Disclaimer: Saint Seiya não pertence, mas sim à Masami Kurumada, Toei e Cia.

Eu recomendo pra essa primeira parte do capítulo a música People Ain't No Good da trilha sonora de Shrek 3. Quem canta é Nick Cave. E peço desculpas adiantadas pelas lágrimas que podem vir. xD

Os Pilares da Terra: O Despertar da Senhora da Lua

Capítulo Três

Arising

Naquela mesma noite, Aiolia decidira ir falar com Marin. Ensaiara centenas de vezes o que falar enquanto subia para sua Casa, tomava banho, fazia a barba. E repetia mil vezes mentalmente o que iria falar pelo caminho até a Vila de Rodório. Por falta do que saber vestir, decidiu usar a armadura de Leão mesmo. Sempre achara que ela lhe caía bem afinal.

Bateu a porta da pequena casa. Poucos segundos depois, foi aberta.

- Leão? – a voz rouca da Amazona de Cobra o fez virar de volta para a porta.

- Ah, Shina... er... será que... a Marin está?

- Está... – a italiana respondeu com uma das sobrancelhas arqueadas, por trás da máscara e pelo tom usado... Parecia desconfiada. – O que você quer com ela a essa hora, hein?

- Er... bem... será que eu poderia falar com ela?

A mulher o olhou de cima abaixo através do pequeno orifício para os olhos.

- Hum... só um instante, que eu vou chamá-la.

- Obrigado...

Alguns instantes se passaram. Marin e Shina dividiam a mesma casa já há algum tempo. Por mais que antes a Águia não se bicava com a Cobra... agora ambas se entendiam e acabaram por morar juntas. Antes, Marin morava com algumas servas do Santuário, o que não era lá muito bom. Às vezes, sua patrulha ia até tarde da noite, enquanto as mulheres que trabalhavam nas Doze Casas iam dormir bastante cedo e levantavam antes do raiar do dia. Seus horários nunca batiam.

- Aiolia? Aconteceu alguma coisa? O que faz aqui? – ao ouvi-la, o leonino sentiu seu coração dar um pulo e bater forte. A boca do estômago se contraiu, se retorcendo com as borboletas dentro dele.

- Er... bem... – começou encabulado. – Eu... eu queria lhe falar, Marin. Será que podíamos... sabe... dar uma volta...? Ali pela arena mesmo... não precisamos ir longe. – ele acrescentou afobado ao notar uma ponta de suspeita no olhar dela.

- Claro... vamos.

O Cavaleiro seguiu ao lado dela, um pouco aflito. Queria falar para ela sobre certas coisas que haviam sido proibidas a eles há tanto tempo. E como começar?

- Então... o que você quer falar comigo?

- Bem, Marin... sabe... agora que nós fomos revividos... meu irmão voltou... e eu tenho pensado bastante sabe... Nós passamos por tantas coisas... e... com tudo o que aconteceu quando Saga estava possuído por Ares... com a morte do Olos... eu aprendi algumas coisas... a gente nunca sabe quando vai ser nosso último dia... quando tudo aquilo que nós queremos e que nós sentimos não vão poder se realizar... e bom... eu... tenho coisas e sentimentos que eu gostaria de realizar ainda... e eu não sei quando vou ter essa chance...

- Sim... você tem razão...

- Então... eu... – suspirou, tentando se acalmar e desacelerar o seu coração. – Eu acho que... eu tenho de aproveitar essa nova chance que me foi dada por Athena...

- Deve...

- E... Marin... – ele parou e virou-se para ela. – Sabe... eu gostaria de aproveitar essa nova chance com você.

A Amazona permaneceu quieta. O estômago de Aiolia sofria.

- Aiolia... o que você quer dizer... é...

- Eu gosto de você Marin. Muito. De verdade. E quero estar com você... quero... viver uma vida ao seu lado, como um homem com uma mulher.

- Ah... – a voz dela não saiu nem um pouco animada. – Leão... eu sinto... sinto muito, muitíssimo mesmo, mas... para mim, você é apenas um amigo. Infelizmente, não posso retribuir os seus sentimentos.

O chão sob os pés dele sumiu. Como uma ave que recebe um tiro em pleno vôo e despenca das alturas. O rapaz não sabia o que havia lhe doído mais. A palavra Leão, que demonstrava uma distância tão grande entre eles... ou "você é apenas um amigo". Ou o fato de ter se aberto completamente a ela e receber um não. Bancar o idiota. Engoliu em seco. O gosto amargo da rejeição desceu pela garganta.

- Entendo. Bem... boa noite então, Águia.

- Aiolia... – ela tentou chamá-lo ao vê-lo sair com uma frieza digna de Aquário.

O rapaz subiu de volta a Quinta Casa Zodiacal. Mas não parou. Rumou diretamente para a Nona. O irmão estava assistindo televisão, quando o mais novo entrou, quase como um furacão e sentou-se ao seu lado no sofá, sem dizer uma única palavra. Mas pelo semblante...

- Ela me deu um não... – a voz saiu amarga, assim como as lágrimas que escorreram dos olhos verdes. – Um belíssimo de um não, Olos...

E chorou como criança.

- Olia... – a voz terna do mais velho lhe deu um breve consolo. – Ah, irmão... isso acontece... – e o puxou de lado, abraçando-o.

- O que você sabe? Você ficou morto por tantos anos... – disse magoado.

- Eu sei... mas quem disse que eu nunca levei um não na cara antes de morrer?

Mas nem isso consolou o leonino, que chorava quase copiosamente.

- O Shura sabe o que eu sofri naquela época... – olhou o irmão mais novo. – Aiolia... não é o fim do mundo... a Marin não é a única mulher do mundo...

E apesar de tudo, no fundo, a razão dele sabia que Sagitário estava certo. Mas o coração...

Em terras desconhecidas pelos Cavaleiros...

Ao longo do rio, sombras se arrastavam, curvadas diante da mulher de longos cabelos negros. Seguiam seus passos, determinados, para longe.

Escuridão. Sombras. Trevas. Era tudo o que ela representava.

Sua jornada terminaria somente quando o Mundo estivesse coberto pelas trevas. Mas para isso, precisaria de suas irmãs e eram elas que iria despertar.

- Morrigan! Cerridwen! – a mulher gritou para o ar.

Agachou-se e encheu as mãos de terra. Oferecendo-as ao céu e a lua, recitou palavras em uma língua há muito esquecida.

- Irmãs, levantai-vos! Despertai! É chegada a hora de fazermos descer sobre o mundo dos vis humanos as Trevas! Os outros Pilares estão enfraquecidos... A Unidade não detém mais todo o Poder... Não concentra mais a crença dos humanos! Enfim, poderemos derrubá-la! Levantai-vos, Irmãs! Morrigan! Cerridwen!

Havia, naquele momento, uma tensão no ar, como um grande respiro antes do mergulho, porém ainda mais profundo. No vazio, houve uma tremulação, para depois, uma forma começar a aparecer.

Longos cabelos ruivos e ondulados. Olhos de um tom acobreado. Pele clara e ligeiramente marcada por sardas suaves. Alta, porém magra. Seios pequenos, mas bem delineados. Cintura fina.

- Scath! – a voz profunda de quem dorme há muito tempo chamou.

- Morrigan!

- Chegou a hora...

- Sim, Irmã...

As duas mulheres tomaram o rumo do horizonte. Acompanhadas de seus servos, sombras e espíritos.

Santuário

Era um dia como outro qualquer. Os treinos corriam perfeitamente bem. Mas alguma coisa parecia não estar bem, para Milo. Haviam recuperado a vida, estavam treinando novamente, estavam todos reunidos. Ele voltara a freqüentar bares da cidade. Voltara a se divertir. Tivera algumas boas noites acompanhado de alguma serva. Então, o que raios não ia bem?

Sua amizade com os Cavaleiros estava perfeita. Indo de vento em popa. Camus e ele haviam se acertado, "perdoara a traição do amigo", como gostava de dizer parar irritar o aquariano. Com outros, nada mudara. Havia aceitado Kanon no Santuário desde a guerra contra Hades e permanecia sem mudar de idéia. Inclusive vinha se dando bem com o gêmeo de Saga. E pelo menos, estava começando a aprender a diferenciar um do outro. Como era difícil encontrar alguma diferença física entre eles.

- É simples... o brinquedo do Saga é menor... – o recém consagrado Cavaleiro declarara em uma noite num bar, após algumas bebidas, durante uma discussão entre os dourados para saberem quem era quem.

"E eu lá quero saber o tamanho do brinquedo do Saga!", pensou Milo. "Se bem que... às vezes é bom saber qual é nossa classificação..."

Deixou aqueles pensamentos de lado. Ccomo bom escorpiano, sabia que aquele incomodo no peito, aquela vozinha lhe gritando insistente e irritantemente que algo não estava bem, ou melhor, aquela intuição de que algo não estava certo deveria estar certa. Tinha uma intuição quase feminina. Quase.

Desde criança, tinha momentos que sentia no fundo do peito, ou da mente, uma inquietação, uma voz a lhe gritar, avisando sobre alguma coisa. Fora assim quando Saga foi possuído por Ares. Foi assim quando houve a Guerra Santa. E era assim agora.

Mas... o que diabos poderia estar acontecendo? Hades estava morto. Poseidon havia sido, há muito, derrotado. Todos os Deuses que pretendiam um ataque contra o Santuário estavam devidamente lacrados, selados, mortos ou derrotados.

Ou será que teria sido alguma coisa que havia feito que não estava certo? Verificou a Casa inteira para se certificar de que estava tudo no seu devido lugar, na devida ordem, devidamente desligado, devidamente limpo. Tudo estava impecável. Digno da Casa de Aquário ou Virgem.

- Por Zeus... o que será isso que estou sentindo...?

- Tá falando sozinho, inseto?

- Hein? Ah, Máscara da Morte... é você.

- Deu de falar sozinho agora?

- É... quer dizer... não... eu estava pensando alto... estou sentindo uma espécie de inquietação... como se alguma coisa não estivesse certa... ou como se algo ruim fosse acontecer...

- Iiih, acho que o veneno das tuas Agulhas te fez mal...

- Eu estou falando sério, Máscara da Morte! – e os olhos de Milo brilharam com uma certeza quase hostil.

Câncer recuou nas suas palavras. Ia zombar, mas percebeu a seriedade e até uma certa ameaça no olhar de Escorpião.

- Mas nós não estamos em tempos de paz, cáspita? Hades não foi morto? Poseidon não está derrotado? Não tem mais nenhuma porcaria de Deus pra nos ameaçar!

- Eu sei, eu sei... mas não sei o que é. Só estou sentindo uma espécie de intuição...

- Bah, agora deu de ter intuições de mulherzinha?

O rapaz grego fuzilou o outro com o olhar.

- Tá, tá... mas o que é que você veio fazer aqui, afinal?

- Ué... você já esqueceu?

- Esqueci o que?

- "Hoje é dia de festa, bebê!" – Máscara fingiu uma voz afetada, fazendo trejeitos de um certo pisciano.

- Ah... isso! Tinha me esquecido completamente!

Em paralelo...

No céu, um reino luminoso de estrelas e planetas, algo se agitou...

Uma energia poderosa, como ondas em um mar. Mas como um raio, se dissipou.

Imediatamente, a Lua desapareceu do céu na Terra e uma esfera luminosa prateada riscou o firmamento. Parecia um cometa... algo que cruzou os céus, emitindo luz.

No meio do nada, uma grande explosão ocorreu, atingindo uma garota qualquer, que estava próxima da praia. O mar subiu ao redor e a arrastou inerte para longe.

XxxX

Oi pessoal... Bem, espero que a primeira parte do capítulo não tenha feito vocês quererem me matar! É uma cena necessária para o que vai vir adiante. Se não, alguéns muito especiais não ficam com par!

Enfim... Eis mais um capítulo, e eu também não sei se tem algo a comentar além disso e do fato de eu estar retratando o Milo como um escorpiano típico. Somos conhecidos por nossa intuição!

E eu não pude evitar colocar o Mask indo aporrinhá-lo (não entendo o lance do Kurumada não explorar a Astrologia, enfim...) Em geral, cancerianos e escorpianos se dão bem. Tenho um punhado de amigas cancerianas...

Ah, e claro! Eu não poderia deixar de inserir um toque de humor e lançar aquele "Hoje é dia de..., bebê!". Ainda mais sendo algo que o Dite falaria e meu carcamano lindão com certeza iria zoá-lo por isso!

Então, é isso, pessoal!

Os vejo no grupo de Saint Seiya Ficwriters – FFnet no Facebook! Quem ainda não está lá, tratem de procurar e pedir autorização ;D. Temos diversos ficwriters e fanartistas que direto postam imagens e tal. Fora as bagunças e os ataques de possessividade (meus, sim, mas também de todo mundo que tem um Cavaleiro que o considera seu "marido"!). Mas no mais, é tudo gente boa, tudo diversão e brincadeiras!

Beijos!