Capítulo 8 – Descoberta de Descendência.
Tom estava de volta ao orfanato e parecia um pouco mais jovem. Olhava de um lado para o outro para ver se alguém se aproximava do jardim e daquela árvore.
Sim. Um vulto estava vindo.
Um menino magrinho de aparência indefesa se aproximou arfando. Era Scott.
- Ei, amigo. Preciso de um lugar para me esconder. Priscila já contou até 57 e eu ainda estou aqui.
- Por que não sobe na árvore? – Tom perguntou indiferente.
- Ah não...tenho medo de altura. – respondeu, sorrindo sem graça.
- Oh. – Tom continuou a encará-lo, mas o garoto não percebeu. Havia escutado um barulho e virou-se para trás.
- Droga! Ela está vindo.
Ia sair correndo quando percebeu que seus pés já não tocavam o chão. Estava subindo em direção ao galho mais alto da árvore.
- Ei! O que está acontecendo...? – Daniel estava visivelmente apavorado. Olhou para Tom e viu que ele o olhava sério. – É você que...? – sentiu um deslocamento de ar e percebeu que se não segurasse em algum lugar rápido, iria cair daquela altura.
Abraçou um galho e conseguiu se equilibrar.
- Foi você! Como você fez isso? – perguntou com a voz esganiçada.
- Eu estava querendo ajudá-lo a se esconder. – não parecia ser inocente como tentava mostrar.
E então um cheiro de fumaça. Algumas folhas começaram a pegar fogo.
- AH MEU DEUS! Amigo! Me tira daqui!
- Eu não alcanço. – Tom respondeu sem nem mesmo esticar os braços em uma tentativa.
- Chame alguém! Socorro!
- Shhhh! Quer que Priscila te encontre? – sorriu de lado.
- Do que está falando? Eu... – e então algo diferente de suas memórias, aconteceu. Em vez de procurar alguém para ajudar Daniel, como havia feito realmente, Tom tropeçou para trás e o menino na árvore conseguiu cair suavemente ao seu lado. - ...também tenho magia, seu idiota.
Tom arregalou os olhos. De repente, a sua volta, estavam todos que conhecia. Bruxos e trouxas o encaravam com olhar inquisitivo.
- Ele tentou me matar! Não só a mim, mas Amada e Denis também! Matou o coelho e o gato de Carlinhos! Ele não é o que vocês pensam.
- Como você sabe do gato? – Tom perguntou, agora suando. – Ele está bem!
- Estou decepcionado com você, Tom. – Erin abanou a cabeça para ele.
- Um doente mental, como eu mesma havia dito. – era a diretora do orfanato.
- Você parecia ser um aluno tão aplicado... – Slughorn.
- Quase adotamos um psicopata! – a senhora Shaw chorava no ombro do senhor Shaw.
- Eu sempre soube que não deveria ter te trazido para cá, Tom. – era a voz calma de Dumbledore.
- Deveria ter sido mais discreto, idiota! – Cameron.
- Você será expulso de Hogwarts! – Tom olhou apavorado para a voz que declarava as palavras que mais o assustavam: o diretor Dippet. – Onde está o Ministro para mandá-lo a Azkabam?
- Estou aqui, diretor. E trouxe os dementadores...
- Não! Não! – Tom gritou. – EU VOU TE MATAR, SCOTT!
Tom acordou suado e respirando forte, como se houvesse caminhado quilômetros.
Olhou para os lados, para ver se seus gritos haviam ultrapassado a barreira do sonho e se seus colegas ouviram seus lamentos vergonhosos.
Todos continuavam dormindo em paz.
Após se acalmar, tomou um banho, trocou suas roupas e foi para a Sala Comunal. Sentou em uma poltrona e ficou olhando, pensativo, a lareira vazia.
Não podia deixar aquele menino assustá-lo daquela forma. Era ridículo.
Precisava treinar legilimência urgentemente, mas como? Achava que já estava em seu limite treinando solitário. Precisava de alguém, mas não poderia contar com seus colegas. Como faria?
Ficou nessas observações por mais uma hora, quando ouviu um barulho atrás de si. Virou-se surpreso, e deu de cara com um par de olhos grandes e simpáticos.
- Meu senhor não está com sono? – Tom lembrou-se das criaturas esquisitas que vira no ano anterior com Slughorn, na cozinha do colégio. Eram elfos-domésticos.
Pensou se daria o trabalho de responder ou não. Optou por não e voltou a admirar as cinzas da lareira apagada.
- Desculpe atrapalhar, senhor. – o elfo parecia triste por Tom tê-lo ignorado.
E então veio a ideia.
- Elfo, preciso de sua ajuda. Vocês têm nome?
- Sim, senhor. Me chamo Tori, às suas ordens.
- Poderá ajudar-me em algo, Tori? – Tom tentou ser simpático e a criatura ficou encantada.
- Ajudar um aluno de Hogwarts é o que mais desejo! Seria uma honra, senhor. Ainda mais um Slytherin.
- Gosta dos Sonserinos? – ergueu uma sobrancelha.
- Não Slytherin Casa, senhor.
- Não compreendo. Em todo caso, isso não interessa. Se quer mesmo me ajudar, sente-se naquela mesa à minha frente. – apontou para a mesa de centro que ficava entre a poltrona e a lareira.
O elfo correu para lá e sentou-se com as perninhas finas cruzadas.
- Muito bem. Vocês pensam, Tori?
- Sim, sim, meu senhor. Os elfos pensam bastante, mas não falam muito. Como o senhor! – Tori sorriu achando que, com esse comentário, havia agradado. Tom irritou-se com a comparação, mas como precisava do ser, ignorou.
- Ótimo. Agora cale-se e pense em qualquer coisa.
Tom olhou no fundo daqueles olhos castanhos brilhantes. Esvaziou sua mente e concentrou-se nos pensamentos do outro, esquecendo-se de seus próprios.
De repente, viu um flash, como se entrasse em um túnel com mil imagens a sua volta. Concentrou-se em uma delas e viu uma cozinha barulhenta com vários seres iguais àqueles correndo de lá para cá. Quando surgiu a imagem de Tori, tudo virou fumaça e Tom se viu novamente na Sala Comunal.
- Ei! – notou que o elfo espremia-se contra a parede e o olhava assustado.
- Por que o senhor estava na minha mente?
- Estou treinando algo. E você está proibido de contar isso a alguém. Olhe, agora toda madrugada treinarei com você. E você irá deixar, ok? – falou em tom severo. Lembrou que havia lido sobre essa espécie: submissa e obedecia a qualquer ordem de seus mestres. Como trabalhavam em Hogwarts, obedeciam a todos os alunos, apesar de muitos não terem conhecimento desse fato. O elfo concordou assustado. – Pode ir.
Após a porta se fechar, Tom bateu com o punho no braço da poltrona.
Por que não conseguia entrar na mente de alguém, sem que ele notasse sua presença?
Tinha que treinar mais e mais. Não importava se aquilo o cansasse. Iria ser melhor do que Dumbledore jamais foi. Seu futuro e de Scott, dependiam disso.
Quando o dia amanheceu, Tom não foi até o Salão Principal, tomar café. Dirigiu-se para a biblioteca.
Esta ainda estava fechada e quando bateu na porta, uma Madame Pince bastante irritada, abriu uma janelinha que ficava acima da maçaneta.
- O que você quer, garoto?
- Ler uns livros. – O que mais eu faria em uma biblioteca? Pensou.
- Sabe que horas são?
- Seis.
- Isso mesmo. Seis horas. E eu só abro às oito. – fez menção de fechar, mas Tom segurou a pequena janela.
- Por favor. É importante.
- Qual o seu problema? A maioria dos estudantes quer manter a distância daqui! E eu até gosto, pois posso dormir até tarde.
- Preciso...estudar.
- Bem, volte depois do almoço.
Bateu a janela e Tom suspirou. Teria que voltar mais tarde.
Foi para sua aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e a professora Merrythough abriu um largo sorriso ao vê-lo.
- Riddle! Como foi de férias?
- Ótimas, senhora Merrythough. – Tom mentiu mostrando um falso sorriso de volta, porém bastante convincente.
- Que bom! Estudou bastante? Aposto que sim.
- Claro. Li o livro inteiro. – sentou-se na carteira da frente. Malfoy e Leah chegaram alguns minutos depois e sentaram-se ao seu lado.
- O que aconteceu com você? Por que não apareceu para o café da manhã? – Cameron perguntou.
- Tentei ir à biblioteca, mas Madame Pince me expulsou.
- Bom, o correio coruja passou e essa carta chegou para você. A coruja não queria me dar e por isso espero que me recompense muito bem por essas bicadas. – mostrou a mão com cortes.
- Ah. Sinto muito por isso, mas não precisava se incomodar. – olhou o verso da carta que dizia "Senhor e Senhora Shaw". Amassou e com sua varinha, fez a bolinha ir para a lixeira, próxima ao quadro negro.
- Ei! Não vai nem abrir? – Cameron mostrou novamente a mão machucada. – Olha o que eu passei por aquilo.
- São só arranhões. Vá na Madame Mary que ela cura isso em um segundo.
- Mal agradecido.
Novamente, após o almoço, Tom despediu-se de seus colegas e foi para a biblioteca. Madame Pince olhou-o zangada e parecia sonolenta. Aparentemente, depois de acordada às seis da manhã, não conseguira voltar a dormir.
Foi pesquisar sobre o trabalho de casa de DCAT e Feitiços e encontrou uma página bem interessante.
O livro falava sobre um feitiço para apagar memórias selecionadas, porém, se usado de forma errada (ou até proposital) poderia apagar toda a lembrança da pessoa e até seu próprio nome.
Tom sorriu. Apanhou um pedaço de seu pergaminho, sua pena e molhou no tinteiro escrevendo no título: "Obliviate – para Scott". Adorava magia. Possuía tudo o que necessitava em um longo pedaço de madeira.
Ia fechar o livro, quando percebeu o título embaixo: "Oblivisci Potentem". Pôs-se a ler:
"Oblivisci vem do latim 'esquecer' e é o mesmo princípio usado no feitiço Obliviate. No entanto, em vez de apagar a memória, seguido da palavra 'potentem' (potens, do latim: poderoso), é possível alterá-la, criar uma não existente.
"Porém, para poder usá-la, o bruxo terá que ser capaz de usar a legilimência. Afinal, não é possível alterar uma memória que não se tem conhecimento. A não ser, é claro, que tal pessoa não se importe em causar um imenso estrago no cérebro alheio (o que normalmente, para quem usa esse feitiço, é comum)."
Hum...esse era mais um feitiço interessante. Talvez não fosse necessário em Scott, mas poderia servir um dia. Anotou também e terminou de fazer seus trabalhos.
Fechou os livros, recolocou-os no lugar e se dirigiu ao balcão de Madame Pince.
- Qual livro poderia contar sobre a origem de Hogwarts e a história dos seus fundadores?
A mulher o olhou com um ar entediado.
- Hum...vamos ver... que tal "Hogwarts, Uma História"? Ah não, esse deve falar sobre dragões. – respondeu com sarcasmo.
- Obrigado.
Tom odiava a bibliotecária, mas não havia nada que pudesse fazer. Talvez um dia, caso se tornasse diretor...
Espantou tais pensamentos. Deveria pensar mais alto do que o magistério. Talvez o Ministério.
Novamente fez que não com a cabeça. Não aguentaria ficar por trás de uma escrivaninha lotada de papelada, anotando coisas e recebendo ordens. Ele havia nascido para DAR ordens e não recebê-las.
Procurou com o fino dedo, o título que Pince lhe dissera. Encontrou o grosso livro e abriu no índice.
"Capítulo 1 – Um pouco da biografia de cada fundador. – página 10
– Godric Gryffindor: Gryffindor das Charnecas.
– Salazar Slytherin: Slytherin dos Brejais.
– Helga Hufflepuff: Hufflepuff das Planícies.
– Rowena Ravenclaw: Ravenclaw das Ravinas.
Capítulo 2 – O Encontro.
Capítulo 3 – Como Nasce Uma Ideia.
Capítulo 4 – Os Mistérios de Hogwarts."
E assim ia, até o capítulo 98, "O Passado, Presente e Futuro da Escola de Magia e Bruxaria".
Tom abriu na página indicada como capítulo 1 e se pôs a ler sobre a vida do fundador da Casa vermelha e dourada.
Não era nada tão impressionante e mostrava que, assim como seus alunos, ele era um homem que se importava com a coragem e amizade. Bufou.
Coragem até conta. Mas não é o essencial.
Passou para a biografia de Slytherin.
Era muito mais interessante e Tom se identificou incrivelmente com o homem. Tinha sede de poder e largou a escola quando notou que divergiam em opiniões sobre, por exemplo, sangues-ruins.
De novo essa palavra. Por que isso era tão importante? Vinha a explicação mais em baixo:
"Sangue-ruim é um nome depreciativo, chamado pelos que se consideram 'sangue-puro'. Um sangue-ruim pode ser um nascido trouxa (pai e mãe trouxas e filho que, por algum motivo que a bruxência ainda não descobriu, bruxo) ou um mestiço (um dos pais bruxo e outro trouxa). Porém, normalmente é mais comumente utilizado para nascidos trouxas."
O texto então voltou a se referir a Salazar e suas características. Sua vida, infância e etcs. Mas um trecho chamou sua atenção e Tom leu cuidadosamente.
"Salazar era ofidioglota e pelo que se sabe até hoje, sua família e seus descendentes são os únicos que possuem tal dom. Atualmente, é difícil achar um descendente dos Slytherin, mas caso queira saber a origem do seu sangue, é só descobrir se possui a ofidioglossia."
Mas o que afinal era ser "ofidioglota"? Tom largou o livro de lado e procurou algo que pudesse ajudá-lo na busca. Não perguntaria novamente à Madame Pince.
Achou uma capa intitulada "Dicionário Vol. I: Termos Trouxas" e ao lado "Dicionário Vol. II: Termos Bruxos" e ao lado o último "Dicionário Vol. III: Semelhanças e Diferenças".
Tom imaginou que aquele só poderia ser um termo bruxo, já que apenas a família de Salazar, que considerava de extrema importância ser puro, possuía tal habilidade.
Foi até a letra O e finalmente achou: "ofidioglota: aquele que possui ofidioglossia." Odiava dicionários. Olhou a linha de baixo: "ofidioglossia: capacidade rara de se comunicar com os ofídios."
O coração de Tom disparou. Ele se comunicava com as cobras! Diversas vezes! Não entendia porque conseguia compreender as cobras, mas não os outros animais e agora tinha o motivo: era descendente de Salazar Slytherin! Um dos bruxos mais importantes de toda a história do mundo mágico.
Oi ^^
Demorei-me novamente hoje, mas pelo menos não tanto quanto da outra vez rsrs. Já é meia-noite, então não postei na sexta-feira. Foi mal, gente.
Espero que tenham gostado desse capítulo. Ele finalmente descobre sobre sua origem. Claro que não ficará só por isso... ele continuará em suas buscas para saber mais da família.
E se ficarem com raiva do Tom por causa da forma que ele tratou o Tori...bom, eu também fico. Eu amo esse personagem, mas às vezes ele é mesmo muito seboso rs.
Vamos aos reviews \o/
Ahsoka's Padawan - Sim! Os trouxas ficam perturbando o Tom o tempo todo rs. E eu os coloquei super melosos para serem ainda mais insuportáveis na visão dele.
Você morou em Munique? Que chique! Eu também adoro estudar sobre monarquia. Acho História fascinante! Além do mais, eu estudo literatura e p/ mim é impossível não relacionar a literatura ao seu contexto histórico. Todos os autores escreveram suas obras por causa do momento em que viviam. Se fosse em outra época, a narrativa, a forma da escrita, suas influências...tudo seria diferente.
E eu fiquei sabendo desse fato, da morte do herdeiro na Air France.
Pode fazer propaganda a vontade rsrsrs
BarbieProngs - A história das gêmeas você descobrirá mais para frente. *mistério*
Que bom que amou o capítulo. Ah! Vou responder ao seu comentário da outra fic aqui: eu não te abandonei . é que to irresponsável mesmo. Peço mil perdões e entendo perfeitamente se você quiser me substituir... mas prometo que se você ainda me quiser como beta, eu vou betar os capítulos semana que vem (esse fim de semana vai ficar complicado). Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa.
SeraphValkyrie - Aeeee! Que sorte que encontrou a senha rs. Depois que eu esqueço, nunca mais lembro rsrsrs
Seu nome é mesmo Lyanna, então. Que lindo *.* Parece nome de princesa medieval. Adoro nomes com L.
Eu também acho que não é necessário rank M, mas vai que aparece um ser chato aqui e resolve me processar por destruir a cabecinha de crianças? Afinal de contas, ele é um menino de 12 anos que enforcou um coelho, tentou matar três colegas, torturou duas pessoas e esfaqueou um gato rs. E ele ainda vai ficar muito pior nas fics futuras. Muito pior mesmo.
E o Scott terá sua lição... *spoiler*
Beijos e até semana que vem. Tentarei postar direito U.U
