Capítulo 7 – Um Reencontro Inconveniente.

Tom acordou antes de todos e desceu as escadas sem fazer nenhum ruído. Não estava com muita vontade de se fingir simpático. Às vezes preferia estar sozinho como antes, sem ninguém perto dele, mas então lembrava que para fazer sucesso precisava ser conhecido, é claro.

Já havia feito sua higiene matinal, então foi direto para o Salão Principal com sua mochila nas costas.

Foi o primeiro a entrar no Salão. Nem mesmo os professores se encontravam no recinto e Tom sorriu com isso. Sentia-se em paz.

Abriu o zíper da mochila e tirou dali seu diário de capa preta. Abriu em uma página e começou a escrever sobre o dia anterior.

Não queria que ninguém o visse escrevendo suas memórias em um caderno. Provavelmente iriam perturbá-lo até não poderem mais.

Estava absorto em sua escrita, por isso nem notara que o Salão já estava a encher. Quando sentiu um peso sentando-se ao seu lado, despertou, agarrou o diário contra o peito e olhou em volta.

Vários alunos já estavam em seus lugares e a maioria dos professores também estavam presentes. Guardou rapidamente a pena, o tinteiro e o caderno em sua mochila e voltou a olhar para frente. Erin estava sorrindo para ele.

- Boa dia, Tom.

- Não me chame de Tom...por favor. – acrescentou. Nunca falava "por favor". Tom se sentiu um grande idiota por ter sido educado com a garota.

- Desculpe, Riddle. Não gosta do nome?

- Não o suporto.

- Hum...então vou chamá-lo de Pequeno Lorde. – ela riu. Tom fez uma careta de desagrado pelo deboche. – Não, é sério. Você parece um Lorde...bonito, pomposo e nariz empinado.

- Hunf... – ele a ignorou e começou a comer.

Malfoy chegou com cara de sono e sentou-se ao seu lado. Kian e Leah conversavam animadamente, até que se aproximaram da mesa. O semblante de Kian fechou-se e dirigiu-se ao lado oposto.

O correio-coruja começou cedo e logo uma das corujas das Torres estava a sua frente. Hel quase nunca trabalhava, pois quando havia cartas era sempre para ele. Tom nunca as enviava, se não para comprar algo.

Apanhou do bico da bonita ave e abriu o envelope. O nome do remetente estava com uma delicada letra.

"Senhor e Senhora Shaw."

Tom suspirou e se pôs a ler:

"Queremos lhe desejar um ano maravilhoso, querido. Sei que não tivemos muita chance para nos comunicarmos, mas já sentimos que você é nosso filho.

Estude bastante!

Sei que é um pouco cedo, porém caso queira passar o Natal conosco, mande uma carta para o endereço no envelope. O receberemos com imenso prazer.

De seus, esperamos, futuros pais, Henry e Honey Shaw.

PS: Não sabemos direito onde você estuda... a senhorita Candle pediu que enviássemos a carta para ela, que ela enviaria para você. Estranho. Acho que ela esconde algo."

Honey? Tom pensou, fazendo novamente uma expressão de descontentamento. Com tantos casais no mundo, porque aquela diretora idiota tinha que escolher logo dois palermas melosos para serem seus tutores? Provavelmente iriam vesti-lo com roupa de duende e fazê-lo cantar músicas natalinas se fosse passar as férias com eles. Não que tivesse, por qualquer momento, considerado tal possibilidade.

- Quem foi que te escreveu, Riddle? – Malfoy perguntou, olhando para o papel, curioso.

- Ninguém que mereça comentário. – guardou de forma pouco cuidadosa na mochila e voltou a comer. – Pode ir coruja. – falou balançando o braço. A ave levantou voo e saiu pela janela no alto da parede.

- Alguém do orfanato? – Erin disse. Tom deu de ombros.

- Mais ou menos.

O café da manhã acabou e todos se dirigiram para suas respectivas salas de aula. Felizmente, Kian era do terceiro ano, assim como Erin. Tom foi para sua aula de feitiços com Abraxas e Leah.

- Como é que, sendo gêmeas, ela é do terceiro ano e você do segundo? – perguntou para Leah.

- Sou atrasada. – falou parecendo amarga. – Demorei mais para desenvolver minhas habilidades. Meus pais acharam até que eu fosse um aborto e pensaram em dizer que eu era adotada. Afinal, não seria muito difícil...olhando pela primeira vez, ninguém diria que eu e Erin somos gêmeas. Só que depois que Erin estava cursando o primeiro ano, eu pude descobrir meus dons. Eu não conseguia fazer isso muito bem quando ela estava por perto...ainda não consigo. – disse essas últimas palavras sussurradas, mas Tom as ouviu.

- O que quer dizer com isso? – a menina não disse nada por um tempo. Malfoy então interrompeu o silêncio constrangedor:

- É aqui a sala.

Entraram e Tom viu seu antigo desafeto. Dumbledore estava sentado em sua mesa de professor e esperava os alunos entrarem. Seus olhos congelaram no menino e ele disse gentilmente:

- Bom dia, Tom.

- Bom dia, professor Dumbledore. – falou com certa dificuldade e sentou-se na primeira fileira.

Malfoy parou ao seu lado.

- Não quer sentar lá em cima? Aqui é muito perto...

- Não. Aqui posso pegar melhor os detalhes e falar mais facilmente com o professor.

O garoto de cabelos loiros olhou rapidamente para Leah que pareceu segurar um riso, mas logo disfarçaram. Dirigiram-se para os lugares vazios ao lado de Tom e sentaram-se.

- Tudo bem.

Quando o último aluno entrou, o professor fechou a porta e olhou sorridente para os alunos da Sonserina e Corvinal.

- Sejam bem-vindos de volta. Espero que tenham tido ótimas férias. Hoje começaremos a aprender feitiços um pouco mais complicados do que no primeiro ano. No ano passado, vocês não sabiam nem ao menos controlar muito bem suas habilidades, – o professor olhou rapidamente para Tom. Ninguém mais percebeu seu movimento, mas o garoto ficou sério e esticou as costas em ar de desafio. – contudo creio que nesse ano estão muito melhor. Mas como hoje é o primeiro dia, vamos começar com "aquamenti" e "aqua eructo". Alguém sabe o que são esses feitiços e quais as suas diferenças?

Tom ergueu a mão com uma expressão entediada, como se essa fosse a pergunta mais óbvia e idiota do mundo.

- Sim, Tom?

- Ambos são feitiços para produzir água da varinha. No entanto, "aquamenti" vem em um jato e em maior quantidade que "aqua eructu", que é em quantidade exata para o recipiente desejado.

- Muito bem. Dez pontos para Sonserina. – Dumbledore o encarou por um tempo e depois sorriu para os alunos. – Peguem, por favor, seus cálices...vocês compraram um, não é? Estava na lista. Isso mesmo. E agora vamos começar.

A aula se passou com alunos espirrando água em todos os cantos e molhando uns aos outros. Um dos poucos que não teve dificuldade alguma, foi, é claro, Tom.

Abraxas por fim irritou-se e jogou sua varinha para um canto e empurrou o cálice para o outro.

- Eu desisto. Mas afinal, para que existem dois feitiços para água?

- Se por acaso sua roupa, por um motivo qualquer, começar a pegar fogo, você vai querer um jato d'água ou um líquido que vai escorrer para o chão se não tiver um recipiente, senhor Malfoy? – Dumbledore falou por detrás de Abraxas que assustou-se e apanhou sua varinha de volta.

- Desculpe, professor. Tentarei novamente.

- Ótimo. Muito bom, senhorita Knight.

- Obrigada, senhor. – Leah respondeu contente.

Tom percebeu que o que ela dissera antes da aula era um fato. Quando Erin não estava por perto, a menina parecia muito mais feliz e seu rosto descontraía-se. Parecia, inclusive, mais bonita do que já era.

Qual seria a causa disso? Pensou Tom. Erin parecia ser uma garota simpática para uma sonserina. Simpática até demais, isso é verdade.

Ficou curioso e disposto a descobrir a razão. Porém antes, tinha outras coisas mais importantes a fazer.

Após a aula, não tinha muito tempo. Apenas dez minutos de intervalo até que começasse Herbologia, então teria que esperar o almoço terminar para ir ao seu adorado lugar cheio de livros.

Quando estava comendo, tentou ser o mais rápido possível, para poder se enfiar na biblioteca. Abraxas o olhou curioso.

- Por que está comendo tão depressa?

- Biblioteca. – respondeu sem dar muita atenção.

- Isso tudo é pressa de estudar?

- Não sei porque está impressionado. Você come de forma pior e sem motivo algum. Parece um dragão comendo.

- Ah...hum... – Abraxas ficou sem graça. Erin apareceu e sentou-se ao lado de Tom, ao mesmo tempo que ele acabava de engolir a última porção de frango.

- Oi, Riddle. – sorriu.

- Oi. – ele se levantou. – Tchau.

- Ei calma. – segurou seu braço. – Por que está sempre fugindo de mim?

- Não estou fugindo de você. Tenho coisas para fazer...até mais.

Virou-se bruscamente e acabou batendo de frente com uma pessoa que vinha do seu lado esquerdo. Caiu de volta no banco que estava sentado e esbarrou em um copo de suco, que derramou todo seu conteúdo na toalha branca.

- Não olha por onde anda? – Tom gritou irritado, massageando a cabeça, enquanto se erguia do banco.

- Desculpe, mas foi você que... – a pessoa parou de falar. Tom, ainda zangado, olhou para cima e viu um garoto esmirrado com o uniforme da Lufa-lufa, com os olhos arregalados. – Você!

Tom o achava vagamente familiar. Cerrou os olhos para tentar lembrar. Tinha cabelos cor de palha, olhos verdes e era muito pálido, de aparência frágil. Deveria ter uns 11 anos, então só entrara no Colégio agora. Como poderia conhecê-lo? Ainda mais sendo um lufa-lufa? Tom os desprezava mais do que todos os outros, por serem tão carentes de qualidade. Eram os que, provavelmente, o Chapéu não fazia ideia para que prestavam, e os colocava naquela Casa. Assim ele pensava.

Ah não ser que já o tivesse visto pelos corredores. Mas ele não observava muito o mundo a sua volta, só quando lhe era conveniente.

- Não se lembra de mim, não é? – o menino tomou um ar de raiva e fechou os punhos. – Daniel Scott.

Tom arregalou os olhos. Havia lembrado.

Daniel Scott era um dos meninos do orfanato. Um dos meninos que ele havia usado sua magia "involuntariamente".

Como mais um órfão daquele maldito lugar era um bruxo? Tom se sentiu ofendido e seu orgulho ferido, por não ser mais o especial entre aqueles trouxas.

- Ah! Então você parece ter lembrado... não percebeu que eu estava presente na seleção das Casas?

- Como você...? Você também é um...? – ignorou a pergunta, ainda abismado.

- Achou que só você era especial, é? – Daniel sorriu de lado.

- Sim... – Tom respondeu antes que pudesse se impedir.

- Acontece que eu estou aqui e ficarei de olho em você. Todos podem achar que você é apenas um pobre órfão tímido, simpático com os professores e que tira notas maravilhosas, mas eu sei que não é assim.

- Quem você pensa que é para me ameaçar dessa forma? – Tom o olhou irritado de alto a baixo. – Você é um...lufa-lufa. – fez uma expressão de nojo e cuspiu no chão.

- É melhor do que ser um imbecil egocêntrico da Sonserina.

Abraxas então deu um passo à frente puxando sua varinha e Daniel sorriu.

- Olha só...você fez amigos. Que coisa. Não se deixem enganar. – falou olhando Abraxas e Erin que também estava de pé e de varinha em punho. – Ele não tem amigos. Ele usa pessoas para seu divertimento e para seus objetivos. Amadinha que o diga, não?

Tom engoliu a seco. Ninguém mais no mundo bruxo sabia de seus...deslizes, além de Dumbledore. E nem podiam saber. Se descobrissem como ele verdadeiramente era, não poderia fazer as coisas e continuar impune. Seria descoberto.

- Nos vemos por aí, Riddle.

Pela primeira vez, Tom sentiu medo. Não foi um medo causado pela ameaça de um garotinho fraco, magricela e que nada sabia sobre magia como Scott. Mas sentiu medo por seus segredos. Sua vida em Hogwarts estava sendo ameaçada por um menino de 11 anos.

Precisava fazer algo a respeito e rápido. O que poderia fazer?

- Riddle? Você está bem? – era a voz de Abraxas que soava bem distante. – Você está...pálido. – ele parecia decepcionado. Provavelmente percebeu que seu novo líder havia ficado assustado com algo que um lufa-lufa dissera.

- Eu...tenho algo para fazer.

- Sim. Você ia à biblioteca, não?

- Isso. Nos vemos mais tarde.

Tom foi andando depressa, até que, sem notar, seus pés o deixaram em frente ao lugar desejado. Mas agora não tinha nenhuma vontade de procurar sobre Hogwarts e seus fundadores, ou até mesmo sobre suas origens. Ele precisava treinar legilimência.

Era isso. Havia descoberto o que fazer quanto a Scott.

Conseguiria aperfeiçoar-se nessa arte tão complicada e assim, descobriria segredos de seu inimigo, deixando-o à sua mercê.


Hey, pessoal. A fic do Teddy acabou, mas de outro personagem com T continua firme e forte rs.

Vou logo aos reviews para ver se consigo escrever alguma coisa na quarta fic (ha U.U).

Ahsoka's Padawan - Inveja do ar aristocrático dos Malfoy? rsrs Por que?
Não se preocupe, meu caro Padawan rs. Eu to ciente desses problemas. A Sprout eu ignorei. Coloquei ela mesmo e não pretendo mudar, mas a McGonagall e o Dumbledore como professor de feitiços terão suas explicações mais a frente ;D Não se preocupe.
Eu realmente pesquiso bastante para não cometer falhas na história da JK. Claro que sou humana, e erros como o nome do Malfoy avô já foi consertado.

LadyProngs24 - Gostei da sinopse! Vou procurar sim. Mais uma série p/ minha lista de mil rsrs
O relacionamento deles realmente deve ser bem conturbado, não? Dois sonserinos malvados rs
Sei lá...não consigo gostar dos Malfoy, apesar de que tinha me apegado ao Cameron. Só que agora que eu mudei o nome para Abraxas, parece outra pessoa U.U To tão triste por causa disso rs.

É isso. Espero que tenham gostado do capítulo.

Beijos e até semana que vem!