Capítulo 13 – Dois Dias de Tédio.

- Marvolo Gaunt? – Tom lembrou-se do que viu nas memórias de Tori: Marvolo e Murderer brigando pelo medalhão. Tori foi elfo-doméstico dele. É claro! Por que não pensou nisso antes?

- Uhum. Tenho, inclusive, o endereço dele, se quiser. – Abraxas entregou um pedaço de pergaminho. Tom abriu e leu. Não reconhecia o endereço, mas também nunca saía muito. Seus lugares, além do orfanato, eram Hogwarts e Beco Diagonal. Nem mesmo Hosmeade ele ia ainda.

E mesmo que soubesse onde era...o que faria quando chegasse na casa de Marvolo? Pediria para tomar um chá e depois contaria que era seu parente? E então...? Se abraçariam e começariam a chorar por finalmente encontrar sua família?

Tom sentiu vontade de rir quando pensou em tal possibilidade. Mas realmente não sabia que atitude tomar. Ir pedir explicações de quem eram seus pais, talvez fosse um começo.

Pensaria nisso mais tarde. Ainda tinha o restante do ano para passar em Hogwarts, sem poder sair para nada, então pelo menos poderia ruminar melhor a ideia e agir de forma pensada, e não precipitada.

- Agradeça seu pai. – falou automaticamente, sem tirar os olhos do papel. – Posso guardar comigo?

- Claro. Bem, parece que você vai perder a festinha do Slughorn, né? – Abraxas falou com um ar de felicidade contida.

- Parece que sim. – respondeu sem se importar.

Nesse momento, as portas da enfermaria se abriram e Erin e Leah entraram.

- Olá, Lorde. – Erin sorriu e sentou-se ao lado de Abraxas. – Soube que quebrou a cabeça.

- Não é bem assim...

- Não se preocupe, eu e Abraxas pegaremos a matéria para você. – Leah respondeu. Estava bastante pálida e olhava para o chão.

- Quando vai poder sair da cama? – Erin perguntou.

- Daqui a dois dias. – respondeu consternado e apertando o punho. – Se eu pego Greyback...

- Acalme-se. Dois dias passam logo. E pense pelo lado bom: perde as aulas e ainda vai na festa do Slughorn!

- Como assim? – Abraxas perguntou. – A festa é amanhã.

- Ele adiou. Perguntou à Madame Mary quando que Tom teria alta e transferiu a festa para daqui a três dias. Achou falta de respeito dar uma festa quando um de seus principais convidados estava acamado. E ainda deixou um dia para que ele descansasse.

Tom ergueu uma sobrancelha e olhou curioso para Abraxas, analisando cuidadosamente seu semblante. Ele, por usa vez, tentou esconder a raiva e deu de ombros.

- Hum... – foi o que respondeu.

- Mas de qualquer forma perco aula... – Tom sussurrou e Erin riu.

- Nerd. Bem, nós não temos a sua boa vida, então temos que ir para a aula. – levantou-se. – Vamos, Abrie? Leah?

Abraxas foi até a menina, mas Leah permaneceu sentada e olhando para seus joelhos.

- Acho que vou ficar aqui...

- Nós temos aula. – a voz de Erin era agora fria e autoritária. Leah olhou para ela e seu corpo tremeu. Então, voltou a sorrir como sempre. – Não podemos perder aula! Vamos, maninha. – deu o braço a ela e saiu andando de forma graciosa. Leah parecia ainda receosa.

O comportamento de Erin era muito estranho. Ela parecia conseguir amedrontar a irmã em segundos. Tom sempre a achou dissimulada, afinal, uma pessoa da Sonserina não poderia ser assim tão simpática como ela era. Será que ela ameaçava a irmã? Ou fazia coisas piores...?

Isso fez o coração de Tom disparar ainda mais. E mais uma vez, a raiva surgiu. Ele não podia gostar dela. Não podia.

E não ia.


Os dois dias estavam se passando de forma muito lenta. Era uma verdadeira tortura ficar o tempo todo deitado sem poder fazer absolutamente nada.

Umas duas vezes por dia, Abraxas aparecia para lhe dar olá e junto com Leah entregar os trabalhos que eram passados pelos professores.

Erin também se fazia presente. Sempre tentava manter uma conversa normal com Tom durante horas, cismava em mexer em seus cabelos e chamá-lo de "Lorde". Depois que percebia que a conversa não iria mais adiante, dizia que precisava atualizar seus deveres e estudar um pouco. Então lhe dava um beijo no rosto e saía alegremente.

Por algum motivo, Tom aguardava ansiosamente a volta dela nos horários vagos.

Na noite do último dia que teria que ficar preso ali, a enfermaria estava silenciosa.

Madame Mary já havia ido se deitar e dado a ele um remédio para a dor e insônia. Infelizmente, não parecia surtir algum efeito, pois, pelo que pareceu a Tom, ficou admirando a chama da vela ao lado de seu criado mudo por uma hora e meia.

Quando finalmente seus olhos começaram a pesar, ouviu um estalo vindo do lado de sua cama. O sono se dissipou rapidamente e Tom se viu encarando grandes olhos azuis.

- Boa noite, senhor Riddle. – a voz fina de Tori, sussurrou.

- Tori! Pensei que tivesse esquecido de nosso trato. Como vão as coisas?

- Ahhh muito boas. Surgiram novos elfos-domésticos para ajudar nos afazeres da cozinha e agora teremos carne de porco no cardápio. Sem falar da nova marca de cerve..

- Não quero saber disso! E Dumbledore! E Dippet? – perguntou ansioso.

Tori abaixou a cabeça, chateado por seu assunto não ser de interesse do seu mestre, e se limitou em responder:

- Dumbledore voltou.

- Hum...e então? Soube de mais coisas?

- Ele andou conversando com Dippet e acha que pode ser um aluno da Sonserina que fez isso. Ele não quer criar um ar de preconceito e por isso não falou nada, mas disse que tem seus motivos para acreditar que era um aluno da sua Casa, senhor.

Tom prendeu seu maxilar e pensou: ele sabia. Ele sabia que era Tom. É claro! Dumbledore nunca confiara nele.

Será que ele percebeu que não conseguia mais entrar livremente nos pensamentos de Tom? Sim, ele não havia ainda aprendido a Oclumência, mas já sabia que desviar o olhar era um bom início. Mas sabia muito bem, que se ficasse em uma sala trancada e sozinho com ele, por mais de dez minutos, logo Dumbledore descobriria até de com quantos anos havia dado seu primeiro passo.

Precisava aprender logo a oclumência...assim como dar um jeito para que as suspeitas sobre ele sumissem. Ou caíssem sobre outra pessoa...


Gente, desculpa por mais uma vez atrasar a postagem em uma semana. É que a minha vida está realmente bastante conturbada...(p/ não falar "uma sucessão de merdas" rs) tanto que nem vou responder aos comentários, ta? Desculpas de novo.

Beijos.