Capitulo para deleite dos que acompanham! Espero que apreciem! Explicações sobre alguns termos no final do cap!

Boa Leitura!


Capitulo Terceiro: A Cerimônia.

Abriu os olhos e viu a penumbra do quarto em que dormira, nem se lembrava de ter pego no sono, talvez estivesse tão cansada que sua mente se desligou assim que seu corpo sentiu a maciez do colchão. Sentou-se na cama e suspirou, o mundo parecia estar sobre suas costas e ela sentia que a qualquer momento poderia vomitar.

Em apenas algumas horas estaria casada com Severo Snape.

Revirou os olhos verdes nas orbes e levantou-se da cama, afinal, ficar ali não mudaria seu destino. Mal deu dois passos houveram batidas à porta.

- Entre.

A ruiva não precisou olhar para saber quem era, ao invés disto, ela certificou-se de que o roupão que ainda usava cobria todas as partes necessárias de seu corpo.

- Saímos em meia hora, espero que haja tempo de se arrumar. - a voz de Snape soou pelo quarto.

A pergunta não precisou ser feita, ele já estava colocando algo sobre o lençol amarrotado. Jeenn se aproximou e examinou. Tratava-se de um vestido preto. E antes que ela pudesse verbalizar sua incerteza, ele lhe estendeu a própria varinha.

- Seja rápida, e não comente isto.

E saiu em um rompante, as perguntas rodavam na cabeça da ruiva, a varinha formigando em sua mão. Havia cinco dias que ela não canalizava magia, e a sensação lhe perecia novamente maravilhosa. Murmurou um lumos para testar o efeito da varinha alheia. Funcionava tão bem quanto a sua própria. Com um floreio abrangente ela se viu vestida com a roupa que lhe fora entregue. Um vestido de veludo, com um decote em 'v' profundo, exaltando a curva dos seios.

Apontou a varinha para o próprio rosto e hesitou, nunca antes executara um feitiço em si mesma com outra varinha, mesmo uma que lhe servia bem, cautelosamente murmurava os feitiços que ela tão bem conhecia, em poucos instantes ela pode se contemplar em um espelho de mão, que também conjurara. Não se parecia em nada com uma noiva, sempre imaginou-se em um vestido de cor clara, não branco, porque achava que a cor não combinava consigo, mas um marfim, com pérolas bordando o busto e uma coroa prateada com pedras preciosas. Ao invés disto, ela tinha um vestido preto e uma presilha de esmeraldas.

Desceu as escadas com cuidado, os saltos fazendo barulho na madeira antiga. Snape estava de costas para ela, olhando para um quadro que até então ela não tinha notado ali. Seu coração falhou duas batidas e ela apertou a varinha de Snape, se o estuporasse, talvez... "fugir não adianta, lembra? Ele acordaria irritado e você é quem sofreria."

Snape virou-se para ela quando ouviu os passos cessarem, e então ele a viu mais bonita do que durante o baile de inverno do Torneio Tribruxo, com certeza mais bonita, porque hoje nenhum búlgaro mal encarado estava pendurado em seu braço.

- Pronta?

- Não!

Terminou de descer os poucos degraus que faltavam e parou de frente para Snape, segurando o pulso direito dele, deslizou a varinha para dentro da manga da veste dele, negra como de costume. Aquele seria literalmente um casamento das trevas. E o encarou dos seus poucos 1,65cm os olhos negros dele, enquanto deslizava seu braço na curva do cotovelo do bruxo.

Aparataram em frente ao solar dos Malfoy, onde o covil de Comensais estavam se hospedando. Ela suspirou contra o casaco grosso que Snape usava e abriu os olhos encarando a manhã. Snape a segurou pelos cotovelos e se afastou, observando-a atentamente.

- Algum problema?

- Não de verdade, eu nunca tinha aparatado sem nada no estômago. - disse simplesmente, como se comentasse sobre o tempo.

Se Snape se incomodou com aquele comentário, ficou escondido diante de muitas camadas de indiferença fingida. Segurando firmemente o braço dela no seu eles caminharam até os portões que se abriram para as duas figuras de negro.

Não havia decorações, nem nada que indicasse que um casamento seria realizado ali, apenas uma cadeira no centro exato da sala onde estava sentado o Lord das Trevas e um semi circulo feito pelas mesmas pessoas que compunham a mesa do Lord na noite anterior.

Nagini a cobra de estimação se enrolava aos pés de seu amo que se levantou e sorriu ao ver Severo e Jeenn juntos.

- Um casal interessante. - Voldemort andou com seus trajes negros esvoaçando atrás dele. - Teria eu mesmo tomado-a se não tivesse coisas mais importantes a fazer.

- Deveria me sentir lisonjeada, imagino. - debochou.

Voldemort gargalhou, empurrando Snape para ficar frente a frente com a bruxa. Eles se encararam, verdes nos vermelhos e o Lord com um sorriso de canto de lábios lhe estendeu a mão de dedos muito longos e cadavéricos, nela havia uma varinha descansada. As unhas da jovem arranharam levemente a palma da mão branca e descarnada no ato de reaver a varinha.

Voldemort se afastou da jovem. Ela queria evitar encontrar seus pais com os olhos, temia que se os visse desistisse daquilo tudo. Suspirou, sentindo a mão de Snape segurar a sua. Estava na hora, e quanto mais rápido fosse menos ela teria tempo para pensar.

Snape ficou de frente para ela e buscou os verdes dela com seus negros, ela pode ver de sua visão periférica o Lord voltar para seu assento.

- Confie em mim... - Snape sussurrou, tão baixo que nem ela pode ouvir, apenas pudera ler nos lábios dele.

Ela apenas afirmou levemente com a cabeça.

Snape tomou a mão esquerda da jovem na sua, deslizando seus dedos pela palma até segurar o pulso fino, e com um breve aperto fez a jovem segurar seu pulso dentre os finos dedos. Ela não sabia se realmente poderia confiar nele, mas algo dentro de si gritava chamando sua atenção para o fato de que ele demonstrara confiança nela quando lhe entregara sua própria varinha. Moveram as mãos direitas em um único gesto, apontando a varinha para a mão que mantinham presa.

- Eu, Severo Prince Snape... - começou ele e um fio dourado começou a sair da ponta da sua varinha e se enroscar no dedo anelar da jovem. - tomo hoje, esta mulher como sendo minha, e prometo cuidar e respeitar pelo tempo que me couber em troca de minha vida.

Jeenn observou o fio dourado assumir consistência e se transformar em uma aliança, ela olhou para os olhos de Snape e limpou a garganta, precisava ser sincera ao fazer seus votos.

- Eu, Jeenn Kloves Spaild, - e o mesmo fio saiu da ponta da varinha dela, enrolando-se no dedo de Snape. - aceito-o como meu marido e prometo não só um corpo, minha alma. Respeitando e cuidando enquanto eu viver.

Não eram votos apaixonados, e nem nunca seriam, sendo um casamento forçado, mas eram votos válidos e professados com sinceridade. Encararam-se e seus olhos fugiram dos negros, não encararia ele quando estava prestes a chorar, ela tinha que manter a cabeça ocupada em outra coisa, então começou a entoar mentalmente uma série de diagramas rúnicos.

Snape pode ouvir a risada debochada de Bellatrix vinda de um canto, ignorando ele franziu a testa ao ver os lábios da ruiva se mexerem levemente, como se estivesse murmurando um feitiço. Ele apertou levemente a mão dela e com isso fisgou os olhos dela nos seus.

- Agora o casamento do sangue!- Voldemort ordenou de seu lugar.

Snape puxou uma adaga de lamina curva e tomando a mão da jovem deslizou-a pela palma, rasgando a carne, permitindo o carmim projetar-se da ferida. Um esgar de dor foi tudo o que ela ofereceu, mas seus olhos estavam mareados, prestes a derramar. Ignorando os olhos verdes, Snape cortou a sua própria palma e ao ver o sangue correr uniu suas mãos. Eles podiam sentir a mão se empapar do sangue que se misturavam com as palmas unidas.

Voldemort se levantou mais uma vez, apontando a varinha para a própria mão e conjurando uma pequena taça. Quando estava próximo o suficiente, ele tocou as mãos unidas com a varinha e recitou o encantamento com sua voz demoníaca.

- Cruor Nuptialis¹. veiled, unda, eternus.² - os noivos sentiram a palma arder, queimar como se fogo jorrasse de suas veias, o sangue corria fluído, pingando dentro da pequena taça que o Lord segurava logo abaixo das mãos. - A somes, animus of alius. Usquequaque³...

E do mesmo modo como começou a queimação cessou, eles separaram as mãos ensanguentadas. A jovem viu de vislumbre a taça com o sangue de ambos ser oferecida a Snape, mas aquilo não lhe importava muito, precisava era ver o estrago em sua mão e com um feitiço em silencio remendá-la.

No lugar que deveria conter o corte, apenas uma cicatriz estava, transcluida como se brilhasse fracamente.

- Beba. - ela ouviu a voz de Snape ordenar.

Tomou o pequeno cálice em sua mão e bebeu o líquido espesso, sentindo o gosto ferroso característico do sangue. Fez uma pequena careta antes de entregar novamente a taça.

- Muito bem! - a voz demoníaca encheu a sala. - Severo, não pretendo tornar isto mais formal, não quero o registro no Ministério. Aquele velho decrépito pode tentar intervir de alguma forma.

- Sim Milorde.

- Agora vão, crescei-vos e multiplicai-vos.

Os Comensais da morte, se dispersaram, ninguém foi parabenizar os recém-casados, somente um casal se aproximava deles, o casal Spaild. Porém, nenhuma congratulação seria oferecida. Snape nunca viu uma Mãe da Noiva tão entristecida.

- Para onde... - Merick começou, mas não conseguiu terminar.

- Iremos para a minha residência. - Snape respondeu em seu tom arrastado.

Jeenn se jogou contra o peito da Mãe e ficou até o momento em que Snape segurando seu ombro a afastou. A despedida foi em silencio, e para espanto do Professor de Poções, nenhuma lágrima fora derramada pela jovem, o mesmo não poderia ser dito da Senhora Spaild.

Ela suspirou o ar da manhã de olhos fechados enquanto sentia o calor provindo do sol. Um nó em sua garganta a impedia de falar desde ter lhe dado seus votos. Sabia que se falasse algo dentro dela se romperia e as lágrimas brotariam de seus olhos. Prometera para si que jamais choraria na frente de seu esposo.

Mordeu seu lábio e aninhou as mãos no peito, sentindo o coração bater, acelerado. Não queria ter ficado sozinha no jardim dos Malfoy, mas o Megalomaníaco das trevas tinha requerido a presença de Snape momentos antes de eles aparatarem de volta.

Abriu os olhos verdes e encarou a entrada da Mansão, encostada em uma das pilastras de sustentação encontrava-se Bellatrix Lestrange. A mulher lhe sorria de modo assustador, mostrando os dentes encardidos pelo tempo vivido em uma cela de Azkaban, os cabelos desgrenhados a davam um ar de louca, e era realmente o que Jeenn achava dela. Louca.

Voldemort ordenou que aquele casamento ficasse na clandestinidade, não queria que aquela união corretiva pudesse atrapalhar seus planos para a tomada do mundo bruxo. Estava com uma pontada de dor de cabeça, mas o descanso que ele merecia não seria lhe dado nem tão cedo, ele ainda tinha que levar sua esposa para conhecer seu outro senhor.

Bellatrix passou por ele gargalhando abertamente, a varinha em punho e uma maldição escapou por sua ponta, para atingir um elfo doméstico que limpava o local, e mais gargalhadas agourentas foram ouvidas. Snape alcançou os jardins e encontrou a ruiva no mesmo local que a havia deixado. Como se tivesse prendido ela ali com um feitiço adesivo.

A ofereceu o braço e ela aceitou de pronto. Quando o corpo dela encontrou-se no seu, ele sentiu a dureza característica da varinha na cintura da jovem mulher. Um cheiro diferente para as narinas de Snape se dispersaram com o calor do sol e atingiram suas sensíveis narinas, e ele o identificou como sendo o perfume da mulher em seus braços. Algo dentro dele despertou e ele pela primeira vez sentiu prazer em ter uma mulher para chamar de sua. Apertou um pouco mais o frágil corpo ao seu e aparatou.

Sentiu as pontas dos seus pés tocarem o chão e então moveu seu peso do peito de Snape para seus próprios pés, e seus saltos afundaram na grama fofa. Retomando o equilíbrio com a ajuda de Snape ela olhou ao redor e percebeu onde estava.

- Estamos em Hogwarts! - disse colocando uma mecha de cabelo vermelho atrás da orelha.

- Obrigado por informar. - ele respondeu seco.

Ela o olhou sem entender, mas o seguiu com um mundo de perguntas explodindo em sua mente. Haviam alguns alunos ao longe e ela suspirou a vida que não voltaria. Eles entraram na escola e os claps-claps de seus saltos ecoavam pelo castelo, nenhum aluno estava pelo caminho. Ela quase corria para acompanhar o professor, subia as escadas com certa pressa, ele era muito mais rápido. Ah, se ela não estivesse com saltos tão altos... Tomaram um caminho muito conhecido dela e seus olhos se arregalaram quando eles pararam em frente a gárgula de pedra que dava passagem para a sala de Dumbledore.

A ruiva olhou inquiridora para o homem e recebeu uma sobrancelha levantada em resposta.

- Delicia gasosa. - ele ditou para a gárgula que se moveu mostrando a escada circular.

Minerva torcia os dedos nervosa, andando de um lado para o outro na sala de Dumbledore, lançava esporadicamente ao bruxo um olhar inquisidor. O diretor estava sentado, observando Fawkes que limpava suas penas com o bico, mas o cenho franzido demonstrava que ele também estava inquieto.

- Quanto tempo mais? - finalmente perguntou Minerva.

- Não muito. - Alvo se virou para a bruxa e apontou a porta. - Entrem.

A porta abriu lentamente, Snape estava parado, segurando a porta, seus olhos cravados nos de Alvo, eles se comunicaram em silencio. A passos lentos a Grifinória entrou no recinto, olhando com certo receio para Snape. Ouvira do próprio Lord que o casamento deveria ficar em segredo, então para não prejudicar os Pais, ficaria em silencio, mesmo todo o seu ser clamando que gritasse para o velho diretor que ela estava sendo coagida. Encarou os próprios pés e ao respirar fundo adquiriu a coragem para encarar o diretor da escola e a diretora de sua casa. Sorriu um sorriso forçado.

- Bom dia. - pronunciou.

- Ah minha querida. - Minerva a abraçou de modo acolhedor, e mais uma vez ela segurou o choro, orgulhosamente como fizera no solar dos Malfoy. Mas em um abraço desesperado despejou todo seu sofrimento ao apertar Minerva contra si.- Acalme-se... venha, vamos nos sentar e conversar.

Suspirando fundo ela sentou-se ao lado de Minerva que caridosamente segurava sua mão direita entre as dela, a esquerda estava estrategicamente escondida entre suas vestes.

Alvo lhe ofereceu um sorriso sincero e cheio de compaixão, ela sentiu Snape se aproximar e parar ao lado oposto que Minerva ocupava. A cabeça da jovem dava inúmeras voltas e não chegava a lugar nenhum, porque o seu algoz tinha a levado de volta a Hogwarts?

Severo por outro lado, sentia um forte desconforto em seu interior, ao ver Minerva acalentando a mulher que momentos antes esteve abrigada no seu peito, algo novo ao qual ele ainda não sabia nomear.

- Alvo. - chamou Minerva.

- Senhorita... - Alvo começou mas parou, suspirou de olhos fechados e voltou a encará-la. - Senhora Snape, sim eu sei sobre o casamento. - ele disse ao ver o semblante de confusão no rosto da Grifinória. - E fui eu quem pediu para que Severo a trouxesse aqui após a cerimônia.

"Senhora Snape, eu tenho algumas coisas para esclarecer para a senhora. Severo Snape trabalha como espião para a Ordem da Fênix.

- Mas, eu achava que...

- Como sempre, - Severo falou do alto de seu orgulho. - Grifinórios sempre acham errado!

Jeenn franziu o cenho e encarou Snape. Quem ele pensava que era para ficar falando com ela daquela maneira? Ela não era apenas mais uma aluna dele, agora ela era a maldita esposa dele. Ia abrir a boca para reclamar quando Dumbledore voltou a falar.

- Gostaria que a senhorita mantivesse isso em segredo.

- Mas Alvo...

Dumbledore estendeu a mão sã para Minerva, impedindo-a de terminar a sua frase. - E você Severo ficará incumbido de ensiná-la Oclumência para frustrar qualquer oportunidade que o Tom tenha de ler a mente dela.

Minerva anuiu e apertou mais a mão que estavam entre as suas.

- Alvo.- Snape chamou. - Ele fez o Cruor Nuptialis.

Dumbledore olhou para a mão de Snape, que continha a aliança. Assentiu e enfiando os dedos longo entre a manga de sua veste prateada ele tirou sua varinha. E apontou para o casal, movimentando seu pulso em um giro ágil ele deixou o feitiço fluir da ponta da varinha e atingir os dois.

Jeenn sentiu a aliança mover-se em seu dedo. Estendeu a mão para olhar e a viu mutando-se para um anel dourado com o leão símbolo da Grifinória. Ela não precisou ver a aliança de Snape para ter a certeza de que ela tinha adquirido a forma de uma cobra, símbolo da casa que ele dirigia.


N/A: ¹Cruor Nuptialis - Casamento de sangue.

²veiled, unda, eternus. - Velado, profundo, eterno.

³A somes, animus of alius. Usquequaque - De corpo, mente e alma. Eternamente...

Então, um casamento negro... cheio de magia antiga. Albus ainda explicará como este casamento funcionará!