Capitulo 6 – Outros Tempos

Aoi sentia a cabeça latejar, e uma dor enorme nas costas, como se estivessem jogando uma bola de demolição nas costas dela.

-Ei! Acorde! Aoi!

Quem era? Aoi não conseguia saber.

-Acorde!

Nyanko-sensei?

Aoi abriu os olhos e se virou, tirando Nyanko de cima dela. (Ao que parece, ele estava pulando nas costas dela. Isso explicava a dor).

-Nyanko-sensei...? –perguntou ela, se levantando e olhando ao redor. Estava numa cidade grande e vazia. Era noite. –Onde estamos?

-Não sei, você caiu do penhasco e quando eu acordei estávamos aqui. –respondeu Nyanko. –Não tenho a mínima ideia do que aconteceu.

Aoi olhou em volta, procurando algo que poderia ajuda-la.

-Não tem ninguém aqui?

-Devem estar dormindo. São cerca de duas da manha agora. –respondeu Nyanko.

-Vamos andar por ai, e ver se encontramos alguém. –falou Aoi, pensativa.

-Sim.

Eles saíram andando, com Nyanko no ombro dela. Andaram por alguns minutos, até que Aoi começou a ouvir a respiração pesada de alguém. Ela seguiu esse som, e se deparou com um garoto, de cabelos e olhos castanhos claros. Seu rosto estava suado, e arfava como se tivesse corrido muito. A franja do cabelo estava um pouco cumprida, quase cobrindo os olhos.

Nyanko ficou num silêncio pesado, olhando para o garoto, em quanto a cabeça de Aoi estava a mil.

Eu conheço ele...

De onde? Aonde eu já vi esse garoto?

-Natsume? –perguntou Nyanko num sussurro.

-Natsume?! –exclamou Aoi, sem conseguir se segurar, olhando para o menino.

O garoto, que devia ter aproximadamente 15 ou 16 anos olhou para ela de olhos arregalados, e saiu correndo.

-Baka! Agora ele acha que você é um Youkai! –reclamou Nyanko, em quanto Aoi corria para segui-lo, mas por ser muito menor que ele não havia conseguido alcança-lo ainda.

-Desde quando eu pareço um Youkai? –reclamou ela, arfando. O gato desvia aprender a correr sozinho às vezes. –Você não é amigo dele? Não pode o fazer parar?

-Ele está muito jovem! Suponho que nós, de alguma forma maluca tenhamos voltado no tempo, eu não o conhecia ainda nessa época! –explicou Nyanko.

-Droga... Isso quer dizer que eu vou ter que pegar ele? Que saco... –murmurou ela, e aumentou a velocidade.

Por que essa coisa tá me seguindo? Reclamou Natsume, em pensamento.

Aoi aumentou ainda mais a velocidade, chegando muito perto de Natsume, que corria como se fugisse de cães do inferno.

-TE PEGUEI! –exclamou ela, agarrando a camiseta dele e fazendo-o parar. –Espere, Natsume-san!

-Eu não fiz nada, por que você está me seguindo?! Eu não fiz nada para vocês, Youkais!

Aoi mordeu os lábios e pensou na resposta.

-Eu não sou um Youkai. Sou uma humana.

-Você o que? –gaguejou ele.

-Eu disse que não sou um Youkai. Ainda não entendi porque você me acha parecida com um.

-Desculpe, eu... Youkais não existem.

-Claro que existem. O gato chato no meu ombro é a prova disso.

-Eu não sou chato! –reclamou Sensei, acertando a cabeça dela.

-Ai! Sensei!

-Esse gato é um Youkai? –perguntou Natsume.

-Você não parece surpreso. –comentou Aoi.

-Estou acostumado. –respondeu ele, olhando para o gato. –Como sabe meu nome?

Aoi olhou para Nyanko, que balançou a cabeça em negação.

-Sou uma parente sua. Meu nome é Natsume Aoi.

-Parente minha? –perguntou Natsume, confuso. –Impossível... Não tenho parentes próximos.

-Ah, eu não sei exatamente qual é minha ligação com você. –mentiu ela, dando de ombros. –Mas você é meu parente. Não está vendo os cabelos?

Natsume tocou os cabelos de Aoi, notando a semelhança obvia.

-Oh... Mas, o que você está fazendo aqui fora, sozinha? Se sabe da existência de Youkais...

-Sabe, eu não tenho ideia. Eu estava olhando as estrelas, pensando se devia ou não voltar para a casa dos meus "agradáveis" tios, quando cai de um penhasco e acordei nessa cidade. –falou ela, com aspas em "agradáveis".

-Quantos anos você tem? Dez? –perguntou ele.

-Treze. –respondeu ela irritada.

-Desculpe. –falou ele, percebendo a irritação dela.

-Tudo bem. –falou ela, sem conseguir ficar brava realmente com ele. –É realmente um alivio eu ter te encontrado, mas... Por que você estava fora de casa as duas da manha?

Ele olhou para ela, como se fosse obvio.

-Youkais. –disseram juntos, e riram.

Aoi estava feliz, mas ao mesmo tempo triste. Aquele era seu pai. O homem que ela sempre sonhou conhecer... E ela não podia contar isso a ele.

Infernos...