Capítulo 5 - Conhecendo Pessoas.
No domingo, desceu cedo para tomar o café da manhã no bar. Logo em seguida, correu para o Beco Diagonal. Não sabia mais o que iria fazer lá, mas pensava em um jeito de arranjar aqueles livros. Ou de pelo menos lê-los. Provavelmente aquelas folhas possuíam conhecimentos muito mais interessantes do que toda a biblioteca de Hogwarts.
Antes se dirigir a Travessa do Tranco, entrou na loja de doces que havia ido no dia anterior. Compraria algumas coisas ali para a viagem, pois os doces eram mais baratos e com maior variedade.
Estava em frente a uma prateleira com sua cesta cheia até a metade, quando ouviu vozes chamando seu nome.
- Riddle! Olá. – Coline (nunca soubera seu sobrenome), a menina que conhecera no ano anterior no trem, veio sorridente até ele, seguida de Gustavo, seu irmão e Elias, um amigo.
- Oi. – Tom disse desanimado. Não sabia por qual motivo, mas a menina o perseguia insistentemente querendo ser sua amiga.
Coline e seus amigos eram da Grifinória e pelo que pôde observar, pareciam ser do segundo e quarto ano, o que agora seria o terceiro (ela) e o quinto (eles).
- Ei, é o Tagarela! – Gustavo riu. – Sabe, mesmo você sendo antipático, tenho que lhe agradecer.
- Pelo que?
- Bom, você nos ajudou a ganhar a Taça e ainda por cima deu uma surra no Bones, aquele palerma. – Elias respondeu por Gustavo.
- Tudo bem que você usou uma Maldição Imperdoável, mas nós o perdoamos. Amigos? – estendeu a mão.
- Quantas vezes preciso repetir? Não preciso de amigos.
- Todos têm que ter amigos. Nem que seja para fazer trabalhos para você. Mas com certeza não se deve ter amigos grifinórios e babacas. E que no caso, é a mesma coisa. – a resposta veio de um garoto loiro, tão loiro que quase parecia branco. O rosto era fino e pálido.
- Malfoy. Adorável como sempre. – Gustavo cerrou os punhos. – Saia daqui, seu idiota.
- Não, obrigado. Não vou deixá-lo infectar um dos nossos com seu ar de heroizinho.
- Vocês, sonserinos, sempre acham que irão dominar o mundo. – Elias puxou a varinha.
- E vocês, grifinórios, sempre acham que podem salvá-lo de nós. Que erro. – o garoto Malfoy puxou a dele também.
Tom observava sem esboçar reação alguma. Por ele, todos podiam se matar, contanto que o deixasse em paz.
- Parem vocês dois! Não têm ainda permissão para usar feitiço! – Coline gritou, nervosa.
- Não se dirija a mim, sangue-ruim. – Malfoy falou desdenhoso. – Aliás, o que temos aqui é uma bela corja de impuros. Não vou continuar aqui. – virou-se para Tom. – Você tem que aprender a conversar com as pessoas certas. Logo vai aprender que alguns bruxos são melhores do que outros. Vai me acompanhar?
- Não preciso que ninguém me diga o que devo fazer ou com quem devo falar.
Malfoy o olhou de cima a baixo, com uma sobrancelha erguida. Virou-se e saiu da loja.
- Uau! Gostei da resposta Riddle! – Gustavo sorriu.
- Não quero mais que falem comigo e nem que se aproximem de mim. – voltou-se para Coline. O sorriso dos três morreu.
Tom pagou pelos doces e saiu da loja. Encontrou com Malfoy parado na calçada sorrindo para ele.
- Gostei da sua atitude. – ele já não parecia mais tão confiante quanto se mostrara na loja. Tinha um olhar ansioso por seguir alguém mais forte do que ele. Um líder, e percebera isso em Tom. – Posso ser seu amigo?
- Não.
- Posso...hum...andar com você?
- Tudo bem.
- Eu sou Abraxas Malfoy. E você?
- Tom Riddle.
- Bem Riddle, nos encontraremos no trem. Vou apresentar você aos outros sonserinos.
Tom fez que sim com a cabeça e saiu.
Sempre se convenceu de que não precisava de amigos, mas e seguidores? Poderia ter um grupo de pessoas que o adorassem e esperassem ansiosamente por suas atitudes de líder. Tom sorriu. Para isso teria que fingir que eram amigos, é claro. Ninguém se submete a tal posição conscientemente. Ainda mais no momento, que tinha apenas 12 anos e ainda não podia mostrar muito poder.
E essa fixação de todos em ser sangue-puro. Nunca poderia se sentir superior a eles se não soubesse que tipo de bruxo ele era, que família tinha tido.
Precisava descobrir. Assim que chegasse ao castelo, seu objetivo principal seria: a biblioteca.
Acordou no dia seguinte muito bem disposto. Eram nove horas e a estação de King's Cross era praticamente ao lado do Caldeirão Furado, mas ainda assim queria ir bem cedo para não se atrasar. Imprevistos sempre podem acontecer.
Arrumou suas malas e segurou com a mão esquerda, a gaiola de Hel. Desceu as escadas e foi até o balcão. Depositou seus pertences no chão e chamou pelo dono.
Tom, o balconista, sorriu amargamente.
- É hoje que começam as aulas, não?
- Sim. – Tom, menino, respondeu simplesmente. – Quanto lhe devo?
O homem entregou ao garoto um papel com as diárias e os valores. Tom tirou algumas moedas de sua sacola e entregou a Tom.
- Boa viagem. – o homem desejou, mas Tom saiu apressado sem responder nada.
Seguiu a rua em direção à estação, atraindo olhares curiosos dos trouxas que passavam por ele. Provavelmente pensavam o que uma criança, sozinha, cheia de mala e com uma gaiola com uma coruja dentro, estava fazendo em meio a movimentada Londres.
Absorto em ler seu bilhete, ele não dava atenção a ninguém e finalmente chegou na plataforma 9.
Mirou seriamente a pilastra entre o 9 e o 10, respirou fundo e saiu correndo. A já conhecida estação do Expresso Hogwarts apareceu e Tom não conseguiu conter um sorriso.
Dirigiu-se a entrada de um dos vagões e subiu as escadas. Seguiu observando as cabines, para ver se encontrava alguma desocupada, quando uma porta se abriu e Malfoy apareceu.
- Olá Riddle. Quer se juntar a nós? – ele abriu ainda mais a porta corrida, deixando visível um grupo de mais quatro pessoas sentadas.
- Parece estar cheio...
- Não, não. Sempre cabe mais um sonserino. Venha.
Tom puxou suas coisas para o cômodo e olhou em volta com o semblante firme. Sentia-se estranho quando conhecia pessoas novas e ainda por cima que ele não iria torturar como no orfanato.
- Estes são Kian Allen, Leah e Erin Knight. – Kian era um menino muito bonito. Negro, alto apesar da idade provavelmente ser a mesma de Tom e de feições duras. Seu maxilar endureceu-se ao ver Tom. Parecia não ter se agradado muito de sua presença. – Leah e Erin são gêmeas. – Malfoy sorriu divertido e Tom entendeu o porquê.
Tom nunca conhecera gêmeas mais diferentes uma da outra quanto as irmãs Knight. Leah possuía o cabelo loiro escuro ondulado, olhos cinza e misteriosos e tinha um rosto redondo. Era bem mais alta que a irmã Erin, que se assemelhava a uma fada. Rosto fino, cabelos negros, também ondulados, e os olhos um pouco mais claros. Parecia bastante simpática e adorável, ninguém poderia dizer que era da Sonserina. Mesmo com tantas diferenças, ambas eram muito bonitas a sua forma.
- E este é Tom Riddle. – Kian não respondeu, Leah deu um pequeno cumprimento de cabeça e Erin sorriu.
- Olá, Tom. – disse, estendendo a mão para ele. Tom não entendeu porque seu estômago pareceu ter caído alguns centímetros, mas retribuiu o cumprimento e sentou-se ao lado de Malfoy.
- Estávamos conversando sobre como a escola caiu de qualidade, sabe? – Cameron continuou. Sua forma de falar era garbosa e metida.
- Meus pais disseram que no tempo deles ainda se tinha mais respeito. Agora se vê esses mestiços e sangues-ruins praticamente tomando conta do colégio. É ultrajante! – Kian olhou para Tom, desafiador. – Quem é sua família? Não conheço seu sobrenome.
Antes que pudesse responder a altura, Erin interveio.
- Havia muito mais controle na época dos fundadores. Só entrava quem merecia. – sua voz era meiga e suave. Tom desconfiava que apesar de toda essa aparência, ela poderia ser a pior de todos.
- Fundadores? – perguntou inocentemente. A cada ano percebia que sabia quase nada sobre o mundo bruxo e isso o deixava irritado. As pessoas o olhavam de forma debochada.
- Sim. Os que fundaram Hogwarts e as Casas que fazemos parte. – Leah respondeu com ar entediado. – Você não conhece essa história?
- Hum...acho que já ouvi o Chapéu Seletor cantar. – Tom se pôs a pensar. Queria saber um pouco mais sobre aquilo, apenas como curiosidade. Para fundar uma grande construção como aquela e uma casa ótima como Sonserina, Salazar (não tinha certeza se esse era o nome que ouvira uma vez do Chapéu) deveria ter sido muito valoroso.
Passou as horas seguintes observando pela janela e fingindo fazer parte da conversa do grupo. Nesse meio tempo, pegou o saco de doces que havia comprado no Beco Diagonal e começou a comê-lo.
Notou que o olhar de Kian estava sobre ele e se virou para encará-lo. Ficaram assim por algum tempo, até que seus companheiros de cabine perceberam a tensão e o silêncio pairou. Finalmente, Kian resolveu falar:
- Não vai comprar os doces da moça do trem?
- Não.
- Por que?
- Não te interessa. – Tom respondeu asperamente. Virou-se de volta para a janela.
- Suas vestes são de segunda mão assim como seu material. Disseram que você é órfão. Quem é a sua família? – perguntou bruscamente.
- Se eu soubesse da minha família, eu não seria órfão, não é mesmo? – perguntou entre os dentes, começando a se irritar com o abuso do garoto.
- Mas não sabe nada sobre eles? Se eram bruxos ou... – fez um esgar de nojo – trouxas?
- Não, não sei e mesmo se soubesse, acho que isso não seria de sua conta, não é? – os dois se encararam por mais alguns segundos, até que a risada doce de Erin cortou o ar:
- Ora! Tom jamais seria nascido trouxa ou mestiço...ou não estaria na Sonserina. Nosso sangue é nobre e somos os melhores da nossa raça. A raça pura.
Tom disfarçou o momento desconfortável por ter sido defendido e voltou a olhar a paisagem do lado de fora do trem. Estava anoitecendo e logo estariam em Hogwarts.
Mais um membro da família Malfoy para alegrar (ou entristecer) nosso dia. Eu imaginei que o Lucius era da época dos Marotos ou até um pouco antes, mas não da época do Voldie, então coloquei o pai do Lucius como seguidor de Tom jovem!
Espero que tenham gostado. Finalmente ele vai começar as buscas por suas origens e a reunir seguidores. Seus planos de grandeza só aumentam...
Sem falar desse pequeno sentimento, ainda modesto, que Erin despertou no pequeno Tom.
Reviews!
BarbieProngs - Cara, me sinto MT honrada por você dizer que minha fic parece ser escrita pela JK. É realmente um enorme elogio, afinal, ela que criou esse mundo todo! Mas eu entendo...deve ser complicado para quem não gosta dos malvados ler uma fic onde eles são os principais rs
Ahsoka's Padawan - Em enorme escala, você quer dizer rsrsrsrs
Lyanna - Sem problema. Minha vida também ta bem complicada rs. Só espero que continue lendo e gostando ^^
Beijos pessoal. Até sexta que vem (se o site assim permitir, pois eu não postei ontem por esse motivo. Esse site vive dando problema ¬¬)
PS: Consertei o negócio do nome do avô do Draco como vários me informaram. Obrigada pela dica.
