os olhos e corou mais. É, eu não devia ter dito Lua Cheia.

Nós continuamos parados, nessa posição. Eu segurava seu braço, ela estava quase totalmente dentro do quarto. Novamente o pensamento de que essa seria uma visão bem estranha veio, mas eu simplesmente o ignorei.

Hinata fechou os olhos e fez menção de tentar soltar seu braço, virando-se para o quarto. "Vai fugir?" eu deixei escapar em um sussurro, no ouvido dela. Percebi que seu braço se arrepiou e contive um sorriso.

"S-só quero que solte meu braço." Ela disse, firme. Atendi ao pedido dela e ela voltou-se novamente para mim. "O que você quer, Sai-kun? E-eu estava indo dormir." Hinata completou, fazendo-me levantar as sobrancelhas diante de uma mentira tão péssima.

"Nós sabemos que não estava." Eu não consegui evitar um revirar de olhos. Às vezes essa minha personalidade irritante simplesmente saía, até com Lua Cheia. "Bem, você disse que nós nunca mais conversamos depois daquela vez. E vejo que você não está com sono, assim como eu. Então, por que não conversamos hoje? Por que não agora?" falei, encarando o chão. Ainda não conseguia olhar firmemente nos olhos de Lua Cheia.

Levantei um pouco o olhar e percebi que Hinata mordeu o lábio inferior. O maior sinal de nervosismo dela. Talvez eu devesse ter me virado e ido para o meu quarto. Talvez eu devesse ter dito que ela não precisava fazer nada. Talvez eu devesse tê-la respeitado, pelo fato de ela realmente não querer nenhuma aproximação comigo.

Mas já era tarde demais. Eu já havia descoberto que precisava dela. Que eu não conseguiria nunca me afastar, nem se eu quisesse. Eu era mimado demais para fazer algo contra minha vontade.

E sou o maior culpado disso. Eu me acostumei a fazer as coisas do meu jeito. Eu me acostumei a fazer tudo o que eu quisesse. Eu me acostumei a ter tudo o que eu quisesse. E agora, com a entrada de Lua Cheia na minha vida, isso se tornava cada vez mais forte.

Ela me encarou, como se achasse que eu fosse embora depois de sua visível negação ao meu pedido. Mas eu não me mexi. Mantive um olhar firme, com algum esforço. Hinata então deu um leve sorriso, quase imperceptível. "Tu-tudo bem, então."

Sorri. "Ótimo. Então... Me permite entrar?" eu apontei para o quarto dela com a cabeça. Hinata franziu o cenho. "Esta noite está fria, então o quarto seria uma melhor opção para conversamos. Se quiser ir para o meu, tudo bem." Dei de ombros, tentando esconder um sorriso.

Eu realmente queria entrar no quarto dela. Porque lá estaria seu cheiro, seu toque. Lá estaria realmente ela. Eu sentaria em uma cadeira, sabendo que ela sentou ali. Ou eu sentaria em sua cama, sabendo que ela deitou ali.

Sim, eu já estava virando um obcecado, um psicopata. Mas sou assim. Não amo pela metade. Quando amo, amo completamente.

"Não... Pode entrar." Hinata disse, abrindo mais a porta e se afastando para eu entrar.

Eu entrei, e logo aquele aroma me atingiu. Aquele aroma inexplicável que vinha de Lua Cheia. Era bom, mas eu não conseguia associá-lo a qualquer outra coisa que eu tenha visto.

O quarto dela era igual ao meu, mas a diferença estava na essência. Aquele quarto tinha a essência dela. Tudo ali estava marcado com uma parte dela. Enquanto o meu quarto, ele só tinha o nada. Eu nunca deixava minha marca em ninguém, em nada. Talvez fosse por essas nossas diferenças que ela me atraísse tanto.

Optei por sentar-me no chão, com as costas encostadas na cama. Assim era mais seguro para minha sanidade. Hinata sentou-se do meu lado, ainda corada. Tão pateticamente linda...

"S-sai-kun eu..." Ela começou e eu ergui minhas sobrancelhas. Ela havia optado por começar? "E-eu realmente gosto de conversar co-com você." Ela falou, mordendo novamente o lábio inferior. Só queria saber porque ela ficava tão nervosa assim perto de mim.

"Bom." Eu disse, simplesmente. "Eu também." Completei, com a voz meio falha. Não iria permitir que minha máscara viesse novamente. Não quando eu estava no quarto dela, ao lado dela.

"Que bom..." ela murmurou.

"Lua Cheia..." eu comecei, provocando. Percebi que ela estremeceu. "Por que estava me evitando?" eu não ia deixar passar. Ela tinha que me dizer, apesar de eu ter certeza do por quê.

"Eu..." Hinata hesitou. "E-eu não sei direito. É só que... Não sei, ti-tive medo de que o-o tenha ofendido naquele dia. E-então quis dar um tempo para que-que me desculpasse." Evitei sorrir. Em tão pouco tempo, eu já a conhecia muito bem.

Isso era típico de pessoas tímidas. Elas sempre acham que estão fazendo algo errado quando mudam suas atitudes de sempre. Hinata definitivamente era uma dessas pessoas.

"Não me ofendeu." Eu disse, simplesmente. "Eu que ofendo as pessoas, lembra?" falei, tristemente. Era incrível o fato de as coisas que eu normalmente não falaria fluírem da minha boca quando eu estava com Lua Cheia. Talvez fossem seus olhos.

Ela deu um risinho nervoso, fingindo que achava que eu estava brincando. "Não diga isso..." ela falou, ainda rindo. Hinata realmente não sabia disfarçar muito bem.

"Eu ainda não entendo porque conversa comigo... Porque confia tanto em mim... Eu sou a pessoa menos confiável que você poderia encontrar..." Murmurei, como se estivesse falando mais para mim do que para ela.

Novamente, aquela expressão feliz e marota veio. "Como eu já havia dito, me diga primeiro por que me chama de Lua Cheia." Hinata sorriu.

Balancei a cabeça e pus uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha. "Um dia, quem sabe?" dei de ombros. Ela corou ao meu toque, mas manteve o olhar firme. "Mas e aí? O que ia fazer antes de eu assustá-la com minha presença?" eu perguntei e ela riu. Um belo sorriso, devo comentar.

"Não assustou. Eu estava indo em busca de um copo de água ou de leite. Estava sem sono, como você disse." Ela deu de ombros. A encarei por alguns segundos. Lua Cheia parecia... mais leve. Como se estivesse fazendo algo que já estava preso há muito tempo nela.

Franzi o cenho. Ela não podia confiar tanto assim em mim... Era perigoso demais. Eu poderia feri-la a qualquer momento, era só deixar minha máscara agir. Somente isso.

"Então eu a atrapalhei. Pode ir pegar sua água, eu espero." Eu falei, mas ela só negou com a cabeça.

"Não, tudo bem." Eu assenti.

Aos poucos, fui me perdendo em pensamentos. Hinata só estava calada. E um silêncio foi baixando no quarto. Percebi, mesmo que não estivesse prestando muita atenção, que Hinata mordera o lábio inferior. Ela ia falar.

"Me pergunto... No que você estaria pe-pensando. Ficou tã-tão calado." Ela disse, gaguejando um pouco. Ela não perdia essa 'mania'. Mas o comentário me pegou de surpresa. Eu não poderia falar que estava pensando em como ela e seu cheiro me enobreciam.

"Vai para a conta das coisas que irei te dizer para que você possa me dizer por que confia em mim." Disse, rápido. Era uma boa resposta.

Hinata pensou por um tempo e sorriu. "Justo." Ela deu de ombros. Ficamos em um novo silêncio, mas não porque estávamos perdidos em pensamentos. Estávamos nos encarando. Ela, curiosamente. Eu, um pouco desconcertado. Trocamos de posição, não?

Eu senti o ímpeto de por minhas mãos no rosto dela e depositar meus lábios nos dela. Mas... eu não queria afastá-la de novo. Porém, se continuássemos com essa proximidade, eu não iria conseguir me controlar.

"Acho que... o sono bateu." Dei um falso bocejo e me levantei. Hinata franziu o cenho para mim, mas se levantou também.

"Hai. Então... Boa noite, Sai-kun" Hinata disse, estendendo a mão.

Eu olhei para aquela mão tentadoramente macia. Mas olhei para o rosto de Lua Cheia. Bem mais tentador.

Segurei o rosto dela entre as minhas mãos. Sorri quando ela ficou extremamente vermelha. Aproximei meu rosto do dela. Ela parecia que iria explodir. E então, meus lábios tocaram sua testa. "Boa noite, Lua Cheia." Eu disse, e saí do quarto.

Uma expressão:

Confiante.
Determinada.

No dia seguinte, sorri ao ver as olheiras ao redor dos meus olhos. Não havia dormido quase nada, só pensando no que eu fiz na noite anterior. Eu estava realmente curioso para saber como seria o comportamento de Hinata naquela manhã.

Arrumei minhas coisas rapidamente, deixando o quarto como se eu nunca estivesse passado ali. Fui para a frente do 'palácio' do Kazekage. Lá estavam já Kurenai, que estava levemente pálida; Kiba, que brincava com Akamaru; Shino, que estava somente parado; Sakura, que ajeitava suas luvas; Hinata, que, quando me viu, olhou para baixo corada e Naruto, que tinha uma expressão confiante. Determinada.

"Yoshi! Finalmente você apareceu. Agora só falta o Kakashi-sensei e nós vamos para a missão!" Naruto disse, com os olhos brilhando. Lua Cheia o olhou e deu um pequeno sorriso.

Então a inveja veio.

"Não acha que está cedo demais para barulho, Pinto Pequeno?" eu aticei. Sabia que isso não faria Hinata se aproximar de mim, pelo contrário. Mas eu não pensava nisso na hora, só queria constranger Naruto.

Ele ficou vermelho e Sakura segurou seu braço, antes que ele avançasse para mim. "Sai, por favor, não tão cedo." Sakura pediu, dando um bocejo. Dei de ombros e me encostei na parede. Hinata ainda não olhava para mim.

"Yo!" Kakashi disse, se juntando à nós. Um homem de meia-idade o seguia. De cara não gostei dele. O cenho estava franzido, a face emburrada. Não parecia querer estar ali.

"Ah, finalmente! Vamos?" Naruto exclamou.

"Gaara-kun ainda quer falar conosco, já deve estar vindo. Então, vamos esperar." Kurenai disse, mas depois pareceu se arrepender disso. Estava ficando mais pálida.

Enquanto estava prestando atenção em Kurenai, Hinata levantou seu olhar para mim. A encarei, de sobrancelhas erguidas. Ela deu um tímido sorriso. Naquela hora, senti que poderia começar a agir como Naruto e sair gritando por aí. Dei um trêmulo sorriso, controlando a felicidade.

Definitivamente, eu ia adorar fazer essa missão.

Um sentimento:

A amizade.
Que, incrivelmente, estava nascendo forte.

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N/A: Yooo o/! Desculpem a demora, mas a inspiração sumiu para essa fic o.o'. Mas ela voltou agora e é o que importa 8D.

Hoje, batendo o recorde dessa fic \o/! Teve seis páginas, gente. Que lindo!!

Agradeço muito as review e vou decidir se as respondo por aqui ou por PM, não sei o.o'. Enfim, agradeço também à Chibi Anne, sobrinha querida, por betar.

Beijos! Amo³ vocês!