Capítulo 22 – Ano Novo, Lições Novas.
Tom evitou encontrar com Erin o dia inteiro. Deixou de jantar e até mesmo sair do quarto, para que não a visse.
No dia seguinte sentiu-se mais aliviado, já que ela devia estar a quilômetros de distância e só retornaria dali a algumas semanas.
Quando acordou na manhã do dia 25, encontravam-se, na beira da sua cama, cinco presentes.
Pelo menos era mais do que havia recebido no outro ano, não que se importasse muito com isso.
O primeiro era do orfanato. Como no ano passado, ela havia dado um agasalho feito de lã com um desenho mal feito de boneco de neve. O segundo era do senhor e da senhora Shaw. Tom estava curioso para saber o que eles acharam de sua carta. Abriu o envelope que veio junto do embrulho e leu:
"Querido, seu pai e eu ficamos muito tristes em ler aquela última carta, mas sabemos que foi tudo da boca para fora. Deve ser muito difícil passar 12 anos em um orfanato, sem ninguém para lhe dar carinho e agora aparecem duas pessoas querendo tomar lugar dos seus pais verdadeiros. Nós entendemos e por isso desconsideramos o que foi dito.
Passaremos uma borracha em todos os momentos ruins e sei que nos daremos muito bem.
Feliz Natal.
PS: Foi muito estranho ontem. Uma coruja com olhar de poucos amigos veio com sua carta no bico e tentou nos ferir. Acho que ela deve ter roubado o envelope da mão do carteiro."
Por que, com tantos trouxas no mundo, tinha que ter arranjado pessoas tão retardadas para querê-lo como filho?
Pensando bem, só mesmo sendo louco, para querê-lo como filho.
Revirou os olhos, amassou a carta e abriu o presente.
Uma luva, um taco e uma bola de baseball. Jogou no chão e ficou imaginando o que fariam se soubessem que ele jamais usaria aquilo, pois seu esporte era muito diferente.
O outro presente era de Abraxas. Um livro da Burgin & Burkes. Um livro das Arte das Trevas. Os olhos de Tom brilharam e ele leu o cartão:
"Esconda isso. É proibido em Hogwarts. Feliz Natal. Ah! E esse presente vale pelo Natal e aniversário."
Os dois últimos eram, respectivamente, de Leah e Erin. Leah havia dado a primeira edição de Quadribol Através dos Séculos e o de Erin – e novamente o coração de Tom começou a sair do controle – era bem grande. Um embrulho gigante e fino. Tom não tinha ideia do que poderia ser.
Abriu e deu de cara com uma linda e nova vassoura, junto com acessórios para cuidar dela e mantê-la nova.
Um bilhete acompanhava: "Espero que goste, apesar de que o beijo foi muito mais memorável. Com amor, Erin."
Tom segurou a respiração. Com amor.
Amor.
Ele não sentia amor. Não sentia nada por ninguém. Apenas quando as fazia sofrer, mas era fato que Erin mexia com ele de alguma forma muito estranha.
Sentiu o perfume dela no cartão e guardou em sua Caixa de Pandora, ao lado do diário de Salazar.
Guardou seus presentes, os úteis e inúteis, e desceu para sua refeição natalina.
Definitivamente, aquele foi seu Natal mais...interessante.
Passar os feriados sozinho, sem Abraxas ou Leah o seguindo o tempo todo, era ótimo. Poderia andar livremente por Hogwarts sem ter que dar satisfação a ninguém.
Seu Natal, apesar dos presentes e surpresas incomuns, havia sido como sempre: ele lendo alguma coisa, – no caso o livro das Artes das Trevas que Abraxas havia lhe dado – comendo e detestando as músicas irritantes de Natal. Tori havia feito uma visita e lhe dado uma cesta com várias frutas exóticas. Tom não agradeceu, mas o elfo-doméstico já ficou incrivelmente feliz em apenas vê-lo comendo uma acerola.
O Ano Novo chegou, assim como seu aniversário.
Mais uma vez presentes inesperados. Dessa vez, apenas Honey e Henry Shaw e Erin lhe enviaram algo.
Seus "pais" mandaram uma blusa de críquete e um livro chamado "O Hobbit" de um tal Tolkien. Na carta de Honey estava escrito que aquele livro estava sendo o maior sucesso de todos os tempos. Havia sido lançado no ano retrasado e até agora continuava em primeiro lugar na lista de Best Sellers.
Tom não fazia ideia de que livro era aquele e se não era bruxo, não lhe interessava. Jogou em um canto e foi ver o de Erin. Era um novo uniforme de quadribol. Um muito bom e de primeira mão, diferente do que Tom usava.
Guardou com cuidado em seu malão e desceu para o café da manhã.
Recebeu o cumprimento de algumas pessoas lhe dando parabéns, os professores e Robert que se aproximou de sua mesa.
- Feliz aniversário. Treze anos, né? – sem esperar resposta, continuou: - Espero que esse feriado não te faça esquecer de se preparar para os próximos jogos.
- Claro que não.
- Ótimo. Assim que as aulas recomeçarem, quero treinar como nunca.
Tom nada disse e foi para a mesa da Sonserina, que estava bastante vazia. Na verdade, o salão estava tão silencioso que parecia ter acordado cedo demais. Olhou ao redor para ver se reconhecia alguém e viu Scott vindo em sua direção.
Ele se sentou ao seu lado sorrindo.
- Estou muito melhor!
- É, eu sei. Estou vendo. – falou de forma abrupta.
- Está ansioso para voltar ao orfanato? – Tom o olhou sério. Procurou algum tipo de sarcasmo, mas o garoto estava perguntando de forma sincera.
- É claro que não. Você está?
- Um pouco. Tenho amigos lá.
- Hum...ainda bem que faltam 5 meses para voltarmos para lá.
- Ah é? Por que?
- Porque sim. Odeio aquele lugar. E ainda estão querendo me adotar.
- Uau! Que demais.
- Não é demais, seu idiota. Já parou para pensar que eu sou bruxo e a família que vai me adotar é trouxa?
- E daí?
Tom estava perdendo a paciência com o garoto. Então levantou-se.
- Vou para a biblioteca.
- Ah é! Esqueci de dizer: parabéns.
- Obrigado. – falou mal humorado.
Em vez de ir para a biblioteca, voltou para seu dormitório vazio. Já que não conseguia achar a Câmara Secreta, resolveu dedicar suas horas à leitura do presente de Abraxas.
Estava irritado consigo mesmo. Havia colocado na mente de Scott que ele era seu amigo e agora o menino não o deixaria mais em paz. O lado bom é que todas as suspeitas tinham sido tiradas de suas costas, é claro. Mas agora ele o perseguiria até no orfanato. Ainda bem que isso ainda demoraria para acontecer...
Por algum motivo pensar na volta às aulas o deixava nervoso e com o estômago revirando. Estava morrendo de saudades de Erin, mas ao mesmo tempo tinha vontade de expulsá-la de sua vida. Ela o deixava confuso, sem certeza de nada e isso era um sentimento que, uma pessoa tão certa de tudo, detestava.
Resolveu começar a treinar a oclumência. Talvez, aprendendo a deixar a mente vazia, não iria mais pensar na garota. Mas como treinaria sozinho?
Precisava de um parceiro e primeiro teria que ensiná-lo legilimência. Não gostava de depender de ninguém e muito menos ensinar a alguém a ler sua própria mente.
Tori continuava a aparecer de vez em quando para falar com seu senhor, e por algum momento, Tom pensou em usá-lo. Porém, não poderia ensinar para um ser tão medíocre a legilimência. Nem sabia se ele conseguiria aprender...
Pensando sobre isso, lembrou-se de seu mais novo "amigo". Scott estava agora na palma de sua mão. Poderia ensiná-lo a ler mentes e depois treinaria a oclumência. Mesmo que não conseguisse completar tudo durante o período das aulas, ainda teria as férias para continuar.
Foi à procura de Scott e o encontrou em um dos corredores conversando com um outro menino da mesma Casa que ele.
- Scott. – Tom falou ao se aproximar. – Posso falar com você?
O garoto que conversava com ele olhou Tom de cima a baixo e franziu as sobrancelhas. Devia achar estranho Scott conversar com um sonserino.
- Oi, Tom! Claro.
- Anh...Daniel...acha uma boa ideia...? – o menino começou, mas Tom o fez calar-se com um olhar frio e penetrante.
- Eu disse que quero conversar com ele. Não acha que está incomodando?
- Hum...qualquer coisa grita, Dan. – o garoto engoliu em seco e saiu rapidamente dali.
- Não liga para ele, Tom. – riu. – Parece que os sonserinos não são muito bem vistos no colégio.
- Não sei porquê. Somos melhores do que qualquer um.
- Bem, - Daniel falou sem graça e tentando desfazer a situação incômoda. – o que você quer?
- Quer aprender uma habilidade que quase ninguém no mundo bruxo possui? Apenas os mais poderosos?
Ele ergueu uma sobrancelha e falou, curioso:
- E você ainda pergunta? É claro que quero.
- Ótimo. Temos um longo caminho pela frente. Vamos para meu dormitório.
- Vou entrar...na Sonserina? – falou abismado. – Nenhum aluno de qualquer outra Casa pode entrar lá.
- Pode se convidarmos. E você é meu convidado.
Scott sorriu e os dois foram em direção à Sala Comunal da Sonserina.
Hey ^^
Em primeiro lugar eu quero dizer que eu AMO Tolkien. Escrever a cena onde meu personagem favorito larga de lado um livro do meu autor favorito, me dobra o estômago, mas pela personalidade do Tom, era óbvio que ele desconsideraria qualquer coisa vinda de um trouxa.
O livro do Hobbit foi lançado em 1937 e fez grande sucesso e foi escrito para crianças, por isso citei um casal trouxa, que quer agradar um garoto de 12/13 anos que adora ler, dando o livro de presente. Mas sinceramente não sei se realmente ficou no sucesso por dois anos rsrs e nem sei se o termo "best seller" já existia.
Ah, eu escrevi uma short fic sobre o Nick-quase-sem-cabeça :) não sei se interessa a vocês, já que é um personagem que muita gente não liga, mas postarei assim que essa fic terminar para depois começar a terceira do Tom.
Reviews:
Lady Barbie - Capítulo passado seu nome não foi publicado por causa do ponto depois do L. Qual o problema do ff? Então agora vou passar a escrever "Lady Barbie", ta? Eu poderia consertar, mas a idiota aqui apagou o documento do capítulo passado há cinco minutos rs. Foi mal.
E eu sei que você não gosta do Tom rs Fico feliz de você acompanhar minha fic mesmo odiando o personagem principal rsrs
Ah...eu não vou mudar a fic toda. Como eu disse num outro capítulo (não lembro qual), eu dei uma justificativa para o Dumbledore estar dando aula de Feitiços. Vocês saberão na quarta fic.
E não foi inútil não! Posso usar essas informações que me deu em alguma outra fic. Eu tinha salvo a parte do Pottermore que fala sobre a McGonagall, mas esqueci de ler. Obrigada ^^
Marjorie - Liga não...o meu foi com 15 (segredinho! rsrsrs).
Você odeia seu nome? Marjorie é bonito. Apesar de que eu nunca tinha ouvido falar até surgir aquela atriz/cantora da globo rs.
Sua professora ficou com raiva de você passar? Que professora má. É a versão feminina do Snape?
Você é uma pessoa de chutes muito bons. Aguarde que ainda terá outras relações bizarras mais p/ frente rs.
Você não é retardada. Eu sou, por ficar ansiosa por postar minha própria fic...
Beijos e até semana que vem!
Gente, eu sou muito demente! Escrevi essa nota na sexta e esqueci de postar o capítulo!
Foi mal U.U
Bem, antes tarde do que nunca.
