Capítulo 20 - Pancada de Fingbourg.

Finalmente o primeiro jogo de Tom. Ele achava que não ia ficar nervoso, pois estava jogando melhor do que os outros integrantes, mas mesmo assim sentia uma certa apreensão em ir parar de cara no chão com um balaço na cabeça novamente.

Quase não havia comido no café da manhã e agora se arrependia amargamente. Seu estômago estava fazendo um alvoroço, mas agora não havia mais volta. Estava de baixo da arquibancada da Sonserina, esperando que o momento chegasse. Iria entrar com o time e finalmente jogar sua primeira partida.

- Você parece nervoso, Riddle. – Robert sorriu. Tom ficou calado e o capitão achou que essa fosse sua resposta afirmativa.

Mais de uma vez ele pensava o que estava fazendo ali. E então lembrava que tinha que conseguir dominar todas as áreas.

Finalmente a balbúrdia do lado de fora tinha aumentado. Madame Hooch já devia estar indo para o meio do campo para dar início ao jogo e permissão para que os jogadores entrassem.

Tom respirou fundo, fechou os olhos e quando abriu, estava um pouco mais confiante.

- Bem, hora da verdade rapazes. Vamos ver se o treino valeu de alguma coisa ou se vocês continuam um lixo.

Quando iam abrir a porta, Tom ouviu uma voz feminina gritar seu nome.

- Tom. Hey, Tom. – virou-se e viu Coline acenando para ele da entrada de onde estava. Virou para frente e tentou ignorá-la.

- Ora, ora, parece que o jovem Riddle tem uma namorada sangue-ruim. – Robert sorriu debochadamente e os outros riram.

- Ela não é minha namorada.

- Tom... – ela apareceu ao seu lado e segurou em seu braço. – Posso conversar com você?

- O que está fazendo? – olhou para onde ela o segurava. – Me solte!

- Isso aqui é lugar de sangue-puro, garota. Você perdeu a noção do perigo? – o capitão parou ao lado dela. Parecia ameaçador.

- Eu...só queria falar com ele.

- Vai embora daqui antes que sejamos obrigados a te azarar.

- Vem. – Tom a puxou pelo braço de forma brusca e a levou para longe deles. Não queria que eles a machucassem e depois levasse a culpa. Sem falar que o irmão dela nunca mais o deixaria em paz. Parou no local mais distante e a olhou irritado. – O que você quer?

- Só...queria te desejar boa sorte.

- Hum. Ok. Agora tenho que ir. – ele deu as costas, mas ela disse novamente:

- Espera. Tom, eu...

- Oi, Lorde. – Erin apareceu de outro canto e olhou feio para Coline. – Estou incomodando?

- Não. Ela já estava indo.

- Desculpa. – Coline falou baixinho e olhou timidamente para Erin que a encarava com olhar de desprezo e depois saiu.

- E aí, Lorde? Nervoso? – sorriu. Aquele sorriso encantador...

- Não.

- Sei...sempre o durão. Só vim te desejar boa sorte.

- Parece que todo mundo resolveu me dar boa sorte hoje. – tentou aparentar indiferença, mas perto de Erin era quase impossível.

- Então você vai arrasar! Toma. – ela entregou um lenço de seda rosa.

- O que é isso? – ele fez uma careta.

- As damas enrolavam isso na lança dos seus cavaleiros na Idade Média. Para dar boa sorte. Ah. E isso é para você não esquecer de fazer o primeiro gol por mim. – se inclinou e deu um beijo no rosto de Tom. Foi bem próximo ao canto de seus lábios e rapidamente ele ficou rubro.

- Não faça mais isso. – ele se afastou com o coração quase saindo pela boca.

Ela sorriu ainda mais e saiu. Tom ainda ficou um tempo arfando e olhando por onde ela tinha ido, até que Robert gritou:

- RIDDLE! Vai ficar aí namorando com metade de Hogwarts ou vai vir jogar de verdade?

Com um sobressalto, ele correu até a fileira da frente, guardou o lenço no bolso interno de sua roupa e esperou que as portas se abrissem.

A luz do dia quase o cegou, em comparação à escuridão do galpão em que estavam antes. Quando entraram, um quarto do colégio estourou em gritos, palmas e comemorações e os outros três quartos vaiaram.

Era normal. Ninguém, a não ser eles mesmos, gostava da Sonserina.

Montaram em suas vassouras e se posicionaram de frente ao time amarelo e preto. Tom olhou em volta, para ver se achava Erin, mas em vez dela, viu os olhos raivosos de Greyback. Aquilo fez com que se sentisse melhor e muito mais confiante.

O diretor Dippet havia decidido dar detenção durante duas semanas para Scott por tentar chantagear alguém em vez de contar para ele o acontecido e expulsou Greyback do Colégio. Roubos era o que ele menos tolerava. Mas havia decidido deixá-lo ficar, pelo menos até depois do Natal, para sua família não ter um fim de ano muito ruim.

Greyback tentara explicar que só faltava aquele ano para ele terminar os estudos e se havia permitido até depois do Natal, por que não até o fim do semestre? Mas Dippet não quis ouvir e ameaçou revogar o adiamento da expulsão.

Agora era menos dois inimigos de sua lista. Kian pelo menos não era tão irritante. Evitava estar no mesmo lugar que ele sempre que podia, e para Tom isso era ótimo.

Ouviu o apito de Madame Hooch e desviou o olhar de Greyback. O jogo começara.

A narração estava distante dessa vez. Ele não conseguia ouvir direito com tanta gritaria, mas parecia ser o mesmo menino do outro ano. Era melhor não prestar muita atenção nisso.

Seu time começou com a goles. Carter jogou para Patel que mandou para Tom. Tom desviou de um balaço que a batedora do time da Lufa-lufa mandara para cima dele. Robert o defendeu com o taco. Mandou a goles de volta para Patel e correu para o campo da frente, Patel enviou para ele, mas foi uma jogada muito alta. Tom colocou a vassoura para cima e conseguiu chegar antes da artilheira rival. Voou com a goles de baixo do braço, fez que ia para o aro de cima, – já que já estava posicionado no alto – mas no último segundo, entortou para a direita. O goleiro se desesperou e não conseguiu chegar a tempo.

Ponto para Sonserina.

Tom não comemorou e voltou logo para o jogo. Deu tempo apenas de ouvir o comentário do locutor:

- Que bela jogada do estreante Riddle! Esse menino promete.

Por um vacilo de Carter, a artilheira da Lufa-lufa roubou a goles e mandou para seu colega. Riddle tentou ir atrás dela, mas Robert gritou:

- Continua na sua posição. Você é nosso cara dos gols. Deixa que eu cuido disso.

Tom estava agoniado por não fazer nada, mas viu Robert batendo com as duas mãos em um balaço e mandando fortemente direto na cabeça do garoto. Tom podia jurar que ouvira os ossos quebrando. Ele caiu com um forte baque no chão e o jogo foi pausado.

Madame Hooch chamou Robert em um canto e parecia estar ameaçando tirá-lo do jogo. O time ia perder o próprio capitão. Levaram o garoto para a ala hospitalar e o apito soou novamente.

A bola começou com Lufa-lufa e logo eles fizeram seu primeiro gol de vingança.

- Toma, Sonserina! Robert seu estúpido! Joga limpo! Desculpa, professora...

O jogo continuou com revezamento: a cada ponto que Sonserina fazia, Lufa-lufa fazia um logo em seguida. Pelo menos, se continuasse assim, eles estariam sempre na frente. E aí estaria nas mãos dos apanhadores, que voavam como loucos sem encontrar a bola. Mas no momento ninguém estava querendo que o jogo terminasse ainda.

Tom estava no aguardo de Carter mandar a bola para ele. Carter estava fugindo de dois artilheiros e um balaço. Patel estava muito distante para que ele mandasse a goles para ele. A goles ia ser roubada e poderiam levar mais um gol. Tom não ia deixar.

- Manda para mim, Carter!

- Está muito longe! – ele voava de lá para cá.

- Manda!

- Ok. – ele jogou para Tom. Mas pôs muita força para o alto. Ela atravessou o campo, mas voou para cima. Tom não ia conseguir apanhá-la e depois mandar para o gol. Antes disso alguém tiraria dele. Então teve uma ideia maluca.

Talvez funcionasse, talvez só ganhasse novos machucados...

Quando a bola estava descendo, Tom saiu de sua vassoura e a usou como um bastão e mandou a goles para dentro do aro da esquerda como em um jogo de beiseball. O time da Sonserina fez mais pontos!

- Parabéns, Riddle! Foi muito perigoso e se você tivesse perdido, eu teria te matado...mas parabéns! – Robert disse animado.

Tom estava com adrenalina correndo que nem louca pelo seu corpo. Nunca tinha pensado em fazer algo tão perigoso.

- WOW! Impressionante! O inexperiente Riddle fez a Pancada de Fingbourg! Que pena que ele não é da Grifinória.

Tom não fazia ideia do que era Pancada de Fingbourg, mas pelo jeito era o que tinha feito.

Depois de mais dois gols de seu time, finalmente o apanhador da Sonserina apanhou o pomo-de-ouro e a equipe da cobra ganhou a partida. Tom saiu carregado e todos foram comemorar a vitória no Salão Comunal.


A festa estava animada. Os sonserinos haviam ido buscar cerveja amanteigada na cozinha e muita comida. Sem falar de balões verdes e pratas espalhados por todo o canto. Um grupo de meninas cantavam em cima de um palco improvisado e os garotos berravam para elas.

Tom estava segurando uma caneca e observando toda a cena, sentado do sofá mais distante. Vez ou outra alguém tentava apanhá-lo no colo para comemorar, mas ele dizia ter machucado o joelho e conseguia permanecer sentado. Parecia um grande chefe da máfia, apenas observando seus empregados.

Erin então entrou na sala e Tom se abaixou para tentar ficar invisível. Não queria que ela tentasse beijá-lo novamente e dessa vez na frente de todos. Que respeito teria deles se parecesse um idiota apaixonado?

Contudo, ao mesmo tempo queria que ela estivesse perto de si. Que estivessem sozinhos...e talvez passando um tempo juntos, uma tarde deliciosa, torturando alguma coisa...

Enquanto pensava nessas coisas, Abraxas se aproximou e sentou-se ao seu lado. Desde que resolvera ter "coleguinhas" não tinha mais nenhum momento em paz.

- Grande jogo hoje, Tom! – ele bateu sua caneca na de Tom e se jogou ao seu lado na poltrona.

- Ei...já ouviu falar em bolha de espaço pessoal? Você está invadindo a minha.

- Desculpa. – mas continuou sentado ali. – Ah, soube que Greyback quer te matar. – ele riu. – Ainda mais depois que você jogou tão bem e o goleiro Brandon foi melhor do que ele em alguns momentos.

- Eu não tenho culpa se ele é ruim e um mau perdedor. Deveria estar na Lufa-lufa agora. – Abraxas sorriu.

Tom cruzou o olhar com Erin, do outro lado do salão, e ficou vermelho. A menina sorriu e foi até ele.

- Oi, Tom. Meu lenço e meu beijo deram sorte.

Tom abaixou a cabeça sem graça e Abraxas ergueu uma sobrancelha.

- Lenço? Beijo? – segurou o riso.

- Cai fora, Malfoy. – Erin disse, de forma simpática, mas ainda assim mandona.

- Ok. Sei quando estou incomodando.

Abraxas saiu e Erin sentou-se no lugar onde ele estava, ou seja, empurrando Tom e ficando em uma mesma poltrona que ele.

- Vocês não entendem o que significa "privacidade", não é?

- Não. Como está se sentindo, sendo o melhor jogador e melhor aluno de Hogwarts?

- Normal.

- Hum...onde vai passar o Natal e o Ano Novo?

- Onde você acha? Aqui ou no orfanato de trouxas...? Hum...difícil de decidir. – falou grosseiramente, porém só a fez rir mais.

- Bom saber.

- Por que você e a Coline não me deixam em paz? Vocês, garotas, são tão irritantes...

- Quer que aquela sangue-ruim da Grifinória te deixe em paz? Eu posso providenciar isso.

- Não preciso de ninguém para resolver meus problemas. Vou deitar. – levantou-se.

- Tudo bem. Boa noite, Lorde. – ela sorriu de forma simpática e deu tchauzinho. – Até amanhã.

Ele disparou escada acima ainda mais envergonhado e irritado. Aquela garota definitivamente mexia com ele. Isso não podia continuar...

Mudou a roupa e se jogou em sua cama. Aproveitou que a festa, provavelmente, ainda iria demorar para acabar e pegou o diário de Salazar em seu baú mágico. Voltou a ler algumas partes apenas para se distrair dos pensamentos que cismavam em voltar para Erin. Dizia para si mesmo que estava tentando achar alguma pista sobre o paradeiro do Mapa, mas no fundo sabia que isso não era verdade...

Com a mão direita folheava o diário e com a esquerda segurava o lenço rosa.


Nenhum review...?

Vocês me abandonaram?

Vou me recolher à minha insignificância... até semana que vem.