Disclaimer: Naruto não me pertence.
Nota: Consertando um pequeno erro: a missão deles é para a vila da Nuvem, no país do Trovão, não da Onda. Perdão pelo erro! Espero que gostem desse cap!
Nota 2: Obrigada à Hiei-and-Shino por betar s2
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A guerra, uma certeza
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Saí do lago e me assustei, pois duas luas cheias me encaravam.
Um gesto:
Um toque trêmulo.
Um que me matava aos poucos.
"Hinata..." sussurrei, sentindo um pouco daquele nome em minha boca. Era agradável, mas... Eu ainda preferia Lua Cheia. "Por que não voltou com Naruto? Por que não está lá com os outros?" Perguntei, aproximando-me um pouco, mas ficando, de certa forma, longe dela. Longe o bastante para eu não sentir seu cheiro. Eu ainda estava completamente encharcado e ficaria assim por um tempo até que minhas roupas secassem. Segurei um sorriso cínico.
O que a raiva não fazia comigo...
"Acho que... Eu que deveria lhe fazer essa pergunta, não é, Sai-kun?" ela falou, sem gaguejar – algo que cada vez estava ficando mais comum, talvez tivesse se acostumado à minha presença. Mas, em contraste, olhava firmemente para baixo.
"Estava quente. Acordei o Amante de Insetos para que ele ficasse de vigia e me joguei no lago. Só isso". Dei de ombros, olhando para qualquer lugar atrás da Lua Cheia. Uma mentira deslavada e contada perfeitamente... Não era algo de que eu devia me orgulhar, mas eu estava melhorando nisso.
"Vo-você... Viu?" Ela perguntou, agora levantando levemente o olhar para mim.
"Não vi nada que você não queira que eu veja".Respondi simplesmente, começando a andar para sair dali. A imagem de Hinata e Naruto se beijando ainda pulsava em minha mente. A raiva, que tinha se amenizado com a água fria, voltava a me consumir. E eu só queria sair de perto dela para enraivar-me em paz.
"Sai-kun..." ela murmurou, corando e andando até mim. Parei de andar. Quase corri para pedir que Sakura me desse um soco, quando percebi que só conseguia pensar em como meu nome saía doce na voz de Hinata. "Des-Desculpe-me... Eu..." e não disse mais nada.
"Não vejo motivo para desculpas. Conseguiu o que queria, não?" Sorri, cinicamente, não me importando nem um pouco com o tom irônico e rude em minhas palavras ou com o fato de que estava usando meu sorriso falso com ela. "Conseguiu o seu amado Naruto". Concluí, quase cuspindo o nome dele. "Aliás... O que faz aqui? Não devia estar com ele?"
"Eu vim aqui porque o vi se jogando no lago, quando eu e Naruto-kun saímos. E... Fiquei preocupada". Estava séria. Corada, mas séria. "E... Eu não entendo, Sai-kun, por que... Por que está com raiva?" Ela perguntou, num murmúrio, olhando para baixo. Estava trêmula.
Suspirei, olhando para aquela garota de aparência frágil, corada, nervosa, mas ao mesmo tempo preocupada, atenciosa e adorável. Pensei em mim mesmo, uma pessoa irônica, sarcástica e cínica. Não combinávamos nem um pouco. Suspirei novamente e só consegui decidir que, por enquanto, era melhor ignorar tudo. "Não é nada, desculpe-me. Só estou um pouco estressado por causa dessa missão tão cansativa onde temos que agüentar um idiota rabugento que só sabe reclamar". Ela me encarou, ignorei o leve tremor que seus olhos causaram em mim.
"Ah, assim e-eu... Fico menos preocupada". Sorriu levemente. Encarou-me, por uns instantes, deixando-me levemente curioso. Estendeu uma mão para o meu rosto e me tocou. Um toque trêmulo. Um que me matava aos poucos. "Va-Vamos voltar... Sai-kun". Ela disse, se virando e começando a andar. Assenti levemente, sorrindo ao ver sua face extremamente corada.
Algum dia desses, eu paro de ser tão patético.
"Mas... Sabe, Sai-kun..." ela falou, de repente, quando estávamos quase chegando ao lugar onde tínhamos acampado, parando e se virando para mim. "Naruto-kun não... Me ama realmente". Disse, sorrindo tristemente, antes de se virar e continuar a andar.
E só pude pensar no quanto eu era horrível por ficar feliz ao ouvir isso.
Um cenário:
A misteriosa vila da Nuvem.
Um lugar cheio de surpresas.
Depois de cinco dias repletos de resmungos, rostos corados, piadinhas infames, resmungos, socos, gritos, tédio, mais resmungos, um pouco mais de tédio e vários outros resmungos, chegamos à vila da Nuvem. Uma viagem que duraria no máximo três dias se este fosse um grupo menor e somente com ninjas. Mas, muito pelo contrário, tínhamos um Idiota Resmungão que não agüentava ficar nem ao menos trinta minutos andando sem parar.
Então, é de se imaginar como estava o humor de todos ali.
Kurenai estava cada vez mais pálida e cada vez mais saía de perto da gente, muito provavelmente para vomitar, e não estava com a menor vontade de escutar as ladainhas de um velho rabugento. Sakura constantemente bufava a cada fala de Kouta e constantemente apertava o punho. Kiba às vezes colocava as mãos nos ouvidos e ia mais à frente do grupo, uma boa escolha se quer minha opinião. Hinata vivia com uma cara de profundo tédio e sempre crispava os lábios quando mais alguma reclamação vinha. Naruto reclamava também, mas do velho, era o único que não agüentava calado. Shino e Kakashi pareciam ser os únicos calmos com a situação, mas um revirar de olhos era às vezes visto. E eu... Bem, eu guardava para mim mesmo meus comentários sarcásticos.
De qualquer forma, foi um alívio para todos quando chegamos à vila.
Quanto à Lua Cheia, desde o dia do lago, só falamos banalidades e o assunto 'Naruto' não foi mais tocado. E eles mesmos quase não se falaram depois. Definitivamente, não posso dizer que fiquei triste.
Muito pelo contrário.
Adentramos na vila e logo se notou algo estranho: não havia um guarda sequer na entrada. De certo, a vila da Nuvem não era exatamente uma vila forte e repleta de ninjas, mas chegar a ponto de não ter nenhum ninja na entrada da vila... Definitivamente, algo estranho estava acontecendo. De imediato, ficamos em alerta. Era até uma cena engraçada de se ver: oito pessoas com o cenho franzido, enquanto uma andava tranquilamente no meio delas. Logo, aquela sensação de estar sendo observado me veio.
Algo ali estava muito errado.
Kakashi, então, deixou o Idiota Rabugento ir um pouco à frente e fez um sinal para fizéssemos o mesmo. "Se formos atacados, deixem que nos prendam". Ele sussurrou, de modo que o homem que ia à frente não o ouvisse. Estávamos muito perto de descobrir o porquê da preocupação de Gaara e o por quê de ele ter selecionado um grupo grande.
"Por..." Naruto começou, mas logo resolveu se calar ao entender, em parte, a situação. Posso dizer que é um grande avanço para a capacidade mental dele.
Voltamos a andar normalmente, entramos cada vez mais naquela vila aparentemente deserta. Um lugar que, logo descobriríamos, estava cheio de surpresas.
Uma expressão:
Um sorriso cínico.
De quem? De ambos.
Adentramos mais na vila, onde não se via uma alma sequer. Um silêncio perturbador pairava no local e a sensação de estarmos sendo observados não me abandonava. O clima estava bastante tenso. Nem mesmo eu estava conseguindo parecer calmo. Minha mão segurava firmemente uma kunai dentro do meu bolso. Lancei um olhar de esguelha a Hinata. Ela estava extremamente apreensiva. Eu não tinha dúvidas de que tremia por dentro.
"Cidade calma, não?" Kakashi falou, olhando firmemente para o Kouta, mas o mesmo nada respondeu, só assentiu. Franzi o cenho... O infeliz entendimento começava a aparecer.
"Kouta-san?" Chamei. Precisava tirar a dúvida que martelava em minha cabeça. "Aonde você tem que se encontrar com o conselho daqui?" Perguntei. Todos pararam. Kouta se virou. Um sorriso cínico nos lábios. De quem? De ambos.
E todas as dúvidas se foram.
No instante seguinte, aproximadamente uns vinte ninjas saíram de onde quer que estivessem escondidos pela cidade e nos rodearam. "Seus..." Naruto começou, mas Kakashi fez um sinal para que parassem. Devíamos seguir o plano. De repente, um senhor de meia-idade entrou na roda, sorria abertamente.
"Ora, ora, olá queridos ninjas de Konoha... Sejam bem-vindos à Nuvem. Sou Kishima Suou. E, definitivamente, não sou um amigo". O sorriso não abandonava seus lábios. Quase ri. De certa forma, lembrava-me eu mesmo. "Bem, Kouta-san, queira juntar-se a mim. Temos muito que conversar..." ele continuou e o Idiota Rabugento gargalhou, juntando-se a ele. Eu disse que não tinha gostado dele... "E quanto a vocês... Divirtam-se". E saiu dali com o velho.
Logo, os vinte ninjas partiram para cima de nós. Definitivamente, nos subestimaram ao mandar somente aqueles. Provavelmente, acharam que mandariam ninjas não muito fortes para missão. Era quase impossível não revidar a golpes tão medíocres. Mas, para minha infelicidade, tínhamos de seguir o plano. E, as duas últimas coisas que vi ao deixar que me nocauteassem foi Hinata apertando os olhos e Naruto desmaiando, profundamente humilhado.
E desmaiei.
Uma descoberta:
A traição.
E do tipo imperdoável.
A primeira coisa que percebi ao recobrar a consciência foi que meus pulsos e meus tornozelos estavam algemados. Os pulsos a uma parede, os tornozelos a uma enorme e pesada bola. Não consegui não rir. Eu estava parecendo um daqueles prisioneiros de penitenciárias.
É, talvez eu fosse meio masoquista...
"Sai?" Escutei a voz de Kurenai, meio fraca, ao meu lado. Foi então que finalmente olhei ao redor. Estávamos em uma enorme cela. Kakashi, Shino e Kiba também estavam acordados. Hinata, Sakura e Naruto ainda não tinham recobrado consciência.
"Estou bem. Na medida do possível, claro". Falei, sorrindo, e Kurenai assentiu. Encarei-a por alguns instantes. Ela realmente parecia mal. "Kurenai-sensei... Posso fazer uma pergunta que está me intrigando há um tempo?"
Ela suspirou. "Se estou grávida? Bem, sim. Kakashi fez a mesma pergunta".
"Você não devia ter vindo..." comentei, suspirando. Eu não era muito fã de pessoas inconseqüentes. De pessoas assim bastava Naruto.
"Mais importante que isso é decidirmos o que faremos agora". Disse Kakashi, sério. "Mas, para isso, temos que esperar que todos acordem".
"Ah, bem, digamos que isso é fácil". Eu disse, lançando-lhe meu sorriso mais cínico. "Caham. Putinha Feiosa, quantos espelhos quebrou hoje com sua feiúra?" Falei, alto. Sakura começou a piscar levemente os olhos. Aquilo nunca falhava...
"O QUÊ? Desgraçado maldito! Espere só eu sair daqui e..." A voz da Haruno morreu. "Onde exatamente é aqui?" Ela perguntou, franzindo o cenho. Foi então que finalmente se lembrou do que acontecera. Sorri.
"Ok, próximo. Pinto Pequeno, hoje você pode comer quantos lámens quiser". Elevei a voz mais uma vez.
"SÉRIO?" O grito de Naruto ecoou por uns segundos e ele ainda parecia esperar a comida. Foi então que o entendimento veio e ele gemeu, chorosamente. "Não brinque com isso, Sai, eu realmente estou com fome...".
Sorri novamente. O pensamento de que, mesmo sem querer, eu havia feito muitos laços martelando na minha cabeça. "Agora..." olhei para onde Hinata estava dormindo tranquilamente. Seria uma pena acordá-la. "Hinata, você está dizendo o nome de Naruto enquanto dorme!" Exclamei, mesmo não gostando muito do que eu mesmo estava dizendo. Naruto me encarou, com o cenho franzido.
A Hyuuga arregalou instantaneamente os olhos, corada. "E-eu não quis..." murmurou e, ao perceber que todos a encaravam com um ar risonho, corou mais. "Desculpem".
"Agora que todos acordaram, temos que saber exatamente o que faremos". Kakashi falou, cortando o ar descontraído. Ele sabia ser desagradável quando queria.
"Bem, não vai ser muito difícil sair daqui, vai? Nos trancar na mesma cela, francamente... Devem ser um bando de amadores". Kiba disse, rindo. De uma forma animalesca, se quer minha opinião.
"Nunca devemos subestimar os inimigos". Shino cortou. E realmente fiquei surpreso por escutar sua voz.
"Nee, Kakashi-sensei, ainda não entendi muito bem porque tivemos que nos deixar prender". Naruto perguntou, com o cenho franzido.
"Não é óbvio? Para evitar um problema maior. Todos aqui sabem que somos de Konoha. A aliança de Konoha com a Nuvem já é bem fraca, por causa de toda a história com os Hyuuga..." Sakura falou e observei que Hinata crispou um pouco os lábios, diante daquela lembrança. "Se lutássemos, poderíamos acabar provocando uma guerra".
"Exatamente. E, além disso, temos saber primeiro o que está havendo aqui". Kakashi continuou.
"Aparentemente, Suna está mancomunada com a Nuvem..." Kurenai falou, séria. "Poderia ser uma conspiração contra Konoha?"
"Não! Gaara não nos trairia!" Exclamou Naruto, com o cenho franzido. Ele não podia estar mais certo.
"Então... O conselho poderia estar contra o Kazekage?" Perguntou Sakura, as sobrancelhas levantadas.
"Uma traição?" Hinata murmurou, assustada.
"E do tipo imperdoável..." concordei, suspirando. Depois disso, nos silenciamos. Cada um com seus pensamentos.
Dali pra frente, as coisas só iriam piorar.
Uma certeza:
A guerra.
Cada vez mais próxima.
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N/A: :OO. É isso aí! Não é mentira, não é piada, a Lua Cheia está atualizada! Gente, eu quase gravei isso... Mas enfim. O que acontece é que finalmente resolvi tomar vergonha na cara e atualizar o que eu tenho que atualizar \o/. De qualquer forma, eu estava relendo essa fic e me deu uma vontade imensa de escrever nela. E foi o que fiz. E, nossa, como minha escrita mudou. Mas enfim.
Quanto a fic, chegamos em momentos cruciais onde a enrolação vai viajar. E podem aguardar que ainda vêm muitas surpresas por aí. Muito SaiHinaNaru ainda vai rolar.
Bem, é isso. Agradeço imensamente pelas reviews. Amo vocês, chuchus!
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