Capítulo 10 – Lembranças.
Uma semana se passou e o senhor Malfoy não respondeu. Abraxas se desculpava dizendo que o pai devia estar muito ocupado, pois o Ministério estava sofrendo um sério processo por ter pulverizado o cachorro de uma senhora rica e de família muito importante, acreditando que ele era um dragonete. Tom não sabia o que era um dragonete e nem tinha interesse em descobrir, queria apenas um nome.
Pesquisou dias e dias na biblioteca, mas nada parecia falar sobre a família anônima, provável descendente do fundador da Casa verde.
Nas aulas, Tom estava como sempre: o que sempre respondia e que fazia os professores vibrarem.
Como Abraxas, Erin e Leah resolviam agora acordar sempre mais cedo para encontrá-lo, Tom combinou com Tori para treinarem Legilimência de madrugada.
Levantava-se no meio da noite e silenciosamente descia as escadas para a Sala Comunal.
Tori sempre estava lá, tremendo e hesitante, mas não desobedecia Tom em momento algum.
Já conseguia entrar na mente de Tori sem que ele notasse, e ficava quase o tempo todo que desejava nas memórias do elfo. Para Tori, seu mestre apenas ficava encarando-o seriamente, porém com experiências anteriores, sabia o que ele estava fazendo.
Seu próximo passo era conseguir manter uma conversa normal, saber o que estava acontecendo no presente ao mesmo tempo em que divagava na memória alheia.
Deixou o comentário que o corroia há dias, especialmente para essa aula, pois sabia que quando falasse, traria para mais perto a lembrança que tinha ligação com o que desejava.
- Tori – Tom começou olhando-o seriamente, com a mão apoiada no queixo e o dedo indicador na boca. – por que disse que era uma honra servir a um Slytherin?
O elfo gaguejou, mas finalmente forçou um sorriso.
- Tenho afeto pelos sonserinos, senhor.
- Não pense que sou idiota, Tori. Você disse que não se referia à Casa.
- Jamais pensaria que o senhor é idiota! – parecia nervoso. – Perdoe Tori, ele está ficando um elfo velho. Não sabe mais o que diz...
Tom se levantou em um repente que fez o elfo-doméstico se encolher e arregalar seus, já enormes, olhos.
- Tudo bem. Vamos começar. – conseguiria mesmo o que queria. – Bem, Tori. Como foi seu dia?
Confuso com a mudança de assunto, ele respondeu:
- Foi normal. Fiz a comida do café-da-manhã...
Tom estava em uma sala escura e via Tori também fazendo comida, mas era em uma cozinha diferente da de Hogwarts...
- ...mas então Gin disse que eu queimei a torrada! Eu não queimei, foi a...
Um homem alto de feições sérias o encarava.
- Espero que a comida esteja boa hoje, Tori. Ou receberá roupas!
- Roupas não senhor! Tudo menos roupas!
- ...e então eu fui descansar. Os elfos fazem troca de turnos, sabe? Quem faz café da manhã faz a janta também.
- Eu sei que ainda é um elfo-doméstico jovem e sem experiência, mas isso não é desculpa. Não gostaria de desonrar a sua família que serviu há tanto tempo a minha, não é?
- Claro que não, senhor...
- E quem prepara o almoço, fica com a limpeza.
- Então você hoje não ficou responsável pela limpeza? – Tom perguntou.
- Sabe Tori...espere. Vou te mostrar algo especial que poucos da sua família têm conhecimento.
- Ora! É uma grande honra para Tori! Ele não merece tanto...
- Não, não. Mas estou aqui para servi-lo! – disse contente e orgulhoso de si mesmo.
- Ótimo. E foi só isso que você fez?
- Cale a boca e venha.
O homem abriu um cofre com a varinha e retirou algo brilhoso de seu interior.
- Isso, Tori, prova que meu sangue é mais do que puro. Sou mais importante do que qualquer outro bruxo! Olhe isso...
- Não. Limpei o escritório de Dumbledore, do diretor Dippet...
- Mesmo?
Tori viu então um grande medalhão dourado. Entalhado em sua frente havia uma cobra com olhos de safira.
- Eu sou tataraneto de Salazar Slytherin!
Os olhos do elfo arregalaram-se.
- E o proíbo de contar isso para alguém! Ouviu bem? Ou eu te mato...
- Não precisa ameaçar, senhor. Tori não falará.
A memória acabou. Tom viu que o elfo falava sobre Dumbledore indo para o escritório de Dippet e que Tori, acidentalmente, ficara preso em um armário esquisito.
Tom queria saber como e porque o ser havia saído da casa de seu patrão. Procurou alguma lembrança que lhe chamasse atenção, mesmo naquela cabeça inútil.
Estava novamente na mesma cozinha, mas parecia diferente. Alguns anos devem ter se passado.
O patrão de Tori conversava com um homem esquisito, cabeludo e de aparência asquerosa.
- Aquele medalhão me pertence, Murderer!
- Não pertence, não, meu irmão. Eu sou o mais velho e ele é passado para o primogênito. Que pena ter nascido por último.
- Que pena que você tenha nascido.
- Dumbledore começou a falar, mas Tori não queria ouvir...ah não senhor...eu não deveria ter ouvido! – choramingava.
- O que quer dizer com isso, Marvolo? – a voz era agora ameaçadora.
- Quero dizer que ninguém me respeita ou acredita que sou descendente dele!
- Até eu custo a acreditar... – falou com desprezo.
- Cale a boca!
- O máximo que posso fazer para te dar uma ajudinha, "mano", é lhe entregar esse anel. Sempre o achei grosseiro mesmo. – entregou um anel com uma grande pedra. Tori respirava rapidamente, pois sentia que aquilo não agradaria o outro bruxo.
- Mas eu escutei...
- Pode falar, não contarei a ninguém.
- Bem, eu o escutei falar sobre um aluno.
- Uhum...
- Já chega! Cansei da sua arrogância e de querer me deixar sempre por baixo! Eu não sou inferior a você!
- Isso é o que você diz. – Murderer deu de costas, o que foi um grande erro. Marvolo empunhou sua varinha e gritou.
- Avada Kedavra! – um jato de luz verde bateu no homem que caiu de olhos arregalados no chão.
Tori segurou um berro e tentou tornar-se invisível, mas o medalhão que seu falecido senhor segurava, rolou em sua direção e Marvolo o viu.
- Disse que Slughorn conversou com ele e que ele estava desconfiado...
- Desconfiado...do que? – perguntou sem interesse. Era incrivelmente complicado não dar total atenção àquela outra cena.
- Elfo! Venha cá.
- Meu senhor Marvolo... – ele soluçava e gordas lágrimas caíam dos seus olhos. – Meu senhor Marvolo... – repetiu.
- Você poderia ser meu agora, já que ele morreu. Mas não preciso de escravo. – apontou a varinha para Tori que, ato-reflexo, o empurrou. Rapidamente apanhou o medalhão e estalou os dedos. Antes que se fosse, ouviu ainda Marvolo gritar: "volte aqui, seu elfo desgraçado!".
Tom voltou a ver somente o presente. Seu cérebro trabalhava rápido. Então aquele ser estava com o famoso, histórico e importante medalhão de Salazar Slytherin? O medalhão que, por direito, lhe pertencia.
- O professor Slughorn disse que seu bezoar e alguns outros ingredientes sumiram...
Tom saiu de seu devaneio.
- O que?
- Sim, sim. O professor Slughorn descobriu que vários de seus ingredientes eram duplicatas.
- Como? – Tom perguntou assustado.
- Não sei, senhor. Talvez não tenha sido bem feito...quem roubou, se foi um aluno como Dumbledore desconfia, não conseguiria enganar um professor com tanto tempo de experiência como o professor Slughorn, não é?
- E Dum...o professor Dumbledore desconfia, especificamente, de alguém?
- Quando ele ia continuar, encostei muito meu peso na porta e o armário sacudiu. Dumbledore pediu permissão de Dippet para abri-lo e me salvou. Pedi muitas desculpas...ainda bem que são bons homens...
Tom se via em um terrível dilema. Queria saber desesperadamente se Tori estava ou não com o medalhão e exigi-lo para si, mas ele poderia ajudá-lo a descobrir se Dumbledore desconfiava dele ou não. Seu futuro em Hogwarts dependia disso. Se colocasse o elfo contra a parede, poderia não conseguir nem uma coisa, nem outra.
Decidiu deixar para descobrir sobre o medalhão em um outro momento e finalmente falou:
- Tori, preciso de sua ajuda novamente. Suas aulas foram muito úteis e consegui muito além do que eu esperava. Mas agora, preciso de você para outro serviço.
Os grandes olhos dele brilharam maravilhados.
- Pode falar, senhor!
- Preciso que vigie Dumbledore para mim. Descubra o que ele sabe e me conte tudo! Não seja pego.
- Mas...vigiar Dumbledore? Eu...ele me deu trabalho quando eu necessitei, não posso...
- Tori. Você quer ajudar um Slytherin ou não? – ainda não sabia como o elfo descobriu sua origem, mas uma coisa era certa: com essas palavras, conseguiria uma confirmação.
- Claro! Farei tudo para ajudar novamente um Slytherin.
Saiu da Sala Comunal arrastando os grandes pés achatados e Tom sentou-se na poltrona.
E se Dumbledore desconfiasse? O que poderia fazer?
Gente, desculpas de novo por não ter postado na sexta. Dessa vez eu realmente estava sem ânimo nenhum...foi mal. E hoje eu passei o dia fora e quase me esqueci!
Mas agora "tamo" aí rs
Eu não respondi aos reviews no cap passado, porque eu já tinha escrito toda a minha nota quando minha internet caiu ¬¬ aí ia ter que escrever tudo de novo. Fiquei com preguiça, me irritei e deixei p/ agora rs. Vamos lá!
Reviews do capítulo retrasado, já que não tive nenhum do 9.
BarbieProngs - O Tom sempre será metido rsrsrs independente de sua descendência, mas agora realmente ele vai ficar abusadinhor rs
Não te abandonei! Sou só uma pessoa confusa e um tanto preguiçosa rs. Mas te mandei alguns capítulos, viu? Amanhã vou ver se mando mais uns 3.
Será que o Daniel lascaria o Tom? rs Hum...não perca os próximos capítulos...
SeraphValkyrie - Com certeza ele vai se tornar bem insuportável rsrsrs mas não consigo deixar de amá-lo! Que coisa!
LadyProngs24 - review 1: Pottermore...sempre esqueço de ir lá . O que tem de interessante no site? Vou ver se vou depois de postar a fic. Como faço p/ descobrir de que Casa eu sou lá? . Eles nunca me mandaram um e-mail sequer, mesmo eu tendo me registrado T.T
É claro que Erin tem uma mente do mal...ela é uma sonserina! No mínimo, um aluno da Sonserina tem q ser sedento por poder rsrs
E imagina o Tom vestido de duende! kkkkkkkk acho que vou tentar desenhar isso. Se der certo, vou postar aqui rs
E, apesar de odiar a ideia de comparar o Rony com qualquer Malfoy, eu também lembrei dele quando escrevi essa cena do Abraxas comendo que nem um porco selvagem rs.
review 2: Também não gosto quando o Tom é mal com o Tori ou qualquer outro elfo-doméstico. Fico morrendo de peninha...
E Madame Pince é uma mala . por que alguém gostaria dela?
Seria MUITO legal se JK publicasse "Hogwarts, Uma História", mas acho que se eu pudesse escolher, preferia o livro "The Marauders" rsrsrs
Se vão acreditar que ele é herdeiro? Hum...veremos...
Beijos e até semana que vem.
