Capítulo 17 – A Culpa da Inocência.

Tom estava parado no meio do campo de quadribol, com seu novo uniforme, a vassoura usada do colégio e cercado pelos outros integrantes do time. Robert falava com eles, dava instruções e ensinava táticas de jogo e manobras. Também chamava a atenção para o ponto fraco de cada jogador dos times adversários.

Prestava a atenção, mas ao mesmo tempo sua mente estava voltada ao diário de Salazar e a localização do tal mapa. Um mapa. Estranho. Era algo pouco discreto...se alguém o achasse saberia facilmente onde se encontrava a Câmara. Mas...se até hoje ninguém achou, é porque devia estar bem escondido.

Isso o fez pensar assustado: e se alguém já achou? Ele poderia já ter passado várias vezes pelo lugar onde o mapa deveria estar, mas alguém já ter tirado dali.

Não. Ninguém manteria isso em segredo...ou manteria?

Mas não sabia de nenhum bruxo superpoderoso como Salazar prometia. Apenas Dumbledore...e ele não era um herdeiro de Slytherin.

Marvolo por sua vez também não devia saber de nada, já que era conhecido por um fracote e louco. Ninguém jamais pensaria isso de Tom.

Olhou para Robert que não parava de tagarelar e apontar para um quadro à sua frente. Blábláblá, joelhos operados, bata neles com força, blábláblá.

Seus olhos pararam em Greyback que não desviava a atenção de Tom. Parecia rugir cruelmente e doido para avançar em sua jugular. Tom sorriu para ele, o que fez com que Greyback parecesse ainda mais irritado.

Apenas dois anos no mundo trouxa e já estava crescendo sua lista de inimigos: Kian, Greyback, Scott...

Scott.

Sua memória agora voltou para um pouco mais cedo, no almoço, quando depois de comer, olhou para ele e o ficou encarando. Não soube dizer quanto tempo ficaram se olhando, até que Abraxas batesse em seu ombro, lembrando que havia o treino da equipe.

Tom havia decidido que hoje seria o dia de Scott. Sem falar nada com Abraxas, correu até o Corujal e chamou por Hel.

- Hel, tenho seu primeiro trabalho desse ano! – com má vontade, ela voou para seu braço e esperou pela carta. – Ainda tenho que escrever. Espere um instante.

Sentou-se no chão, abriu a mochila, pegou um pedaço de pergaminho e sua pena e escreveu:

"20:00 atrás da arquibancada da Corvinal. Vamos conversar."

Dobrou o papel e pôs no bico de Hel.

- Leve para Scott. Procure-o pelo castelo. Não sei onde ele está.

Ela deu uma bicada em seu rosto, como se estivesse com raiva do árduo trabalho e voou depressa antes que levasse bronca.

- Ai! Coruja maldita.

Depois foi para seu treino e ali estava. De repente, notou que Robert havia se calado e todos estavam se preparando para voar.

Sem perder tempo, Tom também montou na sua vassoura.

- Ao meu comando, cada um vai para a sua posição. Greyback! – ele berrou e olhou para o garoto que ainda não tirava o olho de Tom. Rapidamente ele assumiu uma expressão de quem era inocente. – Nada de gracinhas! Se tentar qualquer coisa contra um de nossos jogadores, eu mesmo vou pedir sua expulsão para o diretor Dippet, ouviu?

Greyback, como um cãozinho que levou uma reprimenda, abaixou a cabeça e concordou calado. Tom invejou a autoridade e obediência que Robert tinha.

- Muito bem. Vamos lá. – ele apitou e todos começaram a voar.

As horas se passaram com Robert berrando com todos e tendo ataques de fúria com alguns. Exclamava uma ordem e depois acrescentava algo que poderia ser melhorado. Nunca parabenizava.

Ele parecia incansável e Tom estava preocupado com o horário. Tinha que terminar, se arrumar e ir para o local de encontro com Scott.

O campo de quadribol era gigante e o vestiário ficava no local totalmente contrário à arquibancada da Corvinal. Havia escolhido esse lugar, porque era o mais distante do Castelo e sua parte de trás não dava para nenhuma janela.

Finalmente, Robert pareceu ficar satisfeito, ou apenas cansado, e apitou.

- Nos vemos daqui a dois dias. Tenho que confirmar com vocês, pois os imbecis da Grifinória querem guardar o campo para eles nesse dia. Vamos ver quem consegue. – ele sorriu para dois colegas e seguiu para o vestiário sem esperar ninguém. – Ah, Riddle, guarde o pomo, os balaços e a goles. Depois leve a caixa para a sala de Madame Hooch.

- Mas... – Tom o olhou surpreso.

- Cada treino é a vez de um. Você foi nosso estreante. Meus parabéns. – seus colegas sorriram e continuaram andando. O campo esvaziou e Tom ficou sozinho na noite.

Droga! Pensou irritado.

Isso poderia demorar...por que logo hoje? Quem ele pensava que era para mandar nele assim? Já não bastava ter que obedecer aos professores, agora tinha que obedecer a Robert?

Achou que era melhor fazer, precisava conquistar a todos, sem exceção. E se não conseguisse conquistá-lo...dane-se. Logo ele se formaria.

Apanhou primeiro a goles e encaixou em seu devido lugar. Os balaços pelo menos já estavam enfeitiçados para ficarem quietinhos e não deram muito trabalho. O problema maior foi o pomo-de-ouro. O apanhador havia soltado a bolinha antes de ir embora e agora ele teria que procurá-la.

Subiu em sua vassoura e olhou em volta. Nenhum barulho de asa batendo, nenhum reflexo dourado passando. Onde estava?

Estava quase desistindo e se preparando para levar bronca de Robert, quando o pomo passou ao lado de sua orelha esquerda. Voou atrás dele, mas ele era muito rápido. Aquela vassoura era velha demais e Tom estava acostumando-se ainda com a ideia de ser um artilheiro. Nunca nem tinha tentado ser apanhador.

Imprimiu mais impulso para frente e esticou o braço direito. Estava a alguns centímetros da bola, quase alcançando...

- Riddle. – tomou um susto, sua mão fechou-se na pequenina bola e caiu da vassoura. Sua sorte é que estava a apenas alguns centímetros do chão. Voltou a ficar em pé e tentou não ficar tonto. Sua cabeça ainda não estava cem por cento, desde o balaço de Greyback.

Olhou em volta para procurar quem havia falado e viu Scott observando-o do lado de fora do campo. Tom ficou ainda mais irritado com o garoto, por tê-lo feito cair daquela forma humilhante.

- Scott. – ele tentou recuperar seu orgulho. Limpou-se o melhor que pôde e colocou a bola dentro da caixa. Trancou-a e andou até Daniel.

- Está adiantado. – disse, olhando no relógio trouxa.

- O que você quer?

- Conversar. – Daniel sorriu.

- Sei. Conheço suas conversas. Lembro que a professora Melissa fugiu assustada do orfanato depois de uma de suas conversas, não é?

Tom trincou os dentes. Quantas coisas mais aquele menino sabia dele?

- Eu quero que pare de falar sobre isso.

- Ah é? E por que?

- Porque eu quero. – ficaram em silêncio por um tempo. Tom levou sua mão à parte de trás de sua calça e percebeu que sua varinha não estava lá. Havia deixado, junto com sua mochila, dentro do vestiário. Engoliu em seco. Seu plano não estava indo como queria.

- Você se acha o melhor, não é?

- E você é um ladrãozinho barato.

- O que? – perguntou surpreso. – O que está inventando agora, Riddle?

- Você roubou o bezoar e outras coisas do escritório de Slughorn.

- Não! Não sei do que você está falando.

- Sim, você roubou. E eu vou te entregar. – ele precisava saber dos detalhes da lembrança que ia inserir. Assim sua culpa seria eminente. – Entrou sorrateiramente no início do semestre, logo no primeiro mês e roubou. Acham que foi no semestre passado, mas foi nesse, assim que você entrou, seu cleptomaníaco.

- Olha, - ele falou confuso. Tom parecia ter enlouquecido. – tenho dois amigos que sabem aonde eu vim. Se eu morrer, ou sumir, eles...

- Morrer? – Tom riu. – Deixe de ser melodramático. Você não vai morrer...ainda. Infelizmente, é claro.

- Não me ameace. Irei contar para o diretor.

- Ahhh to morrendo de medo. E eu vou contar sobre o roubo. – começou a se dirigir ao vestiário. Precisava pegar sua varinha. Precisava modificar a memória dele.

- É bom ter mesmo e eu não roubei nada! – mas ele não parecia mais tão confiante. – E quer saber? Contarei tudo sobre você. Foi Dumbledore que te buscou, igual a mim, não foi? Ele parece enxergar dentro de você. – Tom paralisou. – Ele vai acreditar em mim. Você será expulso.

- Não se atreva a me enfrentar! – Tom virou-se novamente e seus olhos estavam quase em chamas. - Nem pense nisso!

- Ficou com medo? – sorriu. Mas então sentiu um soco em sua barriga, de uma mão invisível. Era Tom, que mesmo sem varinha, conseguia atingi-lo. Percebeu o que estava por vir, lembrou-se da árvore pegando fogo e se esforçou para levantar e sair correndo. – Você não pode machucar outras pessoas, Riddle! Vou agora mesmo contar ao diretor! – gritou enquanto corria.

Alarmado, Tom correu em seu encalço. Não poderia deixá-lo estragar sua vida.

O garoto era bem magro e pequeno, por isso corria mais do que Tom. Então, notando que não conseguiria alcançá-lo, correu de volta e apanhou sua vassoura largada no chão. Rapidamente subiu e voou para Scott. Ele estava quase conseguindo entrar pela porta que levava ao Hall de entrada, mas Tom o alcançou. Lançou-se da vassoura em cima dele e os dois começaram a rolar na grama.

- Me solta!

- Você não vai a lugar nenhum! – Tom tentava segurá-lo no chão enquanto o outro se debatia. A varinha de Scott rolou para longe e ambos tentaram alcançá-la.

- Eu vou gritar!

- Não vai, não. – Tom deu-lhe um soco na boca e sangue espirrou dela.

Continuaram a se debater, até que Scott lhe deu uma cotovelada e Tom rolou para o lado, com dor. Seu nariz estava sangrando, mas se recuperou depressa e levantou furioso. Ficou de pé e esperou que Scott, se arrastando, alcançasse a varinha. O olhou irritado, mas já havia se controlado.

Quando Scott virou-se com a varinha em punho para acertá-lo, Tom chutou seu rosto com força e Scott desmaiou.

Tom ainda ficou alguns segundos observando seu inimigo no chão e colocou seu pé sobre seu rosto. Como seria a sensação de amassá-lo como um inseto? Será que ouviria seus ossos se partindo?

Controlou-se e lembrou-se do plano. Arrancou a varinha de sua mão e apontou para a cabeça dele:

- Oblivisci Potentem. – falou com a voz calma e suave, mentalizando fortemente a lembrança que tinha que inserir nele. Acrescentou, ainda, que tinha brigado com Greyback. Largou a varinha em cima do seu peito e foi tomar um banho no vestiário. Depois, deixando o corpo do garoto largado e desacordado, levou a caixa de madeira para a sala de Madame Hooch e foi dormir.


Boa noite, meu povo.

Tom finalmente colocou suas manguinhas de fora \o. mas os problemas não vão parar de aparecer (como verão no próximo capítulo rs).

Vou logo direto ao ponto: como eu só tenho um review, vou deixar bem claro algo que parece que ficou ambíguo no capítulo passado. Aquele não era o último capítulo rs. Eu quis dizer, Marjorie (e qualquer outro que tenha interpretado de tal forma), que eu esperava que vocês tivessem gostado daquele último capítulo postado. Que nem quando a gente fala: o que aconteceu no último capítulo da novela? Resposta: você quer dizer o de ontem? A Outra pessoa: Sim. É que eu perdi e aí não vou entender o que vai acontecer hoje. Sacaram?

Eu jamais deixaria vocês sem um final decente rsrsrs Bem no meio do período escolar! Não se preocupem...cada fic começa e termina com o período escolar, que nem nos livros do Harry Potter.

Meu único review da semana:

MarjorieLouizeStark - Está explicada a confusão ali em cima ^^
Sério? Você pensou isso? rsrs eu adoraria fazer um capítulo assim, mas como essa é uma fic mais séria não teria uma oportunidade...piadinhas são raras aqui rs
Tudo bem...não foram tantos nomes. Eu tinha pensado em fazer TODOS os nomes que aparecessem nessa fic terem relação com as músicas, mas alguns não foram possíveis...
A professora trouxa que o Tom torturou quando mais novo tinha o nome de Michelle (AMO esse nome e AMO essa música rs), mas enquanto eu escrevia acabei sem querer mudando pra Melissa, aí deixei rs. Mas ainda vou fazer esse nome aparecer ;D
E fico feliz de ter encontrado mais uma beatlemaníaca *_*
Eu também fiquei viciada em Pottermore. Zerei em poucos dias, mas foram dias perdidos de estudo rsrsrsrs
Você não sabe qual faculdade sua própria irmã faz? rs E ela também ta com a faculdade em greve? A minha entrou essa semana... vou estudar nas férias T.T
Tadinho do Snow! Não o enforque! É bonito demais para morrer...

Beijos. Mandem reviews!