Capítulo 9 – Origem.

Tom estava deitado em sua cama, um leve sorriso trespassava seu rosto e seu coração ainda batia descompassado.

Agora entendia perfeitamente porque o pequeno elfo-doméstico comentou "Seria uma honra, senhor. Ainda mais um Slytherin." e depois completara "Não Slytherin Casa, senhor". Ele quisera dizer um descendente de Salazar. Mas então...

Como aquele inútil ser sabia de sua árvore genealógica quando ninguém mais o sabia, nem mesmo Tom?

Percebeu que quanto mais se aprofundava nos mistérios da magia, Hogwarts e de si mesmo, mais perguntas encontrava. Perguntas desproporcionais ao número de respostas e isso era, ao mesmo tempo que irritante, divertido.

Infelizmente tivera que voltar para seu quarto e dormir, mas no dia seguinte procuraria mais sobre sua família. Seu pai poderia ter sido um magnífico bruxo que todos respeitavam e sua mãe a mais bela senhora de extremo poder. Sentia-se inflado de orgulho e nem mesmo Scott poderia tirar isso dele. Scott era bruxo como ele, mas um bruxo qualquer, sem nenhuma importância, enquanto ele era um descendente de Salazar Slytherin.


Levantou no dia seguinte bem disposto e apressou-se em mudar a roupa, fazer sua higiene e descer para tomar o café da manhã.

Antes, porém, que abrisse a porta, Abraxas abriu os olhos e pulou de sua cama.

- Hey. Hoje você não vai fugir acordando mais cedo.

- O que está fazendo acordado agora?

- Faço a mesma pergunta.

Tom ficou calado e esperou que Abraxas se arrumasse. Desceram as escadas e antes que passassem pelo buraco da Mulher Gorda, uma voz feminina disse:

- Bom dia, meninos. Parece que caímos todos da cama, não é mesmo?

Erin, com seus cabelos castanhos escuros, descia radiante e Tom sentiu que seu coração novamente acelerou, como no momento em que havia lido sobre sua família. Não entendia porque se sentia dessa forma e odiava ser tão...fraco, por não poder evitar que aquilo acontecesse.

Leah vinha logo atrás, com o ar cansado e sério de sempre. Ou ao menos, sempre que estava ao lado de Erin.

- Bom dia, Erin. Bom dia, Leah. – Abraxas cumprimentou e todos esperaram a vez de Tom, que abaixou a cabeça contrafeito e atravessou o buraco.

- Ahhh o doce Riddle... simpático como sempre. – Erin falou divertida.

- Ei, Tom! – Abraxas parou ao lado dele. – O capitão do nosso time de quadribol veio me perguntar sobre você ontem. Estava te procurando.

- Para que?

Abraxas deu de ombros.

- Não sei, mas provavelmente para perguntar se você quer fazer os testes que começam semana que vem. Você vai? – Tom não prestava muita atenção e mudou o assunto.

- Malfoy...

- Pode me chamar de Abraxas, cara. – respondeu sorrindo.

- Malfoy, – Tom repetiu e continuou como se não houvesse sido interrompido. – o que você sabe sobre a família de Slytherin?

As meninas vinham logo atrás, conversando em voz baixa de forma ininteligível. Abraxas o olhou ofendido por ter sido ignorado duplamente, mas respondeu:

- Bem...sobre a família? Não muito. Só que ele casou com uma bruxa desconhecida, mas de família importante e teve cinco filhos. Três se mataram pela herança, varinha e principalmente pelo colar que ele tinha, já que tudo isso seria dado para o mais velho. Então o segundo mais velho matou o primeiro, e o terceiro, matou o segundo. O terceiro morreu envenenado e ninguém nunca soube quem foi, mas acham que foi o segundo, antes de morrer, para garantir que não tentassem roubar seu lugar. Claramente não deu certo. – soltou um risinho. – E então o quarto foi preso e morreu em Azkabam, muitos anos depois da morte de Salazar e o último filho foi o que deu a continuidade à família. Mas era um irresponsável idiota e acabou com toda a fortuna deles.

- Hum...ok. Mas e então? Existem descendentes..?

- Se existe, ninguém sabe quem são. De vez em quando aparecia um ou outro dizendo que era o tal, mas como com o passar do tempo, o sobrenome Slytherin se perdeu, fica difícil achar quem está falando a verdade e quem não está.

- E qual foi o último relato que se tem conhecimento sobre essa família?

- Hum...acho que foi um velho que tinha um filho doente e uma filha patética. – Abraxas deu de ombros. – Vivia se exibindo, mas era um perdedor. Provavelmente esquizofrênico e inventava essa história. Só sei que deram muito problema ao Ministério anos atrás. Meu pai trabalha lá e me contou isso.

Tom estava hiperventilando e mal podia conter a voz para mantê-la normal, ao perguntar:

- E...você sabe o nome desse homem?

- Não me recordo, mas posso perguntar ao meu pai se quiser. Por que está me perguntando tudo isso?

- Ah... – Tom espantou a sensação de decepção misturada à exaltação de antes e voltou a aparentar indiferença. – por nada. Queria apenas saber melhor sobre a história da nossa Casa. Como nasci em ambiente trouxa, não sei muita coisa e estou recolhendo informações.

- Ah sim. Ok então. Mando uma carta hoje ao meu pai e lhe digo depois.

Tom concordou e agradeceu.

Seus pensamentos fervilhavam. A informação poderia ser inútil e o velho que Abraxas comentou um louco, mas pelo menos era uma pista.

Fez questão em observar Abraxas escrevendo ao pai, para ter certeza de que ele o faria. Observou a coruja abrir as asas e atravessar a janela no alto da parede do salão.

Estava próximo, bem próximo, de saber sua origem.


Oi, pessoal. Espero que tenham gostado de mais esse capítulo apesar de ser curto.

E espero também que não se importem, mas vou deixar para comentar os reviews semana que vem, ta?

Beijos.