3 – How I Met Your Mother
Depois da minha 'quase-morte' prematura pelos vinte engasgos que eu sofri naquela tarde, eu juro que pensei que Deus iria ter piedade da minha pobre alma, e me livrar de mais constrangimentos na frente da Quinn, mas é claro que seria mais fácil esperar que o Papai Noel descesse na chaminé da minha casa carregando a fada do dente do que esperar algo assim com Samantha ao meu lado.
E por falar no diabo... Quinn estava conversando com Sammy, e foi aí que eu percebi que meu calvário não havia acabo ainda.
–Você é uma Cherrio, não é?- Sam perguntou. Quinn sorriu suavemente antes de responder. Judy provavelmente passou açúcar na Quinn quando ela nasceu, porque só assim pra alguém poder ser tão doce com a Sam sem se estressar com ela.
–Eu era, na verdade. Saí ano passado, agora eu só ajudo a treinadora.
Sinceramente, eu fiquei feliz com o rumo da conversa. Nada arriscado, sabe? Mas sabe também quando você se descuida por um segundo e todo um desastre natural acontece? Então. Eu inventei de prestar atenção na conversa de Santana com Frannie, e não vi que Samantha parou de falar do nada. Só quando já era tarde demais.
Sam olhava fixamente para a barriga de Quinn agora, franzindo a testa.
–Você era capitã, não era?- Ela perguntou. Quinn me olhou em dúvida por um segundo. Eu apertei a mão dela de leve.
–Hã, era...
–Mas você ficou grávida, não ficou?- Sam continuava inquirindo a barriga agora perfeitamente lisa de Quinn. Eu lancei um olhar de aviso que Sam não viu, por ainda encarar a barriga de Quinn, que olhou de mim para Sam. Eu, claro, fiquei sem ter onde enfiar a cara quando percebi onde Sam iria chegar.
–Fiquei...-Quinn afirmou, franzindo a testa.
–Mas você não está mais grávida!- Sam disse como se chegasse à uma conclusão brilhante.
–Hã, não...
–Então você teve o bebê!- Sam quase gritou.
–Samantha, por favor!-Eu pedi. Agora todos os olhares da mesa se voltavam para nós, Quinn estava vermelha feito um pimentão, e Samantha obviamente me ignorou.
–Tive...-Quinn murmurou.
–Samantha, chega.-Kate pediu.
–Quinn! Que legal! Meu deus, eu mal posso acreditar nisso! É verdade o que dizem? É mesmo como empurrar um sofá?
Santana e Puck explodiram em uma gargalhada. Eu ia matar aqueles dois ainda, mas Frannie se encarregou de calar os dois com o olhar. O diabos as Fabrays faziam com o olhar e com a sobrancelha que fazem com que elas se expressem perfeitamente sem sequer abrir a boca era um mistério pra mim. Vai ver elas têm algum tipo de tradição familiar que ensina isso, talvez.
–Samantha, chega! - Kate ordenou dessa vez, e a minha amiga ruiva pareceu murchar, e Quinn suspirou de alivio ao meu lado, aliviando um pouco o aperto na minha mão quando Kate continuou a falar.-Muito bem pessoal, o que nós vamos fazer hoje? Nós precisamos comemorar o aniversário da Rach!
xXxXxXxXx
Nós já estávamos naquele café a algum bom tempo agora. Eu mandei uma mensagem para Britt explicando com quem e onde eu estava, e agora eu estava quieta há alguns minutos, apenas observando o circo em que nós transformamos aquele café se acalmar um pouco.
Barbie 1 e Barbie 2 colocavam o assunto em dia, aparentemente, com minha pequena Hobbit no meio. Em algum ponto daquilo, a Barbie 1, Quinn, pegou a mão de Rachel e parecia muito contente em conversar com a Barbie 2 enquanto brincava com a mão da pequena, que não parecia estar reclamando de nada. A Barbie 2 apenas lançou um olhar de 'O que diabos eu andei perdendo por aqui?' para a pequena e para mim, e nós só demos de ombros. Havia muita coisa a ser explicada ainda.
Mudando a direção do meu olhar, eu me deparo com o palhaço do Puckerman só faltando abanar o rabinho para Kate, como sempre, e Samantha se segurando tanto quanto eu para não revirar os olhos. Francamente, depois de tudo que aquela cadela do gelo fez com a pequena, ele ainda só faltava beijar o chão onde aquela vadia pisava. Homens são todos iguais mesmo.
Eu desviei o olhar do Puckerman quando meu celular vibrou e Britt me avisou que ela e seus pais iriam para a casa de sua avó esse final de semana, avisando que eu deveria passar lá mais para a gente se despedir. Obviamente minha vontade era a de levantar e ir embora no mesmo segundo, nunca que eu deixaria meu bebê loiro me esperando, mas Juan chegou com uma enorme torta holandesa de presente para a nossa mesa,e de repente, toda aquela bagunça se refez. Meu celular vibrou de novo, e Britt me avisou que estava indo ensaiar. É, eu acho que tinha mais um tempo com aquele circo.
Depois de mais uma rodada de cafés para todos, uma torta que provavelmente nuca imaginou que iria morrer de uma forma tão cruel jazendo pela metade na mesa, e uma cena doentiamente bonitinha entre o Hobbit e a Quinn quando a pequena se sujou de chantilly no rosto, mais um terço da torta devorado e Puckerman e eu disputando o último pedaço da mesma na base do tapa, literalmente, Sam interviu e eu fiquei com a torta, claro. Era impressionante como o Puckerman se tornava uma verdadeira menininha perto da Sam. Eu estava acabando a minha torta quando a Barbie dois resolveu deixar o Hobbit e a Barbie um em paz, e se virou para mim, sorrindo.
Admito que na maior parte do tempo eu sentia falta de Frannie. Mais do que Lima Heights, ela havia me ensinado como e quando ser uma vadia de marca maior e quando não ser. Não que eu praticasse muito essa última, claro, afinal eu era Santana Lopez, e eu tinha uma reputação a manter!
–Você sabe o que diabos a cadela do gelo veio fazer aqui?-Eu perguntei. Frannie me olhou surpresa, negando.
–Na verdade, achei que você soubesse.-ela comentou.- Quer dizer, já que foi você quem me chamou...
Para a minha infelicidade, a Barbie um tinha parado de falar, o que significava que os ouvidos aguçados do Hobbit estavam voltados para a coisa mais interessante daquela mesa, ou seja, minha linda e sexy voz, que por sua vez significava que eu estava ferrada. Ou foi isso que eu entendi quando a criatura diminuta me olhou, e Santana Lopez, além de ser linda e sexy, tem também a qualidade de nunca estar errada, como gostaria nesse momento.
Ouch.
xXxXxXx
Aparentemente eu não era a única da mesa a estar prestando atenção na conversa de Santanás com minha irmã. Não que eu seja xereta ou entrosada, mas eu e Frannie ainda somos católicas, e é meu dever como sua irmã ficar atenta para o caso de Satã tentar levá-la para o lado negro da força. Claro.
Eu queria entender porque diabos Frannie estava aqui se ela sempre avisava antes de aparecer em casa para não ter que topar com Russel, mas ela não havia me dito nada dessa vez. Samantha, que eu descobri ser realmente inteligente e engraçada, além de falar tanto quanto Rachel se calou e olhou para as duas. Mas eu só soube que havia algo de errado ali quando até mesmo Puck parou de babar no decote que só podia ser siliconado da falsa concorrente da Carla Bruni e começou a olhar para Santana e Rachel como se assistisse a uma partida de tênis de mesa. Aliás, eu me mantive contente em observar todo mundo, menos ela, porque se o humor dela estava refletido na forma como ela apertava minha mão agora, eu provavelmente deveria começar a considerar a ideia de entrar para o time de corrida do colégio. Só para o caso de precisar de uma fuga estratégica. Ou talvez eu devesse parar de jogar 'Prince Of Persia' pela enésima vez e treinar aquele jeito louco do dele de correr sobre prédios e talz. É, poderia dar certo isso.
–Santana.- A voz firme de Rachel me distraiu da minha linha de pensamento sobre aprender a correr também sobre a cidade como o Ezio de 'Assasin's Creed'.-Não foi você quem disse para Katherine onde eu estava, foi?-Ela perguntou, os olhos de chocolate derretido se estreitando perigosamente.
–Claro que não, Rachel!- A latina respondeu rapidamente.
–Santana.
–Talvez eu tenha mencionado que estava vindo para cá.-Frannie comentou.
–E a cadela do gelo veio por conta própria. Eu não tenho nada com isso. Ela te caçaria até NY se precisasse.-Santana complementou.
–Hey, eu continuo aqui!- A boneca Susi morena reclamou do outro lado da mesa.
–Ninguém falou com você, Katherine!-Santana e Rachel se viraram e responderam na mesma hora. Se alguma vez eu achei que pudesse beijar Santana por algo que ela fez, eu estava quase fazendo isso agora. Katherine estreitou os olhos minimamente, e eu me perguntei se ela pegou essa mania com Rachel.
–Meu distintivo viajou comigo também. Mesmo fora da minha jurisdição, isso ainda é desacato à autoridade. - ela comentou, fria. Eu podia jurar que Rachel estava prestes a pular no pescoço pálido dela, e mesmo que eu não fosse completamente contra ideia, eu achei melhor trocar a mão que Rachel segurava e passar um braço sobre seus ombros. Claro que eu fiz isso da maneira mais visível possível quando Katherine estava olhando, da mesma forma que eu fiz quando comecei a segurar a mão da Rach. Não que eu quisesse deixar Katherine com ciúmes, claro. Eu não precisava disso, uma vez que Rachel era só minha amiga.
"Aham Fabray. Avise-me quando conseguir convencer você mesma disso." - Aquela voz chata voltou a me incomodar, na minha cabeça. Sinceramente, eu estava começando a considerar a possibilidade de ter uma segunda personalidade desconhecida por mim, tipo o Duende Verde, sabe? Eu fiz a voz se calar, mas perdi alguns pontos da discussão. Eu só entendi que Rachel, Santana discutiam com minha irmã se ela poderia livrá-las da pena e seis meses por agredir um policial. Como a resposta foi não, Rachel se afundou mais na cadeira ao meu lado, emburrada.
Depois de um momento de um silêncio tenso, Sam se levantou, chamando a atenção de todos na mesa e fazendo com que Katherine e Santana parassem de se fuzilar com o olhar. Quando todos os olhares se voltaram para ela ela respirou fundo antes de começar a falar:
–Meninas, acalmem-se. Vamos por partes, por que eu já estou ficando confusa por aqui. Eu voltei para Lima porque era o aniversário da Rachel esse final de semana e Puck e Santana me chamaram. Frannie, você está aqui por...?-Ela perguntou.
–Negócios. - Minha irmã sorriu para Rachel. - A minha cliente favorita precisa de mim, então eu vim fazer uma espécie de atendimento domiciliar. Além de vir para o aniversário dela, claro. Você mal pode esperar pelo seu presente, Rachel! - Frannie disse animadamente. Sam sorriu de leve e assentiu.
–Katherine?
–Mesmos motivos. Negócios, aniversário...- A Susi-morena-policial respondeu olhando para Rachel, que murmurou algo como "Como se você lembrasse da data sem o Facebook" ao meu lado.
Agora já era demais! O que diabos essas duas tinham, tiveram ou seja lá o que for, eu tinha que saber!
xXxXxXxXx
–Eu acho melhor nós irmos embora.- Santana comentou, desviando-se totalmente do assunto anterior e olhando para o céu já negro daquele início de noite e voltando rapidamente os olhos para a tela do celular. Brittany, com certeza.
–Vocês vão passar a noite lá em casa, né?- Rachel inquiriu, perguntando para todos da mesa.
–Eu tenho que pegar minhas coisas em casa.- Puck disse, seguido por Sam e Katherine, Frannie e Santana. Como Quinn não sabia se o convite se estendia a ela, a loira não falou nada.
No fim, ficou decidido que Sam e Katherine iriam com Puck pegar o que precisavam, e Santana, Frannie, Rachel e Quinn iriam para a casa da loira, já que a latina já tinha deixado tudo na casa de Rachel na última vez que esteva lá.
Depois de insistirem muito para pagar a conta, brigarem como senhor Diaz por ele insistir em não cobrar nada, já que ele dizia ser "um prazer ter aqui as crianças que vi crescer", serem praticamente expulsos do café pelo menino do caixa que foi ameaçado de demissão caso cobrasse algo, e um convite para voltarem sempre por parte do pai de Samantha, e combinarem de se encontrar na casa de Rachel direto, já que Judy não era exatamente a fã número um de Puck, Sam e Katherine foram embora com o rapaz do moicano, Frannie e Santana voltaram ao jipe militar da latina, e Rachel e Quinn novamente se encontravam no Cruze preto da morena, que, para a felicidade da loira, dirigia numa velocidade aceitável agora.
Quinn reparou em como Rachel parecia tensa durante todo o caminho, mas como percebeu que a morena não ia falar nada, preferiu conversar sobre qualquer banalidade, assunto que cessou quando Quinn quase morreu do coração, já que Santana emparelhou o jipe com o carro das garotas e acelerou, provocando. Obviamente, Rachel respondeu, e quando as duas finalmente estacionaram na frente da mansão Fabray, Quinn esbravejou, com as mãos ainda coladas à lateral do banco.
–Eu dirijo da próxima vez!- Rachel apenas riu, antes de sair do carro e ir novamente abrir a porta para a loira.
xXxXxXxXx
Depois que Rachel abriu a porta pra mim e me deu a mão para me ajudar a sair do carro, eu admito que comecei a ficar nervosa. Minha mãe havia mudado muito depois que chutou meu pai pra fora de casa. Ela meio que estava mais... protetora comigo, então eu estava meio que sem saber como iria simplesmente chegar pra ela e avisar que estava indo passar um final de semana inteiro com Rachel, Santana e cia. Ia ser algo bizarro do tipo: 'Oi mãe, lembra daquela garota que você amou ver cantar e que eu vivia reclamando sobre ela para você, por ela roubar meus namorados? Então, ela é a Rachel. À propósito, eu descobri que hoje é o aniversário dela, então eu vou passar o final de semana com ela e os amigos dela numa fazenda enorme, porque eu não posso deixá-la sozinha com uma Susi policial que tenta concorrer com a Carla Bruni.' Ia ser bizarro.
Mas o mais bizarro mesmo foi quando minha mãe veio atender a porta, faltando só soltar fogos por Frannie estar ali. Quando ela sossegou um pouco que foi perceber que eu e Sant estávamos ali. Por que eu tinha a sensação de que Rachel estava se escondendo atrás de mim?
Mas sabe quando alguém resolve te pregar uma peça, e seus amigos vão no embalo? Minha vida decidiu fazer isso comigo hoje, só pode, porque só assim para explicar a cara da minha mãe quando viu a baixinha. Ela praticamente pulou em cima de Rachel, e eu fiquei seriamente preocupada se aquilo não era uma tentativa disfarçada de sufocamento, porque era o que parecia. E depois, veio o que deveria ser a maior cara de reprovação do mundo, com a famosa sobrancelha Fabray erguida, era mesma cara que ela fazia quando eu fazia algo errado quando era criança.
–Quer dizer que se Frannie e agora a Quinnie não te arrastarem até aqui você não aparece mais, Rachel?-Sério, aquele tom fazia qualquer um se sentir com 5 anos.
–Judy, eu...- Rachel tentou.
–'Judy, eu...' nada! Você ao menos tem comido direito? Eu juro que vou ter uma conversa muito séria com Leroy! Você vai acabar sumindo um dia desses, mocinha!-E o discurso da minha mãe continuou. Eu apenas olhei para Frannie e Santana, a ficha finalmente caindo.
Minha mãe conhecia Rachel.
Muito bem, por sinal.
Ela conhecia a família de Rachel.
Frannie já a levara em casa, obviamente mais de uma vez.
Em que porra de mundo eu estava vivendo até agora sem saber de nada disso, inferno?
O olhar de Rachel se cruzou com o meu, o de Frannie e Santana. E pelas expressões em seus rostos estava óbvio que elas iam ter que me explicar muita coisa. Ah, se iam.
N/A: Tudo que posso fazer é pedir desculpas pela enorme demora, eu simplesmente me esqueci de postar aqui, então... Perdão. Agora, rewiews para eu saber que vocês ainda estão comigo e eu devo continuar essa budega?
Bjoos
Carol.
