Capítulo 19 – O Segredo das Irmãs Knight.
Assim que terminou de usar o feitiço, os olhos de Scott perderam o foco e se direcionaram para a parede. Tom aguardou ansiosamente para que ele voltasse a si e ver se tudo havia ocorrido como planejara...finalmente.
Scott, então, piscou algumas vezes e pareceu acordar de um transe. Olhou para Tom, ficou por alguns milésimos de segundo confuso, sem saber quem ele era e então sorriu.
- Oi, Tom.
- Você sabe quem eu sou?
- Claro que sei! – sua voz era ainda fraca, mas parecia alegre. – Somos amigos do orfanato. Quer dizer...acho que sou mais amigo seu, do que você meu. – ele riu bobamente. – Você é tão quieto...
- Sabe o que aconteceu com você?
O semblante do garoto ficou sério e ele fez que sim.
- Claro. Aquele idiota do Greyback me atacou.
- E por que?
- Bem... – ele pareceu encabulado. – Tentei fazer uma coisa imbecil, sabe? Eu não deveria ter tentado chantageá-lo quando descobri sobre o roubo das coisas do professor Slughorn.
Tom sorriu e Scott retribuiu. Mas Tom não estava sorrindo com ele. Estava rindo dele.
- Vou chamar a enfermeira Mary e avisar que você acordou.
Andou até a sala dela e bateu na porta de forma frenética. Ela abriu assustada e o olhou um pouco aborrecida.
- Meu bom Deus! O que foi, Tom?
- Daniel acordou. – fez uma expressão de euforia e Madame Mary correu até o menino.
- Que bom que resolveu voltar a se juntar a nós, senhor Scott!
- Obigado! Ainda me sinto fraco...
- É normal. Passou seis dias em coma.
- Seis dias? – ele falou surpreso.
- Isso. Seis dias. E o senhor Riddle ficou aqui ao seu lado esse tempo todo. É um amor de garoto, não?
- Obrigado, Tom.
- De nada. – sorriu de lado.
- Faça-me um favor, Tom? Chame o professor Dumbledore e o diretor Dippet aqui, sim? Eles queriam falar com Daniel assim que acordasse.
- Sim, senhora. – ainda bem que havia sido sensato, e fez o feitiço no momento certo.
Saiu da sala com a senha que Madame Mary tinha dado para a gárgula e se dirigiu primeiro à sala do diretor. Não queria andar por aí, sozinho com Dumbledore. Se o diretor Dippet estivesse junto, ele não poderia ser interrogado.
- Feijãozinho de Grama. – ele disse e a gárgula abriu passagem. Ele subiu depressa e bateu na porta.
- Entre, por favor. – Tom entrou e disse:
- Boa noite, diretor Dippet.
- Boa noite, Tom. O que o traz aqui?
- Madame Mary me pediu para avisá-lo que Daniel Scott acordou.
- Ah, que maravilha! Então vamos lá. Vamos chamar Albus. – ele se levantou, colocou uma capa por cima do pijama que usava e calçou seus sapatos. – Desculpe meu estado. Estava me preparando para dormir.
Dirigiram-se até a sala de Dumbledore, que abriu a porta assim que bateram pela primeira vez.
- Boa noite, diretor Dippet. – olhou para Tom um pouco sério. – Boa noite, Tom.
- Boa noite. – os dois disseram. Dippet explicou o que havia acontecido e os três caminharam para a enfermaria.
- O que me intriga, Tom, é por que você veio nos dar o recado...? – Dumbledore perguntou.
- Eu já estava lá, senhor. – falou amigavelmente.
- Ah é? E por quê? – Tom odiava profundamente Dumbledore. Por que ele não o deixava em paz?
- Porque Scott é a única pessoa que tem em comum comigo o orfanato e Hogwarts. – respondeu tentando parecer simpático, e não irritado.
- Hum...achei que você não gostasse de lá e não quisesse nenhuma ligação com aquele lugar...
- Chegamos. Olá, Madame Mary! – o diretor Dippet exclamou, abrindo a porta e salvando Tom de ter que inventar mais alguma coisa. – Como ele está?
- Está bem. Um pouco fraco, é claro, mas parece que seu cérebro está intacto. Mais alguns dias e teríamos que transferi-lo ao St. Mungus.
Tom então agradeceu internamente por ele ter acordado antes, ou não teria como vigiá-lo se ele estivesse em outro lugar (sabe-se lá onde ficava esse St. Mungus).
- Bem, meu jovem. Podemos lhe fazer algumas perguntas?
- Tudo bem... – falou cansado.
- Não é melhor esperar até amanhã? – a enfermeira perguntou preocupada.
- Não queremos dar a chance de quem o machucou, entre aqui e faça novamente antes que falemos com ele. – Dumbledore respondeu calmamente. – Isso se já não o fizeram... – falou olhando de esguelha para Tom.
- Mas é claro que não! Eu estava aqui o tempo todo. – Madame Mary falou ofendida.
Então os dois sentaram-se, cada um de um lado da cama e começaram a conversar com Scott. Tom sentou-se em um canto mais distante e foi ouvindo cada pedaço, para ver se realmente estava a salvo. Scott respondia perfeitamente, de acordo com as coisas que tinha inserido, como uma marionete.
Finalmente eles se levantaram, parecendo satisfeitos e enquanto o diretor foi falar alguma coisa com Madame Mary, Dumbledore veio com um ar simpático para Tom.
- Podemos conversar lá fora?
- Claro, senhor. – tentou parecer tranquilo, porém estava preocupado. Saíram do cômodo e fecharam a grande porta dupla que levava à enfermaria. Dumbledore o olhou seriamente e perguntou:
- Ele disse que é seu amigo. Achei que não tivesse amigos.
- Eu não o considero amigo. Considero um...colega de quarto, por assim dizer. Ele vive em dois lugares que eu vivo. Ele acha isso... bom, digno de amizade, e eu acho normal.
- Então por que ficou todos esses dias aqui?
- Só porque não o considero meu amigo, isso não quer dizer que quero seu mal. – sorriu.
- Hum...sei. Tom, posso dar uma olhada em sua varinha? – o coração de Tom quase parou. Tentou continuar impassível e fez cara de surpresa.
- Minha varinha? Claro! – tateou os bolsos e depois fez um olhar de pedido de desculpas. – Acho que deixei no dormitório. Sinto muito.
- Não é bom um bruxo sair por aí sem sua varinha.
- Bem, achei que não tivesse problema...estamos em Hogwarts.
- Sim, estamos. Mas como pode ver, seu "colega de quarto" também estava, e no entanto foi atacado.
- É verdade. Desculpe senhor. Não farei mais isso.
Ele o olhou por um tempo e Tom forçou-se a pensar em coisas aleatórias.
- Muito bem. Boa noite, Tom. Já está tarde e amanhã você terá aula.
- Boa noite, professor. Dê melhoras para Scott por mim. – sorriu cinicamente e desceu as escadas.
Tom estava passando pelo corredor do banheiro do segundo andar, quando ouviu vozes exaltadas conversando. Vinha do lado de dentro.
Tom não se importava com o problema dos outros e não era muito curioso, mas reconheceu a voz que fazia seu estômago se contorcer:
- Pare de choramingar por aí. Você é patética! – Erin. Mas nunca ouvira a doce Erin falar daquela forma.
A outra pessoa chorava.
- Para com isso! Olha seu rosto! Você tem que voltar ao normal.
- Esse é o meu normal. – a outra pessoa respondeu aos soluços. A segunda voz vinha de Leah. – Estou cansada disso. Isso acaba com minha magia e em algumas aulas eu vou mal!
- Dane-se! Não quero saber! Odeio ter que olhar para você e me ver em um espelho. – sua voz era desdenhosa.
- Então por que VOCÊ não faz isso, já que TE incomoda?
- Porque eu não quero.
- Ah...e eu que tenho que fazer? – ela soluçou de novo.
- Maninha...lembra de quando tínhamos seis anos e minha magia apareceu primeiro? – de repente o tom de sua voz ficou suave e meiga, como costumava ser. – Você quer que aconteça aquelas coisas de novo?
Novamente som de choro e um barulho de tapa.
- Recomponha-se. Vou dormir. Não demore.
Tom se escondeu e esperou que Erin fosse embora. Não sabia o que ela estava fazendo, mas ela parecia tão encantadora dando ordens...de repente sentiu um enorme orgulho. Pelo menos, se era para se apaixonar, escolhera a pessoa certa.
Balançou a cabeça irritado. Apaixonar? Ele não podia se apaixonar! Nenhum homem apaixonado tinha ido muito longe. E ele não sentia nada por ninguém...como poderia sentir algo por ela? Era estranho... será algum tipo de feitiço?
Em seus devaneios, não percebeu que já tinha saído de seu esconderijo. Ouviu um barulho de porta se fechando e Leah surgiu.
Ela estava limpando os olhos vermelhos e ficou rubra ao vê-lo. Seus cabelos estavam escuros e suas feições um pouco diferentes. Então, quando ela se deu conta da presença dele, voltou ao normal. Cabelos loiros lindos, cheios e todo o resto como antes.
- Tom? O...o que faz aqui?
- Scott acordou. – falou simplesmente.
- Ah. – eles começaram a andar um do lado do outro. Apenas porque achou que era o que qualquer outra pessoa faria e não porque realmente estava interessado, perguntou:
- Afinal, qual o problema seu e da sua irmã? Vocês são esquisitas. – sabia que não tinha sido lá muito delicado, mas não se importava.
Ela tomou um susto. Talvez não esperasse essa pergunta dele. Sabia que ele não se importava com o problema dos outros.
- Bem... – ficou algum tempo sem nada dizer, então engoliu em seco e começou a contar: - Minha irmã não é bem o tipo de irmã que se possa dizer "adorável". – na verdade, para Tom, ela era muito adorável. – Desde nova ela fazia coisas erradas e colocava a culpa em mim, me ameaçava e...me torturava. – Tom ergueu uma sobrancelha. Ela se assemelhava com ele. – Quando a magia começou a aparecer, então! Ela ficou impossível. Por causa disso, eu não consegui por muitos anos fazer minha própria magia aparecer...só depois que ela saiu de perto de mim e veio para Hogwarts.
- É. Você tinha dito.
- E ela sempre me odiou. Sempre. Dizia que não tinha identidade própria. Que era olhar para mim e se ver e odiava isso. E todo mundo tem mania de achar que por ser gêmeos, os irmãos devem ser iguais em tudo e sempre nos tratam assim...
- Mas vocês são completamente diferentes em tudo! Principalmente na aparência. – inclusive na atitude. Duvidava muito que veria Erin chorando daquela forma patética. E para comprovar o que disse, ela recomeçou o lamento. Tom revirou os olhos e tentou não falar nada grosseiro. Queria saber onde isso daria.
- Não, não somos. Somos gêmeas idênticas.
Tom achou que ela estivesse louca, então achou melhor ficar calado.
- Hum.
- Eu sei que deve ser estranho, mas é que somos metamorfomagas.
- São o que?
- Somos capazes de mudar nossa aparência quando bem entendemos. Podemos mudar tudo, forma do rosto, nariz, boca, cabelo, tamanho. Qualquer coisa.
- Então ela muda a aparência dela para vocês não ficarem iguais?
- Não. Ela me obriga a fazê-lo. Ela é muito mais forte do que eu, em relação à magia. Tenho medo dela...e ela ameaça até matar nossos pais, quando eu não quero fazer algo. Posso não ser a melhor pessoa do mundo, - riu. – já que estou na Sonserina, mas pelo menos gosto dos meus pais...e de mim. E como ela me atrasou na magia e me suprime com a dela, não consigo vencê-la. Sem falar que ainda fico muito mais fraca com isso.
- Como assim?
- Bem, os metamorfomagos são bruxos que nasceram com uma pitada extra de magia. É um tipo de anomalia genética bem vista e para mudar nossa aparência precisamos usar essa magia. Só que eu, para manter minha aparência e ninguém saber que estou modificando-a, tenho que fazer isso 24 horas por dia e isso me esgota. Tem horas que não tenho força para fazer nada. Mas mesmo assim me esforço muito nas aulas.
Tom achou isso muito interessante. Mesmo esgotada e dando mais do que conseguia nas aulas, ela conseguia às vezes ser tão boa quanto ele. Imagina como ela seria se não tivesse Erin para controlá-la? Talvez Erin tivesse percebido isso, e por isso sempre a tratou como inferior. Sabia que se ela se desse conta, parasse de se sentir pequena, frágil e tentasse lutar contra, seria mais poderosa que ela e não queria deixar que isso acontecesse.
Mas não seria ele que a faria perceber tal coisa. Deixou as coisas acontecerem normalmente. Não era de sua conta.
Continuaram o restante do caminho em silêncio. Chegaram no Salão Comunal e Tom virou-se para Leah.
- Boa noite.
- Boa noite. – Tom começou a subir. Ela então correu e segurou seu braço. – Por favor. Não conta isso que te falei para ninguém, ok? Muito menos para Erin.
Não respondeu nada. Soltou-se dela e foi para sua cama. Demorou um tempo para conseguir parar de pensar em Erin e conseguir dormir.
Oi ^^
Desculpa não ter postado ontem. Fiz maratona do Senhor dos Anéis versão extendida com meu primo. Foram 11 horas direto de filme rsrs
Pretendo fazer isso com Harry Potter, O Poderoso Chefão e Star Wars em breve :)
Ahhhh greve...viu o que faz comigo?
Espero que não se importem com a minha teoria do que é um metamorfomago. Não sei se é realmente isso pela tia JK, mas foi a minha explicação.
Agora vocês sabem o segredo de Leah e Erin Knight! Torço para que tenham gostado rs.
Nenhum review novo U.U Seus leitores cruéis.
Até semana que vem.
