Capítulo 21 – Visgo.

Os alunos estavam trancados dentro do castelo. Uma enorme tempestade de neve impedia que fossem se divertir no jardim com bolas de neve enfeitiçadas e trenós voadores, como sempre faziam na véspera de Natal.

Vários olhavam pelas janelas com expressões desoladas, enquanto Dumbledore e alguns outros professores tentavam jogar feitiços impermeabilizantes ao redor do colégio, para que eles pudessem sair e passar o dia fazendo anjos de neve e patinando no lago congelado.

Tom era o único distante da janela. Comia sua torrada matinal e lia O Profeta Diário de Abraxas. Gostava de saber de tudo que acontecia no mundo bruxo e ainda por cima, as fotos se mexiam. Era o mais legal.

Estava no meio de uma matéria sobre um historiador trouxa que havia descoberto indícios de que bruxos existiam e iria expor ao mundo a verdade e teve a memória alterada pelo Ministério da Magia, quando o correio coruja chegou.

Eram poucas corujas que estavam voando sob o teto enfeitiçado do Castelo. Estavam com suas penas cobertas de neve branca e muitas pareciam prestes a congelar, mas ainda faltavam muitas delas, deviam estar todas presas na tempestade.

Uma grande e com feições de poucos amigos, muito semelhante à Hel, pousou em frente a Tom. Ela se sacudiu toda e bicou sua mão irritada, como se a carta que ele estava recebendo era culpa sua. A neve de suas penas caiu na torrada de Tom e ele a largou irritado.

- Muito obrigado por estragar meu café da manhã. – arrancou o envelope dela e olhou o remetente. Deu um longo suspiro de impaciência e deixou de lado. Pegou um pedaço de bolo de dentro do prato no centro da mesa e começou a comer.

- Não vai abrir? – Abraxas pegou a carta curioso. Olhou o remetente e perguntou: - Quem são esses Shaw que você sempre ignora?

- Ninguém. E me dê isso, que não é da sua conta. – puxou da mão dele e guardou no bolso.

- Como se sente sabendo que é o nosso mais novo herói?

- Do que está falando? – continuou a comer calmamente.

- Sonserina nunca esteve tão perto de ganhar o campeonato E a Taça das Casas! Graças às suas respostas nas aulas, trabalhos e desempenho no jogo. – Tom olhou Abraxas de alto a baixo o analisando bem. Ele falava sorrindo, mas sentia que havia uma pontada de inveja em cada palavra.

Deu de ombros e falou:

- Me sinto normal.

Após o café, voltou para seu dormitório. Agora que o jardim estava livre, a Sala Comunal ficaria vazia e bastante agradável. Jogou-se na poltrona mais próxima da lareira e a acendeu.

Um calor gostoso encheu o recinto e ele se sentiu muito bem. Pôs a mão no bolso e olhou para o envelope. Pensou em jogá-la no fogo, mas que mal faria em lê-la?

Abriu sem pressa alguma.

Dizia:

"Oi, Tom. Não tenho certeza se você receberá essa carta.

Henry foi falar com a senhora Candle para saber se ela realmente estava enviando-as para você, já que não recebemos nenhuma resposta.

Novamente o convidamos para vir passar o Natal conosco. Está meio em cima da hora, mas se vier ainda hoje, deve chegar amanhã pela manhã e prometemos dar-lhe a melhor ceia e os melhores presentes de sua vida. E ganhará ainda mais coisas, já que seu aniversário é daqui a alguns dias mesmo.

De qualquer forma, caso continue aí, seu presente chegará amanhã e espero que goste. Só peço que, por favor, nos responda. Estamos ansiosos em saber como você está.

Ah! Agora uma novidade: a papelada de sua adoção saiu! Só mais alguns procedimentos padrão e você será oficialmente nosso filho.

Espero que esteja tão ansioso quanto nós!

Um ótimo Natal, Ano Novo e é claro, Aniversário.

Daqueles que já te amam,

Henry e Honey Shaw (acho que já posso tomar a liberdade de assinar: mamãe e papai."

Tom fez uma careta ao terminar de ler a carta. Mamãe e papai?

Qual era o problema daqueles dois? O casalzinho perfeito...

Amassou a carta e fez o que planejava desde o início: jogou no fogo crepitante. Depois de ver o papel se transformar em cinzas, teve uma ideia.

Foi até seu dormitório, apanhou pergaminho, pena e tinteiro e sentou na mesa de estudos da sala. Pôs-se a escrever:

"Senhor e senhora Shaw,

Por favor, parem de me chamar de filho, pois não me sinto nem um pouco a vontade de chamá-los de 'papai e mamãe'.

Não irei passar Natal, nem Ano Novo e muito menos meu aniversário com vocês. Por que não tentam adotar uma criança que queira isso? Vocês não iam me querer como filho.

Espero nunca mais ter que escrever para vocês, ou falar com vocês.

Tom Riddle."

Quem sabe assim o deixavam em paz? Havia sido bem direto. Nenhuma família, em sua sã consciência, iria querer adotar alguém que diz claramente que não quer.

Foi até o corujal e chamou Hel. Entregou a carta para ela e disse:

- Vá exatamente para esse endereço. Não leve para o orfanato. Quero que eles se assustem quando verem que uma coruja está entregando a minha carta. – sorriu.

Hel sacudiu todas as suas penas e virou de costas para ele. Parecia não querer sair com aquele tempo.

- Hel, você não é minha coruja para ficar comendo e se divertindo. Você serve para entregar cartas. Então faça seu trabalho ou te levo de volta para a loja de animais. Ou pior, te dou para um lobo qualquer!

Ela piou alto, ofendida, mas a ameaça pareceu funcionar. Ela segurou a carta com o bico e voou pela janela da torre.

Tom desceu as escadas de volta para a masmorra da Sonserina, em silêncio. Estava quase chegando quando uma porta do seu lado esquerdo se abriu. Erin apareceu de dentro da sala e sorriu para Tom. Estava mais linda do que nunca. Seus cabelos soltos, bem grandes, uma roupa vermelha e verde e o sorriso malicioso que quase sempre mantinha. Mas hoje, era ainda mais forte.

Sua bota fez barulho quando ela se aproximou dele. Havia sininho nelas.

- Tom, posso falar com você?

- Eu já não disse para não me perturbar? – ele tentou manter o tom de voz normal, mas era quase impossível.

- Vem cá. – ela segurou em sua mão e o puxou para dentro da sala de onde tinha vindo. – Tenho uma surpresa para você.

- Eu tenho que ir...

- Shhhh.

Tom entrou na sala. Estava toda modificada. Era ali que normalmente tinha aula de Transfiguração, mas agora era o próprio cômodo que estava transfigurado.

Havia neve no chão, um grande pinheiro enfeitado, um boneco de neve e pisca-piscas para todos os lados. No quadro negro, as palavras "Feliz Natal, Tom" estavam escritas em uma linda letra feminina. O teto estava enfeitiçado, como no Salão Principal, e milhares de estrelas se revezavam com um estranho tipo de planta. Várias daquelas plantinhas pendiam do teto.

- Para que tudo isso? Ainda não é Natal. – ele perguntou curioso.

- Sim, eu sei. É Véspera de Natal, mas o Expresso Hogwarts parte hoje. E eu vou passar os feriados com minha família. Então resolvi dar seu presente de Natal e aniversário hoje.

- Presente? Por que você vai me dar presente?

- Porque eu quero.

- Não pense que te darei um também. – falou mal humorado e sem saber como agir naquela situação.

- Você dará sim. Ao mesmo tempo que eu darei o meu.

- Como assim?

Ela olhou para cima e ele a imitou.

- Está vendo essas plantinhas? São visgos.

- O que são visgos?

Ela riu e Tom ficou irritado. Odiava quando riam dele.

- Existe uma tradição sobre o visgo.

- Hum... – falou, sem interesse e sem saber aonde isso chegaria.

- E essa tradição diz que, quando duas pessoas estão de baixo de um visgo, elas devem se beijar.

Tom se afastou instintivamente.

- E-eu...tenho que ir. Com licença...

Mas então Erin o puxou pelo braço e seus lábios se encontraram. De início, Tom teve ímpeto de empurrá-la e gritar com ela. Como ela ousava forçá-lo a fazer algo?

Porém, em seguida, achou aquilo muito...peculiar. Era diferente de tudo que já havia sentido e era...bom. Fechou os olhos e percebeu que quando fazia isso, a sensação se tornava mais intensa.

A cabeça dos dois se mexia para encontrar posições mais confortáveis e isso só tornava tudo mais maravilhoso.

Por fim, quando conseguiu fazer seu corpo obedecer sua mente, se afastou de Erin e ficou arfando por um tempo.

- O...o que foi isso? – parecia ter corrido uma maratona. Ou acabado de sair de um jogo de quadribol.

- Um beijo, ora. – ela sorriu. – Nosso presente de Natal e aniversário.

- Ah...hum...obrigado. – virou as costas e saiu o mais depressa que pôde dali.

Quando chegou em sua cama, parecia que tinha percorrido todo o caminho sem respirar. Seu coração estava disparado e sua respiração irregular. Suas mãos suavam e sua mente trabalhava a mil por hora.

Finalmente conseguiu se controlar e a primeira coisa sensata que pensou foi: "obrigado? Por que diabos eu disse aquilo?"


Oi, meu povo ^^

Gostaram do primeiro beijo de Tom? rs Pena que foi com a chata da Erin (sim, eu a criei, mas não gosto dela).

Duas coisas que quero falar, então continuem lendo a nota, por favor. É importante.

Primeira coisa: Como Ahsoka's Padawan (que sumiu) ressaltou uma vez, a professora Sprout deveria ser muito velha para já dar aula em Hogwarts nessa época. Para McGonagall eu já dei um jeito na quarta fic (acho). Era uma solução que eu já tinha pensado a muito tempo. Já a professora Sprout eu voltei na fic anterior e nessa, e toda vez que ela foi mencionada eu substitui pelo professor Herbert Beery que foi citado por Dumbledore em suas notas no livro Os Contos de Beedle, O Bardo. Mas não foram muitas substituições...acho que apenas duas.

Segunda: Eu não esqueci que o Tom só abre a Câmara Secreta no seu quinto ano e quando ele está com 16 rs Não se preocupem. Eu pesquiso muuuuito para poder ser o mais fiel possível nas fics do Tom e reli todos os livros fazendo anotações num bloco, então não vacilaria nisso. Claro, às vezes dou uma mancada, principalmente quando se trata dos professores que eu tenho que substituir o nome. É que como sabemos pouco da vida escolar de Tom, não se sabe muito dos professores dele da época e eu gosto tanto dos da época do Harry... como a McGonagall. Eu TINHA que mencioná-la. Adoro! Acho que ela aparece em todas as minhas fics rs nem que seja como participação especial.
É só que a Câmara provavelmente foi muito bem escondida, se não qualquer aluno poderia ter encontrado. Então eu imaginei que ele descobriria pistas sobre ela aos poucos e não se cansaria de procurá-la, mas estava tão bem guardada que só encontraria no quinto ano, depois de muuuuitas buscas. Ok?
De vez em quando vou colocar informações na fic que vocês vão pensar que eu esqueci das coisas, mas que descobrirão minha real intenção ou uma explicação mais pra frente. Mas mesmo assim não me importo de vocês me mandarem reviews avisando. Vai que é uma mancada mesmo? rs

Bom, agora aos reviews (eeeeee \o/):

- Eu também não gosto dela rsrsrs mas para o Tom sentir algo por alguém imaginei que teria que fazer alguém com características semelhantes a ele, né? E segredinho: também gosto da Coline apesar de eu sempre criar um jeito dela sofrer, tadinha (mesmo que ela não perceba isso).
E isso que você avisou eu já esclareci lá em cima ^^ Pode ficar tranquila rs. O Hagrid já está passeando por Hogwarts na fic que to escrevendo.

SeraphValkyrie - Tudo bem! É que fico triste quando não recebo reviews, mas quando vocês voltam fico feliz de novo rs.
Não sentiu pena da Leah? Tadinha rs Eu gosto bastante da Leah, mas Erin tem mais a ver com o Tom mesmo.
E você descobrirá o que aconteceu "no meio do caminho" se continuar acompanhando as fics rs. Nossa...to aqui me coçando pra dar spoiler rsrs.
Mesma coisa que eu disse p/ : a explicação da câmara ta ali em cima ^^

MarjorieLouize - Sim, ela é muito atirada. Está provado nesse capítulo rsrsrs
Nossa! Que droga...espero que tenha conseguido passar na recuperação!
Sobre o que você pensou: eu também pensei nisso no início rs de ela "roubar" a mágica da Leah de alguma forma, mas aí tive essa ideia sobre os metamorfomagos e seria uma explição do porquê elas são tão diferentes fisicamente (no início, só fiz isso por achar interessante irmãos gêmeos que não se parecem rs).
Tom é perfeito :) é bom em tudo \o. e no que ele não é, se dedicará em ser porque o garoto é ambicioso. Para pessoas ambiciosas não existe limite.
E não descarte totalmente isso que você pensou sobre o par romântico...muita coisa pode mudar no futuro...

É isso. Até semana que vem! Beijos para todos.